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quarta-feira, 7 de junho de 2023

ChatGPT - Risco de Extinção da Humanidade

Tenho lido dezenas de artigos de opinião sobre a Inteligência Artificial, quer artigos nacionais quer estrangeiros. Já ouvi também um ou outro programa sobre o assunto. Até fui rever o filme I.A. do Spielberg. Mas esta reportagem "A Próxima Palavra" de Isabel Meira na Antena 1 acho que é obrigatório ouvir.



"Agora poderia perguntar ao Chat GPT como fazer uma reportagem sobre o Chat GPT. Mas não o vou fazer.

"Quantas mais palavras conhecemos mais somos capazes de dizer o que pensamos e o que sentimos" (Saramago)

O silêncio quase absoluto aconteceu na vida de Catarina durante dez dias. 
"Quando a pessoa fica sem nada, ou seja, fico só eu comigo própria, sem qualquer outro estímulo. Catarina tem 26 anos, acaba de regressar de um retiro de silêncio em Espanha. 
"Uma pessoa entrega o telemóvel, não pode ler, não pode falar com os outros. São dez dias de meditação em silêncio, não é aceite sequer trazer cadernos para escrever. A pessoa tem que acordar às 4, 4 e meia começa a primeira meditação, depois duas horas de meditação e pequeno-almoço, um bocadinho de descanço, três horas de meditação, almoço, quatro horas de meditação lanche, não tínhamos jantar, eram duas peças de fruta, mais três horas dormimos. Esta rotina tem que ser mantida. Foi muito duro. 

Escolho falar sobre o silêncio e penso: "porquê falar do silêncio numa reportagem sobre o Chat GPT? A rádio não lida bem com o silêncio. O Chat GPT nunca fica em silêncio. Qual é o lugar do silêncio na vida?

Pequeno-almoço, almoço, jantar. Estava sempre com um livro ou um filme. Não podia estar comigo própria com os meus pensamentos no silêncio. Não para mim não existia. Tinha de ocupar a minha mente sempre com informação. Precisava de estar constantemente a consumir este tipo de informação.

O Chat GPT em particular foi treinado para uma coisa muito simples, que é prever a próxima palavra numa sequência de palavras. 

O que é que é diferente nestes modelos de linguagem? Eles foram treinados com grandes volumes de dados, quase com a internet toda, não é exatamente coma  internet toda mas com grande parte. Só para ter uma ideia o ChatGPT foi treinado com dados que, se um de nós fosse a ler durante 24 horas por dia demoraria cerca de 5 mil anos a ler. 

Esta noção da abrangência não é consensual. A investigadora Joana Gonçalves de Sá, um dos nomes mais destacados no estudo sobre enviesamentos e desinformação fala sobre desertos de dados e desconstrói a ideia de que o mundo está todo representado na internet. 

"Por exemplo, quando se diz "toda a internet" uma pessoa pensa logo em todas as redes sociais. Não é verdade. Tem uma grande preponderância duma rede social em particular, que se chama Reddit que se sabe que tem uma muito maior participação de jovens dos Estados Unidos. Portanto há uma grande sub representação da forma como pensam e falam e agem, esses jovens que estão nessa rede social. Que é uma minoria da população. Porque a internet também é enviesada e porque os sítios da internet escolhidos para treinar o modelo muitas vezes só porque os dados são disponíveis também são enviesados, estes modelos são naturalmente enviesados. Estes vão transmitir uma cultura particular, uma ideia particular, valores particulares e é muito mais fácil pensarmos que, se toda a gente está a usar esta ferramenta vai haver uma uniformização do tipo de informação a que eu tenho acesso e até quase do tipo de estrutura de pensamento e de comunicação a que eu posso chegar. 

A partir do momento que nós criamos um modelo de linguagem que fala como nós que faz o discurso estruturado que até pode usar vocabulário ou mais académico ou mais cuidado ao que nós tipicamente vemos na discussão do café, ainda mais credibilidade pode ter a informação que lá está. E existe muitas vezes a ideia que é muito difícil de combater que as coisas que são mais intuitivas ou que parece que fazem sentido, que é lógico, são erradas. Mas é fácil usar esse tipo de enviesamento de nós pensarmos "ah faz sentido" ou é provável para nós acharmos que é real. O que estes modelos de linguagem é provável. Portanto nós com facilidade podemos pensar que é real. 

E agora com o ChatGPT, escrevemos mais ou menos?
O filósofo e linguista norte-americano Noam Chomsky tem sido uma das vozes mais críticas considerando, numa das muitas entrevistas em que falou sobre o tema, que o ChatGPT serve apenas para evitar aprender e é basicamente uma forma de plágio de alta tecnologia. 

No senado norte-americano o presidente executivo da Open Ai foi questionado sobre o impacto do ChatGPT no mercado de trabalho. Aconteceu em todas as revoluções tecnológicas, normalizou-se diz Altman. O argumento é: muitas tarefas vão ser automatizadas com ganhos para os seres humanos. É uma espécie de mantra que tem acompanhado o norte-americano de 38 anos em digressão mundial. Sam Altman diz-se otimista mas pede aos governos que avancem com a regulação. Admite, por exemplo, que os modelos podem ser usados para manipular resultados eleitorais. O maior receio, diz, é que as tecnológicas causem um dano significativo ao mundo. 

Quatro meses depois de ter lançado o ChatGPT a Open IA apresentou o GPT4 e fez outra coisa para mostrar que já é tão bom ou melhor que os humanos em algumas profissões: passou o exame de admissão à Ordem dos Advogados norte-americana. 

A grande maioria destas revoluções que nós estamos a viver na era digital estão a ser lideradas por empresas privadas quase sem controlo nenhum dos Estados. 

Eu acho que é a primeira vez da era moderna em que nós estamos a desresponsabilizar-nos, nós cientistas e nós os Estados de ser atores muito participativos muito ativos em algo que é uma revolução científica e tecnológica. Portanto, estas empresas estão a conseguir fazer isto porque podem porque têm financiamento para ter acesso a estes dados, para ter capacidade computacional para os fazer e, eventualmente, até para toda a parte da curadoria humana. O ChapGPT depois tem humanos a corrigir não é? E eu não conheço centro de investigação nenhum que tenha este tipo de recursos. 

Para ilustrar o impacto que o fenómeno ChatGPT pode ter na sociedade a investigadora faz uma comparação simples: Nós lançarmos produtos destes para o mercado sem estarem regulados é quase como nós lançarmos medicamentos sem os testarmos antes. 

Eu tenho dado muitas vezes o exemplo da revolução industrial. Entre a descoberta da máquina a vapor e a primeira legislação a limitar o trabalho infantil nas fábricas passaram 70 anos. E esta primeira legislação ainda dizia coisas do tipo "crianças de 9 anos não devem trabalhar mais de 12 horas por dia. Coisas que para a nossa sensibilidade de agora são chocantes. E eu acho que quase sempre que aparece uma destas tecnologias e uma revolução tão grande nós temos um período que eu vou chamar a "idade negra" do desenvolvimento dessa tecnologia. Nós vamos fazer todas as coisas que nos vamos arrepender agora. E estamos a fazê-las muito rapidamente. Mas agora é a altura em que estamos a ter as crianças a morrer nas minas de carvão. 

Sam Altman avisa: se correr mal pode correr muito mal. E a tradução pode ser "risco de extinção da humanidade"

sábado, 31 de dezembro de 2022

Não lhe Dava Mais de 36

 A minha mãe pergunta-me que idade tinha a cantora (Cláudia Isabel) que morreu há dias de acidente de viação. Googlei mas o mais engraçado é que, os dois primeiros resultados, e estamos a falar de sites de jornais (Jornal de Notícias e Diário de Notícias), supostamente fontes de informação fidedigna, e surpreendentemente dão-me resultados bem diferentes:


Que 2023 nos continue a brindar com informação rigorosa!

domingo, 3 de abril de 2022

Os Refugiados Ucranianos São os Novos Animais de Estimação

Felizmente Putiu acabou com a pandemia - os negacionistas tinham toda a razão e afinal bastava desligar a televisão que a pandemia acabava - e trouxe um novo tema, até porque máscaras, vírus e vacinas já cansava, ainda que, estranhamente, as pessoas tenham ido, de novo e em massa esgotar stocks de papel higiénico, o que mostra que continuam a ignorar para que serve aquela peça dos quartos-de-banho a que se dá o nome de bidé.

A fibra da internet chegou finalmente aqui à aldeia e os comerciais das diferentes empresas andam por aqui como cães atrás dum osso. Eu continuo sem televisão e caca vez mais tenho pena de quem vê. Ou seja, nada tenho visto sobre o que se passa na Ucrânia, mas, parece-me que nem devo ser dos portugueses pior informados.

Desde 2014 os nazis ucranianos mataram 14 mil russos. Mas isso não aconteceu porque o Ministério da Verdade europeu nunca falou disso. No entanto agora proíbem os meios de comunicação russos por espalhar "propaganda". Só é permitida a narrativa americana, da NATO e dos políticos que lideram a UE. Volto o lápis azul à Europa ainda que isso viole a Constituição portuguesa.

Então, na historinha que nos contam, Putin é mau da fita (os bons são os americanos, a NATO e nós da UE) e as invasões e bombardeamentos do "bem", e que defendem os "direitos humanos", como Guterres disse quando os americanos bombardeavam a Jugoslávia, são as invasões em que nós participamos. Quando os americanos invadem países, como invadiram dezenas deles só por interesses económicos ou para decapitar regimes hostis, é sempre para defender os "direitos humanos"!  

Nós somos os bons, "eles" são os maus. 

Vamos banir a salada russa, o strogonoff, o Dostoievsky e o Tolstoi, a ópera e o bailado russo. Infelizmente nunca vi por aqui banir-se a Coca-Cola, a Pizza Hut, o cinema de Hollywood bem como outras merdas americanas, sempre que os americanos resolvem bombardear algum país ou decapitar um determinado regime, e basta pensar um bocadinho, porque também já fomos Ucrânia a seguir ao 25 de Abril. Por isso aconteceu o 25 de Novembro e o socialismo hostil aos americanos foi metido na gaveta. 

Nos jornais portugueses Putin até aparece com a bandeira comunista, apesar de, curiosamente, os comunistas serem oposição na Rússia. E claro que eles sabem, só querem espalhar a desinformação e o ódio comunista. São russos, são todos soviéticos, apesar da União Soviética ter acabado há trinta anos. São maus e os comunistas comem criancinhas e até a Nossa Senhora de Fátima e os pastorinhos instruídos também não gostavam nada deles e ela haveria de os converter. Só que não aconteceu e já nem na mãe de Deus nos podemos fiar. 

Veio a guerra, e diz-se que é na "Europa" para parecer que as bombas já estão a cair mesmo aqui ao lado e, infelizmente, esse é o maior drama de todos, deslocam milhares de pessoas que fogem como podem, tantas vezes só com a roupa do corpo. 

Mas estes refugiados ucranianos são muito diferentes dos sírios, que são refugiados rafeiros. Estes são refugiados de raça, tal como os cães e gatos. São loirinhos e têm olhos azuis. Os outros não, deixam-se morrer no alto mar. Relembrar a grande hipocrisia da União Europeia que no parlamento europeu votou - por uns meros dois votos - contra o salvamento de migrantes! E três portugueses não votaram a favor. Nuno Melo que hoje aparece como candidato a líder do CDS votou contra. 

Mas agora são migrantes de guerra e já não são terroristas, nem vêm para cá com Iphones. Estes são refugiados do "Bem"!

Vai daí, os portugueses, que têm sempre memória muito curta e gostam de pensar que estão a fazer alguma coisa de importante, porque sempre fomos muito voluntariosos e pouco organizados e também porque é fixe fazer caridadezinha e dá gostos nas redes sociais, as pessoas lá se mobilizaram para ajudar, e enviar mantimentos para a Ucrânia e depois para ir buscar refugiados do "bem", tendo-se já esquecido do que aconteceu na queda da ponte de Castelo de Paiva (em que os milhões em donativos nunca chegaram a quem devia ou, bem mais recentemente, o que aconteceu em Pedrógão Grande, com armazéns cheios de comida a estragar-se.  

Vários empresários também, como por exemplo Mário Ferreira, aquele senhor muito importante dos barcos que escraviza os trabalhadores e comprou a TVI, logo se prontificou a mandar autocarros para ir buscar mão de obra barata, perdão, a ir salvar meia dúzia de refugiados queridos para fazer caridadezinha até porque os barcos precisam de mais escravos e por cá, os portugueses são uns preguiçosos e não querem trabalhar 16h por dia a ganhar mil euros ao fim do mês.

Até que, aconteceu o que já se previa. 

Os refugiados ucranianos de raça, loirinhos e de olhos azuis trasformaram-se nos novos animais de estimação. São muito lindos quando são pequeninos e dão imensos gostos nas redes sociais, mas depois crescem, tem que se levar a cagar e dar de comer e largam pelo e é uma chatice. Mais vale abandoná-los à sua sorte. 

domingo, 17 de janeiro de 2021

Crónicas da Pandemia: Quando os Média Mentem por Ocultação

https://www.manipalthetalk.org/

As pessoas continuam-me a dizer que tenho que usar máscara na rua porque é proibido andar fora de casa sem máscara. Por estes dias fui dar uma caminhada com o meu padrasto, e ele, a medo perguntou: é melhor levar máscara não é? Mas se nós somos do mesmo agregado familiar, e vamos andar pelo meio do monte, qual seria o sentido de andar com a máscara colocada? O que lhe disse foi que, se prefere, leva a mascara consigo que, caso nos encontremos com alguém, podemos colocar, mas mesmo assim não seria necessário, porque estamos a falar de uma aldeia, onde facilmente, na rua, podemos ficar a dois metros uns dos outros!

Esta foi das coisas que mais me irritou nos média. Ainda me lembro muito bem. A minha colega chega ao trabalho e diz-me "amanhã já vai ser obrigatório andar de máscara na rua". Ao que eu lhe respondi "isso não pode ser verdade", e ela contrapõe "mas eu ainda agora ouvi na Rádio Comercial". Não interessava onde ela tivesse ouvido! Se nesse mesmo dia a lei estava a ser votada no parlamento como é que no dia seguinte já seria obrigatório o uso de máscaras na rua? Era uma impossibilidade! Se a lei é discutida no parlamento, primeiro tem que ser aprovada pelos deputados, depois tem que ser aprovada pelo presidente da república, mas depois ainda tem que ser publicada em Diário da República, e só a partir daí é então lei e alguém pode ser multado pelo seu incumprimento.

Curiosamente logo no dia seguinte fui a uma consulta no hospital e a verdade é que constatei que as pessoas andavam generalizadamente de máscara nas ruas ainda que, em bom rigor a maioria não tivesse que o fazer. Porquê? Porque os média não informaram corretamente. Os média focaram o "obrigatório" mas não leram a lei até ao fim, acabando por semear o medo pela fata da máscara e não informaram corretamente. 


E a correta informação é que SIM, o uso de máscara é OBRIGATÓRIO por lei, mas, sempre que não seja possível o distanciamento de dois metros. E claro que ninguém vai andar com uma fita métrica no bolso para medir se está, ou não, a dois metros de distância dos outros. É uma questão de sensatez. Se eu vou ao Porto e vou passar pela rua Santa Catarina que está com centenas de pessoas, pois com certeza que vou colocar a minha máscara para me proteger e, principalmente proteger os outros. Se estou a caminhar sozinho não faz sentido colocar a máscara se não a estava a usar antes.

Que as pessoas confundam o que ouvem é normal. Mas que sejam os jornalistas, profissionais da comunicação, em que a sua vida é informar os outros, a não o fazer convenientemente e espalhem a desinformação é que já não se admite. 

Outra questão noutro sentido. É sabido que o valor das coimas para o não uso da máscara duplicou. Então e qual é, pergunto eu, a multa para, publicamente, apelar ou difundir ideias de que a máscara e o distanciamento não protege nada? Aquela malta dos Mentirosos pela Verdade foi multada? E a médica que andou a explicar como falsear os resultados dos testes, foi impedida de exercer medicina?