"Quando as pessoas iniciam um curso de medicina, deveria ou não deveria haver mais algum critério, que não apenas uma média altíssima? As pessoas podem ter a opinião que quiserem. Um facto é indiscutível. As médias altíssimas não provam rigorosamente nada da capacidade daquela pessoa para aquilo que eu considero o fulcro de qualquer relação de ajuda, neste caso a medicina, a sua capacidade para estabelecer uma relação de ajuda. Nada. Lembra-se de eu lhe dizer, num registo paralelo, que uma vez as três médias de 18 do meu curso iam calmamente no corredor do Hospital de São João e, de repente, uma pessoa teve uma crise epilética à nossa frente. E as três médias mais altas ficaram petrificadas. E um colega nosso, que se bem me lembro se deve ter formado com uma média de 11, 12 ou 13, imediatamente tomou as medidas necessárias para ajudar aquela pessoa. Uma coisa é ter notas altas nos exames, outra coisa é estar à cabeceira da cama do doente, ter o doente à nossa frente, etc. E portanto, é bom dizer que há quem defenda, que deveria haver uma avaliação mais diversificada, mais complexa, dos candidatos para medicina.
(Júlio Machado Vaz)
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