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domingo, 3 de janeiro de 2021

Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado

"Há livros que nos escolhem" disse-me aqui certa vez a Ceres. Talvez tenha sido este o caso. Olhei para a estante e este livro fez-me um sinal e disse para lhe ler a contracapa que dizia o seguinte:

As profundezas de uma alma pervertida pela deturpação da fé, eis o tema deste grande romance. Escrito com simplicidade é bastante contundente pelo sentido alegórico do contexto: a luta entre o bem e o mal, tratada com ironia e representada pelo ódio entre dois irmãos.Deste conflito surge uma trama de raro vigor, onde os dogmas são postos são postos em dúvida, e onde se verificam antecipações notáveis sobre o problema da dupla personalidade, o que situa o autor como um dos precursores do romance psicológico.
James High foi redescoberto no nosso século, voltando à cena literária graças a este estranho livro que mostra a que extremos o fanatismo pode conduzir.


E quando começo a ler na introdução que Hogg era filho de gerações de pastores de ovelhas e ele mesmo se transformou pastor e que só quase com trinta anos é que começou a ler e a escrever interessou-me ainda mais. Fiquei a saber que este autor escocês que nasceu em 1770 era completamente ignorado nos meados do século vinte, mesmo na própria Inglaterra. Até que este livro "Memórias e confissões de um pecador justificado" foi lido por André Gide (escritor francês que venceu o Nobel em 47) que o achou muito bom e quis saber mais e verificou isso mesmo, que na própria Inglaterra ninguém tinha lido este livro e quis então promovê-lo e reeditá-lo. 

Este livro de 1824 começa por ser a história de dois irmãos, filhos de uma mãe extremamente devota e de um pai rico, senhor de Dalcastle, não tão religioso assim. Os pais acabam por viver de forma separada na própria casa, porque a senhora impede a concretização normal do casamento (logo na noite de núpcias). E se o primeiro filho fica a viver com eles, o segundo, por suspeitas de infidelidade, acaba por ir viver com o protegido da mãe, o revendo Wringham. Os irmãos crescem separados e não se conhecem até um certo dia. Mas o livro é muito mais do que a história da vingança de um irmão sobre o outro... mas agora para o saberem agora terão que o ler! O que vos posso dizer é que, este é um livro dos diabos! Literalmente! 


sábado, 19 de dezembro de 2020

Os Livros Que Li em 2020


 Estamos a poucos dias de terminar o ano de 2020, e acho que pela primeira vez, porque fui tomando nota, sei precisamente todos os livros que li este ano. Não são muitos, eu também nunca fui de ler muito, mas é um número redondo: um por cada mês do ano. 

Comecei o ano com um pequeno livro de cariz romântico, "Noites Brancas" o segundo que li de Dostoiévski, depois do Pobre Gente.

Depois peguei no livro "Ratos e Homens" de Steinbeck simplesmente porque era um livro citado em Lost, a minha série preferida: É de Of Mice and Men - Tu Não Lês? E a verdade é que ao longo das seis temporadas, vários livros são citados. Portanto, neste caso podemos dizer que as séries também podem incentivar à leitura, pelo menos comigo funcionou, e posso dizer que gostei muito deste primeiro livro que li de Steinbeck. Muito bom. O livro foi publicado em 1936, a seguir à grande depressão nos Estados Unidos, fala-nos duma grande amizade entre dois homens e das muitas dificuldades que é viver no mundo rural dos anos trinta nos Estados Unidos. 

Quando gostamos muito de um autor é normal queremos ler mais coisas que tenha publicado. Foi o que me aconteceu, e então, logo a seguir a Ratos e Homens resolvi ler "As vinhas da Ira". E ainda que o fiz pois é que grande livro e não foi à toa que a academia sueca atribuiu o Nobel ao escritror americano. Gostei mesmo muito e recomendo a todos. O livro o grande êxodo dos americanos do Oklahoma rumo à California em busca de uma vida melhor, e depois a frustração de lá chegados verem o preconceito e racismo dos próprios concidãos, que os maltratam e exploram, quando não os matam mesmo. Um retrato extremamente atual do que é capitalismo selvagem da sociedade americana. 

Depois de dois livros seguidos de Steinbeck peguei no Outubro do Patriarca de Garcia Márquez mas ao fim de vinte páginas, talvez porque não fosse o melhor momento par o ler, resolvi encostá-lo e pegar no estoicismo de Séneca em "Cartas a Lucílio", o livro mais inspirador do ano.

E ao quinto livro comecei entrei nos tempos da ditadura, o tema mais lido do ano  com o primeiro volume de Andanças para a Liberdade de Camilo Mortágua. 

Seguidamente, porque já tinha o livro e quis conhecer mellhor o perfil do general sem medo Humberto Delgado, e confrontar com a opinião de Camilo Mortágua, resolvi ler "Obviamente Demito-o" antes de me embrenhar nas aventuras do segundo volume.

Depois de completado o segundo volume das Andanças de Camilo Mortágua resolvi ler "Opressão e Repressão - Subsídios para a História da PIDE" para ficar a perceber ainda melhor todo o modus operandi da polícia fascista de Salazar. 

Depois de cinco volumes sobre o combate ao Estado Novo e à ditadura fascista, de novo o regresso a um romance, um que romance, o clássico Ana Karenina.  

Para desenjoar de um livro com tantas centenas de páginas, e porque nas semanas seguintes se comemorava os duzentos anos de do nascimento acabei ler uma pequena biografia de Engels.

Após umas duas semanas sem saber muito bem em que livro dos muitos que tenho em casa para ler, acabei por pegar no livro "Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado de James Hogg que para já estou a gostar bastante.