quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Despedir o Treinador Que Ainda Nem Sequer Fez Um Jogo

Rui Rio é presidente do Partido Social Democrata (que já foi PPD) há precisamente um ano (13 de Janeiro). Ganhou as eleições depois de Passos Coelho se ter cansado de anunciar a vinda do Diabo, que nunca mais havia jeito de vir.

A primeira pessoa a chegar-se à frente na sucessão foi Rio, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto. Na iminência de não ter qualquer oponente, apareceu Santana Lopes (para delírio das Santanetes) que como se sabe "anda sempre por aí". E, mesmo depois de ter dito em 2013 que (depois da porcaria que fez nos quatro meses em que foi primeiro-ministro em 2005) "nem que o vento mudasse dez vezes teria hipótese de voltar a ser primeiro-ministro", foi mesmo a votos para disputar a liderança do PSD. Mas perdeu. 

Rui Rio ganhou com 55% dos votos. Só que Rui Rio começou a mandar no partido, mas contra a maioria dos deputados eleitos pelo PSD e escolhidos por Passos Coelho para o parlamento. E desde então, em vez do partido se unir para tentar ser uma alternativa ao governo socialista (acho que é isso que se deveria chamar, "alternativa" e não "oposição") não, entraram em guerrilha permanente. E o que eu gostaria de saber é, como é que um partido que nem sequer se entende, pode ousar pensar que as pessoas lhes confiarão votos para governar um país?

A liderança foi então disputada por Rui Rio e Santana Lopes porque mais ninguém quis avançar, queimar-se perante a impressionante cavalgada da coligação de esquerda no parlamento. 

O ex-líder da bancada parlamentar, Luís Montenegro, que em pleno período de cortes e roubos de salários teve esta tirada: "A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor", que me deixou a pensar até hoje, afinal, o que é um país? Será um pedaço de terra em que não vive ninguém?
Montenegro, muito apoiado para uma eventual candidatura, acabou por decidiu não concorrer à liderança do partido, alegando razões "pessoais e políticas" e por entender que “não estavam reunidas as condições necessárias” para o fazer.

Entretanto passou um ano. Não houve qualquer eleição para tentar aferir da opinião dos portugueses acerca da popularidade de Rui Rio, mas agora sim, já aparece Luís Montenegro a exigir novas eleições no PSD! Claro, agora sim já era o momento certo, porque há um cheiro de poder no ar, porque se avizinham eleições legislativas lá para Outubro!



No Partido Socialista passou-se o mesmo. José Sócrates decidiu abandonar a liderança do partido e José Seguro foi eleito líder do partido com quase 70% dos votos contra Francisco Assis que teve pouco mais de trinta. Repito: António José Seguro foi eleito em 2011 líder do PS com quase setenta por cento dos votos!! 

António José Seguro, como líder do partido, venceu duas eleições: as autárquicas de 2013 e as Europeias de 2014. Só que, de novo, o cheiro a poder já fedia no ar porque havia Legislativas no ano seguinte, em 2015. E foi então que deu à costa a oposição interna. António Costa começou a criticar o líder e a dizer que "não basta ganhar" porque "quem ganha por poucochinho é capaz de poucochinho". 

Olhemos então para o que aconteceu. António José Seguro ganhou duas eleições como líder, mas ao fim de três anos apareceu António Costa para lhe puxar o tapete em eleições internas criticando-o por vencer por "pouco". António Costa vai a votos e, perante o governo mais odiado de sempre, perde para a coligação (PSD+CDS) e com um resultadozinho de 32%!! 

Temos então que, no PS mandou-se embora um treinador que só sabia ganhar por 1-0 ou 2-0 mas ganhava. No PSD são ainda mais inteligentes, querem despedir um treinador que ainda nem sequer fez um só jogo!! 

Não, isto não faz sentido nenhum e estamos a falar dos dois maiores partidos em Portugal. PS e PSD só estão interessados no poder, o resto nada interessa. Vai-se para a política, não para tentar fazer algo pelas pessoas, mas sim para satisfazer clientelas e agendas próprias. E depois queixam-se da escalada de votos em partidos fascistas de extrema-direita. 

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