sábado, 23 de julho de 2016

Sanjo

Tive umas brancas. Deveria ter treze ou quatorze anos, por aí, quando tive umas Sanjo e lembro de correr nas aulas de educação física com elas. E lembro de serem muito confortáveis. E foram as únicas que tive, até porque a marca faliu há vinte anos. Entretanto  voltou de novo, com novos donos, em 2009, mas de Sanjo, que é como quem diz São João da Madeira, já não têm nada. Segundo a Wikipedia, a produção foi feita inicialmente na China, e retomou, depois em Portugal, mas numa fábrica do concelho de Mafra. 

As pessoas têm ligações emocionais com determinadas marcas, e mesmo eu, que estou longe de ser um consumidor típico, não fugirei à regra. Lembro-me ainda, por exemplo, de umas sapatilhas que tive ali pelos vinte e um, vinte e dois, umas Airwalk todas pretas, muito confortáveis e que duraram e duraram e duraram. E isso ficou memorizado na minha cabeça. Tal como, por exemplo, o nome Merrel está gravado pelos piores motivos. 


E há já uns anos tinha-me registado no site da Sanjo e ia recebendo no e-mail as novidades deles, sem que até ao momento lhes tivesse comprado o que quer que fosse. Mas eis se não quando, recebi um talão com 50% de desconto, mas mais importante que isso, reparei que tinham disponíveis um modelo completamente preto, sem solas brancas e sem toda uma paleta de cores do mais variado possível. Eu gosto de coisas básicas, preferencialmente de uma só cor e relativamente discretas. Dispenso calçado com cores fluorescentes ou com luzinhas a piscar como os putos usam.

Mal vi que tinham uma pretas disponíveis no site com o meu número, de imediato comprei logo umas, e que me chegaram a casa sem mais nenhum custo associado.

Modelo K100 Preço 53.90  26.95


Adivinha quem voltou?

Ao que parece os donos não sabiam dele há já algum tempo. Talvez tenha sido durante o tempo que me vinha visitar.. Mas de repente nunca mais o  vi... Talvez tenha voltado a casa e tenha ficado fechado de castigo... ou então não. Ele lá saberá.

Mas entretanto, surpreendentemente, voltou no fim-de-semana passado. Talvez tenha tido um desejo incontrolável de comida das tartarugas!












domingo, 10 de julho de 2016

"Make what you love and dream"




Rua Mártires da Liberdade / Porto 



De Comunista a Banqueiro: o Crime Compensa Sempre

Há coincidências de facto curiosíssimas. No mesmo dia em que que se ficou a saber, não sei quantos anos depois, que a investigação ao antigo primeiro-ministro inglês Tony Blair comprovou que este mentiu sobre a guerra do Iraque - sim há países em que estas coisas, apesar de demorarem tempo se investigam - ficamos também a saber que o nosso querido ex-primeiro-ministro Durão Barroso foi nomeado presidente (não executivo) do banco americano Goldman Sachs. 

Blair pode ser processado por familiares de soldados mortos no Iraque

Quatro perigosos criminosos de guerra à solta
E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? É simples. Para quem não se lembra, Durão Barroso foi o mordomo da guerra no Iraque, o anfitrião da cimeira das Lages.

Conjuntamente com Bush (filho), Tony Blair e Aznar, dessa cimeira haveria de sair o fumo branco de invadir o Iraque, por causa de umas tais armas de destruição "maciça", as mesmas que toda a gente já sabia que não existiam. As próprias Nações Unidas, na pessoa do inspetor Hans Blix, reafirmava que não haviam quaisquer indícios de armas desse tipo no Iraque, mas estes senhores da guerra sabiam mais do que quem andava no terreno a investigar. Foram para a guerra e depois comprovou-se, de facto, que não existiam armas nenhumas, provando-se que estes quatro líderes mundiais mentiram acerca das tais provas irrefutáveis de que dispunham. Mas isso também já não interessava para nada, o que interessava é o que o Iraque estava a saque das empresas americanas, mesmo que para isso tenham morrido cinco mil americanos na guerra, quase o dobro dos que tinham sido sacrificados na queda das torres gémeas em Nova Iorque. Oito mil mortos é só um pequeno dano colateral em prol dos interesses do capitalismo.




Milhares de mortos, um país destruído a que logo se seguiu outro, o Afeganistão. E a pergunta que se deve fazer é : por que é que estes quatro senhores da guerra não foram julgados no tribunal de Haya e não estão a apodrecer na cadeia por crimes de guerra contra a humanidade? Alguém me consegue explicar?

E para quem não sabe ou não se lembra, Durão Barroso - o tal que a própria mulher, certa vez subiu a um palco para dele dizer que se ele fosse um peixe seria um cherne, e que o próprio Durão dizia de si mesmo que "sabia que um dia seria primeiro-ministro só não sabia quando" - é um ex-comunista (maoista e do MRPP - vejam o vídeo!) e que de repente vira salazarista no PSD - afinal todos os meios justificam os fins não é? Nem que venda a própria alma ao diabo. E este senhor chega agora ao topo da pirâmide do capitalismo selvagem, no Goldman Sachs, já depois de ter passado a ser o representante português do Bilderberg.


Durão, medíocre como é, foi um primeiro-ministro medíocre. Ganha as legislativas sem saber como, prometendo baixar os impostos, e com a muleta do irrevogável e monárquico Portas - que sempre aparece quando cheira a poder - mal se senta à frente dos destinos do país, faz precisamente o oposto - onde é que já vimos este filme? - e depois vem dizer que o país está de tanga. Mas vejamos como ser mordomo e dar o cuzinho depois compensa. 

A cimeira das Lages dá-se em 2003 e um ano depois houve eleições europeias. Formado o novo parlamento europeu, coube ao PPE (família dos partidos europeus de direita) de lançarem o nome, daquele que iria substituir Romano Prodi à frente da Comissão Europeia. E quem é o nome sugerido? Quem é o pau-mandado ideal para ser subserviente dos interesses capitalistas? Precisamente o mordomo das Lages.

Apenas dois anos antes, nas legislativas de 2002 tinha sido eleito primeiro-ministro, e apesar do juramento, mais ou menos como aqueles que vão ao altar bater com a mão no peito e jurar fidelidade eterna:

"Eu abaixo- assinado declaro por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas"


...mas que como não tem honra nenhuma, tal como se fosse uma verdadeira puta da política, foi abrir as pernas e ser leal para onde lhe pagaram mais deixando o país em suspenso. 

Sem honra, indecente ou manguito algumas coisas que se dizem dele em França

Mas Konigvs não foi bom para Portugal termos um português num importante lugar de destaque e de decisão da política europeia? Não, não foi. Eu prefiro mil vezes uma pessoa competente de qualquer outro país, que a anedota de um português à frente de um cargo de destaque. E a verdade é que o incompetente Durão Barroso ajudou a enterrar a União Europeia durante os dez anos que esteve à frente da comissão europeia. E nunca que Portugal retirou qualquer benefício do trabalho dele, pelo contrário, tão simplesmente porque ele estava a defender os interesses de quem lhe pagava, e não os interesses do seu próprio país.

Durão Barroso, como muitos outros políticos portugueses, encarnam este tão típico portuguezismo do lambe-botas, que dia-após-dia arranjam conhecimentos aqui e ali, fazem favores aqui e acolá, para tratar da sua vidinha, que isto de ganhar a vida custa a todos, e o que interessa é ganhar muito dinheiro, não olhando a meios para satisfazer a sua sede de ganância e de vaidade. E como vê, infelizmente a falta de vergonha na cara e o crime compensam sempre.

domingo, 3 de julho de 2016

Todo dinheiro é assaz imundo

- E quanto ao dinheiro? continuou Pete. - Acha que eu deva recebê-lo, sabendo de onde vem e a quem pertence?

- Todo o dinheiro é assaz imundo - disse Mister Propter - e não me consta que o do pobre Jo seja sensivelmente mais imundo que o de outro qualquer. Talvez você o ache, mas isso porque vê, pela primeira vez, o dinheiro na sua fonte - fonte pessoal e humana. Você é como uma dessas crianças acostumadas a receber o leite em garrafas esterilizadas, de um camião branco e reluzente. Quando vão ao campo vêem ser extraído de um animal enorme, gordo, malcheiroso, ficam horripiladas, enojadas. O mesmo se dá com o dinheiro. Você está acostumado a recebê-lo detrás de uma grade de bronze, ao balcão de um Banco monumental todo de mármore. Agora veio para o campo; mora no estábulo com o animal que segrega o dinheiro que recebe. E o processo não lhe parece primar pela delicadeza ou pela higiene. Mas, mesmo enquanto você não sabia, esse processo realizava-se. Se não estivesse a trabalhar para Jo Stoyle, provavelmente trabalharia para alguma universidade ou colégio. Mas, de onde sai o dinheiro das universidade e colégios? Dos ricos. Em outras palavras: de gente como Jo Stoyle. De modo que seria a mesma imundície servida em recipientes esterilizados e distribuída por cavalheiros de beca e capelo. 
- Então o senhor acha bem que eu continue a ser o que sou? 
- Sim - respondeu Mister Propter - entendendo-se por isto que não é escandalosamente pior que qualquer outra coisa. 

"Também o cisne morre" / Aldous Huxley (1939)

sábado, 2 de julho de 2016

O vírus dos auto-retratos mata cada vez mais

O vírus dos auto-retratos fez mais uma vítima mortal. Ainda não percebi bem, parece que lhe chamam selfes ou selfis, como se não existisse uma palavra em português para efeito. Que me lembre os pintores portugueses sempre pintaram auto-retratos, nunca tinha ouvido dizer que pintaram selfis! Mas de qualquer forma esse vírus chegou e instalou-se rapidamente no seio da população e está a matar cada mais. É preciso muito cuidado, transmite-se muito facilmente e há gente infetada por todo o lado!

E eu acho que já era tempo dos Estados investirem, por exemplo, numa vacina que possa pôr cobro finalmente a este grave flagelo, que faz cada vez mais vítimas, mortes que acontecem de forma totalmente estúpida. 




O vírus é muito silencioso. E o mais complicado é que o próprio infetado nem tem consciência que está doente, logo não procura curar-se! Pior, todos os que o rodeiam sofrem provavelmente do mesmo mal! Somos cada vez menos aqueles que estamos multi-resistentes ao vírus. Daí que seja normal vermos famílias inteiras, uns a fotografar os outros, enquanto a maioria se fotografa a si mesmo. Não interessa o motivo a fotografar, se este é mais ou menos interessante, o que interessa é que as próprias pessoas apareçam nas fotografias para depois as mostrarem na internet, para ver se conseguem o maior número possível de gostos, como se de repente fôssemos todos criancinhas em busca de atenção.  A última notícia foi esta semana, em que mais um turista morreu possuído pelo vírus do auto-retrato em pleno Machu Picchu. 



Tudo isto é obra do vírus. O vírus manipula e mete na cabeça das pessoas que serão extremamente populares e felizes na redezinha social da treta se mostrarem o quão interessantes são por aparecerem, e quanto mais idiotas e arriscadas forem as poses melhor! Chegamos ao cúmulo de termos ladrões a colocarem fotografias suas e do que roubaram na rede social e depois, claro, a serem de imediato detidos pela polícia. Todo o mundo está infetado, é preciso muito cuidado! 

Ainda por estes dias, quando visitava os jardins do Palácio de Cristal, não consegui tirar uma só fotografia à entrada do jardim Émile David, simplesmente porque dezenas de infetados se foram sentar em cima de umas letras que a câmara municipal lá colocou. E então era vê-los, portugueses e estrangeiros, às dezenas, uns a fotografar os outros, e muitos a fotografar-se a si mesmos, mesmo que estivessem sentados em cima das letras, sujeitos a danificá-las. 

Sim a destruir, porque há muito doente a destruir estátuas que estavam inteiras há milhares ou centenas de anos a serem danificadas pela moda dos auto-retratos!!





No fundo, este vírus torna as pessoas nuns quase mortos-vivos, incapazes de pensarem por si mesmos, numas verdadeiras criancinhas, não distinguindo o que é um comportamento normal, de um comportamento idiota e colocando muitas vezes a sua própria vida em risco. 

Daí que não seja à toa que este vírus esteja a matar mais que, por exemplo, as mortes por ataques de tubarão! É mais perigoso um infetado de máquina fotográfica na mão, que nadar com tubarões! Há gente a querer tirar fotografias a si mesmo apontado uma arma à sua cabeça; outros que se querem fotografar agarrados a edifícios, e depois conseguem um auto-retrato de morte! Literalmente!





Na Rússia, depois de várias mortes, nomeadamente da jovem que, totalmente possuída pelo vírus e se fotografou a apontar para si mesma uma arma, decidiram colocar avisos tentando chamar as pessoas à razão, assim como se as pessoas tivessem uma idade mental de cinco anos: "Cuidado, não se ponha à frente de um comboio pois pode morrer"!!!!



Deixo o alerta, se não quer morrer estupidamente, faça o diagnóstico. Provavelmente está infetado  pelo vírus do auto-retrato sem saber.