sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Capricho sentimental

Nesta sexta-feira, dia 30 de outubro de 2015, no carro e a caminho do trabalho, apanhei na rádio TSF uma pequena entrevista a Mário Dias dos Madredeus. E uma frase me ficou ali a bater:



TSF: Capricho sentimental porquê?

MD: Pronto, lá está, cantamos sentimentos. O capricho pode ter um duplo sentido. Para já, no mundo de hoje um sentimento é um pouco um capricho nesta era acelerada que vivemos e super-tecnológica e um pouco volátil. O sentimento acaba por ser a única coisa, digamos, duradoura e fiel que nós temos nesta sociedade. O resto é transitório como nós sabemos. Cada vez mais não é?
Por outro lado capricho porquê? Porque os autores - eu e o Pedro (Ayres de Magalhães) decidimos não - como sempre - não ceder à indústria, não ceder aos interesses dos média, não ceder à música fácil, e à música combatida e à música programada e e tudo isso, e mantemos no nosso barco - a remos, sem motor - e portanto é um capricho. Contra tudo tudo e contra todos. Contra este mundo contemporâneo.

E neste sexta-feira, 30 de outubro de 2015, os Madredeus lançaram o seu último disco: Capricho sentimental.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Solteiros: como sacar mais 15 dias de férias?

Ser solteiro no trabalho não trás vantagens nenhumas. Um gaijo que está solteiro nunca que se pode escapar ao trabalho. É ver os outros a casar e gozar quinze dias de férias. É ver o pessoal depois a ter filhos e a ficar em casa uns meses. Mas não acaba aí! Depois de terem as crias, têm de ir aqui e acolá e têm sempre as faltam justificadas! Um gaijo solteiro só tem mesmo direito a trabalhar, como se não fizesse também coisas interessantes que merecessem uns bons dias de folga!

Por lei, depois deste governo fascista ter reduzido o número de dias de férias de 25 para 22 - e ainda por cima ter cortado nos feriados - eu só vejo mesmo uma solução para termos mais dias quinze dias de férias por ano. E isso é possível? Como? Eu explico!

Podemos arranjar quinze dias-extra de férias, casando todos os anos! Pode parecer um bocadinho parvo, mas se calhar, até nem é tanto assim. Mas vejamos então as coisas na prática:



Para casar gasta-se 100€ na conservatória e está feito! A partir desse dia já temos direito aos nossos quinze diazinhos espetaculares de férias (tecnicamente são dias de faltas justificadas mas remuneradas, que equivale ao mesmo!) Mas o gasto não se fica por aqui. Temos ainda de abrir mais os cordões à bolsa. Porquê?
- Porque temos de nos divorciar, isto se no ano seguinte quisermos voltar a ter os quinze dias-extra de férias! Caso contrário podemos continuar casados na mesma e poupamos o dinheiro da separação, mas não esquecer que estando casados pagamos mais impostos.

Mas o divórcio - e não me perguntem porquê! - fica mais do dobro que o casamento! Isto deve ser tipo uma punição! As pessoas já estão - por norma vá - aquelas que casam mesmo por convicção (e não nós que queremos só casar para ir buscar os dias de férias!) já estão frustradas com a separação, mas ainda apanham por tabela, pagando mais do dobro na separação, que no casamento em si.

Ora bem, temos de juntar aos 100€ do casamento + 280€ que é o custo do divórcio, ou seja, para casar e divorciar, temos um gasto de 380€/ano Mas calma!

O que temos de fazer, é só arranjar outra pessoa - e que agora tanto pode ser um homem como uma mulher! - mas que tenha o mesmo interesse que nós, em ir buscar os seus quinze diazinhos de férias! Dividem-se as despesas, e assim sendo, a coisa fica-se só pelos 190€.

Acho que se poderia até criar um site, ou rede social - se até os católicos criaram uma porque não? - para juntar o pessoal todo que quer fazer gazeta ao trabalho, e que alinhe em casar só mesmo para sacar os quinze dias de férias! E como isto é algo por mero interesse recreativo, até até se podem travar novos conhecimentos! Até se pode casar e arranjar companhia para as férias! Isto tem um sem número de possibilidades! Bora lá então casar por interesse?

P.S: Sim, é possível que esta talvez seja a mensagem mais idiota de todo o blogue... ou então se calhar é a mais genial!

domingo, 25 de outubro de 2015

As mulheres querem-se é como as castanhas

Desde que me conheço, e habituado que fui a ouvir diferentes expressões populares, até porque sempre vivi no campo, sempre fui ouvindo dizer que a mulher quer-se como a sardinha: pequenina. Bom, na verdade não sei quem foi o iluminado ou iluminada que que se lembrou de afirmar tal coisa, se calhar alguém que tinha uma mulher baixinha - mais ou menos como o outro que fala dos olhos castanhos, como se a cor dos olhos fizesse uma pessoa. 
Mas ainda assim, eu certamente não queria uma mulher que fosse com uma sardinha, e não me refiro à altura, pois as mulheres, tal como os homens, não se medem pela altura que têm. Mas eu não quereria uma mulher que fosse como uma sardinha, cheia de espinhas, gordurosa, ou então daquelas que para aí se vêem muitas, das congeladas, enxabidas e carregadas de sal, que como se sabe tão mal fazem à saúde. Ou então pior, encontrar uma mulher como uma sardinha moída! E ainda por cima agora a sardinha tornou-se numa elite e está mais cara que o bife, muito pouco acessível às bocas alheias.

Pois então está mais do que no tempo de criar um novo provérbio:

As mulheres querem-se como as castanhas: Quentes & Boas.

E lembrei-me disto ontem, quando preparava umas castanhas que assei no moliço, e por moliço, quero dizer a caruma dos pinheiros, pois noutros lugares do país, moliço significa outra coisa completamente diferente. 







Quentes & boas, mas talvez um bocadinho menos queimadas! Tenho-me por grande especialista a assar castanhas - como se a coisa tivesse alguma coisa que saber! - mas desta feita saíram-me um pouquinho queimadas. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Viver e gastar dinheiro não significa o mesmo

Se ao menos fosse possível explicar-lhes que viver e gastar dinheiro não significa o mesmo! Mas não vale a pena. Se lhes ensinassem a viver em vez de pensarem em gastar dinheiro, poderiam viver mais felizes com os seus vinte e cinco xelins. Se os homens usassem calças vermelhas, como eu costumo dizer, não pensariam tanto no dinheiro. Podiam dançar e saltar e cantar, pavonear-se e ser elegantes e precisariam de pouco dinheiro. E poderiam divertir as mulheres e as mulheres poderiam diverti-los. Deviam aprender a ser nus e belos a cantar e a dançar em grupos, a fabricar os seus instrumentos, a bordar os seus emblemas. E não precisariam de dinheiro. Esta é a única solução para o problema industrial: treinar as pessoas para conseguirem viver, e viver bem, sem necessidade de gastar. Mas é impossível. Hoje em dia as pessoas são limitadas, e a grande massa nem mesmo procura pensar, porque não sabe: devia ser viva e alegre e adorar o deus Pá, que é o grande deus das massas. A élite pode ter outros cultos, mas seria melhor que as massas fossem pagãs. 
Mas os mineiros não são pagãos, muito longe disso. São uma gente triste, morta para o amor, para a a vida. Os mais jovens andam com as raparigas nas motos e vão dançar jazz quando podem. Mas estão mortos por dentro. Para tudo precisam de dinheiro, e o dinheiro envenena quando se tem e quando não se tem. 



Acho que já deves estar cansada disto tudo isto, mas quero falar de mim e não tenho nada para contar. Não gosto muito de pensar em ti, porque é horrível. Mas toda a vida que faço agora é para preparar a nossa vida, juntos. No fundo, sinto-me assustado. Paira qualquer coisa no ar, que nos quer apanhar. Ou talvez seja simplesmente Mammon, que não é mais do que a vontade coletiva dos homens, que quer dinheiro e odeia a vida. Sinto no ar grandes mãos brancas e ávidas que apertam a garganta dos que querem viver para além do dinheiro. Aproximam-se maus dias. Se as coisas continuam assim, no futuro só nos resta a morte e a destruição das massas industriais. Às vezes sinto as entranhas a derreterem-se, enquato tu esperas um filho meu. Mas não faz mal. Todas as calamidades que assolaram o mundo jamais conseguiram apagar os corações, nem o amor das mulheres.
Portanto, nada poderá matar o meu desejo de ti, nem a pequena chama que existe entre nós. No próximo ano estaremos a viver juntos. E, embora tenha medo, acredito que estejas comigo. Um homem tem de lutar, mas, ao mesmo tempo, acreditar em alguma coisa. Só nos podemos precaver contra o futuro acreditando em nós e em qualquer coisa para além de nós. Portanto, pela minha parte, acredito na chama que nos une, que para mim é neste momento a única coisa que existe. Não tenho amigos, amigos íntimos, nada mais do que tu, e tudo o que me interessa na vida é essa chama. Há o bebé, mas é uma consequência. É o meu Pentecostes, a língua de fogo entre nós. O antigo Pentecostes não é correto. Eu e Deus, é pretensioso. Mas a língua de fogo entre nós, não. E luto e lutarei por ela contra todos os Cliffords e Berthas, companhias mineiras e governos e pessoas que só vivem por dinheiro. 

(Excerto de uma carta de Mellors a Lady Chatterly)

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Já tinha escrito que me revi em algumas coisas de Mellors. 
Comecei a ler este livro, não por ter sido um clássico que foi proibido e considerado pornográfico no Reino Unido. Não. Comprei-o, porque vi o livro à venda, usado, e o nome do autor me chamou a atenção porque sabia que D. H. Lawrence foi amigo e influenciou Huxley, autor de quem tem lido e relido alguns livros, e de quem gosto particularmente. 

O importante é que estás bem

Saía hoje de casa e fazia aquele tempo de chuva miudinha. A mala ia cheia, com uma carga sensível a aconselhar uma condução cautelosa. Mas mesmo que a mala fosse vazia, teria agido da mesma forma. "Vai com cuidado que este tempo está muito propício para se ter um despiste" dizia para mim mesmo. E lá fui eu, estrada nacional abaixo, estrada que conheço muito bem, mas que, muitas vezes é  precisamente quando pensamos que já conhecemos bem que as coisas acontecem. Aliás, é sempre assim, é quando as pessoas já se sentem à vontade com qualquer coisa, que facilitam, pois quando não estão confortáveis são muito mais cautelosas. 

Curva vai curva vem, e eis que de repente avisto um carro todo atravessado na estrada acabado mesmo de se despistar. De imediato ligo os quatro pistas, reduzo a velocidade, e olho para ver o que se passa, e o carro que vinha no sentido oposto já tinha também parado para ver, e eu paro e converso com ele:

- Está alguém dentro do carro? perguntou o homem. 
- Não, respondi eu. Só vejo uma criança fora do carro. 
- Mas é preciso desligar a bateria porque o carro está a deitar fumo.

Lá paramos os carros e fomos ver o que se passava. E mais pessoas começam a chegar, e todos parecem ter sempre algo a dizer, ou saber o que fazer. Um queria abrir o capot, e depois puxava e puxava, e este não abria, e o que me parecia é que ainda ia danificar mais o carro. Até que alguém teve a boa ideia de se lembrar do triângulo, e lá se conseguiu também retirá-lo da mala e alguém o terá colocado. 

Local do despiste


E afinal o fumo que saía do tablier ao que parece só tinha a ver com os air-bags que tinham disparado no embate. E no meio daquela azáfama de opiniões e de afazeres, apercebi-me depois, que aquilo que eu julgava ser uma criança, era afinal a condutora, de cabelo curtinho à rapaz, que chorava pelo sucedido 

Na vida há sempre primeiras vezes para tudo, independentemente da idade que tenhamos, e elas vão sempre acontecendo. E eu hoje fui a primeira pessoa a chegar a um despiste de carro. O primeiro a estacionar o carro e a ir ver se estava tudo bem. E como é muito normal, nas primeiras vezes, nem sempre as coisas correm na perfeição, ou podem, pelo menos, correr muito melhor quando já se tem experiência. 

E o que eu acho é que, se isto já me tivesse acontecido anteriormente, a primeira coisa que deveria ir fazer, era ir junto da pessoa que teve o acidente, e inteirar-me do seu estado. Ela ali estava, sentada no combro de terra, a chorar, enquanto todos aqueles desconhecidos, onde eu também me incluía, pareciam todos saber o que fazer, mas ninguém se lembrou de falar um pouco com ela e tentar acalmá-la. Acho que poderia ter feito um pouco mais além do "Deixa lá é só chapa, o importante é que estás bem". 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Surpreendente Unanimidade!



Não sei o que mais me surpreendeu aqui. Se o facto de estar inspirado ponto de ter escrito o que escrevi (às vezes calha até bem) ou  se a estranha unanimidade que o comentário obteve.