sábado, 24 de setembro de 2016

O Político Coerente Mente Sempre

Rima e é verdade.

Depois quase cinco anos no governo, o pior primeiro-ministro português após ditadura - e não estou obviamente a considerar que Santana Lopes, porque esse foi nomeado, e em democracia as pessoas são, supostamente eleitas e não nomeadas, não é senhor Sampaio? - mas este pior primeiro-ministro de sempre, tornou-se agora no pior líder da oposição de sempre. Não tem uma ideia a apresentar, nada, só sabe dizer que vem aí o Diabo, que Deus nos vai condenar a dez pragas, que a lepra vai voltar, e sabe-se lá mais o quê, simplesmente porque o novo governo anda a repor tudo aquilo que ele roubou. Mas ele chama-se Pedro, e todos nós conhecemos bem a história do seu homónimo com o lobo, e ele é igual.

E como foi há tão pouco tempo, eu presumo que as pessoas ainda saibam como é que ele foi eleito: Mentindo! 


Mentiu, repetindo até à exaustão em campanha eleitoral que chegava de austeridade. "Basta" disse ele! Que com ele bastava cortar numas tais gorduras do Estado - a culpa da miséria do país era das Novas Oportunidades e dos miseráveis que vivem do Rendimento Mínimo! E como diria a outra, o contrário da austeridade é a prosperidade! E com ele é que íamos ficar todos ricos!!

Só que, como se previa, mal entrou no governo fez tudo aquilo que disse que não ia fazer!! Aumentou impostos, roubou salários, subsídios de férias e subsídios de desemprego, encerrou hospitais, maternidades, tribunais, cortou freguesias, cortou feriados, quase privatizou a saúde pública, etc etc... Cortou, cortou, cortou, e no fim de contas, depois de tantos cortes, no fim de contas ainda ficamos com mais dívida para pagar! Incrível não é? Mas ele conseguiu!



Mas eu admiro verdadeiramente Passos Coelho. 

Se há coisa que eu admiro nas pessoas é a coerência. Confesso que esta semana duvidei dele. E não deveria tê-lo feito. Já o conhecemos muito bem e não deveria ter duvidado. Mas confesso que pensei "tu queres ver que o homem vai fazer o que prometeu uma vez que seja? Tu queres ver que ele vai mesmo apresentar o livro do Saraiva? Tu queres ver que não vamos ter direito a mais um irrevogávelzinho que seja?" 

Há cinco dias o homem afirmava convictamente, para todos nos rirmos: 
"Não sou de voltar com a palavra atrás".



Quem melhor que ele, para apresentar um livro que é uma valente merda? Mas tu queres ver que ele se vai agora armar em pessoa de palavra e vai mesmo fazer o que disse? Mas estive mal. Duvidei da palavra dele e não o deveria ter feito. Felizmente três dias depois deu o dito por não dito e mostrou que é uma pessoa coerente.


Nada como um político completamente previsível, que é um extremista da coerência. 
Rima e é verdade. Passos é o político coerente: aquele que mente sempre!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Ritalina e o Francisco

Por entre as muitas pessoas que me envolviam e as muitas conversas paralelas, este homem que falava num tom acima para ser notado, começou a captar a minha atenção. De óculos, barriguinha proeminente e de classe sócio-económica favorecida, culto e viajado, profere as seguintes palavras:

"Sabes o que é que ele come agora de manhã? Sopa. 
O Diogo quando toma a Ritalina depois perde o apetite e não lhe apetece comer nada."



Via Pinterest

No dia seguinte passei na Roulotte para matar saudades dos melhores pregos em pão da galáxia. Pão de hambúrguer, queijo, fiambre, um bife de vaca fininho com molho picante, ovo, tomate, alface, milho, ervilhas, cogumelos e molho a gosto, que no meu caso escolho Ketchup.

Enquanto aguardava, três adultos e uma criança aproximaram-se para fazerem também eles o seu pedido. E não pude deixar de reparar, que nas costas da mulher, de cabelo curto e com madeixas loiras, estava sarrabiscado a letras garrafais a palavra Francisco.
- Quem será o Francisco? pensei para comigo. Será o marido ou o puto?
Ao lado dela estava o puto com uns grande óculos de sol quadrados.
De repente a mãe vira-se para ele e diz:
"Pára quieto Francisco!"

Folhear uma escritora

Foi quando deambulava já quase no último expositor da Feira do Livro que esta senhora desconhecida me interpelou. E este ano não reencontrei aquele casal amigo-sósia, que no ano passado me fez questionar, se todos as relações estarão condenadas. Na verdade este ano até nem me cruzei com ninguém conhecido, o que nem é muito normal, pois por norma, nestes grandes ajuntamentos de pessoas, há sempre maior probabilidade de reencontrarmos alguém que não vemos há algum tempo.

Via Pinterest
Cheguei a este expositor e aquela senhora cheirosa, de cabelos pretos brilhantes que estava do lado de fora do balcão e que não me conhecia interpelou-me. E logicamente que eu sei que ela não estava interessava nos meus lindos olhos verdes, mas sim em promover os seus livros. E se os livros dos escritores não são promovidos ninguém os lê... olha, se calhar mais ou menos como os blogues! Mas os blogues não custam dinheiro a fazer, nem por norma são feitos para dar dinheiro, mas os livros sim, por isso convém, digo eu, que haja sempre alguém que os compre. 

E o certo é que acabei sentado ao lado dela na apresentação do primeiro livro de um outro escritor da mesma editora, onde ela foi ler um pouco para a plateia. Achei interessante conversar um pouco com aquela mulher... Naquele dia acabei por não ter muita paciência para andar sozinho na feira a folhear livros, ou andar a remexer nos milhares de livros usados a preços simbólicos, mas acabei a feira, sem querer, a folhear uma escritora. Talvez um dia destes vá cuscar um dos seus dois livros. Afinal foi para isso que ela me interpelou.  

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

As Brumas

Cheguei a pensar em voltar de comboio para o Porto. Mas apanhar três transportes até chegar, já noite dentro, ao sítio onde teria de deixar o veículo estacionado, seria mesmo estar a pedi-las, com tantos imponderáveis não devidamente programados. E bem que eu gosto de ter as coisas minimamente alinhavadas. Cheguei também a pensar em meter a bicicleta na mala e levar a carroça. Mas no fundo só iria a fazer peso, porque com tanta ocupação quase de certeza que nem teria tido tempo para ir dar uma voltinha de bicicleta, sem falar que depois de caminhar quatro ou cinco horas, a vontade já poderia nem ser muita.

Mas se tivesse voltado de comboio por certo que não me teria rebentado um pneu. Se tivesse levado a carroça também estou em crer que não, pelo menos não daquela forma completamente estúpida. 
E se aqueles dois idiotas, que estacionaram à minha volta, bloqueando-me completamente e impedindo-me de sair do parque - mas pensavam o quê? que o meu cavalo preto levanta voo? - e se eles não o tivessem feito, seguramente que depois, tudo o que veio a acontecer não teria acontecido. Mas se eu também não tivesse decidido mudar o local de estacionamento, pouco antes de seguir com as cem pessoas da caminhada, também depois não teria como ser bloqueado por aqueles dois idiotas, do VW verde e do BMW preto e ter de ir ao restaurante, com as duas matrículas apontadas na folha aos quadriculados, para que perguntassem ao microfone, se algum dos dois idiotas estava presente na sala. 

Eu havia chegado bem cedo. Tenho esse terrível defeito para comum português, de chegar sempre cedo, bem antes da hora marcada. Só posso ser mesmo um anormal, num país onde a norma é chegar sempre atrasado. E os dois autocarros, por quem estava à espera, haveriam de chegar, bem atrasados. Até haveriam de ir primeiro para o lado errado da lagoa! E eu, que não sou motorista, não conhecia o local, nem tenho GPS no carro, nem telemóvel com internet, e tinha simplesmente tirado umas anotações num papel quadriculado que estava em cima banco ao meu lado, cheguei lá, sem um único erro! Quando os dois autocarros chegaram, já há muito que eu tinha pegado na máquina fotográfica, e tinha ido fotografar as Brumas da Pateira de Fermentelos. Pelo menos foi isso que me fez lembrar quando saí fora do carro, de calções pretos, acima dos joelhos, e de camisola de cavas, também ela preta. Que todo aquele imenso nevoeiro sobre a lagoa, ou lago (para sermos inclusivos!) me fazia lembrar o filme As brumas de Avalon... O livro, esse, tenho para aí na estante, mas só li umas quantas páginas quando estive internado no hospital, talvez na última vez, há seis anos, não tenho a certeza, mas acho que sim. 

Pateira de Fermentelos (maior lagoa da Península Ibérica)

E se eu não tivesse decidido levar o cavalo preto em vez da carroça com a bicicleta atrás, e se eu não tivesse decidido depois estacioná-lo bem mais atrás. à sombra dos plátanos para não estar quente quando fosse sair com ele... e se aqueles dois idiotas não tivessem estacionado mesmo à minha volta, impedindo-me de sair, pois certamente que não me teria rebentado a merda do pneu, que ainda o troquei há meia dúzia de meses e que estava novo. 

E fiquei mesmo muito irritado. "Cem euros para o lixo" destilei. Pouco tempo antes tinha-me ido mudar. Tinha ido à casa de banho, que tresandava a mijo, para trocar as botas de caminhada, que quando as tirei encheram o chão de areia, e os calções de desporto, pelas novas sapatilhas pretas, da Sanjo, e por uns calções verdes, com uma espécie de padrão pixelizado camuflado. E tinha-me ido refrescar e lavar, tentando tirar o imenso cheiro a suor frutos dos 14Km de caminhada e dos quase trinta graus de temperatura, para pouco depois, já estar bem pior, todo cagado, de mãos e braços completamente pretos, depois da aventura de tentar substituir o pneu rebentado. (A propósito as chaves que vêm nos carros para desapertar os parafusos são mesmo uma valente merda. Depois de duas porcas desenroscadas, já a chave estava toda moída).

Às vezes parece mesmo que há dias em que não podemos sair de casa. Como dizia o Murphy, parece que se há algo que pode correr mal, correrá mesmo mal e da pior forma. Tantos acontecimentos encadeados, parecendo que foram estrategicamente pensados, de forma ardilosa, só para me estragar o fim-de-semana. Mas depois, mais calmamente, acabei por refletir que não me podia deixar levar por aquele acontecimento negativo. Coisas boas aconteceram este fim-de-semana. Porquê fixar-me só num ponto negativo? E depois ainda pensei: e se todos aqueles acontecimentos, foram só uma forma de alguém me proteger - foste tu minha Anja-da-Guarda boazona?! - proteger de algo bem mais grave e que me poderia ter acontecido, se não tivesse ficado ali todo aquele tempo...
Não sei! mas vamos acreditar que sim! 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Amor que tudo avaria

Depois de ter acabado de fazer uma enorme cagada e ter perdido, só, um dos posts que mais trabalho me deu no Bucólico, fui pegar no disco externo, onde tenho uns milhares de fotografias guardadas, e onde até nem estão as fotografias que preciso para reescrever tudo de novo, e tropecei nesta imagem do meu ambiente de trabalho do computador da empresa onde estive anteriormente. 

Percebe-se que estávamos no dia oito de julho de 2009. 
O computador arrancou, a 25Km de minha casa,  às 7 horas e dois minutos da manhã. 
Um mês antes tinha conhecido, pela primeira vez, uma amiga e o amigo dela com a namorada. A namorada que ela detestava. Foi na Maia, num concerto de Moonspell. Curioso como estive com elas o mês passado. E são as melhores amigas já há alguns anos, enquanto que do amigo e ex-namorado nem sinal. Passaram sete anos. Até dizem que se uma pessoa é nossa amiga durante sete anos, o mais provável é sê-lo para o resto da vida. Mas há exceções, eu sou uma exceção. Claro!


Pouco depois das onze da manhã, quando já estava a trabalhar há mais de quatro horas, consigo contar pela imagem onze janelas abertas: quatro programas da empresa, três sites abertos, uma nova mensagem de email a ser escrita e o bloco de notas. 

E eis se não quando, algo quebra a minha rotina, que de tão agitada que era, queimou-me certamente uns quantos neurónios. Mas como terei achado deliciosa esta frase deste cliente.

Não é que quando ele escrevia a palavra "AMOR" o equipamento se reiniciava?! Quão ironicamente isto é delicioso? Digam-me lá se isto não parece um erro de sistema maquiavelicamente  programado de propósito? 

Olá...  A+M+O+R e puuuffff !!! Olá A+M+O+R e pufff !!! 

Pois é! Se calhar era um sinal! 

Eu acho que se calhar é mesmo caso para dizer que o amor tudo avaria!


domingo, 4 de setembro de 2016

A Canonização da Sádica Fascista

Hoje, domingo, dia 4 de setembro de 2016, os católicos têm mais um santinho a quem pedir milagres: a velha fanática albanesa que em vida era amiga dos ricos, corruptos e ditadores, e que se serviu dos doentes e moribundos que acolhia e os deixava morrer sem quaisquer condições e que com isso granjeou fama e proveito, chegando mesmo a prémio Nobel,  e que no seu discurso disse esta aberração: "o maior destruidor da paz hoje é o choro da criança inocente não nascida"!

Via Pinterest

Recebeu milhões e milhões, e podia ter ajudado os doentes, mas não, deixava-os morrer e nem analgésicos lhes dava, porque pregava o culto do sofrimento, parece que era para estarem mais perto de Deus! 

Mas curiosamente quando foi ela mesma que ficou doente, a puta, (sem querer ofender as putas a sério que trabalham para ganhar a vida) a puta foi internada numa clínica moderna e cara! Ela já não quis morrer sem condições, nem quis estar perto de Deus! 

Quem não lhe conhecer a santidade, pode sempre ver o documentário dos anos noventa Hell's Angel (Anjo do Inferno) que é bastante elucidativo das suas santas façanhas:


Mas a verdade não interessa para nada. O que importa é o que parece que é, e as pessoas comem o que lhes dão a comer sem questionar. Mesmo que hoje exista uma coisa chamada internet! E se o Vaticano e o Papa dizem que esta velha sádica era uma santa então deve mesmo ser verdade, afinal é o santo Papa! E é tão bom este Papa, este é que é fixe!

E o que fica para a história é isto, uma velha sádica, corrupta, fascista, que não prestava qualquer auxílio aos doentes e os deixava morrer ao desmazelo sem qualquer assistência médica, vai passar a ser uma santa, e certamente vai ser fazer muitos milagres. É para isso que os santos servem não é? Para lhes fazerem promessas que eles fazem milagres certo?

Posto isto, eu deixava também algumas sugestões de canonizações futuras ao cuidado do Vaticano: 
Hitler, Estaline, sei lá, por que não Salazar por exemplo? Ah, e esperem que a Isabel Xoné do Banco Alimentar morra e canonizam-na também. Que exemplo de mulher que faz a caridade, que santa mulher.