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terça-feira, 1 de outubro de 2019

A Sabedoria da Experiência

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Na juventude, e depois de um ou outro namorico pouco mais que inocente, lá chega o dia (até porque agora sim as coisas começam a tomar contornos sérios) em que pela primeira vez lá temos que ir a casa dela para sermos apresentados aos pais, para que eles conheçam, finalmente, o malandro que chegou ao coração da filha.

Se é verdade que não são os pais que vão namorar connosco, e ainda por cima também já não estamos no tempo de pedir permissão para sequer poder falar com a filha, por outro lado há sempre uma avaliação que é feita a nosso respeito no exato momento em que nos damos a conhecer. Não estivéssemos nós sempre a ser avaliados onde quer que vamos, mais não seja pela imagem que passamos, se somos mais ou menos atraentes, mais ou menos simpáticos, mais ou menos inteligentes e/ou cultos ou mais ou menos broncos e/ou idiotas.

E eu acho que não é preciso ser pai para perceber que, e sem querer generalizar, que os pais querem sempre o melhor para os filhos. É normal que assim seja, muito estranho é quando isso não acontece. Os pais querem que os filhos tenham um bom futuro profissional e que arranjem o melhor partido possível, de preferência daqueles que elegem deputados suficientes para poderem governar sozinhos.
Ou então, que pelo menos, que sejam felizes.

E causa sempre alguma ansiedade quando sabemos que vamos ser avaliados. Pelo menos a mim causa. Ao longo da vida muitas são as situações em que somos avaliados, seja no teste lá da escola, no exame de condução, na entrevista de emprego, e, logicamente, também quando vamos conhecer pela primeira vez os pais da namorada. E esta avaliação, muitas vezes acaba por ser contínua, dia após dia, em que não conta só o exame da apresentação. Houve um primeiro impacto, as primeiras impressões que contam sempre muito e, claro, vale sempre mais cair em graça que ser engraçado, ainda que, a longo prazo, estas depois possam ser confirmadas ou não.

Entretanto os anos vão passando e perdemos as ilusão que o primeiro amor será para sempre. Também um dia nos tocará a nós e todo aquele amor que se jurou ser eterno irá implodir  Novos amores, mais ou menos platónicos, novos enamoramentos, vividos ou por viver se seguirão e, um dia damo-nos conta que, aquele miúdo que sempre fomos e que brincava lá na rua, é o único que entretanto chegou aos quarenta solteiro e sem filhos.

Sim, é quase como se nos tivéssemos tornado numa espécie quase em vias de extinção. Mas está tudo bem, sem pressão nenhuma, nem medo de ficarmos para tio, ainda por cima quando até somos filhos únicos que nunca serão verdadeiros tios! E depois, como não casamos, até temos  vantagem de não termos uma proeminente barriga de grávida com, pelo menos, uns seis meses!

Mas aos poucos começamos a notar que há algo que se passa com a nossa vista. Será que devemos marcar consulta no oftalmologista? Do nada começamos a olhar para mulheres com mais de trinta anos, mulheres até mais velhas que nós. Talvez não seja nos olhos, quem sabe o problema esteja mesmo no nosso cérebro. Ou então, se calhar está tudo bem e estamos só a ficar mais velhos.

Certo dia saímos achamos imensa graça quando, pela primeira vez saímos com uma mulher cinco anos mais velha, e continuamos fascinados mesmo depois dela ter feito quase um escândalo com um empregado que, delicadamente só nos queria colocar numa mesa para duas pessoa para não ocuparmos o espaço de seis. E é por isso que cada vez mais tenho a certeza que a visão só atrapalha. Não tivéssemos nós olhos e certamente que as nossas escolhas seriam outras. (mas isso se calhar será tema para uma próxima publicação)

Até que acabamos por sair pela primeira com uma mulher divorciada, e só esse nome quase nos faz pensar que a pessoa tem uma espécie de doença venérea. Mas não tem. É só uma mulher, como tantas outras, mas que não admitiu que certas situações se continuassem a repetir. E até acabamos por lhe conhecer a filha, uma criança encantadora, com imenso jeito para jogar à bola!

Até que, pela primeira vez (até morrermos há sempre muitas coisas que vamos fazendo pela primeira vez) experimentamos, por sugestão alheia, entreter os filhos da nossa colega de trabalho (aquela que até namoraria connosco se não tivéssemos o cabelo quase até ao cu!), com o ténis-de-mesa e percebemos de imediato que educar duas crianças de idades muito próximas não será certamente  da tarefas mais fáceis, e mais  ainda quando o tivemos que fazer sem nenhuma ajuda do outro progenitor.

Quando somos jovens, mais ou menos adolescentes, começamos inicialmente por recear ser apresentados e avaliados pelos pais. Ironicamente, quer-me parecer que, se calhar, também um dia seremos nós a ser avaliados por outros filhos que, tal como nós, certo dia tivemos que ser apresentados aquele que veio a ser o companheiro da nossa mãe até durante mais tempo que do aquele que foi o nosso pai.

Não sei se ultimamente tenho envelhecido muito ou não. Sei apenas que as minhas telhas têm voado mais depressa do que aquilo que eu gostaria. No entanto, uma coisa mais importante eu sei de certeza, que ultimamente a vida tem-me colocado em perspectivas bem diferentes das que tinha vivido no passado. Se numa determinada altura da minha vida estou num determinado vértice, mais à frente a vida faz questão de me colocar num outro, com vista privilegiada para o vértice onde estive outrora, para que possa assim perceber da melhor forma como é estar numa situação e noutra, estar no nosso lugar e sentir na pele o que é estar do outro lado. Por alguma coisa se diz que apenas podemos transmitir o conhecimento, não a sabedoria. Porque a sabedoria, essa só a encontramos quando somos nós mesmos a trilhar o caminho do conhecimento. 

domingo, 7 de janeiro de 2018

E Não deveria o Amor ser Sempre o mais Importante?

Estávamos junto ao Cais de Gaia a conversar dentro do carro. De repente a conversa derivou para a temática dos filhos. E talvez essa conversa não tivesse aparecido por acaso. Quando estamos apaixonados por alguém, especialmente há pouco tempo, e já não somos umas crianças, vamos analisando o outro, tentando perceber que terreno pisamos, com o que podemos contar. Creio que ela estava a ser mais analítica que eu, apesar de, como é lógico, também eu, ainda que de uma forma mais distraída fosse apreendendo que mulher era aquela que me abalou as estruturas. 

"Eu vou ter dois filhos", disse-me. Eu ouvi isto, não como um desejo muito grande da parte dela, mas como um facto. Eu sabia que ela só me estava a informar. Nesse momento uma grande tristeza abateu-se sobre mim e ela percebeu-o. Porque eu nunca quis ter filhos. E a determinada altura, ainda dentro do carro, abraçamo-nos. 

Lembro-me perfeitamente de conversarmos sempre de forma tranquila, e de lhe ter perguntado se ela afinal procurava um homem que a amasse ou se buscava um pai para os filhos dela. Claro que a resposta era óbvia: ela queria os dois. Mas para mim, não ter filhos é um duplo sentimento de amor, ainda que, se calhar, poucos o entendam. Antes de mais, e por maior ordem de importância, para mim, não querer ter filhos é um ato de amor pela mulher que amo. Depois, e só depois, porque a minha mulher teria de vir sempre em primeiro lugar, não colocar filhos neste mundo e nesta sociedade apocalíptica, seria um ato de amor por eles.

Mas é sempre tudo tão irónico... É tão irónico porque eu não deveria estar aqui a escrever. Muita coisa não era suposto ter acontecido, porque se tudo tivesse decorrido normalmente, eu hoje não estaria aqui neste mundo. Talvez não esteja mesmo. Talvez isto seja só uma realidade alternativa, de como seria o mundo destas pessoas a quem me dei, e como é que seria se eu tivesse nascido e vivido no meio delas. Se calhar só mesmo eu é que vejo esta realidade alternativa. Porque muitas vezes bem tento, mas parece que as pessoas me olham mas na realidade  não me vêem. É como se eu estivesse noutra dimensão, os visse e ouvisse mas não me vissem a mim, nem lhes pudesse tocar. 

Eu fui transplantado no tempo e fiquei a reviver estes momentos, ainda tão presentes, quando esta semana estive com um casal a degladiar-se, porque um dos dois quer ter muito pelo menos um filho, mesmo que não seja para já, mas o outro parece-me que, por sua vontade, nunca iria querer ter nenhum.
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E o que é que se faz quando num casal um quer ter filhos e o outro não quer? Cedências? Consensos? Mas como é que se cede ou se chega a um consenso nesta matéria? Ter filhos contra a vontade, ou ficar toda a vida frustrado sem filhos (quando se tem companheiro para os fazer) não é bem o mesmo que ir ver um filme que à partida se sabe que não se vai gostar, mas a que se vai só para fazer fazer a vontade do outro. Ter ou não ter um filho não é bem o mesmo que chegar a um acordo sobre se compramos um monovolume ou uma carrinha, se passamos a comprar açúcar amarelo em detrimento do branco. Esta questão dos filhos é um bocadinho mais complexa que isso.  

E sem dúvida que ninguém deveria ficar frustrado e triste por passar uma vida sem ter filhos. Tal como ninguém deveria sentir-se obrigado a ter filhos contra a sua própria vontade. E acho que ninguém pode dizer que uma posição é mais ou menos importante que a outra e acho que é sempre preciso respeitar-se a vontade do outro, ainda que se possa conversar muito a esse respeito e quem sabe, eventualmente, as pessoas possam chegar a um entendimento.

Na verdade eu não sei como é que um casal resolve essa questão sobre os filhos, quando um tem um desejo oposto ao outro. Mas o que eu sei, de certeza, é que o Amor vem sempre muito antes dos filhos. E não deveria o Amor ser sempre o mais importante?

sábado, 26 de agosto de 2017

Ouvi Dizer Que Quem Não quer Ter Filhos é Egoísta....

The Guardian

O verbo em questão é o verbo Ter, não é o verbo Ser. E a questão é ter filhos. 

Ouço muitas vezes à boca pequena, que determinada pessoa não quer ter filhos, e que isso demonstra muito egoísmo. Será? Eu não gosto de o ouvir. Acho que é feio dizê-lo. Mas diz-se porque a maioria das pessoas quer ter filhos. Só uma pequena franja da população, tem companheiro e decide não ter filhos. E isso, ainda nos dias de hoje só pode ser uma heresia. Afinal, para a maioria das pessoas, o curso normal da vida, é crescer, casar ou viver junto e, claro, ter filhos. E quem quer, mas não consegue ter filhos, são uns infelizes e amaldiçoados. Agora, quem por livre escolha, decide não ter filhos, bom, isso então para a maioria das pessoas só pode mesmo ser malvadez, mas usam sempre a palavra "egoísmo" para ilustrar a situação. Quem não quer ter filhos é egoísta e merecia arder na fogueira. 

Mas trata-se do verbo ter. A decisão é: ter ou não ter
E o que me parece é que, hoje em dia, o verbo ter não anda assim com grande reputação. O ter está sempre associado ao consumismo, a querer inchar o ego, a mostrar aos outros que se é melhor ou espetacular, só porque se tem uma casa maior, um carro maior, uma mamas maiores, que se tem mais e melhor. Que se é melhor do que os outros. 

E as pessoas que não querem ter incomodam muito os outros, principalmente se podem ter mas não querem! Eu tenho um telemóvel com mais de dez anos, e se não tivesse dinheiro para comprar um novo, as pessoas olhariam para mim, com ar de pena, coitadinho. Mas eu poderia ter o telemóvel que quisesse, mas não quero. E isso aborrece, incomoda os outros. É quase um ultraje! Como é que alguém consegue ser feliz sem ter o que toda a gente tem? 

E quais são então os motivos pelos quais as pessoas decidem ter filhos?

- Não ser diferente dos outros. 

Bom, este, estou em crer, será o principal motivo. A maioria das pessoas nem sequer pensa se quer ter filhos ou não. É um dado adquirido. Se casou tem de ter filhos. É como acreditar em Deus. Isso nem se questiona. Andaram na catequese e levaram-nos à missa, o mundo é assim, ponto final. Para quê ousar pensar pela própria cabeça? E depois porque, se ousassem sequer pensar, vem a pressão, sempre a cima, a fazer marcação cerrada que não os deixa respirar. Alguém casa, ou vai viver junto, e a pergunta sacramental é: "então e para quando o primeiro filho? Já estão em idade, não deixam para mais tarde"! Tal como quando têm o primeiro filho, a próxima pergunta será: E então para quando é que vem o segundo? 

Ora bem, vão-me desculpar, mas andar no mundo por ver andar os outros, não é de todo um ato altruísta, é antes um ato de conformismo.

- Porque é pecado não ter filhos

Aqui estamos na presença do medo e da fé. Se eu não tiver filhos posso ser castigado. 
Mas medo também não é altruísmo, é sim, pensar em si e em não arranjar problemas com Deus. 

- Ter filhos para que eles cuidem de nós quando formos mais velhos

Estou em crer que este é outro dos motivos. Ainda não há muito tempo, e ainda nos dias de hoje, em certas culturas, é até habitual que, a filha mais nova não se case porque a sua obrigação é cuidar dos pais até eles morrerem! E uma das coisas que vi aqui bem perto onde vivo, é os pais construírem casas bem maiores do que aquilo que precisavam, muitas vezes até construindo duas casas, uma perto da outra, para que um dos filhos fique na casa dos pais, e o outro possa ter também a sua casa. Os pais partem dos pressuposto que os filhos vão viver com eles para sempre! E muitas vezes não é que gostem assim tanto deles, é simplesmente porque eles lhe fazem falta! Quantas e quantas vezes é que os pais não fazem chantagem com filhos (principalmente com as filhas) quando estas manifestam a sua vontade de abandonar o ninho?

Mas mais uma vez, decidir ter filhos, com o receio  de que, se não os tiver, ninguém vai cuidar de si quando forem velhos, vão-me desculpar, mas de novo, não é um ato altruísta, mas sim, um ato oportunista. Como que se está a condicionar a vida dos filhos, que parece que não poderão decidir o seu futuro por si, porque os pais, ainda eles nem nasceram, e já lhes traçaram o destino: cuidar dos pais quando estes forem velhinhos! Isto é mais ou menos como na geração dos meus pais, em que se tinham quanto mais filhos fosse possível, porque depois era mais mão-de-obra para ajudar nos trabalhos agrícolas. E decidir ter muitos filhos, para ter muito empregados em casa, também não é um ato altruísta. 

- Para criar uma família

Voltamos sempre ao mesmo, a decisão é sempre ter ou não ter. 
Muitas pessoas querem construir uma família, seja lá o que isso for nas suas cabeças. Talvez seja passar os genes, passar o nome da família. Mas decidir ter filhos só para que o nome da família não desapareça também não me convence que seja uma decisão altruísta. Parece-me, novamente, uma decisão baseada no orgulho, no ego, na conveniência. E bem sabemos para que é que o casamento foi inventado: para unir famílias ricas e perpetuar a riqueza entre os mais ricos. As famílias gostam muito dos filhos e das crianças, mas o que é eternamente se fez com os filhos fora do casamento? Eram bastardos, filhos de pais incógnitos, e eram muitas vezes deixados à sua sorte em conventos para as freiras cuidarem. Tudo para que não se dividisse o dinheiro da família. Olha que grande altruísmo e amor pelos filhos!

- Para estar rodeado de Amor

Se há pessoas que não gostam de crianças - e na verdade concordarão comigo se disser que a maioria das crianças são muito fáceis de não se fazer gostar - mas outras pessoas há, que têm um dom natural com crianças. Mas se mesmo dentre desse grupo de pessoas que têm esse dom natural com crianças, muitas decidem não ter filhos, outras sentem ainda mais esse apelo para a maternidade/paternidade.
Mas querer estar  rodeado de amor, será mesmo um ato altruísta ou será estar a pensar em si mesmo? 

O que eu acho é que as pessoas julgam muito facilmente os outros. E eu não tenho quaisquer dúvidas que há excelentes pais, e também não tenho quais dúvidas da tremenda dificuldade que é ser pai ou mãe nos dias de hoje. É curioso até, que ainda por estes dias estive à conversa com um senhor, que me disse que teve de ser muito inflexível, com os avós e até com pessoas desconhecidas, na educação da sua filha, que terá uns 19 anos. Revi-me muito nas palavras que ele me disse. Eu não faço a mais pequena ideia de como seria como pai. Acho que não se pode sequer imaginar, só mesmo se acontecesse. Mas concordei totalmente quando afirmou "a filha é minha, sou eu que a educo como eu acho que é correto, e não permiti que avós ou estranhos, viessem estragar o trabalho que eu estava a fazer".

E claro que há excelentes pais. Mas, infelizmente, esses não são a maioria. Acho até, e basta ouvir as pessoas, que a maioria detestou ser pai ou mãe. Essa é a verdade com todas as letras. Detestam ter sido pais ou mães, mas não podem dizer que se voltassem atrás não os teriam. Isso seria uma heresia! Cada pessoas é que sabe porque quis ter filhos. Na verdade muitos nem quiseram, mas "aconteceu". Foram pais à força. E só cada pessoa sabe porque quis ter filhos. De igual forma só cada pessoa sabe porque não os quer ter. 

Não julguem os outros, nem lhes colem de imediato  rótulos fáceis, quando não fazem a mais pequena ideia do porquê das decisões de cada um. Não julguem os outros só porque tomam decisões diferentes das vossas, quando as vossas próprias decisões podem muito bem ser criticadas também. Ter ou não ter filhos não é uma competição para mostrar quem é melhor. É uma opção, uma escolha. E ninguém é melhor ou pior por querer ou não querer ter filhos.  

terça-feira, 6 de junho de 2017

Eu vou ao Fundo mas tu vens Comigo

Todos os dias às 8h15, uma vítima de gémeos fala sobre como os filhos são do pior que pode acontecer a uma pessoa.

No programa de hoje da Antena 3 é absurdamente genial:

"Hoje gostava de mostrar aqui a minha solidariedade no que toca às pessoas sem filhos. As pessoas sem filhos sofrem de um bullying tramado. Fogo. Je-suis-pessoas-sem filhos (só que com filhos). Aliás, eu quanto mais tenho filhos mais percebo as pessoas sem filhos. Há duas grandes razões para uma pessoa não ter filhos, mas já lá vamos, porque primeiro há duas grandes razões para as pessoas fazerem perguntas. 

Uma é porque sim. Porque o ser humano é assim pró perguntadeiro. A outra é uma teoria que eu cá tenho. Que é a teoria do "eu vou ao fundo, mas tu vens comigo".As pessoas com filhos ficam assim com uma espécie de uma estranheza... 
Namoraram, casaram...mas não têm filhos! É como se a vida tivesse dado erro. Empancou ali e não anda mais. 

E depois estão ali enterradas num lodo de fraldas e birras e ranho e gritos, e querem arrastar mais uns quantos para a lama, só para não terem de os ver acordarem ao meio-dia, ou a fazerem o que lhes apetecem, só porque podem. E depois pensam: "então, estou aqui eu tão ocupado a ser um adulto - quem são estes irresponsáveis que ousam continuar a divertir-se como se não houvesse amanhã? Não ouviram o chamamento, hein?" 


E então claro, lá vem a perguntinha não é? Então e vocês,quando é que tem filhos? Quando é que fazem um destes?  Também aqui há duas grandes razões para uma pessoa não ter filhos. 
Uma é porque não quer. A outra é porque não pode. E como é que nós sabemos de qual dos casos se trata? Não sabemos! 

Mas, calma, eu penso que, eu não sei... Eu não tenho a certeza absoluta do que estou a dizer, mas eu penso que a Terra vai continuar a cumprir a sua rotação mesmo se as pessoas não estiverem no poder dessa informação sobre a vida dos outros. Até porque parecendo que não, perguntar uma coisa a uma pessoa que ela quer e não tem, pode ser chato. Se for uma coisa que ela não tem e não quer, se calhar não tanto, mas não há muito por onde escapar. Por isso, a menos que alguém diga, o melhor é fazer como dizia o outro, e seguir a máxima: "Se não sabe, então por que é que pergunta"? 

Inês Lopes Gonçalves / O Pior do Mundo são as crianças

O Pior do Mundo São as Crianças de 06 Jun 2017


sexta-feira, 28 de março de 2014

A verdadeira crise: a falta de tempo

Em tempos de crise, fala-se muito da falta de emprego, da falta de dinheiro, principalmente devido aos roubos do governo nos salários, reformas, subsídios de desemprego, abonos de família, em todos os direitos adquiridos, mas afinal, para o mesmo governo, o grave problema das pessoas é:

O tempo! 

Ou melhor, a falta de tempo! Só ainda não percebi por que é que a canalha fascista do governo, não teve a brilhante ideia de fazer uma qualquer lei qualquer, para que os dias deixem de ter só 24H, e passem, sei lá, de um dia para o outro, a ter umas cinquenta horas! De imediato resolvia-se o problema da falta de tempo, e ficávamos todos, de novo ricos - não?

Já no ano passado, o governo, na pele do ministro ex-deputado-lambreta, afirmava convictamente, que, o problema da queda da natalidade, tinha unicamente a ver, com o facto das pessoas não terem tempo para foder. 


Não era falta de tesão dos homens, ou as dores de cabeça crónicas das mulheres, ou a falta de condições financeiras. Não, isso são tudo desculpas esfarrapadas, o grave problema dos casais portugueses que querem ter filhos e não podem, é unicamente a falta de tempo para pinar!

Outra voz que já falou na falta de tempo, foi a alma caridosa, a verdadeira benemérita da treta do Banco Alimentar. Quando questionada sobre o problema das crianças que chegam à escola sem pequeno-almoço, refere que é tudo uma questão de falta de tempo dos pais! 


Esta semana ficamos também a saber pelo governo, que o problema da quebra do consumo interno em Portugal, não são as dificuldades económicas, nada disso, mais uma vez o problema é a falta de tempo para comprar! Aliás, isto está muito bem visto, o governo roubou-me no valor do subsídio de desemprego, e na duração do mesmo, e para o qual descontei durante onze anos, mas o problema de eu não fazer mais compras, não se deve ao facto deles me terem roubado, o problema deve-se a eu não ter tempo para fazer compras! 

Vai daí e abrem-se os centros comerciais durante 24h por dia, e assim, como que por milagre económico, quem não tem dinheiro, passará todo o tempo do mundo para o poder fazer. Isto é verdadeiramente brilhante! Os parolos que passam a vida enfiados nas estufas dos centros comerciais agradecem. O Belmiro e o Santos continuarão a ser ainda mais ricos, poderão explorar ainda mais trabalhadores-escravos, e continuarão a pagar os seus impostos na Holanda. O comércio tradicional, esse, terá agora todo o tempo do mundo para encerrar portas.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Filhos & Deus

Perguntavam-me ontem, o porquê de eu não querer ter filhos, alegando seguidamente elogiosas razões, segundo as quais, supostamente, eu daria um bom pai.

Por que é que não quero então eu ter filhos?

Só para chatear Deus!

Já agora, ouve lá, não achas que sete biliões já é um bocadinho de multiplicação a mais?

Pois, bem me parecia.