sexta-feira, 14 de março de 2025

Com o PSD e a AD Acabou-se a Falta de Etica

 Ironicamente, há um ano andavam por aí estes cartazes, assinados por Luís Montenegro, garantindo que com a AD ia-se acabar a "corrupção e falta de ética. Caso para dizer que a realidade ultrapassou a ficção.


Já agora, esta semana, enquanto ia de casa para o trabalho, decidi ouvir o Eixo do Mal da SIC Notícias e uma fase do Daniel Oliveira (foi ele que lembrou deste cartaz), com algumas observações pelo meio dos outros comentadores, chamou-me a atenção:

"Luís Montengro reconstruiu a sua imagem e até o sorriso mudou - revamping - ele antes tinha um sorriso trocista... e até deixou de ser adepto do FC Porto. Dizia-se durante a campanha eleitoral que a vantagem que tinha sobre PNS era a a imagem de honestidade. Essa persona morreu."


Mas sobre o que se está a passar politicamente no país, espero brevemente opinar de forma mais demorada. 

quinta-feira, 13 de março de 2025

Quantos dos Teus Pensamentos Vieram de um Algoritmo?


 Quantas decisões que tomas são de facto pensamentos teus? É muito curioso analisar o rebanho, que agora é mundial. A internet ligou todas as pessoas do mundo, umas às outras. Depois criaram-se as redes sociais, e hoje são os tempos da ditadura dos algoritmos que conduzem a manada para o que deve fazer - qual é a nova tendência? - onde é que vamos todos de férias este ano? em quem devemos votar? qual é a musiquinha idiota que todos estão a ouvir e eu também vou de certeza gostar? Onde é que eu devo meter injeções e inchar uma parte qualquer do corpo?

Quantos pensamentos são de facto nossos? 

Há dois anos achei curioso. Porquê aquela minha amiga estrangeira quis ir comigo a Sevilha? Afinal, dois dos meus colegas também queriam ir e foram. De repente lembraram-se todos de naquele ano ir a Sevilha?

Quantas escolhas e decisões que tomamos são de facto nossas e não sugeridas sub-repticiamente pelo algoritmo? Provavelmente foi o algoritmo que me injetou a ideia de escrever este post, obre a forma como hoje o algoritmo nos manipula os pensamentos e eu nem me apercebi!

A imagem é da revista Adbusters, do Canada. 

sábado, 8 de março de 2025

Bom Dia da Mulher, Se Conseguirem

O dia 8 de Março é para lembrar as desigualdades que ainda existem entre homens e mulheres, quer salariais, quer divisão de tarefas, quer na igualdade de oportunidades, e não tanto para lhes oferecer flores ou levá-las a comer fora. 

Posto isto, dizer que gostei muito da entrevista que a Luísa Sobral deu à Visão desta semana, em que se falou do seu livro "Nem todas as árvores morrem de pé", inspirado no suicídio combinado de um casal alemão que vivia em Real Real. 

A determinada altura da entrevista falou-se do crescimento da extrema-direita na Alemanha e sobre Portugal lembra algo que nos deveria fazer a todos pensar muito bem:

"Isto para mim é bastante assustador, ainda mais nos jovens. Ouvir pessoas mais velhas, que ainda têm resquícios do colonialismo, com esses pensamentos não me espanta tanto. Agora, ouvir pessoas da minha idade, ou mais novas, é terrível... Muitos dos militantes do Chega são miúdos com 20 e tal anos e isso faz-me muita confusão. Parece que ser rebelde, hoje, é ser de extrema-direita. Há podcasts de miúdos a dizerem coisas como: “Mulher minha não vai trabalhar!” Como assim? Que grande retrocesso, não consigo entender..."

Em pleno século XXI há alguns que querem que as mulheres regressem à cozinha, sejam obedientes aos seus maridos e cuidem da lida da casa.


 

terça-feira, 4 de março de 2025

Uma Manhã a Ouvir Falar de Psoríase


Há muito que não escrevo aqui sobre a minha doença - sim, estimado(a) leitor(a) fantasma deste blog, tem razão, há muito que também não me dedico a escrever sobre o que penso ou sobre a minha vida e passo o tempo a partilhar artigos de jornal da imprensa estrangeira que vou lendo, mas a vida tem o seu tempo e nós vamos tendo outros interesses e vícios, além de outras vicissitudes, e não dá para tudo - mas então vamos ver se escrevo aqui, sucintamente sobre um evento a que fui.

Sábado passado desloquei-me à Alfândega do Porto para ouvir falar sobre a minha doença: psoríase. O moderador era o meu médico, mas estiveram também presentes outros especialistas de Lisboa, quer de dermatologia bem com ortopedia e esteve também o presidente da associação de psoríase PSO Portugal, e ainda uma associada, portadora da doença, que deu o seu testemunho, provavelmente com tantas coisas em comum com outros doentes, como foi também o meu caso. 

Alguns dados que retive

Ao contrário do que se pensava, porque não havia um estudo a esse respeito, os doentes com psoríase não são 2% em Portugal. São cerca de 440 mil

Os doentes com psoríase têm uma esperança média de vida cinco anos inferior às pessoas comuns. 

Um doente com psoríase, e isto eu não fazia ideia, tem riscos acrescidos de doenças cardiovasculares, um risco três vezes superior de ter, por exemplo, um AVC. 

A psoríase deixou de ser olhada unicamente como uma doença de pele para passar a ser olhada em conjunto com várias outras patologias, e começa a ser designada "doença psoriática". 

Apesar de todo o azar que tive em desenvolver esta doença e que, até pela idade em que surgiu, me condicionou de certa forma a vida, e apesar de neste momento me ter sido atribuído uma incapacidade de 80% e por aí já se ver o que esta doença pode condicionar, a verdade é que, apesar de tudo o que passei, hoje posso considerar-me com sorte. 


Desde que, em 2010, passei a ser seguido no hospital Santo António, com a oportunidade que me deram de ser tratado com a nova medicação dita biológica que considero que fui sempre muito bem acompanhado, tanto primeiro pela médica que me acolheu, como depois pelo meu atual médico, que ela quis que eu fosse seguido por ele, por ser ele que estava a acompanhar todos os doentes com casos mais complicados. 

E tenho sorte pois fiquei a saber que muitos doentes, também com a doença complicada não têm acesso a este tipo de medicação, porque são medicamentos caros. E não é aceitável também, ficarmos a saber que há doentes que têm de vir dos Açores ao continente, com as despesas todas pagas por si, para conseguirem levar a medicação para casa. Isto nem pode ser constitucional. Não é assim que se tratam as pessoas. 

É preciso informar as pessoas sobre o que é a psoríase, para que ninguém seja olhado de lado, ainda que, por vezes, nem seja por mal, é só porque chama a atenção. Mas que mais ninguém seja mandado ir ao médico pedir uma declaração em como não tem uma doença transmissível, como eu fui, na empresa onde, pela primeira vez apareci de manga curta na empresa. 

É preciso pressionar os partidos para que quem tem a doença possa ser melhor tratado. Aumentar os diagnósticos para que mais doentes possam numa fase inicial iniciar os tratamentos. E no fundo que as pessoas votem em partidos que defendam o Serviço Nacional de Saúde, em vez de continuarem a votar em partidos, como acontece agora, em partidos que o querem destruir a saúde pública e entregar tudo aos privados.  

domingo, 2 de março de 2025