terça-feira, 14 de março de 2017

Irão os robots extinguir as putas?

Diz-se que a prostituição é a mais antiga profissão do mundo. Mas também se diz muita coisa. Talvez seja, talvez não, não sei. Se calhar a primeira profissão foi o agricultor, ou o pescador, ou o gaijo que afiava as pedras para ir à caça, ou o gaijo que aprendeu a fazer fogo - ou o tipo que descobriu a roda! Se calhar, muitas outras profissões chegaram antes da prostituição, ou não. Nunca saberemos, nem importa para o caso, mas assumamos que trocar favores sexuais por outros bens terá sido mesmo a profissão mais antiga do mundo. 

Via Pinterest
Há quem diga que não é uma profissão fácil. Mas se fosse uma profissão assim tão difícil, se calhar, digo eu, não haveria tanta tanta oferta. Basta abrir as páginas do Jornal de Notícias, um dos maiores chulos do país, que cobra cerca de 200€ por anúncio, numa prática, que não é preciso ter feito um curso de Direito para perceber que é lenocício.  

E também há diferentes tipos de prostituição. Na base da pirâmide temos aquele trabalho mais precário e sem direitos, que é a prostituição da beira de estrada; depois temos as putas que estão na rua mas têm o seu quarto na pensão; temos as putas que fazem da sua própria casa ou apartamento o seu bordel; depois há as mulheres que se despem na net e depois aí vamos nós, pirâmide acima, até chegamos lá ao pico, em que as próprias putas já se acham no direito de nem se chamarem putas, afinal só há sexo se quiserem. No fundo já se dão à esquisitice de não prestar o serviço a qualquer um. Mas um trolha, que só faz paredes para ricos não deixa de ser um trolha não é verdade?

Existe ainda, outro tipo de prostituição, mas que geralmente ninguém a vê como tal, que são aquelas putas travestidas de esposas, casadas e boas mães de família. Estas putas, são senhoras de bem, que se alugam por anos a fio num casamento, mas cá está, mais uma vez a troco de desafogo financeiro. Este tipo de prostituição mais comum, é um flagelo que atinge mulheres, mas não raras vezes, também muitos homens. 

A prostituição existe porque existem pessoas que a ela recorrem. Se não houvessem interessados nestes serviços, deixaria de haver prostituição. Assim, seguindo este raciocínio, a prostituição é algo necessário à sociedade, e como tal o Estado só teria que legalizar a atividade, e muito dinheiro se iria ganhar nos impostos. Assim, o Estado português continua a enterrar a cabeça na areia, fazendo de conta que não está a ver o problema.

Mas antes que me tomem por especialista no assunto, afirmar que não. De facto não sou especialista em putas porque tampouco recorri ao serviço de alguma. Na volta talvez não saiba o que ando a perder. Mas não sei, a mim a coisa nunca me entusiasmou. Se calhar acharia muito mais piada sair eu com o dinheiro, ser eu usado para, eu mesmo, como deve ser, fazer o serviço bem feito.
Mas ainda há não muitos anos, era quase tradição, aquando da inspeção para o serviço militar, os mancebos irem juntos às putas.

Mas as coisas têm mudado muito rapidamente. Também ainda há não muitos anos, era prática, de quem tivesse muito dinheiro, comprar apartamentos e meter lá dentro uma senhora, para todo o serviço. Depois, muitas vezes vendia-se o apartamento mais à frente, e anos depois de prazer ainda se ganhava dinheiro! Mas hoje em dia não acho que seja necessário ter amantes e sustentá-las em apartamentos. Existe uma coisa chamada Internet, existem os sites de sexo, e para quê sustentar uma só amante e trair a legítima sempre com a mesma cona? Na volta isso acaba também por se tornar aborrecido não? Então nada como o jogo de sedução constante e faturar, gratuitamente diferentes mulheres (ou homens).

Via Pinterest
O mundo está a mudar. Para grande parte dos jovens japoneses, por exemplo, é impensável ter uma namorada para lhe dar umas boas trancadas. Que coisa nojenta acham eles! Preferem jogar, e masturbar-se com brinquedos. E depois das bonecas insufláveis, que tinham uma cara que mais parece que acabaram de ter um AVC, chegaram agora as bonecas, mais realistas, que custam quase tanto como um automóvel. A par disto tudo o advento da robotizarão, que se estima que coloque, nos próximos anos, metade da população mundial no desemprego.

E irão os robôs também extinguir a prostituição?  Chegaremos aos tempos dos homens e das mulheres terem o seu robot-para-todo-o-serviço que trocarão de meio em meio ano, como fazem agora com os telemóveis?

Bom, para já, enquanto não chegam as robôs-humanoides, abriu em Barcelona o primeiro bordel com bonecas sexuais. Ali não há carne, só silicone. E uma hora com a bonecada custa 80€. Mas será este o futuro? Será que o futuro é os homens e mulheres, terem o seu robot-marido ou robot-esposa? Será que os robôs estão a chegar para nos foder literalmente?

domingo, 12 de março de 2017

Anda tudo fodido dos cornos!

Já por aqui referi mais do que uma vez, que há desde há muito que faço compras e vendas pela Internet, ainda no tempo do saudoso Escudo, e no tempo em que até se enviava dinheiro escondido por carta como meio de pagamento. 

Sempre comprei e vendi, e há algum tempo também estou num site de trocas, porque parece-me um conceito interessante. Tu tens uma coisa que já não queres e dá-me jeito, e então se eu tiver algo que te interesse podemos trocar sem gastar qualquer dinheiro. Acho isso porreiro, com a vantagem do site Troca-se.pt ter um índice de reputação, que nos permite trocar com toda a confiança, ao contrário, por exemplo, com o que acontece com os sites OLX e Custo Justo, em que basta fazer uma pesquisa por fraudes e em que vemos o mato que para ali vai. 



No Troca-se.pt estou sempre a colocar novas coisas que pretendo, para que se alguém vir e tiver me contacte. E por estes dias coloquei lá mais um nome de um pequeno livro, que até cá entre nós, mal possa conduzir vou trazer da biblioteca aqui da terra, pois já vi na catálogo de títulos que tem. E o livro chama-se "Alternativas de relacionamento afetivo". 

Poucos dias depois, um iluminado qualquer faz a pergunta: "m ou f". Eu fiz-me desentendido, como que não querendo perceber o que se estava a passar, e coloco um mero ponto de interrogação. Pois não é que agora mesmo, outro engraçadinho coloca também ele um ponto de interrogação? Já um bocadinho irritado respondo: "Estou à procura deste livro - qual é a dúvida?  E não que me respondem: "pensei que estivesses a trocar sexo por outra coisa"???  Espera, com um anúncio na secção de livros???

Mas anda tudo fodido dos cornos ou quê?

Medo: Há uma televisão inteligente atrás de mim


David Foldvari

São 17h45 e eu estou num quarto de Hotel em Guildford. Estou cheio de medo. Há uma televisão inteligente montada na parede atrás de mim. 

Eu só tenho um aparelho de televisão inteligente há 18 meses, então eu já evitei anos de vigilância secreta pela CIA, FBI, MI5, CI5 e NWA. Ninguém está a salvo da Samsung-Olho-de-Sauron-que-tudo-vê. Aparentemente um programa profundamente incorporado permite atualmente que as agências de inteligência observem e façam a monitorização de qualquer pessoa que esteja a ver o The Nightly Show da ITV, na crença que eles devem ser um estranho solitário-desajustado inexplicavelmente fascinado pelo sofrimento humano, uma bomba-relógio que está prestes a explodir. 

Eu ainda tenho um telemóvel velho da Nokia, tão básico que nem sequer tem o Snake nem câmara integrada.

Eu soube que a Nokia vai relançar um telemóvel como que a relembrar um artigo antigo fixe. E isto só mostra que se tu ficares parado muito tempo no mesmo sítio acabarás por te tornares um ícone da moda. Ou então és atropelado por um autocarro!

O meu sobrinho acha que é engraçado que eu não saiba o que é Candy Crush. Eu acho engraçado que ele nunca vá ser capaz de ser dono da sua própria casa. 

Mas talvez essa ignorância me tenha dado segurança. Será que eles nos estão a espiar através das nossas televisões assim como no Big Brother fez a Winston Smith em 1984 do Orwell? Tornou-se um chiche invocar a natureza profética da ficção distópica de Orwell, mas só porque fazer isso é um chiche, não faz as profecias de Orwell menos proféticas.

Stweart Lee 
(ler texto original aquiThe Guardian)

sexta-feira, 10 de março de 2017

Os Guerreiros da Internet

Quem são as pessoas por detrás dos comentários odiosos na internet? O cineasta norueguês Kyrre Lien mergulhou nesse mundo durante três anos e diz-nos que:

Comecei a olhar para os perfis das pessoas, tentando descobrir quem elas eram. Muitos pareciam bastante normais. Tinham famílias e pareciam bastante agradáveis, mas os comentários que escreviam no espaço público eram muito extremos. Havia uma desconexão

E então começou uma viagem de três anos, mergulhando na vida de alguns dos comentadores mais prolíficos da Internet, e que deu origem ao seu documentário: The Internet Warriors, numa tradução livre "Os guerreiros da Internet". 


Eu ouço muitas vezes  as pessoas dizerem que agora não se pode fazer nada, que há sempre alguém a criticar. Os humoristas, por exemplo, como o Ricardo Pereira, um dos que mais aprecio, já disse que um dia destes não se pode fazer humor com nada porque as pessoas indignam-se com tudo. 
Mas a meu ver, o problema não é as pessoas agora poderem expressar a sua opinião, aliás, eu acho isso muito bom, é quase uma verdadeira democracia. O problema é vivermos agora uma verdadeira censura com medo dos "Não Gosto"dos extremistas-sensíveis da internet! Humoristas com medo de exercerem a sua liberdade de expressão? Ao que isto havia de chegar!

O problema a meu ver, é vivermos tempos do "quando pior, melhor". Quanto mais aberrantes forem as coisas melhor. Mais se vendem. E infelizmente os média em geral, portugueses e estrangeiros, só dão destaque a este tipo de coisa. 99% das pessoas podem ser tolerantes e solidárias, mas os médias só darão destaque ao 1% de energúmenos fascistas. E é assim que a mensagem populista passa, porque está constantemente a ter muita publicidade, mesmo que seja a dizer constantemente mal deles. E como se sabe, não há má publicidade, pois como alguém disse, toda a publicidade é boa.   

Mas este tipo de mentalidade sempre existiu. Muito antes de haver Internet. Só que agora antes não tinham opinião. Revoltavam-se em silêncio. Hoje as pessoas, também podem manifestar a sua ignorância e a sua estupidez. Mas a meu ver isso só pode ser uma coisa boa, porque agora também sabemos quem eles são e o que eles pensam. Não podemos é fazer o seu jogo, porque se o fizermos perderemos. Eles são muito mais experientes que nós em estupidez!

quinta-feira, 9 de março de 2017

Estrela do Caos

De nós os dois, acho foste tu quem teve certamente a juventude mais rebelde. Logo para começar, tu namoraste comigo, logo, isso dá-te uns pontos extra! Eras uma adolescente que não tinha propriamente grandes preocupações com a roupa e com a forma como se apresentava. Vestias o que te apetecia, incluindo roupa do teu irmão mais velho ou até casacos da juventude do teu pai. E combinavas tudo muito descontraidamente. Lembro-me do pormenor dos rasgões das calças na zona dos joelhos, certamente feitos por ti, e que te davam, lá está, um ar ainda mais rebelde. Hoje não dá ar rebelde nenhum. Olha é como as tatuagens, hoje qualquer pita-choca tem tatuagens, e as calças esburacadas há muito que entraram na moda.

Na verdade, em ti, acho que ninguém prestava muita atenção à roupa que usavas. Tu impunhas-te pela tua presença e pela tua personalidade. E assim de repente até acho que é isso que falta às jovens de hoje. Sempre tão preocupadas com a forma com que se apresentam, e tantas vezes pouco preocupadas com a firmeza do seu caráter.  

Mas apesar da rebeldia, outra coisa que nos caraterizava, era a responsabilidade. Passar pela adolescência, sem fumar nem beber bebidas alcoólicas, demonstra sempre alguma firmeza e ainda tinha mais graça por não sermos propriamente uns meninos de coro. Agora até me lembrava dum casal que conheci, pouco tempo depois de nos termos separado, acho que eram de Espinho, e encontrei-os várias vezes em concertos, e eles  como que ficavam fascinados quando me encontravam. Eu ele aquele tipo com mais de trinta anos, que nunca tinha fumado nem bebido álcool! E não deixa de ser engraçado que, apesar de ser complicado passar a adolescência a resistir aos comportamentos unanimemente tidos como fixes - "não bebes não fumas não és fixe" - mas depois, quando somos mais velhos, sejamos reconhecidos por nunca o termos feito. 

Talvez tu me ganhasses em rebeldia porque eu ganhava-te em responsabilidade. Embora fôssemos ambos responsáveis, havia uma diferença: tu gostavas de experimentar. Se eu sabia que algo não era bom para mim, eu fugia das situações; já tu, não querias morrer estúpida, o que, desculpa lá, mas é um bocado estúpido. Repara, se calhar eu também gostaria de saber, como é mandar-me lá do cimo da Ponte Dom Luiz abaixo e saber como é o sentir corpo a bater lá em baixo no rio Douro. Mas para isso, para saber como é, tenho de morrer! Estás a ver? É estúpido. Pois eu desde novo prefiri morrer estúpido acerca de muitas coisas, porque em muitas situações, o problema das pessoas é precisamente esse: é quererem experimentar para saber como é. E já diz o ditado: "a curiosidade matou o gato"! 

Já lá vão quase vinte anos e como é normal há pormenores que já me escapam. Mas tenho quase a certeza que deveríamos estar a namorar há dois meses, quando tu, a Ana, a Raquel e a Joana (e agora não me lembro do nome daquela tua amiga da Ribeira, que tu gostavas muito, pelo menos até ela ter arranjado namorado). Já não sei ao certo quantas foram contigo, mas tenho ideia que vocês eram umas três ou quatro, contigo cinco no máximo. 


Tinham decidido ir, todas juntas, passar uma noite, acho que era para Afife... Ou seria Esposende? Acho que só pode ser Afife, até porque eu nunca estive em Afife. Não conheço Afife! Só posso ter esse nome gravado na cabeça por causa da tua ida com as tuas amigas burguesas, para um sítio na praia, para experimentarem umas "cenas". 

Eu terei sido veementemente contra a tua ida. Nem tenho dúvidas sobre isso. Eu sou um chato do caralho, da pior espécie mesmo. Mas claro que tu não precisavas da minha aprovação para ir, apesar de eu saber que, naquela altura, eu era a pessoa mais importante para ti. E eu sabia que aquilo tinha tudo para correr mal. Vocês acharam que tinham arquitetado tudo muito bem. Foram ao Centro Comercial STOP comprar as substâncias ilícitas ao dealer de serviço (a legalização do consumo das drogas leves só chegaria dois anos mais tarde pela mão do hoje Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres , e, nesse tempo, fumar um simples charro, era um fruto proibido, talvez por isso, muito mais apetecido)  e lá foram vocês, um grupo de mulheres, no fim do secundário, e quase a atingir a maioridade, de comboio para Afife. 

Eu, como bom namorado, fui contigo levar-te à estação, mas voltei para casa apreensivo, pois como diz o nosso amigo Murphy: "se algo pode dar errado, dará". E claro que deu.

Lembro-me de já serem altas horas da noite. E nesse tempo ainda ninguém tinha telemóveis. E tocou o telefone. Era uma amiga tua... Tu tinhas batido muito mal com as merdas que experimentaste. E eu fiquei completamente passado com o que estava a ouvir. Tu, em pânico, terás pedido para me ligarem... Claro, só podia ser assim, só tu sabias o meu número de cor. Eu acho que chegamos a falar um pouco e eu ter-te-ei acalmado...

A coisa correu tão mal que me disseste que nunca mais na vida quererias experimentar nada daquilo. Mas eu sempre me perguntei: e se não tivesse corrido mal? Irias ter ficado só por ali, só para não morreres estúpida, ou irias continuar a experimentar? E eu, iria conseguir impedir-te de repetires a gracinha, ou iria ter de aceitar? Resignado não iria certamente ficar. Ainda por cima, nesses tempos, ambos, já tínhamos problemas graves o suficiente para tentarmos sair deles, não precisávamos de mais nenhum.

Mas no meio disto tudo há um pormenor que nunca me esqueci. Na estação, quando te deixei para ires com as tuas colegas, eu tirei o fio que usava há já uns anos. Não era um fio com uma cruz. Tirei-o e coloquei-o em ti. Era uma Estrela do Caos.


terça-feira, 7 de março de 2017

Não há Famílias em K-PAX

Por diversos motivos, há já muitos anos que não vou acompanhando o que se vai passando no cinema, e certamente que há mais de vinte anos não acompanho os Óscares, pois cedo percebi que se trata, mais ou menos como o Euro Festival da Canção, de uma questão política e de interesses financeiros, bem mais que um justo prémio para os melhores da sétima arte. 

Eu nem sou grande entendido em cinema como por aqui já o devo ter referido por mais que uma vez. Eu nem conheço os artistas, os realizadores, os pintores das obras. Vejo os filmes mas na maioria dos casos nem retive quem foi o realizador. Muita gente mal começa a ver a forma como o filme está filmado ou editado já sabe quem filmou. Eu não. E claro que é bem mais fácil lembrar os atores. E um dos meus atores preferidos, creio que é mesmo o meu ator preferido, é o Kevin Spacey. E já cheguei a diversos filmes por causa dele. Até vi o "Super Homem Regressa" (não seria filme que me interessaria minimamente à partida) simplesmente porque ele participava, fazendo de Lex Luthor. E acho que isto é comum à maioria das pessoas. 


K-PAX é um filme de 2002. Depois de ter ido ao cinema ver, em dois anos seguidos, dois filmes dele, vi este filme já em DVD, porque K-PAX, se não estou em erro, quase nem entrou no circuito de cinema e foi quase de imediato para o mercado de aluguer/venda. 

O filme desenrola-se quase exclusivamente num hospital psiquiátrico. Um homem é apanhado pela polícia, sem documentos, dizendo que a luz deste planeta é demasiado brilhante para ele. Depois de algum tempo a ser tratado e a não se obter qualquer resposta, ele é entregue aos cuidados de Mark, um psiquiatra experiente (Jeff Bridges). Mas o problema é que Prot (Kevin Spacey) é muito convincente, e Mark começa a encarar este novo doente quase como um desafio pessoal, como se tivesse "escolhido este para salvar" como lhe dirá a sua mulher. 

O filme coloca muitas questões éticas ou filosóficas, muito pertinentes em que podemos refletir. Uma delas é sobre as famílias e sobre as relações que estabelecemos uns com os outros:


Mark: Bem, Prot, gostava que me contasse mais a sua terra...
Prot: O que é que quer saber?
Mark: Bem... tem família em K-PAX?
Prot: Em K-PAX não é como aqui. Não temos famílias como vocês as considerariam. Na verdade, a família seria um "nom sequitur" no nosso planeta. como em muitos outros. 
Mark: Por outras palavras...você...nunca conhecer os seus pais...
Prot: Em K-PAX as crianças não são criadas pelos pais biológicos. mas sim por todos. Circulam entre nós, aprendendo, com um e com outro. 
Mark: Tem um filho?
Prot: Não. 
Mark: Tem alguma esposa à sua espera? 
Prot: Mark, Mark, Mark... Você não está a prestar atenção ao que lhe estou a dizer pois não?
Não temos casamentos em K-Pax. Não há esposas nem maridos. Não há famílias. 
Mark: Estou a ver.. e a estrutura social... Governo?
Prot: Não precisamos.
Mark: Não há leis?
Prot: Nem leis, nem advogados. 
Mark: Como distinguem o bem do mal?
Prot: Todos os seres do Universo distinguem o bem do mal. 
Mark: Mas e se... alguém fizesse algo de errado? Cometer um homicídio. Ou uma violação. Como o puniriam? 
Prot: Deixe-me dizer-lhe uma coisa Mark. A maioria de vós, humanos, subscrevem esta política do "olho por olho, dente por dente"...que é conhecida em todo o Universo pela sua estupidez. Até o vosso Buda e o vosso Cristo o entendiam diferentemente. Mas estão-se todos nas tintas, até budistas e cristãos.Vós humanos...Às vezes é difícil entender como conseguiram chegar tão longe.