"A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
Há coisa de um mês comecei a ler o jornal brasileiro Folha de São de Paulo. E posso dizer que muito me surpreendeu na qualidade pois dificilmente haverá em Portugal jornal que se compare. Mas não é para falar da qualidade dos jornais portugueses que decidi escrever, mas sim para deixar uma sugestão, um documentário, precisamente, da Folha de São Paulo intitulado: "A mulher da casa abandonada".
Quem é a mulher que vive sozinha num casarão, uma mansão de milhões em ruínas, caindo aos pedaços, numa das zonas mais ricas da cidade que o jornalista encontra na antevéspera de Natal protestando com os funcionários públicos que estão a deitar uma árvore abaixo?
Mas esta mulher culta e rica que dá pelo nome de Mari e que barra a cara com uma pasta branca, e que, além do nome, oculta uma história verdadeiramente macabra...
Quem são as pessoas por detrás dos comentários odiosos na internet? O cineasta norueguês Kyrre Lien mergulhou nesse mundo durante três anos e diz-nos que:
Comecei a olhar para os perfis das pessoas, tentando descobrir quem elas eram. Muitos pareciam bastante normais. Tinham famílias e pareciam bastante agradáveis, mas os comentários que escreviam no espaço público eram muito extremos. Havia uma desconexão
E então começou uma viagem de três anos, mergulhando na vida de alguns dos comentadores mais prolíficos da Internet, e que deu origem ao seu documentário: The Internet Warriors, numa tradução livre "Os guerreiros da Internet".
Eu ouço muitas vezes as pessoas dizerem que agora não se pode fazer nada, que há sempre alguém a criticar. Os humoristas, por exemplo, como o Ricardo Pereira, um dos que mais aprecio, já disse que um dia destes não se pode fazer humor com nada porque as pessoas indignam-se com tudo.
Mas a meu ver, o problema não é as pessoas agora poderem expressar a sua opinião, aliás, eu acho isso muito bom, é quase uma verdadeira democracia. O problema é vivermos agora uma verdadeira censura com medo dos "Não Gosto"dos extremistas-sensíveis da internet! Humoristas com medo de exercerem a sua liberdade de expressão? Ao que isto havia de chegar!
O problema a meu ver, é vivermos tempos do "quando pior, melhor". Quanto mais aberrantes forem as coisas melhor. Mais se vendem. E infelizmente os média em geral, portugueses e estrangeiros, só dão destaque a este tipo de coisa. 99% das pessoas podem ser tolerantes e solidárias, mas os médias só darão destaque ao 1% de energúmenos fascistas. E é assim que a mensagem populista passa, porque está constantemente a ter muita publicidade, mesmo que seja a dizer constantemente mal deles. E como se sabe, não há má publicidade, pois como alguém disse, toda a publicidade é boa.
Mas este tipo de mentalidade sempre existiu. Muito antes de haver Internet. Só que agora antes não tinham opinião. Revoltavam-se em silêncio. Hoje as pessoas, também podem manifestar a sua ignorância e a sua estupidez. Mas a meu ver isso só pode ser uma coisa boa, porque agora também sabemos quem eles são e o que eles pensam. Não podemos é fazer o seu jogo, porque se o fizermos perderemos. Eles são muito mais experientes que nós em estupidez!