Hurt - Johnny Cash (versão de Nine Inch Nails)
"A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
domingo, 17 de maio de 2015
sábado, 16 de maio de 2015
Sexo com as mulheres do zodíaco
Diz-me de que signo és, dir-te-ei como fodes comigo. Ou não! Toda a gente sabe que os astros nos influenciam, e no que aos signos diz respeito, quem observa as pessoas com atenção e conhece as caraterísiticas gerais, muitas vezes quase pode lançar palpites. Por outro lado, para se conhecer alguém do ponto de vista astrológico é preciso fazer um mapa astral exato, e depois, cada pessoa tem as suas idiossincrasias, e não há duas pessoas iguais. Mas ainda assim, cá fica anotado. Segundo o livro Sextrologia, se eu fosse para a cama com uma senhora de cada signo, a coisa seria mais ou menos assim:
Mulher Carneiro "a Original"
Ela antevê enormes possibilidades carnais, ele é lento a ler os seus patentes sinais; o comportamento pouco apressado da Carneiro é o que conquista a afeição dele. O sexo é um assunto psicológico - os papeis são invertidos, e exploradas as fantasias de amo/senhor.
Mulher Touro "a Ideal"
Este laço é forte ao princípio, mas muitas vezes, depois torna-se estático. Mesmo assim é um casal astrologicamente simpático. O sexo é agradável e emocionalmente recompensador: podem estar na cama durante dias.
Mulher Gémeos "a Dádiva"
Ela tem andado em busca de alguém tão sensível e forte, ele é considerado com uma espécie sensual e determinada. A amizade vem em primeiro lugar, pelo que o sexo raramente é o centro. Na verdade, na cama parecem por vezes relutantes. Mesmo assim ainda há esperança.
Mulher Caranguejo "a Pérola"
Ela vê nele um tipo seguro e firme - alguém em quem se pode confiar. A volatilidade dela, estimula os cuidados do ***. É uma maldade sustenida a dois - muita parra para pouca uva; choram até se rirem. Na cama, ela é uma cuidadosa professora sexual.
Mulher Leão "a Impressionante"
Fixação: uma relação entre duas personagens teimosas - ela é caninamente ambiciosa, ele, complacente imóvel - que é difícil de manter, mas há uma recompensa pela tentativa: as tensões emocionais geram uma excitação sexual excecional.
Mulher Virgem "o Recetáculo"
Material para o casamento: ele é facilmente dominado pela adoração que dela emana, ela aceita a terna tutela que lhe é proporcionada. Existem obstáculos, mas normalmente são ultrapassados . Seja como for, desde o início que é sexo a arder em lume brando.
Mulher Balança "o Encanto"
Ela entra repentinamente na vida dele, apresentando-lhe novas experiências sensuais, ele entrega-se a todos os excessos lúbricos. Este laço pode nunca passar da camada superficial - vivem em "mundos" diferentes - mas a ligação erótica é séria.
Mulher Escorpião "o Espécime"
Ele é uma espécie de tipo submisso que ela espera moldar. Qualquer aliança entre estes dois astros opostos é pura obsessão. Deve esperar-se que se viciem um no outro: a paixão raia a selvajaria.
Mulher Sagitário "a Especialista"
Ao terem muito em comum - especialmente uma necessidade de atenção - chocam-se nas coisas essenciais: ela é mais feliz lá fora, no mundo, ele prefere os prazeres caseiros. Apesar de tudo, sexualmente é uma relação sumtuosa.
Mulher Capricórnio "a Dormente"
Cada um deles acha a outra parte capaz de verdadeiro amor. Ainda que estes signos de terra sejam emocionalmente alinhados - raramente abrem garras - ela, imaginando que ele anda perdido, impõe restrições. Na cama, fazem apelo a uma comunicação mais clara.
Mulher Aquário "a Visão"
Ela faz o ninho com alguém "normal". Por ironia, ele explora o lado escuro da mente dela. Ocorrem então mudanças enormes e avassaladoras. Aquário está acostumada a mais paixão, para ele, ela é a exceção exótica.
Mulher Peixes "o Sonho"
Ela é hiperfêmea das fantasias dele, e a sua imediata devoção é tudo quanto ela precisa como prova: ele é "o único". A harmonia reina no céu. O desejo sexual de ambos é pressionante - cada um agrada e deleita o outro.
"Os homens fortes e viris são o ideal da mulher Carneiro.
A mulher Touro tem na cama o seu elemento preferido, enquanto a mulher Gémeos, a mais nervosa do Zodíaco, pensa pouco no parceiro.
A mulher Caranguejo inclina-se para o primeiro que repare nela, ao passo que a mulher Leão é uma predadora natural: centra-se num único homem, marcando-o como seu território exclusivo.
A mulher Virgem é senhora de uma atracção sexual que perdura durante muito tempo.
De todas as mulheres, Balança é a mais bela e justa, faltando-lhe, no entanto, sensualidade.
Se há mulher que sabe de que é feita a sexualidade, essa é a Escorpião.
Mais, mais e mais é o lema da mulher Sagitário.
A mulher Capricórnio é a menos exibicionista do Zodíaco, enquanto a mulher Aquário vê sempre o lado bom das situações. A mulher Peixes é a mais ousada do Zodíaco".
quarta-feira, 13 de maio de 2015
O que ando a ler V
- Oh minha senhora, se deveis isso tudo a crimes, a Providência, que acaba sempre por ser justa, não vos permitirá gozá-lo durante muito tempo! redargui-lhe.
- Enganas-te - disse-me a Dubois. - Não julgues que a Providência recompensa sempre a virtude, não permitas que um breve momento de prosperidade te mergulhe em tais erros. É indiferente à manutenção das leis da Providência que este seja pecador enquanto aquele é virtuoso; é-lhe necessária igual quantidade de pecado e virtude, e o indivíduo que pratica uma coisa ou outra é-lhe absolutamente indiferente. Escuta-me, Sophie, escuta-me com um bocadinho de atenção. És inteligente e desejaria finalmente convencer-te. Não é a escolha , pelo homem, do vício, ou da virtude, minha querida, que lhe dá a felicidade, porque a virtude, como o vício, mais do que não é que um um modo de conduta no mundo. Não se trata, portanto, de seguir um de preferência à outra, e sim de talhar apenas o caminho geral. Todo aquele que se afasta desse caminho procede sempre mal. Num mundo inteiramente virtuoso aconselhar-te-ia sempre a virtude, pois, como para ela haveria recompensas implícitas, nela estaria infalivelmente a felicidade. Mas num mundo inteiramente corrupto jamais te aconselharia outra coisa que não fosse o vício. Aquele que não trilha o caminho dos outros acaba inevitavelmente por perecer; todos os obstáculos que se encontra no caminho o ferem e, como é o mais fraco, tem por força de ser destruído.
É em vão que as leis pretendem restabelecer a ordem de reconduzir os homens à virtude; demasiado viciosas para semelhante empreendimento e demasiado fracas para alcançarem êxito, afastam por instantes do caminho trilhado, mas jamais conseguem que este seja definitivamente abandonado. Quando o interesse geral dos homens os leva à corrupção, aquele que não quer corromper-se com eles luta contra o interesse geral. Ora, que felicidade pode esperar aquele que contraria constantemente o interesse dos outros? Dir-me-ás que é o vício que contraria o interesse dos homens, e eu concordaria contigo se o mundo fosse constituído em partes iguais por pecadores e virtuosos, porque então o interesse de uns chocaria visivelmente com o dos outros, mas não é isso que acontece numa sociedade onde a corrupção impera. Nesta, os meus pecados só lesam os pecadores e determinam neles outros pecados que os desforram...
É em vão que as leis pretendem restabelecer a ordem de reconduzir os homens à virtude; demasiado viciosas para semelhante empreendimento e demasiado fracas para alcançarem êxito, afastam por instantes do caminho trilhado, mas jamais conseguem que este seja definitivamente abandonado. Quando o interesse geral dos homens os leva à corrupção, aquele que não quer corromper-se com eles luta contra o interesse geral. Ora, que felicidade pode esperar aquele que contraria constantemente o interesse dos outros? Dir-me-ás que é o vício que contraria o interesse dos homens, e eu concordaria contigo se o mundo fosse constituído em partes iguais por pecadores e virtuosos, porque então o interesse de uns chocaria visivelmente com o dos outros, mas não é isso que acontece numa sociedade onde a corrupção impera. Nesta, os meus pecados só lesam os pecadores e determinam neles outros pecados que os desforram...
E ficamos todos felizes! A vibração torna-se geral, dá-se uma multitude de choques e lesões mútuas em que cada um recupera sem demora o que acabou de perder e se encontra constantemente numa posição vantajosa. O pecado só é perigoso para a virtude que, fraca e tímida, jamais ousa seja o que for. Mas se ela for banida da face da Terra, o pecado, lesando apenas pecadores, não incomodará mais ninguém, dará origem a outros pecados e não ofenderá quaisquer virtudes. Argumentar-me-ão com os efeitos benéficos da virtude? Outro sofisma, pois ela só serve para os fracos e é inútil àquele que pela sua energia se basta a si mesmo e só precisa da sua astúcia para corrigir os caprichos do destino. Como querias não ter falhado na vida, querida filha, se seguiste sempre em sentido inverso ao de toda a gente? Se te tivesses deixado ir onda, terias encontrado o porto, tal como eu encontrei. Aquele que quer remontar um rio chega mais depressa do que aquele que o desce? O primeiro quer contrariar o outro, o segundo abandona-se à corrente. (Marquês de Sade - Justine)
Acabei o segundo livro de Sade, e não poucas vezes senti-me muito identificado com a sua personagem principal, Justine, que tentando sempre fazer o bem, acabava sempre fodida, muitas vezes até literalmente! sempre espezinhada, nunca obtendo nenhuma "recompensa divina" pelo bem que fazia em prol dos outros. Todos os outros, os que só faziam o mal e cometiam os crimes mais hediondos para subir na vida, esses sim, eram sempre recompensados.
Olho para a minha vida e olho em volta, e acho que me prejudico constantemente por ser demasiado frontal, por ser demasiado honesto, por não querer ir contra a minha ética pessoal, por dizer o que penso, por não esconder, por não usar de manhas. A esse propósito, ainda por estes dias, na revista de imprensa da TSF, Fernando Alves fazia referência a uma entrevista a Fernando Dacosta que falava da "manha portuguesa" "- Como é que sobrevivemos se não formos manhosos? Quem diz o que pensa está lixado". É por isso que eu me fodo constantemente, por não usar de manhas.
Acabei o segundo livro de Sade, e não poucas vezes senti-me muito identificado com a sua personagem principal, Justine, que tentando sempre fazer o bem, acabava sempre fodida, muitas vezes até literalmente! sempre espezinhada, nunca obtendo nenhuma "recompensa divina" pelo bem que fazia em prol dos outros. Todos os outros, os que só faziam o mal e cometiam os crimes mais hediondos para subir na vida, esses sim, eram sempre recompensados.
Olho para a minha vida e olho em volta, e acho que me prejudico constantemente por ser demasiado frontal, por ser demasiado honesto, por não querer ir contra a minha ética pessoal, por dizer o que penso, por não esconder, por não usar de manhas. A esse propósito, ainda por estes dias, na revista de imprensa da TSF, Fernando Alves fazia referência a uma entrevista a Fernando Dacosta que falava da "manha portuguesa" "- Como é que sobrevivemos se não formos manhosos? Quem diz o que pensa está lixado". É por isso que eu me fodo constantemente, por não usar de manhas.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Media Markt - Fazer dos outros parvos
Há semanas atrás, passava por um dos grandes grossistas de vendas de material eletrónico em Portugal, a Media Markt (que agora até parece que vende também carros!) e demorei-me um pouco na secção dos binóculos. Peguei neles, coloquei-os nos olhos, e claro, experimentei-os focando bem lá para o fundo da loja, a ver que tal achava. E depois experimentei outros e procedi da mesma forma. Sem dúvida, os que experimentei são bons equipamento se pretendermos observar a vizinha em trajes menores! Mas por acaso até nem é o caso - até porque nem tenho vizinhas boazonas! - mas por acaso mesmo que tivesse, não era por aí, pois nem tenho desses fetiches voyeuristas, e depois porque o motivo para o uso de binóculos é até bem mais prosaico, tão somente o uso que lhes destinaria, aos binóculos, seria a observação de aves.
Mas eu não me tenho por comprador impulsivo ou emotivo, muito menos quando estamos a falar de valores substanciais. Por exemplo, por mais interessantes que os binóculos que experimentei me pudessem parecer, dificilmente daria 100€ para os ter. Quanto muito esperaria que alguém os compre, se farte deles, e depois os meta à venda usados na net por metade do preço! Mas enquanto passava nos expositores ao lado, passava os olhos assim de relance pelas máquinas reflex - daquelas que dá para substituir as lentes por umas mais compridas! - e uma máquina em particular chamou-me a atenção, principalmente pelo valor que estava marcado.
Uma Canon 1200D (que nada sabia sobre artigo em questão) mas estava marcada com um preço de 300€. Fiz o que qualquer pessoa de bom senso faz, que é, tomar nota da referência, e depois tranquilamente em casa, pesquisar sobre o artigo, informar-se sobre as especificações técnicas e ler também opiniões sobre o mesmo.
Passado uns dias lá voltei de novo à mesma loja, para pegar na máquina, acariciá-la, senti-la nas mãos e tal, e qual não é o meu espanto, a mesma máquina já estava com um valor superior!! Ò diabo, pensei, então é esta a "loucura dos preços baixos"? Fazer três ou quatro dias de promoções é aumentar o preço dos artigos?
Mas não se ficaram por aqui! Passava agora os olhos pelo folheto publicitário, e qual não é o meu espanto, a mesma máquina fotográfica, agora já está 333€!! A lógica deve ser, quanto mais tempo está nas prateleiras sem se vender mais valoriza!
É mesmo caso para dizer, tal como dizia o outro: "E o parvo (burro) sou eu"!
domingo, 3 de maio de 2015
O que ando a ler IV
São muitas as razões que me levam a pensar que a cultura da felicidade não pode ser considerada um bom modelo de vida. Mas serão esse motivos suficientes para invalidar radicalmente o princípio?
Dado que o homem não é Uno, a filosofia da felicidade deve fazer justiça a normas ou princípios de vida antitéticos. Devemos reconhecer a legitimidade da ligeireza hedonística, tal como a exigência da construção do indivíduo através do pensamento e do agir. A filosofia dos Antigos procurava formar um homem sábio que se mantivesse idêntico a si próprio, querendo sempre a mesma coisa mediante a coerência consigo mesmo e a rejeição do supérfluo. Será isto realmente possível e desejável? Não o creio. Se o homem, como defende Pascal, é um ser feito de "contradições", a filosofia da felicidade não deve excluir nem a edificação complexa do eu. O homem muda ao longo de toda a sua vida e não esperamos da nossa existência sempre as mesmas satisfações. Isto significa que uma filosofia da felicidade terá forçosamente de ser desunificada e pluralista: uma filosofia mais eclética do que cética, mais mutável que definitiva.
No âmbito de uma problemática "dispersa", não é tanto o próprio consumismo, que convém denunciar, mas o seu excesso ou o seu imperialismo, que criam obstáculos ao desenvolvimento da diversidade das potencialidades humanas. Assim, mais do que condenada, a sociedade do hiperconsumo deve ser corrigida e estruturada. Nem tudo é de rejeitar, e há muito a reorganizar e a reequilibrar para que a ordem tentacular do hiperconsumo não ponha a causa multiplicada dos horizontes da vida. Neste domínio, nada está decidido tudo pode ser inventado e construído sem um modelo assegurado. Tarefa árdua, forçosamente incerta e sem fim, uma vez que a conquista da felicidade não pode sujeitar-se a um prazo.
O que é válido para a sociedade, vale também para o indivíduo: o homem caminha para um horizonte que se evapora à medida que ele julga estar mais próximo, cada solução trazendo novos dilemas. De todas as vezes . a felicidade tem de ser reinventada e ninguém possuiu as chaves que abrem a porta da terra prometida: temos de decidir o rumo à medida que avançamos e retificar a trajetória passo a passo, com mais ou menos sucesso. Lutamos por uma sociedade e uma vida melhores, procuramos incansavelmente os caminhos da felicidade, mas nada garante que alcançaremos aquilo que nos é mais precioso: a alegria de viver.
(Gilles Lipovetsky - A Felicidade Paradoxal)
Foi com alguma estranheza e desilusão que, depois de ter lido unicamente deste autor A Era do Vazio (de 1983) em que ele faz uma crítica feroz ao individualismo, ao narcisismo e ao alimentar do ego, uma crítica ao consumo de massas, ao prazer pelo prazer e depois cair no vazio e não sentir nada, venha em A felicidade paradoxal (24 anos depois), dar uma no cravo e outra na ferradura, conseguindo até defender esta sociedade do hiperconsumo.
Diz ele também, defendendo o indefensável, em "Relações mercantis e sociabilidade" na página 124:
Contrariando uma ideia muito difundida, a sociedade de hiperconsumo não significa que o indivíduo se isole no seu casulo, nem que se verifique um "confinamento interativo generalizado". O equipamento audiovisual das nossas casas não suprimiu de modo algum a necessidade de estarmos em contacto com o "mundo" e de convivermos com os nossos amigos. (...)
A verdade é que são os indivíduos melhor equipados com as novas tecnologias que "saem" mais e convivem com mais pessoas. (...)
Evitemos, pois, o cliché do declínio da vida social, por agora, não existe qualquer perigo real no que respeita à sociabilidade, visto que o desenvolvimento do virtual e dos meios de comunicação têm maiores probabilidades de reforçar a importância dos contactos diretos do que degradá-los.
Evitemos, pois, o cliché do declínio da vida social, por agora, não existe qualquer perigo real no que respeita à sociabilidade, visto que o desenvolvimento do virtual e dos meios de comunicação têm maiores probabilidades de reforçar a importância dos contactos diretos do que degradá-los.
Acho que andas mesmo a nanar Lipovetsky! Olha que nem de propósito, uma marca de cerveja - se calhar um dos símbolos maiores da socialização moderna entre pessoas, estar num café e beber uns copos com os amigos - e esta marca de cerveja sentiu a necessidade de fazer um anúncio publicitário intitulado "O que se passa com a amizade?" alertando para os perigos de se estar completamente fechado no casulo, comunicando com os outros, mas exclusivamente por via eletrónica. E o problema é que consumidores enfiados dentro do casulo, não saem, não estão com os amigos e no fundo, mais importante, não consomem nem bebem cerveja, o que e é uma chatice para quem quer vender.
E volto a citar as sábias palavras de Ingrid Betancourt em entrevista à TSF:
Estamos a perder aquilo que é a essência da comunicação humana, que é, sentar num café a conversar com as pessoas. Hoje em dia não há tempo para se estar num café a falar com as pessoas, porque estamos sentados num computador, a falar com as imagens virtuais de muita gente. Estamos a perder o contacto pessoal. Pergunto-me como vai ser o mundo amanhã? Quando os jovens perderam a noção do que é perder tempo com uma pessoa a falar com ela. É importante que dediquemos o tempo a coisas profundas, e eu acho que não há nada mais profundo que dedicar o tempo aos outros. Não a si mesmo - porque o problema da internet - é que dedicamos tempo ao nosso ego, a vendermo-nos, a pôr uma foto bonita no perfil, a publicitarmo-nos da melhor maneira, a criar um espaço virtual onde mostrarmos uma imagem de nós mesmos, da que queremos vender.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Relaxa, olha a ganância pá!
Vivemos tempos do parecer, da imagem, em que verdadeiramente o conteúdo pouco importa. Qualquer pessoa, com toda a autoconfiança do mundo, falando rápido e articulando umas palavras mais ou menos caras, mesmo dizendo um monte de coisas que ninguém entende, assim mais ou menos ao estilo das letras do Reininho, é aplaudida de pé, mesmo que esteja a dizer a maior barbaridade de todos os tempos.
Ontem, vinha eu nos meus pensamento enquanto conduzia o carro em piloto-automático, passei pelas emissoras do rádio, e acabei por aterrar a meio do programa Prova Oral da Antena 3, programa que diga-se é raríssimo ouvir. Enquanto tentava afinal perceber qual o assunto submetido a exame, ouvia uma gaija a debitar as datas dos seus espetáculos - quem será? pensava eu - "Vais-me deixar dizer isto tudo até ao fim Alvim"! como se quem estivesse do outro lado a conduzir, fosse naquele momento parar o carro, sacar de um bloco de notas e apontar todas as datas, de todas as cidades, que ela estava a dizer! Enquanto isso, o moderador de serviço, cagando d'alto na entrevistada, estava mais interessado em receber telefonemas ou e-mails dos ouvintes, com a explicação para o fenómeno do homem-estátua que se aguentar no ar, afinal tinha tudo a ver!
Até que de repente, algo me acorda subitamente dos meus pensamentos com um enorme estrondo. A convidada, uma tal de Marta Gautier, que até comentou dos casos que tratava (psi?) sai-se com esta brilhante pérola: "O stress? O stress é causado pela ganância"!
Ganância?! Espera, não me digas, também andaste no rancho folclórico como o outro não foi?
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