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quinta-feira, 26 de março de 2026

A Pipoca Mais Amarga


Ontem apanhei a "Pipoca", autora do blog "A Pipoca Mais Doce" no programa "Prova Oral" da Antena 3 apresentado pelo Fernando Alvim. Dizia ela a certa altura que fica triste porque no Instagram já ninguém lê três linhas e que, quando lhe dizem para voltar para o blog, responde que não, porque ninguém vai ler.

Há aqui vários contrassensos. Desde logo porque o Intagram não é um equivalente do blog, é uma coisa bem diferente. Aliás, o Instagram começou por ser uma espécie de fotolog, em que as pessoas partilhavam unicamente fotografias. O Instagram não foi feito para escrever, e, se hoje em dia alguém quer passar uma mensagem, tem que escrever a mensagem em letras bem garrafais nas imagens porque as descrições quase ninguém vai ler, e toda a gente sabe disso. As descrições das imagens do Instagram tem uma letrinha muito pequenina e os links nem sequer funcionam. 

OInstagram quis ser várias coisas. Quis ser microblog como o Twitter, quis ter vídeos curtos (tantas vezes ridículos) e quis ter stories, no fundo quis ser Twitter e Tik Tok e perdeu-se o seu intuito inicial. Acabou por se tornar uma salganhada e já se nota uma perda de publicações por parte das pessoas, nas redes sociais, simplesmente porque cansadas de ver milhares de coisas sobre tudo e mais alguma coisa e não reterem absolutamente nada. 

A Pipoca diz que está triste, que não gosta do Instagram, mas continua lá! Continua lá, e não critico, porque é lá que recebe dinheirinho e o dinheiro não cai de céu. 

Mas sobre visualizações. Por curiosidade até fui ver como andam as visualizações dos meus blogs, Multi-Resistente e Bucólico-Anónimo e a verdade é que, apesar de eu andar a publicar menos, as visualizações continuam a aumentar. Então em que ficamos? Diz-se que os blogs morreram e ninguém os lê mas há quem tenha cada vez mais visualizações? É estranho, não?

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Conheci uma Pessoa na Net - e Agora?

knowyourmeme.com

Tenho por hábito, desde que comprei um telecrã e posteriormente uma coluna bluetooth, de ir ouvindo programas de rádio enquanto estou a jardinar. Dumas destas últimas vezes, resolvi ouvir o programa da Prova Oral com a psicóloga Claudia Morais a propósito do seu livro "Manual do Amor". 

Ouvi o programa até ao fim, que foi interessante, com várias participações dos ouvintes e internautas, "o programa é sempre muito partipado sempre que o tema é amor ou sexo" como disse o Alvim, mas discordei da autora e do apresentador (que concordou com ela) nesta sua opinião:

"Quando conhecemos alguém no Tinder, ou noutra aplicação qualquer, devemos passar tão rapidamente quanto possível para os encontros presenciais. Porque a nossa comunicação é maioritariamente não verbal. Eu posso estar não sei quanto tempo no digital a trocar mensagens, ficar até às duas da manhã, a trocar longos textos com outra pessoa e, a páginas tantas dou por mim e estou a envolver-me com aquela pessoa emocionalmente, até que depois eu marco um encontro e percebo que não há química. E há outra coisa, a autenticidade também é mais facilmente confirmável nos encontros físicos. A radiografia que nós tiramos a uma pessoa num encontro presencial de dez minutos nós não conseguimos tirar em semanas a trocar mensagens via texto." 

Longe de mim achar que a minha opinião é mais válida que a opinião de uma psicóloga, especialista em analisar os comportamentos das pessoas. Contudo, também tenho direito à minha opinião, de especialista em conhecer pessoas na net, que já foram algumas e, se calhar, isso também deve ter a sua relevância. Quem sabe até talvez dê equivalência a um qualquer doutoramento em ciências humanas!

Na opinião da psicóloga, assim que conhecemos alguém na net, devemos logo ir a correr conhecer a pessoa ao vivo. Mas a primeira pergunta que me surge é: e se a outra pessoa não ou puder ou até não quiser e preferir esperar um pouco mais? Responde-se: "Olha, desculpa lá, tu pareces ser muito fixe, mas eu não vou falar mais contigo porque tenho medo de estar a criar afinidade contigo e depois tu não corresponderes fisicamente. Podemos não ter química!" 

Depois há uma outra questão. Toda esta ânsia, meia dúzia de parágrafos depois - "olha, quero-te já conhecer pessoalmente, está bem"? - também dá mostras de quem está muito ansioso, quase desesperado até. E quando alguém se mostra assim, o mais provável é assustar a freguesia. Eu sou da opinião que quando se conhece alguém na net, devemos ir com calma, sem pressões, deixar fluir, cada um ao seu rito e de forma tranquila. E não é preciso colocar um ultimato, porque quando chega a altura certa, e há interesse recíproco, as pessoas sabem. Tal como os alimentos têm o seu tempo de cozedura certo, também as pessoas irão perceber qual será o tempo certo para se encontrarem pessoalmente.

Os argumentos da autenticidade e da radiografia.

Discordo também que ao vivo consigamos tirar uma melhor radiografia da pessoa e que nos consigamos mais facilmente aperceber da autenticidade de alguém. Mais, acho que, se fizermos como a autora diz, e só quisermos trocar meia dúzia de mensagens, aí sim, certamente não vamos conseguir perceber muito da pessoa. Mas se formos com calma, deixarmos a pessoa desenvolver certos assuntos, não tenho dúvidas que conheceremos muito mais da pessoa do que num encontro para café. Até porque, na minha opinião, quando duas pessoas desconhecidas conversam na net, precisamente por não se conhecerem, têm muito mais abertura em falar de assuntos que lhe são desconfortáveis, mais até do que falar com amigos ou familiares. 

Já os primeiros encontros servem para julgar. Para toldar a vista, distrair e impedir de ver o essencial. Olhamos para o pacote, se nos é agradável, ou se não nos imaginamos sequer a ter sexo com aquela pessoa, olhamos para o estilo, olhamos para tudo e prestamos pouca atenção ao conteúdo.

E prestarmos atenção a alguém, ouvir e conhecer um pouco de quem nos parece interessante, também não significa que tenhamos que namorar com essa pessoa. Querer conhecer não significa mais do que isso: conhecer. Significa só que estamos a dar uma oportunidade de conhecer alguém que nos parece interessante. E se não dermos uma oportunidade - porque à primeira vista não temos química - não saberemos quem podemos estar a perder. Não temos de ter uma relação com todas as pessoas interessantes que conhecemos na internet, mas às vezes podemos até fazer uma boa amizade. Noutras podemo-nos apaixonar ou envolver emocionalmente. 

Por experiência própria, discordo que tenhamos que ir logo a correr conhecer pessoalmente quem acabamos de encontrar na internet. Ainda por cima porque não é muito prudente! Em crianças ensinaram-nos  não confiar em estranhos! Então, agora em adultos convém pisar terra firme e dar tempo para despistar gente que bate mal dos cornos e que até pode-nos vir a perseguir. Ao menos ter tempo se não nos sai na rifa uma apoiante do Chega, uma negacionista da pandemia, ou alguém que acha que vou-me tornar num réptil por ter tomado a vacina!

Mas isto sou eu, porque cada um procede como achar melhor. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Relaxa, olha a ganância pá!

Vivemos tempos do parecer, da imagem, em que verdadeiramente o conteúdo pouco importa. Qualquer pessoa, com toda a autoconfiança do mundo, falando rápido e articulando umas palavras mais ou menos caras, mesmo dizendo um monte de coisas que ninguém entende, assim mais ou menos ao estilo das letras do Reininho, é aplaudida de pé, mesmo que esteja a dizer a maior barbaridade de todos os tempos. 

Ontem, vinha eu nos meus pensamento enquanto conduzia o carro em piloto-automático, passei pelas emissoras do rádio, e acabei por aterrar a meio do programa Prova Oral da Antena 3, programa que diga-se é raríssimo ouvir. Enquanto tentava afinal perceber qual o assunto submetido a exame, ouvia uma gaija a debitar as datas dos seus espetáculos - quem será? pensava eu - "Vais-me deixar dizer isto tudo até ao fim Alvim"! como se quem estivesse do outro lado a conduzir, fosse naquele momento parar o carro, sacar de um bloco de notas e apontar todas as datas, de todas as cidades, que ela estava a dizer! Enquanto isso, o moderador de serviço, cagando d'alto na entrevistada, estava mais interessado em receber telefonemas ou e-mails dos ouvintes, com a explicação para o fenómeno do homem-estátua que se aguentar no ar, afinal tinha tudo a ver!

Até que de repente, algo me acorda subitamente dos meus pensamentos com um enorme estrondo. A convidada, uma tal de Marta Gautier, que até comentou dos casos que tratava (psi?) sai-se com esta brilhante pérola: "O stress? O stress é causado pela ganância"!

Ganância?! Espera, não me digas, também andaste no rancho folclórico como o outro não foi?

"A universidade desenvolve todas as capacidades, inclusive a estupidez." (Tchekhov)