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domingo, 15 de abril de 2018

Só Valorizamos o Nosso País quando estamos Fora

"A gentileza. Nós portugueses, enquanto moramos em Portugal, não temos noção de quanto somos gentis, e eu dava isso um bocado por adquirido, mas não é assim em todo o lado. Poder contar com o outro ainda que o outro seja um estranho, na rua, poder entrar num café nem que seja para ir à casa de banho ou pedir um copo de água, que em Portugal é olhado com normalidade. Noutros sítios do mundo isso não é assim. E aqui não é assim. Eu acho que a forma como as pessoas se tratam umas às outras foi talvez o que mais me chocou ao vir para cá morar.

- De que e que sente mais falta de Portugal estando aí em Itália?

Meu Deus. Vou tentar não chorar, ok? 

As Lojas do Cidadão. São invenções fantásticas, e eu acho que ao mundo inteiro só fazia bem importar esse modelo. 

De funcionários dos serviços públicos que sejam de confiança. Nós não temos noção, eu não tinha noção de quanto são competentes os nossos funcionários dos serviços até vir para Itália. Também sei junto de amigos e conhecidos que moram noutros países que de facto em Portugal há uma confiança que nós temos nos funcionários, naquilo que nos dizem que noutros países não podemos ter. Não podemos porque hoje é uma coisa, amanhã já é outra, o horário dos serviços muda quase mensalmente...

Portugueses no Mundo - Antena 1



domingo, 21 de janeiro de 2018

Rádio Errática

Quarta-feira passada fiquei até mais tarde no trabalho. Na vinda para casa apanhei o programa "Prova Oral" do Fernando Alvim na rádio Antena 3. Este é um programa que não tenho por hábito ouvir, precisamente porque não apanho no carro e não o ouço nem na rádio nem na internet. 

Este episódio versou sobre o Shifter e os seus fundadores, que é um site de informação na net que pretende ser independente, e falou-se genericamente sobre o jornalismo dos dias de hoje. E a determinado momento o apresentador Fernando Alvim diz o seguinte:

"Esta história de nós transmitirmos no Facebook, foi algo que eu no início tive alguma resistência, até porque as pessoas pessoas diziam "porque é rádio, a magia da rádio e tal". Sim, eu de certa forma também achava isso romântico, só que depois de perceber o boost que é teres uma transmissão ao vivo no Facebook e a quantidade de comentários que se multiplicam a cada minuto, tu percebes que seria errático não fazeres isso. É inevitável."



Errático Alvim? Porquê?

Eu também sou dessas pessoas que gosta da magia da rádio, de ouvir uma bonita voz e imaginar quem será que está por detrás dela. E é por isso que se chama rádio e não se chama televisão, vídeo-conferência ou outra coisa qualquer. No fundo o que tu estás a dizer é que fazes rádio porque se te desse a oportunidade de fazer o Prova Oral num canal de televisão mudavas-te logo, como se usasses a rádio para algo maior. Ou estou errado?

A magia da rádio, é por exemplo, eu, de repente, ter começado a ouvir uma mulher nas manhãs da Antena 3, uma tal de Inês Lopes Gonçalves, que me impressionou pela sua inteligência e humor refinado, e ter ficado intrigado porque sabia que conhecia aquela voz de algum lado. E mais tarde lembrei-me que era alguém que eu costumava ver no Canal Q, quando ainda tinha televisão. Só que houve um problema, eu troquei-lhe o corpo. Durante muito tempo fui pensando que era uma mulher magrinha, de cabelo curto e óculos de massa, e mais tarde, porque me cruzei com ela num qualquer telecrã sintonizado na RTP3 percebi que o corpo era outro. E já me disseram que ela anda pelo Cinco para a Meia-Noite... quem sabe comece a cuscar na net.  

Mas é precisamente por isso que se eu fosse radialista nunca que partilharia a minha imagem em lado nenhum. A alma e a magia da rádio é voz. A rádio não é imagem, para isso já existe a televisão. A pessoa que faz rádio vale-se desse único instrumento que são as suas cordas vocais. Se agora se transmite em direto um programa para a internet , nomeadamente para o Facebook (ou outras redes sociais) então isso para mim já não é rádio. Chamem-lhe outra coisa qualquer.

Bem sei que a pressão da imagem e da alimentação do ego é cada vez maior. E é ver os programas todos de rádio no Youtube ou nos seus sites em Podcast, em que a imagem de fundo é agora, quase sempre o corpo do radialista. Afinal, tem de se colocar ali qualquer coisa. Mas também se poderia muito bem colocar ali só o logótipo do programa, não? 

Eu ainda me lembro de um outro programa de rádio que, outrora, fruto de outro horário de trabalho apanhava todas as sextas-feiras na TSF. Esse programava chamava-se e chama-se ainda "Governo Sombra". E eu ainda me lembro muito bem de ouvir de o Carlos Vaz Marques, o moderador do programa, dizer que aquele era um programa de rádio, e que sempre recusou e recusaria qualquer proposta para o levar para a televisão. Mais. Ele até defendia que era precisamente por ser em rádio que aquele programa funcionava tão bem e tinha tanta audiência. Hoje, como todos sabemos, o "Governo Sombra" é um programa que passa na TVI. Está visto que o Carlos Vaz Marques também mudou de opinião e achou que seria errático não se vender e dar o dito pelo não dito. 

Eu sei que as coisas mudam e evoluem e todos temos de nos deixar levar, adaptar ou então resistir. Eu sei que o mundo gira atrás do dinheiro e que se as coisas não dão dinheiro, inevitavelmente deixarão de existir. E sei que as pessoas procuram protagonismo, e procuram mais público, e que tal como disse o Alvim, que seria "errático" não se vender. Mas onde é que fica a coerência no meio disto tudo? Admito perfeitamente que talvez o errático seja eu. Eu também poderia ir para as redes sociais para me promover, promovendo também os meus blogues; na volta ninguém me lê, basicamente porque são uma valente merda, mas eu comecei a escrever para mim, nunca pensei num blogue para tentar ganhar dinheiro ou para tentar mostrar como sou fixe. Talvez o errático seja mesmo eu. Humildemente admito que sim. Bem sei como é bem mais fácil deixarmo-nos levar pela corrente, do que nadar contra ela. Mas eu sou eu, e se eu me vender passarei a ser uma mercadoria. Deixarei de ser coerente e isso não me agrada. 

E será que vale tudo em troca do protagonismo e das audiências? É  mesmo preciso vender a alma ao Diabo? Eu achava que não. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O mestre

Andava eu este domingo nas traseiras da casa, sozinho, nos meus trabalhos de fim-de-semana, quando fui ligar um pequeno rádio, outrora despertador, para ouvir qualquer coisa, e enquanto passava pelas emissoras, de repente ouço a voz do Júlio Machado Vaz. De imediato sintonizei a estação, coloquei o volume no máximo, para que conseguisse ouvir, e lá fiquei a ouvi-lo ao longe enquanto trabalhava.

Sempre tive o hábito de ouvir rádio, hábito que terei herdado de meu pai. E na maior parte das vezes, prefiro ouvir algo que possa aprender, que propriamente ouvir a musiquinha, muitas vezes de qualidade duvidosa que passam.

Teria eu uns quatorze ou quinze anos, quando também certo dia, descobri um programa na rádio, com um senhor a falar "daquilo". Naquele tempo sexo era tema tabu, e seria este mesmo senhor, que anos mais tarde, teria mesmo o primeiro programa a falar abertamente sobre sexo na televisão, o Sexualidades, que também rapidamente acabou de ser recambiado para um horário impróprio à maioria das pessoas, que, ou tinham de estudar ou trabalhar, porque isto de se falar de sexo na televisão era uma pouca vergonha!



Naquele programa da rádio Nova, o "Sexo dos Anjos", aprendi muita coisa. Há muitos anos que se fala da necessidade de haver a disciplina de educação sexual nas escolas, nem faço ideia se já existe ou não, mas estou em crer que o "Sexo dos Anjos" foi a minha disciplina de educação sexual, ministrada pelo professor Júlio Machado Vaz.

Mas não se pense que o programa falava só sobre sexo. Falava de sexo sim, mas abordava de tudo um pouco. Amor e relações, cenas de filmes, livros, até de futebol se falava, principalmente do Benfica claro, a perdição do professor que nasceu no Porto, e ainda respondia às cartas dos leitores. 



E foi ainda sem ter nenhuma experiência no campo sexual, que aprendi pela boca do sexólogo e psiquiatra, que as mulheres não são como os homens. Enquanto os homens são a gasolina, elas são a gasóleo, e é preciso saber esperar, aquecer-lhes bem o motor primeiro, e não fazer arranques demasiado rápidos, para que consigamos retirar dali a melhor performance possível. 

"É preciso saber em que botões carregar!"

Pois é, mas ó professor, olhe que eu na prática vim a aprender que nem sempre é assim! Nem sempre podemos generalizar como bem sabe, e melhor que eu. E eu entretanto aprendi, que nem sempre é com muitas delicadezas que lá chegamos. Às vezes, o que algumas querem mesmo, é que não percamos muito tempo com demasiadas atençõezinhas, querem mesmo é que lhes saltemos para cima, façamos arranques bem rápidos e violentos e deixemos o ponteiro sempre colado com as rotações no vermelho!

Mas ao ouvi-lo este domingo, como que fui transportado no tempo, para aqueles outros domingos, em que o ouvia, sempre, religiosamente, e apreendia os seus ensinamentos. Naqueles tempos o Sexo dos Anjos deu-me muita teoria. A prática, essa chegaria bem mais tarde.