quinta-feira, 24 de novembro de 2022

A Indiferença É a Maior Forma de Violência


Há milhares de padres a abusar de crianças

“Mas, enfim, esqueçamos isto”

Há pessoas a passar fome...

“Mas, enfim, esqueçamos isto”

Há pessoas a ser escravizadas...

“Mas, enfim, esqueçamos isto”

Há pessoas que não conseguem comprar ou arrendar casa; universitários que desistem de estudar porque não conseguem pagar um quarto...

“Mas, enfim, esqueçamos isto”

Há patrões a explorar os trabalhadores e a pagar salários miseráveis...

“Mas, enfim, esqueçamos isto”

Há empresas a especular e aumentar artificialmente os preços e a ganhar milhões e os salários das pessoas a acabar cada vez mais cedo...

“Mas, enfim, esqueçamos isto”

Sim, senhor comentador e rei das selfies Marcelo Rebelo de Sousa: “esqueçamos lá isso”. Deixemos sempre tudo como está. Não mexamos nem uma palha sequer! E deixe-mo-lo ir de cu tremido no aviãozinho ver o futebol porque o que o povo precisa é de pão e circo e enquanto está ocupado com a entrevista do Cristianinho, que coitado ou está sempre triste ou ocupado a mandar vir mais filhos pela Amazon, não se fala do que se deve, olhe, por exemplo, não se fala do escândalo da Federação Portuguesa de Futebol, que, conjuntamente com o selecionador Fernando Santos, burlou o Estado português, em vários milhões de euros. 

Mas já agora recordo-lhe uma célebre frase de Gandhi:

"A indiferença é a maior forma de violência”.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Semana Negra de Compras

 Portátil HP em Outubro custava 529€

Na mesma loja, e nesta semana negra de compras, o mesmíssimo computador está com uma promoção fantástica de 549€! Aproveitem já antes que esgote!!



segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Enquanto os Teus Lábios Estão Vermelhos...

"Vivemos tempos difíceis e tudo o que ouvimos é mau. Então, se têm pessoas de quem gostam, namorada(o), marido, esposa, crianças, cães, gatos, seja o que for. Beijem.

 

 While Your Lips Are Still Red / Nightwish  (2007)

Não é Linda a Puta da Caridade?

Temos que reaproveitar e ser mais sustentáveis e dar a nossa roupa que ainda está em bom estado a quem, infelizmente, não tem o que vestir. Devemos colocar a roupa e calçado que já não usamos nos ecopontos. 

A realidade:

A gestão desses ecopontos têxteis é privada e enviada para exportação para ser vendida a países carenciados. 

Não é Linda a Puta da Caridade?



Hoje, no Jornal de Notícias:

"A Ultriplo, que tem três mil contentores, refere que, após responder “a todos os pedidos recebidos” dos parceiros sociais, o excedente é comercializado para países como os Camarões, a Gâmbia, a Síria e a Índia. “Não obstante o viés comercial desta operação, estas roupas visam responder às necessidades de populações com um poder de compra extremamente reduzido”, explica a empresa ao JN.

Algo semelhante faz a H Sarah Trading que, com mais de 2500 equipamentos, exporta para países como o Líbano e o Iraque, “permitindo prolongar o ciclo de vida de muitos artigos que em território nacional não seriam reutilizados”, referem.

Confrontados com as críticas que apontam que estão a criar um problema ambiental noutros países, as empresas afirmam que são uma solução para impedir que milhares de roupas utilizáveis vão parar ao lixo e aos aterros.

domingo, 20 de novembro de 2022

Torneio de Ténis-de-Mesa Bombeiros de Melres


 Três meses e meio depois de ter organizado com um colega um torneio de ténis-de-mesa, eis que nos propusemos a organizar outro mas desta feita para os Bombeiros aqui da terra. Ou seja, iria estar a trabalhar pro bono e todo o dinheiro angariado nas inscrições seria entregue a esta associação humanitária. E se no torneio de 31 de Julho estiveram presentes 21 pessoas, neste a expectativa seria para um número bastante superior o que implicaria uma maior logística. 

A ideia foi do meu colega que até já foi da direção dos bombeiros. Reunimos com o responsável que foi extremamente acessível e pusemos o plano em marcha. Pedi ao ao meu colega da empresa se me fazia o cartar, e percebi que para um especialista é coisa para estar pronto em vinte minutos, que, depois de pronto, foi aprovado pelo responsável.

Fase da promoção. Cartazes imprimidos toca a afixar por aí, ainda que tivesse sido uma quase formalidade. Já sabia perfeitamente que poucas pessoas aqui da terra se iriam inscrever e que o grosso das inscrições viria dos interessados das redes sociais. 

Seguidamente reunir com a edilidade local, expor o que estávamos a fazer e solicitar ajuda para oferecer uns troféus aos melhores.

Acho que me revelei um razoável relações públicas e cultivador de amizades desportivas e rapidamente já tinha trinta pessoas inscritas. Se primeiro estava ansioso por poder ter poucas pessoas, depois, comecei a ficar ansioso e a entrar em paranoia porque começava a ter pessoas a mais e mesas a menos. 

Cartaz, promoção, troféus, material. Mais uma vez a associação, simpaticamente, emprestou-me tudo o que precisava e aquilo ficou com um ar extremamente profissional. E ainda conseguimos duas extra, cortesia da central aqui da EDP.

Era chegado o dia do sorteio e eu acordei a pensar que não iria jogar. Porque era preciso alguém estar na mesa a controlar o que iria acontecer, porque assim poderia tirar todas as fotografias que me apetecesse, porque assim não estaria dividido entre a organização e ainda me preocupar com ter que ir jogar.  

Mas ao fim da tarde falei com uma amiga que me chamou à razão. Que não fazia sentido todo o trabalho que tive para depois nem sequer ir jogar. E assim foi. Ainda por cima porque, comigo, éramos precisamente 44 atletas, o que era perfeito, pois dava onze grupos de quatro cada. 


Mais uma vez, tal como em Julho elaborei um sorteio quase mais complexo do que a Liga dos Campeões! E, no dia seguinte, véspera de torneio, reunimos para os últimos pormenores. Um dos meus colegas foi de grande ajuda pois tratou de fazer no Excell tudo muito organizado e de forma muito profissional. Ainda por cima trouxe um conhecido, a quem deu uma breve formação de como aquilo iria decorrer, para que ele, da parte da manhã ficasse na mesa da organização a receber o dinheiro e a chamar pelo microfone os atletas dos diferetes grupos. Os atletas iriam chegam, pagar inscrição e, assim que o seu grupo estivesse completo começavam a competir para que todo o processo fosse rápido e fluído. Deixou lá um computador e impressora, afixamos uma folha com os grupos e estávamos preparados.

Chegado o dia do torneio acordei por volta das quatro da manhã e já não dormi mais com a ansiedade. Cheguei à sede dos bombeiros cinquenta minutos antes da hora de começar e já lá estava a equipa de Braga para começar o aquecimento! E é assim que tem que ser, chegar sempre cedo, ao contrário do que nós temos feito quando nos deslocamos a outros torneios. 

Aos poucos e poucos as pessoas foram chegando e eu fazia o papel de anfitrião e, assim que via alguém chegar, ia ter com essa pessoa, perguntava quem era e de onde vinha e dizia que foi comigo que falou e dava-lhe alguns detalhes de como se ia realizar a competição. 

Eu tinha calhado no penúltimo grupo e pensei que só iria entrar em ação por volta das 10:30, mas os planos saíram-me furados. O meu grupo foi dos primeiros a estar completos e lá fui à pressa buscar a raquete e o pano para  cabelo e digo para o meu colega de trabalho, que também veio jogar: "é hora de entrar em ação"!

De repente um enorme colorido formou-se no pavilhão e as seis mesas estavam todas ocupadas com atletas a competir. Tudo foi decorrendo de forma muito fluída e conseguimos mesmo, antes de irmos todos almoçar, realizar a eliminatória dos 16 avos de final.

Eu tinha previsto que nenhum atleta nosso ficaria nos oito primeiros lugares, os classificados para os quais tínhamos troféu simbólico. 

Recebemos inscrições de clubes de Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo, Braga, Porto e claro, Gondomar. E o raciocínio lógico era: "ninguém vem fazer tantos quilómetros para chegar aqui e não dar uma para caixa"! 

Por outro lado tenho a noção que, mesmo sem termos treinador e nenhum nunca ter sido federado, parece-me que estamos ao nível de algumas equipas dos distritais ou challenge. 

Os atletas mais fracos fariam sempre, no mínimo, três jogos contra outros três atletas. Mas, ainda assim replicamos uma ideia que vimos noutro torneio e que nos pareceu interessante: fazer uma Liga B em que os atletas eliminados poderiam continuar a competir e ninguém teria que se ir embora. E isto tinha ainda outra utilidade. O bar estaria aberto com petiscos para o pessoal comer, e, quantas mais pessoas por ali andassem, mas consumiriam e mais dinheiro se angariaria para a campanha da compra de uma ambulância. 

Ao contrário de vários outros grupos tive sorte e calhei num grupo acessível e fiquei em primeiro lugar evitando assim, a seguir, jogar contra primeiros classificados de outros grupos. Nos 1/16 de final  defrontei um colega do meu clube, que tinha ficado em terceiro lugar noutro grupo, vencendo e avançando na competição. Estava nos dezasseis melhores e iria agora tentar nos oito melhores.


Calhou-me um atleta brasileiro de Braga, de boa técnica e de imediato comecei, vá lá saber-se porquê, a tremer. Venci o primeiro jogo e o segundo, e  recordo que entre jogos troquei umas palavras com um atleta de São Pedro da Cova que estava a arbitrar e que me disse mesmo "estás a tremer, até se nota daqui! tem calma que jogas melhor do que ele". Ele também também está nervoso mas tu estás todo a temer". E era verdade. Eu mesmo sentia-me a tremer e já tinha acontecido recentemente, no torneio de Ovar. Achei que os muitos torneios que tenho disputado me tinham deixado muito mais solto, mas, vá lá saber-se porquê, nestes dois últimos voltei a ficar muito ansioso. 

Nos oitavos de final deparei-me com outro atleta de Braga com quem já tinha jogado em Ovar no torneio por equipas e que tinha vendido e fiquei com o seu contacto para os convidar para este torneios que estávamos a organizar. "Desta vez vou-te ganhar, vai ser a minha desforra", disse-me! Mas apesar de também ser bom tecnicamente, talvez o seu estilo de jogo não encaixe bem no meu, e voltei a vencê-lo. Até aqui tinha defrontado seis atletas e todos vendi por 3-0. 

E assim em pezinhos de lã estava nos quatro melhores, o que para mim, era um excelente resultado!

E na meia-final, e pela terceira vez este ano, calhou-me em sorte o meu camarada comunista. E pela terceira vez venceu-me, e, desta vez, ao contrário das duas anteriores, com alguma facilidade. Eu caí para o jogo de atribuição de terceiro e quarto lugar e ele avançou para a final. 

Eu perdi o terceiro lugar por um triz (3-2) e o meu camarada na final também não conseguiu farinha do atleta de Braga que venceu com todo o mérito o torneio. 


Estava completada a parte desportiva falta a cerimónia protocolar. Eu tenho pedido que precisávamos de um pódio e os senhores dos bombeiros trataram disso. Primeiro pensou-se em ficar no exterior mas, depois de um sábado de sol, a meteorologia previa chuva a partir das três da tarde. E, contrariamente ao que alguns achavam, não falhou. Trouxe-se então o pódio para dentro e colocamo-lo no cima das escadas, numa parte nobre do edifício. O meu colega disse que fazia as honras e ficava com o microfone, e, de forma muito organizada delineou as pessoas que iriam entregar os troféus aos atletas. Ah, pois! Isto é amador mas tem que ter tudo como nos profissionais!

O que eu não previa era que ele, depois de um breve introito, me ia passar o microfone "ao organizador" e eu lá tive que falar de improviso, mas nem acho que tenha corrido mal. De seguida também os responsáveis quer dos bombeiros, quer da junta de freguesia tiveram breves palavras de elogio para com o evento e procedeu-se à entrega dos prémios. 

Eu posso dizer que, mesmo que tivesse ficado no último lugar, fiquei muito contente com a organização. Estivemos mesmo de parabéns. Tudo decorreu como planeado e toda a gente foi muito elogiosa connosco. Tudo decorreu com enorme desportivismo, e depois de toda a trabalheira que tive, em que durante uma semana andei a correr para a associação, a transportar mesas, separadores, e a montar o espetáculo, no fim, valeu mesmo a pena. Correu tudo muito bem. Promovemos a nossa terra, promovemos o ténis-de-mesa e competimos em sã convivência. 

Um dos colegas que comigo ajudou na organização disse-me mesmo que lhe disseram: "já fomos a torneios oficiais que não tinham este nível de organização" e não há dinheiro que pague ouvir uma coisa destas.