domingo, 10 de janeiro de 2021

Palavra do Ano é Saudade de 2020


Eu, conjuntamente com mais quarenta mil pessoas, participei na eleição da palavra do ano e, apesar do voto ser secreto posso-vos assegurar que votei na palavra pandemia. Faz sentido, não? Eu pelo menos achei que sim, que em ano de pandemia, palavras como "pandemia", "confinamento", "zaragatoa", "COVID-19", todas estas palavras fariam sentido. E tive até pena que, incompreensivelmente, palavras como "vacina" ou "negacionista" não estivessem a concurso. 

Mas para os senhores da Porto Editora, "saudade" era uma palavra que fazia todo o sentido estar ali metida! E vai daí, 25% dos votantes, apesar de ali terem tantas palavras que adjetivariam bem o ano que passou, acharam por bem ignorá-las e votar precisamente na palavra que estava completamente deslocada. Em "pandemia" votaram comigo 17% das pessoas e "COVID-19" ficou em segundo lugar. 

Se a pandemia tivesse acabado a 31 de dezembro de 2020, e daqui a uns anos nos dissessem que  a palavra do ano de 2020 foi "saudade" por certo que, de imediato, saberíamos que foi ano de pandemia! Não, não saberíamos! Tal como não saberemos porque é que "violência doméstica" foi a palavra do ano de 2019 ou "enfermeiro" foi a palavra do ano em 2018. 

Mas certamente que se eu vos disser que a palavra do ano de 2017 foi "incêndios"; ou que a palavra do ano de 2010 foi "vuvuzela" ou a palavra do ano de 2011 foi "austeridade", certamente que todos saberão de imediato que anos tivemos. 

Mas a pandemia não acabou a 31 de dezembro de 2020. Nem acabará a 31 de dezembro de 2021. Se calhar em a 31 de dezembro de 2022. Ah, já percebi. As pessoas que participaram na iniciativa palavra do ano da Porto Editora, votaram na palavra "saudade" porque já estavam com saudades de 2020. Foi isso.

Um Mundo e Aparências e Marketing


 Vivemos num mundo de aparências. Pobres com grandes carros; casamentos que são perfeitos da porta de casa para fora; mamas perfeitas; narizes perfeitos; cus perfeitos; empregos perfeitos. Tudo é perfeito. Aparentemente. Nas vendas também tudo é perfeito, ainda que, aparentemente! 

Para vender mais os fabricantes de pasta de dentes abriram estudamente o buraco por onde passa a pasta, para que os clientes desperdicem mais, afinal, não há tantas refeições assim e quanto muito só se poderia lavar os dentes três vezes ao dia. As marcas de gelados não querendo aumentar ao preço dos gelados que já são elevados, resolveram então diminuir ao produto, aumentando assim o seu lucro disfarçando-o de preocupações com a linha dos clientes. 

E agora veja-se esta embalagem de Super Cola 3 que comprei para colar uma borda partida do prato de um vaso de bonsai. Tanta cola que trás, aparentemente. Ena! Mas quando vamos a observar de lado já não é bem assim. O marketing, tal como a vida em geral, promete muito mas depois a realidade é sempre muito diferente e frustrante. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Posts nos Blogues ao Longo dos Anos


Analisando a minha produtividade, o número de publicações dos blogues ao longo dos anos - até parece que ganho alguma coisa com isto! - e não incluí o Plastrão porque tem estado em modo hibernação, há algumas coisas interessantes que posso retirar.
Desde logo a primeira delas é que ainda estou cá! Comecei em 2013, ainda apanhei aquela fase de novo crescimento em que parece que todos achavam que iam ficar ricos com os blogues, mas entretanto, e posso estar enganado, mas parece-me que a curva da blogosfera tem entrado de novo em declínio, até pelo fim do Blogs de Portugal que pode servir de indicador, em que agora todos acham que vão é ficar ricos sendo influenciadores ou abanado o cu nas novas redes sociais.  

Olhando ali para as linhas do gráfico, percebo que o pico da minha produção de publicações foi em 2017 (Bucólico-Anónimo) e 2018 (Multi-Resistente). De 2018 em adiante as coisas caíram um pouco que eu poderei explicar com a entrada para o ténis-de-mesa e com os treinos à noite (que agora suspendi) mas também não será alheio o facto de ter chegado às redes sociais que acabam por me consumir tempo (desperdiçado) que antes provavelmente ocupava a escrever. Ainda assim não deixa de ser interessante que o Bucólico-Anónimo teve uma boa recuperação de 2019 para 2020, mesmo tendo em consideração que 2020 foi um ano de pandemia, sem direito a caminhadas ou novos trilhos em Ecopistas. 

Veremos daqui para a frente a minha disposição, mas inicio mais um novo ano com vontade de continuar a cuidar o melhor possível dos meus diários abertos ao público, porque no fundo é isso mesmo que são os blogues.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado

"Há livros que nos escolhem" disse-me aqui certa vez a Ceres. Talvez tenha sido este o caso. Olhei para a estante e este livro fez-me um sinal e disse para lhe ler a contracapa que dizia o seguinte:

As profundezas de uma alma pervertida pela deturpação da fé, eis o tema deste grande romance. Escrito com simplicidade é bastante contundente pelo sentido alegórico do contexto: a luta entre o bem e o mal, tratada com ironia e representada pelo ódio entre dois irmãos.Deste conflito surge uma trama de raro vigor, onde os dogmas são postos são postos em dúvida, e onde se verificam antecipações notáveis sobre o problema da dupla personalidade, o que situa o autor como um dos precursores do romance psicológico.
James High foi redescoberto no nosso século, voltando à cena literária graças a este estranho livro que mostra a que extremos o fanatismo pode conduzir.


E quando começo a ler na introdução que Hogg era filho de gerações de pastores de ovelhas e ele mesmo se transformou pastor e que só quase com trinta anos é que começou a ler e a escrever interessou-me ainda mais. Fiquei a saber que este autor escocês que nasceu em 1770 era completamente ignorado nos meados do século vinte, mesmo na própria Inglaterra. Até que este livro "Memórias e confissões de um pecador justificado" foi lido por André Gide (escritor francês que venceu o Nobel em 47) que o achou muito bom e quis saber mais e verificou isso mesmo, que na própria Inglaterra ninguém tinha lido este livro e quis então promovê-lo e reeditá-lo. 

Este livro de 1824 começa por ser a história de dois irmãos, filhos de uma mãe extremamente devota e de um pai rico, senhor de Dalcastle, não tão religioso assim. Os pais acabam por viver de forma separada na própria casa, porque a senhora impede a concretização normal do casamento (logo na noite de núpcias). E se o primeiro filho fica a viver com eles, o segundo, por suspeitas de infidelidade, acaba por ir viver com o protegido da mãe, o revendo Wringham. Os irmãos crescem separados e não se conhecem até um certo dia. Mas o livro é muito mais do que a história da vingança de um irmão sobre o outro... mas agora para o saberem agora terão que o ler! O que vos posso dizer é que, este é um livro dos diabos! Literalmente! 


sábado, 2 de janeiro de 2021

O Brasil de Bolsonaro está no Ano de 1973



Bolsonaro é hoje o corrupto prefeito Odorico que chefiava os destinos se Sucupira. 

Os mais novos não conhecerão. Mas em 1973 na novela "O Bem Amado" de Dias Gomes e depois na série que passou no inícios dos anos oitenta (onde entrava o famoso Zeca Diabo interpretado por Lima Duarte) a cidade de Sucupira era governada por Odorico um prefeito corrupto que não olhava a meios para atingir os seus fins. Sucupira também passou por uma epidemia e Odorico também manipulou a questão das vacinas para sair beneficiado politicamente. A semelhança é assustadora: a forma como foi eleito, as falsas promessas e as mentiras. Eu revi o primeiro episódio e logo aí Odorico "ressuscita" milagrosamente depois de um ataque do cangaceiro! Isto não vos faz lembrar de nada? Acho que nem Orwell escrevia algo tão distópico e profético.

Infelizmente, para os brasileiros, Bolsonaro não é um mero prefeito corrupto, mas sim é o presidente corrupto e genocida do país. Mas no gozemos com os nossos irmãos brasileiros, pois também por cá temos muitos Odoricos, mentirosos compulsivos e financiados por grandes grupos económicos, que se dizem querer combater a corrupção mas o que eles querer é, tal como Odorico e Bolsonaro, o monopólio da corrupção.


PAREIDOLIA


 Em crianças a maioria de nós em algum momento olhou para as nuvens e viu ou imaginou formas. Paridolia é isso, um fenómeno psicológico, a perceção de ver caras em nuvens ou em objetos, porque segundo dizem os especialistas o nosso cérebro foi programado desde há muito e desde pequenos para identificar muito rapidamente caras em todo o lado. Entretanto crescemos mas há pessoas já bem adultas que se dedicam a colecionar essas imagens. Ontem, numa caminhada aqui pela aldeia, ao passar por esta casa abandonada olhando para ela lembrei-me disso porque parece-me evidente que podemos ver uma cara (uma espécie de smile) .