domingo, 12 de abril de 2015

Jornal Público confunde as flores


A proposta é para delinear aquilo que o Livre chama “a agenda inadiável para uma nova maioria”. Os dirigentes do partido da tulipa falam de uma mesa-redonda que junte os partidos “anti-austeridade” para identificar as prioridades para a governação pós-legislativas, sem qualquer pretensão de fazer coligações pré-eleitorais. Mas que sinalize aos eleitores o quadro possível de alianças à esquerda em torno de assuntos concretos e “inadiáveis”, como a renegociação da dívida ou o emprego.


Ah porra! E eu que achava tanta graça a este movimento só mesmo pensar que o símbolo era uma papoila vermelha! 

terça-feira, 24 de março de 2015

Palavra d'Honra

"Mas dá-me a sua palavra"?

Há muito tempo que não ouço esta expressão "dar a palavra" "dar a palavra de honra". Antigamente vendiam-se casas e terrenos, e todo o tipo de outras coisas de valor, sem qualquer contrato ou documento assinado. Bastava dar-se a palavra, bastava dizer que o negócio estava feito, que quem comprava estava totalmente seguro.

Mas aos poucos, e não sei qual foi o fenómeno - que o expliquem os sociólogos - muita coisa mudou, e a palavra, seja das pessoas mais humildes, ou das pessoas com os mais altos cargos do país, vale tanto como o "chapéu d'um trolha". Hoje em dia, muitas vezes, até com documentos assinados, as pessoas tentam voltar com a assinatura atrás. 

Isto vem a propósito de ontem, um artista, num desses sites de vendas da treta (OLX) fazer negócio comigo de um artigo por 80€, e à noite já me vir dizer que fica sem efeito pois vendeu a outra pessoa por 90€!
A palavra deste sujeito vale 10€. Por dez euros, borrou-se. E é isto o chico-espertismo nacional. Este sujeito pode até ter uma brilhante carreira na política por exemplo. Tudo o que ele diz e afirma é irrevogavelmente falso.

É nestas pequenas coisas que vemos o estado do país. Temos políticos corruptos, mentirosos, aldrabões, mas mais grave que isso, é termos um povo que é feito dessa mesma matéria, e é por isso que isto não tem volta. As pessoas votam nos mentirosos e nos corruptos, porque no fundo gostavam era de estar no lugar deles, gostavam de ser uns VIP que "nem sabem que têm de pagar impostos".

No fundo um povo corrupto nunca que tolerará um político honesto. 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Cúmulos do capitalismo - Pagar para comprar

Estava aqui a ver um evento na Exponor para este fim-de-semana, e surpresa: é preciso pagar para lá entrar. Serei só eu que acho um verdadeiro roubo este tipo de coisa? 



Ainda por estes dias me perguntavam "Então vais ao Salão Erótico"? 
Eu confesso que me sinto um pouco extra-terrestre, pois nunca me senti atraído por tal coisa, no fundo estou a negar uma ciência que desconheço, tal é a paranóia de tanta gente com a coisa, mas se eu não pago para entrar numa Loja de Sexo(1) então porque raio tenho de pagar para entrar num sítio que será uma espécie de centro comercial só de sexo?
Pagar para ver brinquedos sexuais? Qual é a lógica? "Ah mas tem sexo ao vivo"... e? 
Se nas Feiras do Livro não se paga entrada, por carga de água se pagará num evento de sexo? Por acaso a roubalheira da entrada dá direito a entrar numa orgia, ou a fazer alguma coisa com o mínimo de interesse? Não? Então se é só para ver, muito obrigado mas não contem comigo, até porque já existe uma coisa que se chama.... pornografia?

Se a moda de cobrar para aceder à possibilidade de comprar pega, então um dia destes quero ir a um centro comercial e também tenho de pagar. Ou para entrar num hipermercado, ou para entrar em feira como a Vandoma, Custóias, Ladra, ou os milhares de feiras que se fazem todas as semanas pelo país. 

Ou então um dia destes alguém se vai lembrar de cobrar entrada num centro comercial, ou num hipermercado. É que parece-me que a coisa já esteve bem mais longe de acontecer. 

Pagar para entrar e poder comprar? Mas está tudo louco?
E se for ao contrário? Paguem-me para eu entrar na vossa feira? Que tal vos parece? A mim parece-me bem melhor. 

(1) São todos contra o acordo ortográfico, mas depois diz-se "sex shop" como se no português não existisse a palavra loja e a palavra sexo. Defender o português é ser contra o acordo, mas usar os anglicismos. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nuvens negras matam em 2015

Mensagem de Natal 2014 de sua excelência o primeiro-ministro Coelhinho:

"Este será o primeiro Natal desde há muitos anos que os portugueses não terão acumulação de nuvens negras no seu horizonte".







Pois é Coelhinho, mas as nuvens negras estão aí e já matam. Deixam as pessoas morrer, enquanto privatizam tudo para meter o dinheiro no cu dos amigos e salvam bancos privados falidos.Não há dinheiro para salvar vidas. Para salvar Bancos já há todo o dinheiro do mundo. Curiosas prioridades estas. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Seis meses de outra coisa qualquer

Parece que ainda foi ontem, mas faz já esta semana seis meses que voltei ao mercado de trabalho depois de um longo calvário.

Os dias deixaram de ser todos iguais. Os fim-de-semana e os poucos feriados que ainda nos restam, voltaram a ter a importância que já não tinham. Afinal, são os dias de descanso, de lazer, de regabofe e o pequeno tempo livre, para tratarmos das nossas próprias coisas, pois se nós não as fizermos, não temos nenhum trabalhador que as faça por nós. Quando estamos desempregados, os dias são todos iguais, quando se trabalha, estes dias são o pequeno intervalo de tempo, que a escravatura laboral permite.

Depois de um longo e penoso calvário, quando arranjamos um emprego, e alguém, no meio de tantas outras pessoas, decide apostar em nós, senti-mo-nos muito agradecidos pela oportunidade, e no meu caso, fiquei também ansioso e com medo de falhar, e eu sei que isso não é lá muito bom.




Mas o que eu sinto, e não sei se é estranho ou não, se é comum a outras pessoas ou não - se algum psicólogo passar por aqui que o diga - é ter um sentimento de agradecimento. Sinto-me quase como uma espécie de trabalhador-cão-abandonado.

Se fizermos uma festa, alimentarmos e acolhermos um cão abandonado, este (ao contrário das pessoas) ser-nos-à fiel até ao resto dos seus dias. E o que eu sinto, é muita gratidão para com as pessoas que me escolheram. Claro que escolheram a pessoa que acharam que seria melhor para eles, no fundo não me fizeram nenhum favor. E eu sei que não me escolheram pelos meus lindos olhos verdes, mas sim por acharem que eu talvez fosse o melhor dos candidatos. E se eu não servir, sairei rapidamente pela mesma porta por onde entrei. Sei perfeitamente disso.

Mas não deixo de ter esse sentimento de gratidão. Logo eu que até sempre tive um espírito muito reivindicativo, quase sindicalista, hoje em dia nem olho para o recibo do vencimento. Estou-me a borrifar se aquilo está certo ou errado. Estou a trabalhar e é isso que me importa.

X.: Fazem agora também seis meses que me ajudaste quando mais precisei, e eu não me esqueço de quem me faz bem. Ainda assim escusavas de ter desaparecido, contudo, espero que, onde quer que estejas, estejas bem. Vê-mo-nos por aí noutra vida qualquer.