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domingo, 14 de outubro de 2018

sábado, 28 de julho de 2018

Vender Gato por Lebre

Já por diversas vezes falei aqui no blogue sobre compras on-line em sites como OLX e Custo Justo e sobre os cuidados que é preciso ter visto que as fraudes abundam, uma vez que ambos os sites não têm um índice de reputação dos utilizadores. Um dos principais problemas é não se ter confiança quando o negócio não é efetuado em mãos.

Mas há mais. Por vezes há vendedores a vender algo que não corresponde ao que dizem. Por estes dias contactei um vendedor que tinha à venda um corta-relva a gasolina à venda no site OLX. Na descrição não estava identificado qual o modelo. Contactei então o vendedor que me disse que o modelo em questão se tratava do STERWINS 450 HSP-3, que se vende novo por cerca de 400€. No dia seguinte o vendedor atualizou o anúncio.

Fui fazer um pesquisa sobre os diferentes modelos da marca STERWINS e rapidamente dei-me conta do insólito! O vendedor está a vender um corta relva em que o modelo em questão tem motor Honda, quando coloca fotografias de um corta-relva que tem motor Briggs & Stratton que se vende novo em Portugal por cerca de 300€.

Vejamos as diferenças. Este é o modelo STERWINS 450 HSP-3 que o vendedor diz que está a vender:


E agora atente-se nas fotografias do corta-relva que estão no anúncio. Parece igual mas é muito diferente:



Mesmo que a pessoa compradora não repare nas diferenças óbvias da marca do motor, em que num motor diz GVC e por baixo tem uma chapa que diz HONDA, e o outro tem o logótipo da marca Briggs & Stratton, repara-se logo por certo nas rodas detrás, que saltam logo à vista pois são bem maiores, ao passo que o corta-relva que está à venda tem todas as rodas do mesmo tamanho.

Contactado o vendedor e mostrando o erro, este responde-me que não, que está mesmo tudo corrreto.

Tenham cuidado, não falta por aí gente a vender gato por lebre. 


sábado, 21 de julho de 2018

Melhor do que Andar à Chuva!

Há pessoas muito criativas nos anúncios que colocam à venda. Vejamos este anúncio que encontrei no OLX de uma pessoa de Leiria:

"De qualquer forma não estou a vender um carro novo para ir passar férias ao Algarve, mas sim um carro barato, fiável e que paga muito pouco de seguro e IUC, ou seja, por este valor é melhor do que andar à chuva nas voltinhas ao pé de casa e a caminho do trabalho."


Se tiverem interesse podem encontrar o anúncio aqui.


terça-feira, 24 de março de 2015

Palavra d'Honra

"Mas dá-me a sua palavra"?

Há muito tempo que não ouço esta expressão "dar a palavra" "dar a palavra de honra". Antigamente vendiam-se casas e terrenos, e todo o tipo de outras coisas de valor, sem qualquer contrato ou documento assinado. Bastava dar-se a palavra, bastava dizer que o negócio estava feito, que quem comprava estava totalmente seguro.

Mas aos poucos, e não sei qual foi o fenómeno - que o expliquem os sociólogos - muita coisa mudou, e a palavra, seja das pessoas mais humildes, ou das pessoas com os mais altos cargos do país, vale tanto como o "chapéu d'um trolha". Hoje em dia, muitas vezes, até com documentos assinados, as pessoas tentam voltar com a assinatura atrás. 

Isto vem a propósito de ontem, um artista, num desses sites de vendas da treta (OLX) fazer negócio comigo de um artigo por 80€, e à noite já me vir dizer que fica sem efeito pois vendeu a outra pessoa por 90€!
A palavra deste sujeito vale 10€. Por dez euros, borrou-se. E é isto o chico-espertismo nacional. Este sujeito pode até ter uma brilhante carreira na política por exemplo. Tudo o que ele diz e afirma é irrevogavelmente falso.

É nestas pequenas coisas que vemos o estado do país. Temos políticos corruptos, mentirosos, aldrabões, mas mais grave que isso, é termos um povo que é feito dessa mesma matéria, e é por isso que isto não tem volta. As pessoas votam nos mentirosos e nos corruptos, porque no fundo gostavam era de estar no lugar deles, gostavam de ser uns VIP que "nem sabem que têm de pagar impostos".

No fundo um povo corrupto nunca que tolerará um político honesto. 

domingo, 5 de outubro de 2014

Também tu OLX?

Bastava estar atento aos sinais para perceber que o que iria acontecer. O OLX deixou de ser gratuito. Os milhões e milhões que faturam não devem estar a chegar - basta observar os milhões que gastam em publicidade, inclusive na televisão - para se ter a noção do quanto devem lucrar com um site que permite vendas em mãos. 

Os sinais eram mais do que evidentes. Sempre que entrava na minha conta, aprecia-me sempre a mesma treta "se pagares para destacar o teu anúncio tens muito mais hipóteses de vender".  E se toda a gente pagar para destacar o seu anúncio? Qual será a visibilidade de cada um? Pois é!

Ultimamente em grande destaque já apareciam os preços numa tabela para onde nunca sequer me dei ao trabalho de olhar, e hoje, qual não é o meu espanto, ia a submeter um anúncio e a surpresa!


Tenho de pagar 2€ se quiser colocar o meu anúncio no site! Meus caros, sites de vendas gratuitos é o que não falta para aí aos pontapés na net, e como tal recuso-me terminantemente a pagar-vos um cêntimo que seja, ainda por cima quando a vossa plataforma é unicamente orientada para o negócio em mãos e nem sequer se dão ao trabalho de criar um índice da reputação de cada vendedor/comprador. Portanto, se quereis mamar, eu mudo-me para outro sítio qualquer.

Aguardo ainda com curiosidade, por quanto tempo é que essa política do chulanço permanecerá. Já outros em tempos o fizeram, e depois fecharam portas, precisamente quando o OLX e outros apareceram. Mas infelizmente a memória coletiva é muito curta, e acabam por cometer os mesmos erros de quem os precedeu.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sobreviver aos sites de vendas em Portugal

Há muitos anos que faço compras na Internet. Terei chegado aos sites de leilões poucos anos depois de ter descoberto a própria Internet, ali pelo fim do milénio passado. Em Portugal aparecia o Miau, o primeiro site de leilões, em que qualquer pessoa podia colocar à venda qualquer coisa que tivesse em casa e se quisesse desfazer. O site possibilitava que o artigo pudesse ser visto por interessados, e em troca cobrava uma comissão de venda.

A confiança das pessoas em tal plataforma começava desde logo no registo. Qualquer pessoa que se registava só podia ativar a sua conta depois de receber um código que vinha pelo correio, comprovando que morava efetivamente na morada fornecida. E depois a confiança para comprar baseava-se na reputação dos vendedores que ia sendo criada porque cada comprador, no final da transação, descrevia o quão satisfeito tinha ficado com a negociação. 

Internacionalmente tudo começou com o Ebay, e depois, muitos outros sites proliferaram como cogumelos em cada país, tal como o Miau havia feito em Portugal, na tentativa de ter o sucesso e retorno financeiro que o pioneiro conseguiu ao longo destes anos.

Mas se hoje estamos habituados à facilidade e à, ainda que aparente, segurança de fazer transferências bancárias com o Paypal ou com o português MBNet, no início do milénio esqueçam lá isso! Para quem não tinha cartão de crédito, ou tinha mas não queria dar os seus dados, as alternativas eram poucas. Ir ao banco fazer uma transferência internacional era impensável, pois as comissões cobradas eram altíssimas. Restava então uma solução, se calhar com esta distância olhada com muita desconfiança, que era, enviar o dinheiro escondido por carta. E eu usei inúmeras vezes esse método, e correu sempre bem, apesar de claro, implicar a demora do envio. Mas o que interessava era que o vendedor recebesse o seu dinheiro, e na volta, eu recebesse a encomenda.


A minha reputação de arriscar em compras na Internet era tanta, que inclusive, chegaram a apelidar-me carinhosamente de "cigano cibernético"! E isto porque nesses tempos, além de comprar artigos para mim, cheguei a comprar imensa coisa em sites estrangeiros que depois acabava por revender no equivalente português com uma boa margem de lucro como convinha.

A maior compra que fiz, creio ter sido um computador portátil, que comprei para mim. Na altura, um computador portátil era caríssimo, rondava os 1500/2000€ e acabei mesmo por vencer um leilão no Ebay, em que comprei um portátil IBM recondicionado, igual a novo, por cerca de 200€. Claro que ainda paguei os devidos direitos alfandegários, mas com todas essas despesas a coisa deve ter ficado ainda por menos de 300€, cerca de um décimo da compra de um equipamento novo em Portugal.

As coisas corriam bem para toda a gente, e o Miau imbuído da ganância de querer matar a galinha dos ovos de ouro, resolve começar a cobrar, tal como já o Ebay fazia, taxas de colocação dos anúncios, e de imediato colocou um travão nas pessoas. É que a partir de determinado momento, as pessoas poderiam estar a pagar para nada, pois ninguém poderia garantir que determinado artigo, muitas vezes até específico, poderia ser vendido no prazo de colocação do anúncio. Podem-me dizer que o Ebay continua a fazê-lo. Sim é verdade, mas não para todos os valores, e depois não esquecer que este site é global e permite imensas visitas de interessados de todo o mundo, ao passo que qualquer plataforma portuguesa permite unicamente meia dúzia de visualizações.

Se durante vários anos o Miau teve o monopólio dos leilões em Portugal, o maior concorrente chegou em 2007. O Leilões.net, era basicamente uma cópia do Ebay para português, mas sem as comissões abusivas do Miau mas também sem o mesmo rigor diga-se. E rapidamente surgem também muitos outros sites de classificados, sem a vertente  de leilão, como o OLX, Standvirtual ou Custo Justo só para citar os mais conhecidos, mas orientados exclusivamente para o negócio em mãos. E é fruto de ter dado vários tiros nos pés, e de não se ter adaptado ao mercado concorrencial que o Miau acaba mesmo por fechar portas em setembro deste ano.

Nos dias de hoje, eu continuo a comprar e vender em sites portugueses, tanto de supostos leilões, como nos de classificados. Supostos leilões, porque colocar um artigo com valor fixo à venda não é nenhum leilão. Um leilão é colocar algo à venda por um valor bastante baixo, e ver depois o valor subir fruto das diversas licitações de quem está interessado.

Arrisco-me mesmo até a dizer que, infelizmente, os sites de leilões em Portugal morreram. O Leilões.net acabou por se fundir com o Coisas e ficar numa coisa sem nenhuma utilidade para quem vende, pois há muito que as visualizações dos anúncios desapareceram.

Agora o que está a dar nos últimos anos, são os sites de classificados, que devem faturar muito bem, tal é a publicidade gasta, tanto na Internet, como a paga a peso de ouro na televisão. É o que está a dar mas infelizmente fomos de cavalo para burro.

Desde logo porque orienta as vendas exclusivamente para o domínio local, uma vez que não garante qualquer segurança no registo dos utilizadores nem disponibiliza um histórico da reputação dos vendedores. Logo, sem reputação, podemos estar a comprar a uma qualquer pessoa mal intencionada que encontra ali um bom sítio para, livremente, fazer os seus esquemas.

Depois as vendas na Internet generalizaram-se e isso nem sempre é bom, visto a ignorância no nosso país impera. Neste tipo de sites chego a ter dezenas de contactos de pessoas, supostamente interessadas em comprar o que tenho para vender, mas depois concluir o negócio que é bom, nada. Encontra-se de tudo. Gente que quer que eu envie o artigo e só pagar depois - era bom não era? -  gente a quem dou o NIB para pagamento e depois nunca mais dizem nada - tenho um artigo que sem exagero já o vendi umas dez vezes e continua a ser meu! - gente a fazer todo um rol de perguntas idiotas, outros que querem que me desloque dezenas de quilómetros para entregar o artigo em mãos. Tive até um sujeito que me disse que pagava com "notas"! Esta foi original, deve andar a ver muitos filmes americanos, mas no fundo não sei como é que pensa que as pessoas me costumam pagar, pois, para já, não aceito pagamentos em géneros!

Mas se para vender é um martírio até encontrar um comprador minimamente decente, para comprar, que é o do interesse das próprias pessoas para fazerem dinheiro, enganam-se se pensam que é mais fácil!
Desde logo porque, ou as pessoas são verdadeiramente ignorantes, algo que não acredito de todo, ou então querem fazer dos outros parvos. E vem isto a propósito dos preços praticados. Quando se fala em sites de vendas de usados, as pessoas pensarão desde logo em comprar algo em bom estado e a um preço vantajoso certo? Errado! Não faltam artigos usados, vendidos a preços bem mais caros que novos!

Mas se muita gente não tem a mínima noção do preço que está a pedir, depois quando encontramos um artigo a um preço que consideramos justo ainda temos de levar com a incompetência de quem vende. Ainda há meses tentei comprar um equipamento de jardim, e só mesmo à terceira tentativa é que consegui! O primeiro disse-me que ia ver por quanto ficavam os portes de envio - e ainda deve estar nos CTT até hoje! - e a segunda pessoa, dias depois de termos acertado o negócio, envia-me um e-mail dizendo que tinha acabado de vender o artigo a uma pessoa de família!

Em Portugal é esta realidade que existe, temos estes sites com este tipo de oferta, que estão mais preocupados em fazer milhões do que propriamente interessados em prestar um bom serviço. É certo que ainda é possível concreteziar bons negócios e conhecer muita gente séria, mas é também preciso ter uma enorme dose de paciência e cautela, até porque, basta fazer uma pequena pesquisa para encontrar muitos relatos de fraudes.