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terça-feira, 14 de julho de 2015

Já nos cruzamos por aí...

É muito curioso quando nos damos conta que, alguém que conhecemos hoje, já se cruzou connosco no passado num outro sítio qualquer. Pode até ter-nos passado à frente, podemos até ter esbarrado nessa pessoa, podemos não a ter visto, ou podemos ter olhado com muita atenção, num vislumbre que não mais recordaremos, como num sonho que esquecemos ao acordar. Mas um dia, em conversa, descobrimos que aquela pessoa, seja nossa colega de trabalho, nosso amigo, seja a pessoa por quem nos apaixonamos,  essa pessoa, que achamos que nunca tínhamos visto antes, afinal já se cruzou connosco no passado, num sítio qualquer.  

E isto é algo que me tem acontecido recorrentemente, uma e outra vez. Algumas histórias são quase mirabolantes. Como aconteceu quando tirei uma fotografia ao nosso grupo de amigos à saída de um concerto (de Cradle of Filth) e bem mais tarde, quando olhamos para aquela fotografia com atenção, e vemos ali a cara de uma pessoa, que ali ficou por acaso, e constatamos que essa é uma pessoa que até estamos a conhecer e a sair naquele momento, e que até vivia bem longe de nós na altura. 

Por estes dias foi com uma improvável colega de trabalho. De-mo-nos conta disso, enquanto estávamos em amena cavaqueira, a falar de música - ela que até é DJ - e me dizia que até gosta de Rammstein, Marilyn Manson, mas deixava bem claro que não gostava de Metal, que já tentou ouvir e tal, mas que não gostava, quase como se fosse pecado gostar de tal coisa, quase como se fosse um fetiche sexual inconfessável que desmentimos frontalmente! Mas subitamente, numa sucessão de músicas que meteu, escolhe um vídeo de Cradle of Filth (que se pode ver abaixo) e diz-me que esteve num concerto no Hard Club em que nós também lá estivemos!



Assim só por mero acaso, Cradle of Filth terá sido uma das bandas que mais me marcou, e que mais vezes terei ouvido os seus álbuns, ainda no tempo da cassete e do Walkman, virando a cassete de um lado para o outro. E a nossa improvável colega de trabalho, que diz não gostar de Metal, já esteve num concerto de Cradle of Filth! O que é que ela estaria a fazer ali afinal? Não lhe perguntei nem interessa. O que é interessa é que, improvavelmente, já nos cruzamos por aí.   

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Vidas cruzadas - Acontecimentos em cadeia

Por estes dias tenho refletido como é quase assustador pensar, que qualquer pessoa, com um pequeno gesto na sua vida, pode mudar, além da sua vida, a vida de todas as outras pessoas do mundo. Não sei se se trata de um destino com linhas orientadoras pré-estabelecidas, de livre-arbítrio, de um karma pelo qual teremos de passar, ou de meras coincidências. Mas seja lá o que for, sei é que todos nós, com aparentes pequenas decisões do dia-a-dia, estamos constantemente a mudar a vida de todas as outras pessoas.

A determinado momento as vidas das pessoas cruzam-se com as vidas de outras pessoas. Tropeçamos num desconhecido, que aquela hora e naquele determinado momento nos cumprimenta, e o simples facto de decidirmos, aceitar ou não, conhecer aquela pessoa, deixá-la entrar na nossa vida ou não, pode nesse exato momento ir mudar tanto a nossa vida, como a vida daquela pessoa desconhecida, como por consequência ir mudar também a vida de todas as outras pessoas do mundo.


Há muitos anos atrás, seguia eu no mesmo autocarro de sempre, e um sujeito, que ia sentado atrás de mim, e que tinha também como destino a mesma paragem, interpelou-me e fez-me uma pergunta acerca de uma revista que eu estava a ler. Naquele exato momento eu ainda não sabia, mas ao ter-lhe respondido de forma simpática, estava a abrir a porta para deixar entrar aquela pessoa na minha vida e brevemente aquela pessoa viria a transformar-se no meu melhor amigo durante muito anos.

E a coisa assume ainda maior relevância quando entramos no sempre complicado campo das relações amorosas. Se a pessoa A está numa relação há dez anos e num determinado momento decide terminar com a pessoa B, está nesse exato momento a mudar a sua vida, a vida da outra pessoa e de todas as outras pessoas do mundo. Senão vejamos, A e B seguem caminhos separados. Pouco tempo depois A vai-se envolver com C. Ora este C nunca que teria oportunidade de estar com A, se A não tivesse terminado a relação com B. Por outro lado, B segue a sua vida e vai acabar por conhecer D.... e aí por diante.

A determinado momento das nossas vidas, fruto das nossas decisões, chegamos a uma encruzilhada, mas fruto também das decisões dos outros, muitas vezes de pessoas que estão bem longe de nós, que nem conhecemos, mas que um simples gesto acabou também por mudar a nossa vida.

No fundo estamos mesmo todos interligados.