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domingo, 25 de dezembro de 2016

O Amigo Oculto e a Seita do Ping Pong

Mais um ano, mais um jantar de empresa, ou jantar de Natal da empresa, ou "daquilo que vocês quiserem", como escreveu por e-mail a colega que tratou do evento, sabendo que à partida há colegas mais resistentes à coisa. E não é o meu caso! 

Não pense quem por aqui passar, que eu estou sempre do contra. Não é verdade, e a prová-lo, a verdade é que alinho sempre na troquinha de presentes e até incentivo. E é a única prenda que compro! porque o Natal a mim não me diz absolutamente nada, mas acho que este tipo de eventos estimulam a socialização entre as pessoas e criam boa disposição. Acho positivo apesar de achar que era muito melhor fazer estes jantares em Julho, com o calor e os dias grandes, numa esplanada e não em Dezembro com a noite a cair às cinco da tarde e com frio e ainda a ter de levantar o cu cedo da cama e ter de trabalhar no dia seguinte. 

Terceiro jantar - e parece que ainda foi ontem que escrevi aqui no blogue sobre o que é ser desempregado em Portugal - e por incrível que pareça fiquei de novo ao lado da mesma colega de trabalho. Não, não sou eu que me colo a ela. E não poderia ser, porque este ano fui o primeiro a chegar ao restaurante! E só depois é que todas as outras pessoas foram chegando e cada um sentou-se ao lado de quem quis. Claro que eu acho piada a estes eventos de rara probabilidade... A mesma colega junto a mim nos três anos seguidos, bem com a outra, a que me perguntou no ano passado: "sabias que aqui a Ana cantou numa banda conhecida"?

Também pensei nisso. Neste ano que agora está a terminar saíram três colegas. A colega da banda que eu tinha visto várias vezes a atuar ao vivo e que só viria a conhecer quando vim para esta empresa, e o colega, de 52 anos, com quem eu mais gostava de conversar, porque éramos muito coincidentes nas opiniões. Fiquei com pena, mas a vida é mesmo assim, um constante cruzar com pessoas que partem e chegam. E chegaram também três novas pessoas, uma delas, que trabalha diretamente comigo, mas com quem de vez em quando estou sempre a discutir, porque eu e ela temos vários assuntos dos quais não podemos mesmo falar: religião (criacionismo x evolução), política e Cristiano Ronaldo... tirando isso acho que até nos damos muito bem, e não estou a ironizar. Ela até me trata por "melhor amiga"! e diz-se, que é comigo com pode falar de pontas espigadas! Acho que ela é boa menina. Acho que tenho sempre boa impressão das pessoas que coram. 

O jantar correu bem. E quem sou eu para criticar a comida. Acho que por vezes as pessoas prendem-se com coisas muito pequeninas. Comi bem e não passei fome e o jantar não era para matar a fome a ninguém, era para socializarmos um pouco. Mas para memória futura, dizer que comi lasanha (o restaurante era italiano) e ainda comi duas fatias de pizza, uma de cada um dos colegas que estava ao meu lado. 

O meu amigo oculto esmerou-se, e eu acho que até gastou mais dinheiro do que deveria. Sem certezas, mas eu tenho as minhas suspeitas de quem foi... Eu recebi um conjunto com umas raquetes, uma rede e bolas de ping pong!! E ainda acrescentou um livro sobre o Jorge Jesus! Mas as raquetes foi porque eu comecei a sondar o pessoal se haveria possibilidade de comprarmos uma mesa de ping pong para jogar na empresa. E o que me pareceu é que toda a gente sempre pensou que eu estivesse a perder o meu tempo. 



No dia a seguir ao jantar, e um dia antes da auditoria, já estava eu com um dos patrões a trocar bolas com as novas raquetes! Era uma espécie de jogar raquetes de praia mas com material de ping pong! E pouco depois aparece o nosso CEO... e diz "isso é que é dar utilidade à prenda"! E se ao jantar já tinha deixado uma sementinha, dizendo que a empresa do lado - estão a ver uma daquelas melhores empresas do país para se trabalhar? Daquelas que têm mesa de ping pong, matraquilhos e sei lá mais ou quê? - e que o interessante seria se nós mesmos tivéssemos uma mesa para jogar. 

"Comprem a mesa que eu também participo! e até falo ali com a empresa ao lado e falo com eles para fazermos um torneio inter-empresas!"

E no dia a seguir já não jogávamos raquetes de praia com as raquetes de ping pong, porque eu peguei numas paletes, e num grande tampo de madeira que veio com uns equipamentos e improvisei uma mesa. Mas o mais estranho foi rapidamente ter descoberto que na empresa muita gente já jogou, e bem, ping pong! Até temos dois ex-federados! Mas o pior é que na empresa ao lado parece que até há gente a representar a seleção portuguesa de ténis-de-mesa! Foda-se!

De repente isto faz-me lembrar os tempos em que andava na escola e saíamos a correr das aulas para chegar primeiro à mesa de ping pong! Se até aqui, na meia hora livre do almoço cada um ocupava esse tempo como bem entendesse: dormir no carro, ir ao hipermercado, dar uma pequena caminhada, ler, etc, agora o nosso grupo vai para a mesa e fica a entreter-se um pouco, ainda na mesa improvisada com as paletes!

Eu ando a tratar de ver se compro uma mesa pelo preço certo. Alguém conhece alguém que tenha uma para vender? O dinheiro depois será dividido por entre os interessados em jogar. E depois logo se verá se o vício passará rápido ou será sempre motivo de convívio. 

Uma coisa é certa: o não é sempre garantido. E isto que aconteceu é como as relações ou como o sexo. Se não perguntarmos nunca saberemos se as pessoas alinham ou não!

Sim, também é verdade. Eu trabalho numa empresa surreal!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Jantar de - não sei quê - da empresa

- "Já reparaste que há precisamente um ano, tu e eu estávamos sentados exatamente nestas posições, um à frente do outro?"

Foi o que perguntei ontem à colega do departamento financeiro, no jantar de "Natal" da empresa. E de facto, é incrível como este ano passou de forma tão rápida. Parece que me deitei ontem, vindo do jantar da empresa de 2014, em que recebi um mini-Kamasutra na troquinha de prendas, deite-me e acordei hoje a pensar no jantar de ontem em 2015. 

E foi precisamente este pormenor, estas pequenas coisas que presto atenção, este detalhe insignificante, esta coincidência de me ter sentado aleatoriamente, e de novo, um ano depois, precisamente em frente da mesma colega, que fez disparar um clique na minha cabeça, e me deixou a pensar "como este último ano voou tão depressa". 

E tanta coisa me aconteceu neste ano último que passou. Tantos acontecimentos surpreendentes e inesperados num turbilhão de intensas emoções. E esta minha colega já tem um filho que no jantar de 2014 ainda não existia... 

E tudo aconteceu num abrir e fechar de olhos. Deitei-me ontem no jantar de 2014, e acordei hoje, no dia seguinte ao jantar da empresa de 2015.


Yule celebrava o Solstício de Inverno no norte da Europa (hoje chamado Natal)


O Jantar? 

Correu muito bem até... tirando a parte da música brasileira em altos berros, em que quase se tinha de berrar à mesa e ninguém se ouvia, ah, e a bailarina - mas não tinha varão ok? - que animava as hostes dos juvenis do clube de futebol lá do sítio, enquanto dançava e se roçava neles, como se de um ritual de iniciação se tratasse.  

Mas correu muito bem. Sim é verdade, eu não celebro o Natal, ou se quiserem, celebro tanto o Solstício de Inverno como o Solstício de Verão ou os Equinócios da Primavera e do Outono. Ainda assim, apesar de não festejar, até nem me importava nada de poder gozar mais três feriados - afinal por que raio só é feriado no Solstício de Inverno? Não deveríamos festejar também os outros três? Os outros três não são igualmente importantes? Isso é uma completa descriminação... Até acho que vou já telefonar à Catarina Martins para ela falar com o primeiro-ministro que deu à Costa para propor três novos feriados! 

Mas apesar de não festejar o Natal, de não fazer árvore nem presépio, nem pôr pais-natal ridículos à janela, nem comprar prendinhas para dar a ninguém (nem as receber obviamente) acho que não devo dar uma de mal-disposto e recusar-me a fazer a troquinha de prendas (simbólicas) no jantar de "Natal" da empresa. E a palavra "Natal" eriça logo alguns colegas, como me eriça a mim, mas ironicamente, eu, que sou sempre tão "do contra", acho que devo socializar, porque este jantar, no meu entender, deve precisamente servir para isso, para nós (que somos tão poucos) socializarmos um pouco uns com os outros, e até nos divertirmos, fora daquela rotina de todos os dias. 

Ainda assim, o jantar da empresa, a meu ver, e já mandei a boca, deveria ser celebrado no dia em que a empresa faz anos, no dia em que foi registada. E nesse sim, todas as pessoas, de todas as empresas, de todo o mundo, poderiam socializar, num jantar ou noutra coisa qualquer. As empresas até poderiam dar o dia - porque não? - e fazerem uma qualquer atividade que estimulasse o espírito de grupo, e não se lembrarem só destes jantares, só porque estamos em dezembro, e é solstício de inverno, porque para quem não saiba, é o que significa Natal.