sábado, 14 de outubro de 2023

O Melhor Nome do Aeroporto



Chefe, um idiota qualquer deu o nome de aeroporto de Pedras Rubras a um aeroporto que fica situado em Pedras Rubras. Precisamos urgentemente de mudar o nome a isto. Que sugere? 

Cavaco Silva: que melhor nome de aeroporto que o nome dum gajo que morreu de acidente de avião?

Entretanto na Madeira quiseram fazer ainda melhor e deram o nome ao Aeroporto da Madeira dum violador e ladrão que dá uns pontapés na bola. Ainda assim acho que Cavaco consegue manter o primeiro lugar. Dar o nome dum gajo que morreu de acidente de avião a um aeroporto não lembraria nem ao Diabo! 

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Really Beautiful But Fucking Insane

 Na Livraria Lello. 

Nunca lá entrei para comprar livros quando ninguém lá ia para tirar fotografias. E fui lá hoje quando toda a gente lá quer ir tirar fotografias para exibir na rede social porque é a livraria "mais do bonita do mundo" e a escadaria e o Harry Potter e mais não sei o quê. 

Uma turista dizia para o companheiro: "t's really beautiful but fucking insane".

E é verdade. Clautrofobicamente insane. Stressante. Corredores apertados apinhados de gente. Livros que é preciso vender o cu para se poder trazer alguma coisa para casa. Edições muito bonitas, é verdade, de livros bastante conhecidos como o Ana Karenina ou o Principezinho, em várias línguas, mais os livrinhos dos mais belos sítios de Portugal para a compra de impulso do turista. Mas é impossível comprar alguma coisa por menos de 15€, tal como em qualquer outra livraria do país.

90% das pessoas que lá entram, provavelmente 95% estrangeiros, não compram livros. Entram, fotografam em quinhentas poses diferentes a fazer beicinho e saem. Ao menos dizer bem da organização cá fora. Achei aquilo muito bem organizado ainda que, me pareça que deixam entrar muito mais pessoas do que o espaço realmente permite para que seja minimamente confortável estar lá dentro. 

E já que ali fui e tive que gastar 8€ só para entrar, então aproveitei, ou perdi a cabeça, e comprei um livro que há mto alguém me tinha sugerido no falecido Twitter: Massa e Poder e Elias Canetti. 

Para Resolver o Problema da Habitação em Portugal "É Preciso Construir Mais Casas"!


 Os políticos e comentadores políticos tratam-nos como idiotas, como se fôssemos incapazes de pensar.

Diz-se correntemente que somos um país de velhos. Cada vez há menos crianças, as escolas encerram portas. Teorias catastróficas dizem que por este andar em 2050 seremos só quatro ou cinco milhões porque os casais não querem ter filhos.

Somos portanto cada vez menos mas cada vez há mais falta de casas! É o milagre do desaparecimento das habitações!

E perante este flagelo da falta de casas - direito consagrado na constituição - casas que foram todas ou compradas por estrangeiros ricos ou transformadas em alojamentos locais pela classe média, vêm agora tentar atirar areia para os olhos das pessoas afirmando que o problema foi não se terem construído mais casas!

Imagino como se viverá nos países nórdicos onde é proibido construir novas casas porque tem é que se restaurar as que já existem! O nosso problema não é a falta de casas. O nosso problema foi termos permitido que se comprassem ruas inteiras, que se despejassem as pessoas para fora das suas cidades, inflacionando os preços de forma absurdamente especulativa. As casas devem ser para as pessoas viverem, e não para servir de teto aos turistas e enriquecer quem já tem onde viver faustosamente. 

E não são precisas novas casas, é preciso sim mas é que se restaurem as que estão a cair de podres.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Estátuas Pornográficas no Cu dos Outros

Só para relembrar. Rui Moreira, o ex-comentador da bola que os portuenses escolheram para último presidente de câmara municipal do Porto, expulsou os feirantes da Feira da Vandoma para fora da cidade; ter mandado a polícia expulsar os sem abrigo; acabou com o Museu Romântico; despreza a maior e verdadeira casa da música da Europa, o STOP, onde ensaiam 500 bandas - porque parece-me evidente que o problema não é o risco do edifício, mas sim a especulação imobiliária e o apetite voraz pelo local onde o antigo centro comercial se encontra; impôs altas taxas (que podem chegar aos 700€) aos artistas de rua. E por fim, e não menos ridículo:  meteu-se com a estátua do Camilo! 




Rui Moreira meteu-se com a estátua de Camilo porque parece que uma enorme onda de indignação de bons cidadãos, zeladores da moral e dos bons costumes do Porto, umas incríveis trinte e tal pessoas, queriam a remoção da estátua de Camilo que está colocada junto à cadeia da relação porque é "pornográfica"! Aliás, isso facilmente se comprova pois sempre que lá passo são dezenas as pessoas que para ali vão para se masturbar, dado o alto nível de excitação que a estátua espoleta!

Porque o significado de pornográfico é esse: "provocar excitação sexual".  E então o atual presidente da câmara do Porto decidiu retirá-la e ponto final. Porque ele é que manda, ele é que é o "presidente da junta"! Verdadeira chatice foi que no dia seguinte já existia uma petição de mais de oito mil pessoas, certamente todas taradas, na defesa da permanência da mesma estátua do escritor.

Curiosamente hoje andei de novo pelos Jardins de Nova Sintra e estive de novo junto à estátua que a câmara ali colocou, ironicamente a mando de Rui de Moreira em 2017.

Ponho-me a olhar para a estátua e penso: então mas esta estátua, de uma jovem de mamas durinhas e arrebitadas a apontar para o céu já não é pornográfica?

O problema é que Para Rui Moreira umas nádegas são pornográficas porque a estátua foi mandada colocar no mandato do presidente da câmara anterior. Já estas novas mamas, descaradamente ao léu, ali a apanhar frio e sem o aconchego de Camilo, e sujeita como diria Marcelo, a apanhar uma pneumonia  já está tudo bem porque foi adjudicada diretamente por si e pelos seus. 

Até para ser estátua é preciso ter sorte e estátuas pornográficas no cu dos outros é refresco. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

A Discriminação Está na Cara

No to discrimination - Wanida Rangcakanok


Por estes dias o Daniel Oliveira escrevia sobre como as cidades cada vez mais, expulsam os pobres que delas não não podem usufruir, e não só na questão da habitação, mas em coisas tão banais como a retirada de bancos em favor das esplanadas:

 "Quando veio a pandemia, foram removidos os bancos e mesas da Praça Paiva Couceiro, em Lisboa, um ponto de encontro para conversas e jogatinas, onde se cruzam jovens, velhos, locais, imigrantes, famílias. Natural. Mas depois, só regressaram 16 dos 48 bancos, não permitindo o uso intenso que tinha. Um grupo de jovens pegou em cadeiras e pôs na praça. Mostrando como há uma relação entre o desrespeito pelo direito ao usufruto do espaço público e o desprezo pela democracia, a Junta da Penha de França, que é PS, chamou a polícia para pôr fim àquele protesto não autorizado. Na última década, multiplicaram-se as esplanadas em Lisboa. É bom, mas temos de garantir que todos têm acesso ao espaço público sem ter de gastar. Com a explosão do turismo, os preços tornaram-se proibitivos nas zonas mais atrativas. Assim dita o mercado e tem de haver espaços livres de mercado. O espaço só é público se não tiver consumo mínimo. Se lá puderem ir os pobres, os ricos e os remediados e, dentro das regras de convivência e da lei, darem-lhe o uso que entenderem. Não é só sendo expulso de casa, com a crise da habitação, que se é expulso da cidade. Também é sendo expulso da rua."

Talvez isso me tenha deixado mais alerta. Reparei nisso nesta semana que passou em que andei a visitar várias cidades. Em Sevilha, com tanto turista de um lado para o outro, reparei que junto à catedral não havia grandes bancos e era ver as pessoas todas sentadas (eu incluído) nos grandes vasos de cimento. Uma família de asiáticos acercou-se do sítio onde eu estava e uma senhora idosa senta-se ao meu lado. Mas o vaso não era lá muito confortável e preferiu ir sentar-se no seu banquinho preto portátil que tinha às costas. Talvez este seja o futuro. Cidades sem bancos, e rapidamente se comecem a vender bancos portáteis para as pessoas se sentarem, isto se entretanto todas as cidades não tiverem sido tomadas pelos bancos das esplanadas.

Estávamos todos à espera de poder entrar no Real Alcázar, até que finalmente, dão ordem para que as pessoas com bilhete para as 16:30 formassem uma linha de entrada. E os asiáticos que me pareciam indonésios colocaram-se à minha frente sob a torreira de calor que fazia. E pareciam-me indonésios porque a menina, sei lá, de vinte anos?, coberta com lenços islâmicos fazia-me lembrar a vocalista da banda Voice of Baceprot.

Achei aquilo tudo muito mal organizado. Era tudo ao monte, grupos inteiros passavam à frente de toda a gente sem se perceber muito bem porquê, a informação não era suficiente e, pior, as duas pessoas com fardas da Prosegur que estavam que estavam a organizar as filas e a verificar as entradas (que posteriormente seriam validadas por outras pessoas através do código QR) pareciam que estavam ali a fazer um enorme favor a toda a gente, nem parecia que ali estavam a trabalhar e a serem pagas para realizar aquela tarefa. Não gostam de trabalhar com turistas? Têm bom remédio, mudem de trabalho.

Duas asiáticas, estas talvez chinesas ou japonesas, passam a fila toda só para pedir informações. A senhora da Prosegur dá-lhes respostas secas, tratando-as como burras. Mas isto não foi o pior. Toda a gente ia mostrando, ou os papeis, com grandes códigos QR ou no formato digital no smartphone. Ela via e deixava seguir, tal como aconteceu comigo. Mas com o jovem indonésio de oculinhos e com meia dúzia de pelos no queixo, foi completamente diferente. Pediu-lhe imediatamente a identificação.

E porquê tudo isso se lá dentro tínhamos até que passar a mochila num raio-X e nós mesmos deixávamos o telemóvel em cima da mesa e tínhamos que passar num detetor de metais? Porquê? Por causa do nome dele? Ou por causa da cara dele?

Um dia ou dois depois aconteceu comigo. Se habitualmente, no Porto ou em qualquer outra parte me tratam como estrangeiro no meu próprio país, então, que fará no Algarve. Umas quantas horas depois de ter pagado o bilhete chego à hora combinada e ao local para preparar-me para embarcar num passeio às grutas de Benagil. A menina que fazia o atendimento e colocava os coletes salva-vidas era toda sorrisos e simpática para os turistas estrangeiros. Eu aproximo-me e falo português para me inteirar dos procedimentos. Pergunta-me o nome e vai ver a lista e de imediato me pede se tenho o comprovativo do pagamento... Mas porquê se em todos aqueles minutos que ali estive não pediu a nenhum estrangeiro? Será que por ser português significa de imediato que sou um aproveitador e que me vou tentar meter num passeio em que não estou inscrito?

A discriminação está na cara. Mas na cara de quem vê com olho de preconceito.