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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Luzes do carro & Ponto G

Todos os anos chega o inverno e é a mesma coisa de sempre. Aos poucos e poucos, cada vez mais se vêem carros na estrada com as lâmpadas fundidas. Na verdade, os condutores portugueses só precisam mesmo das lâmpadas de noite, e ainda assim só quando não vêem a puta dum corno!

Na verdade os carros vendidos para Portugal poderiam ser vendidos sem lâmpadas, principalmente as dos piscas, visto ninguém os usar. O português gosta de surpreender os outros, e para dar a saber da sua vida, basta a rede social! Então, vira à direita ou à esquerda, assim do nada, sem dar pisca, porque ninguém tem de saber para onde ele vai! Outros só dão piscas em determinadas mudanças de direção. Não sei, talvez pensem que umas são mais importantes que outras, não sei, não consigo perceber a lógica do condutor português comum.

Os médios só se usam quando não vêem mesmo nada à frente. E as luzes de nevoeiro não são para usar quando está nevoeiro ou chuva, ou muito má visibilidade. Claro que não! As luzes de nevoeiro são para se usarem sempre, de noite, para mostrar que o carro tem luzes de nevoeiro!




Bom, se calhar estou a ser injusto. Os portugueses usam os piscas... quando deixam o carro mal estacionado, na maior parte das vezes em segunda fila, ou então em cima do passeio!

Resumindo. A maioria dos portugueses não usa as luzes do carro corretamente. Ou pura e simplesmente não as usam de todo, ou usam erradamente, ou estão-se a borrifar para isso, afinal, numa estrada iluminada vê-se muito bem para conduzir sem qualquer luz do carro ligada!E eu mesmo, por distração, há muitos anos, de noite, arranquei com o carro e conduzi vários quilómetros com as luzes desligadas! Só quando me deram máximos percebi que estava qualquer coisa de errado!

Mas depois há coisas de facto extraordinárias de analisar. O português comum (não estou a generalizar) está-se a cagar para forma como conduz, e não liga absolutamente nada para para as luzes do carro mas depois faz toda uma série de alterações, só porque agora os carros novos têm lâmpadas LED e o seu carro mais antigo não tem!!! Então não tem de ficar atrás! Toca a meter lâmpadas LED num carro com vinte anos! O que importa é estar na moda! E digam-me lá se isto não é muito irónico?!

Não, não tenho nada contra a parolice, ou contra a personalização dos carros, pelo contrário, e coisas de bom gosto. Acho até que se deveria legalizar o xunging, desde que se cumprisse a lei, e era um mercado que se expandia e o Estado ia buscar mais dinheiro em impostos. Tal como eu gosto de ter o meu cavalo preto todo original, acho que os outros têm o direito de decorar os carros como mais gostarem. Era o que havia de faltar que gostássemos todos do mesmo. Mas rio-me quando, a maioria das pessoas nem sequer usa as lâmpadas do carro, mas depois corre gastar dinheiro a meter lâmpadas LED, ainda por cima porque no meu entender, deixam os carros antigos com uma estética de gosto muito duvidoso. Ou pior, decidem meter umas lâmpadas no fundo dos carros,... e isso eu já dei inúmeras voltas à cabeça, mas ainda não consegui perceber para que servirá Para o carro se parecer com uma árvore de Natal? Será?



Mas então para que é que as luzes do carro servem afinal?
Servem logicamente para vermos, mas fundamentalmente para sermos vistos pelos outros! Por isso é que a legislação mudou, e hoje em dia, os carros novos, mal se liga o carro, acendem automaticamente luzes de presença. Tal como nas motos, e já há muitos anos que assim acontece, mal se liga a ignição, o veículo acende as luzes. Porque tal como os carros, tal com os ciclistas, tal como as pessoas que caminham na estrada, também as motos precisam ser vistas na estrada, mesmo de dia.

Ora bem, mas as lâmpadas dos carro têm um problema, para nós consumidores: fundem-se e nem sequer têm, e mal, qualquer garantia de fabrico! Tudo deveria ter garantia de fabrico, e as lâmpadas não são exceção. Mas não, o que interessa hoje em dia, é que as coisas tenham o menor período de tempo de vida possível, para que rapidamente se comprem outras novas. Só assim a economia pode crescer dizem-nos! Crescer para onde é que nunca ninguém explica!

Cansado de ver as lâmpadas do carro fundirem, no ano passado resolvi perder a cabeça, e gastar 40€ num par de lãmpadas Philips que ainda por cima prometiam iluminar mais dobro das ditas normais. Já me disseram (e eu até posso acreditar) que emano uma luz muito bonita, mas agora é que eu ia andar a iluminar os outros, principalmente de noite ao volante do meu bólide!



Eu não sou grande apologista do "se é caro é bom", mas a Philips é uma marca europeia de referência e também se queremos mais qualidade temos de pagar mais por ela. É normal que assim seja, Se o fabricante investe (supostamente) mais dinheiro em materiais ou componentes de melhor qualidade, é normal que o produto final seja mais caro. Aceito isso perfeitamente.

O que não aceito é que, para trocar uma merda duma lâmpada no meu carro, tenha quase de desmontar metade do carro! Estamos a falar de trocar uma simples lâmpada! Em certos países, como Espanha por exemplo, até somos obrigados a trazer no carro um kit de lâmpadas suplentes para na eventualidade de uma se fundir trocar. Mas de que é que adiante trazer lâmpadas no carro, se depois tenho pegar no macaco do carro e ou desmontar o pára-choques, ou tirar as rodas e ainda esfolar os braços a encontrar a merda do buraco onde a lâmpada está enfiada?

Trocar uma lâmpada no meu carro, é muito mais difícil que encontrar o Ponto G de uma gaija qualquer... mas muito mais! É preciso ler o manual, ir à net ver um vídeo, e ainda assim um gaijo arrisca-se a acabar com os pulsos com hematomas!

Se as lâmpadas Philips todas especiais de corrida valeram a pena? Não! De todo! Eu não queria mais luz, eu queria fiabilidade. De facto iluminam bem, mas de que isso interessa se duram menos de um ano e nem sequer tenho garantia?

Por estes dias já tinha o raio do carro com um olho aberto e outro fechado! A merda da lâmpada durou menos de um ano! Foram vinte euros deitados ao lixo! Comprei entretanto umas lâmpadas novas por 10€ e eu mesmo já a troquei. Mas acho que já estou arrependido. Na volta o melhor mesmo seria passar numa qualquer oficina. Eles compram lâmpadas em grandes quantidades, substituem-nos a lâmpada de borla provavelmente por um preço inferior ao preço da lâmpada que compramos. E não corremos o risco de fazer asneiras no carro, de nos borrarmos ou arranharmos os braços. Mas claro, não pode ser na Norauto. Lá cobram 4€ por trocar uma lâmpada que custa 5€! Pior, a primeira vez que tive de trocar médio fi-lo lá pela urgência, e depois, na próxima substituição, verifiquei que faltava a tampa da lâmpada de dos lados. Ou seja, ou se esqueceram de colocar, ou precisaram dela para outro carro, ou então, o mais provável, por incompetência apertaram-na mal e ela caiu.

Conclusão a tirar: Se é para a merda das lâmpadas só durarem um ano, ou as mais caras nem isso durarem, então tanto vale serem caras como baratas. E mais vale mesmo que se comprem as mais baratas possível. E se é para demorar duas horas a encontrar o Ponto G do médio do carro, como referi, mais vale ir a uma oficina, eles mudam a lâmpada, e têm o trabalho por menos dinheiro que damos por comprar uma nova, e nem corremos o risco de esfarrapar os braços.

domingo, 8 de novembro de 2015

Oficinas: a verdadeira selvajaria

Estou em crer que hoje em dia, encontrar um bom mecânico, ou uma boa assistência técnica, é quase mais difícil que encontrar um bom dentista ou um bom médico de outra qualquer especialidade. E por bom mecânico, quero dizer, bom profissional, que sabe mexer onde deve e deixar um trabalho bem feito, e não ter de andar às apalpadelas - tipo um amante inexperiente - e dar cabo de umas coisas, até finalmente encontrar o sítio certo onde enfiar a chave.

Mas depois há os que sabem ir ao sítio certo, mas têm a mania que são espertos, aquela esperteza saloia tão típica de Portugal, em que se mete uma peça já usada e se cobra o valor de uma nova, ou se arranja aqui mas se tira uma peça dacolá para outro carro, ou se arranja aqui mas avaria-se acolá. Ainda hoje estou sem perceber como é que falta uma tampa da ótica dos médios - teria sido na Norauto onde deixei para trocar lâmpadas? Sim, porque no meu carro, para trocar um simples médio é preciso desmontar rodas e mais não sei o quê! (Na verdade depois de ter esfarrapado os braços, acho que agora já sei como fazer, e sem demorar duas horas).

Quem tem um carro, como a maioria das pessoas hoje em dia tem de ter para se deslocar, tem sempre várias opções para fazer as manutenções de X em X quilómetros no seu veículo:
- Ir à marca mas já sabe que pode inchar valentemente
- Ir às oficinas (supostamente) de baixo-custo, que floresceram mais que as lojas de Ouro
- Ir ao mecânico lá do bairro que até parece ser um amigalhaço e em que as faturas é coisa dos domínios do imaginário.
- Ou fazer o trabalho sozinho em casa, e se não souber muito bem como, pode-se sempre ir ao Youtube ver uns vídeos na esperança de tentar não destruir o carro!


freeimages.com

Ora bem, eu como não me quero habilitar a fazer o trabalho sozinho - apesar de me parecer que fazer uma revisão, em que se muda óleo e filtros não deve ter grande sabedoria - pago para me fazerem o trabalho. E o meu bólide estava agora com 150 mil Km. Então o que é que eu fiz? Pedi vários orçamentos pois acho que é o que de mais sensato há a fazer, e fi-lo para as oficinas o mais perto possível do local de trabalho, para se possível, deixar lá o carro de manhã e depois passar para ir buscar. Os resultados não deixam de ser, sem dúvida, assombrosos! 

- Primeiro orçamento, simulado no site da Midas que garante 40% mais barato que a revisão da marca. Quarenta por cento é muito dinheiro pensei. Então a brincadeira lá ficava por 170€

- Segundo orçamento, na Bosh Car Service, oficina que genericamente ouço toda a gente (bem ou mal) dizer bem, solicitado por e-mail: 190€.

Nem quero pensar quanto é que a marca me iria cobrar!

Pois é, na marca, são 95€.

Feitas as contas, na marca paguei menos 45% que na oficina que diz fazer 40% mais barato que na marca! Dá para entender? Não, mas o que é que isso interessa? Vale tudo, menos arrancar olhos.