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quinta-feira, 16 de abril de 2020

O Que Aprendi na Telescola Sobre Defesas e Vacina




Devido à pandemia esta semana voltou a Telescola. 
Eu, apesar de viver a vinte quilómetros da segunda maior cidade do país, também andei na Telescola dos anos oitenta. Feita a quarta classe, o caminho seguinte para os alunos aqui da aldeia que continuassem a estudar era ir para a Telescola que ficava a 4Km da escola primária. 
Apanhávamos a camioneta junto com as outras pessoas todas que iam para os seus trabalhos, mormente os trabalhadores de uma fundição que ficava lá perto e lá íamos para as aulas do 1º e 2º anos do ensino preparatório. 

Tínhamos dois professores: um de ciências (matemática/ciências) e outro de letras (português/francês/história). E cada aula começava na televisão, que dava na RTP, em que se explicava , durante dez ou quinze minutos explicava a matéria do dia. No restante tempo da aula, o professor tirava as dúvidas e fazíamos os exercícios. Isto tinha ainda a vantagem de, caso algum aluno faltasse por doença, podia sempre assistir às aulas em casa. Os testes eram iguais para todas as escolas, e eram corrigidos pelos nossos professores, mas eram sempre sorteados por algarismos as escolas que teriam de enviar os testes dos alunos para serem corrigidos pela entidade responsável, e talvez assim, digo eu, confirmassem o nível dos alunos nas diferentes escolas. 

E a verdade é que, quando cheguei ao 7º ano (sim, passei do 2º da Telescola para o 7ºano!) a verdade é que nunca senti que estava pior preparado que os restantes alunos que vinham do ensino direto. E o mais interessante é que estava agora aqui a ler nesta reportagem do Diário de Notícias que enquanto a Telescola atingiu uma taxa de insucesso escolar na ordem dos 10% ou 15%, no ensino direto rondava os 30%!!

Fui agora via Google Maps ver como está o edifício da escola onde tive Telescola e está bastante  diferente como é lógico. Já não tem o chão em terra batida onde jogávamos à bola, e não sei porquê, mas tenho ideia que pavilhão de madeira que havia era mesmo em frente ao edifício principal de dois pisos. Terá sido demolido e construído o outro, que se vê na imagem à esquerda. 



# Recordação dos Tempos de Telescola

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Recordação dos Tempos da Telescola

Feita a instrução primária, o meu primeiro e segundo ano da escola foram feitos na Telescola. A Telescola pareceu-me um bom método de ensino, aliás, tão repleto de sucesso, que ao que parece outros países vieram cá estudá-lo. A coisa funcionava mais ou menos assim. Os primeiros dez ou quinze minutos das aulas, eram ministrados com recurso à televisão. Naquelas horas, a RTP transmitia exclusivamente, do Monte da Virgem em Gaia, as emissões de cada aula específica (ciências, matemática, história, etc) e com recurso ao professor da televisão, que todos os alunos ouviam em silêncio, passavam-se então depois para os exercícios dos livros, com ajuda do professor  presencial da sala de aula. 
Tínhamos dois professores, um para Ciências e outro para Letras. E os testes era todos feitos no mesmo dia, para todas as escolas, e depois, se não estou em erro, eram sorteadas escolas que tinham de enviar os testes dos alunos para serem avaliados externamente. 

E quando nós, alunos da Telescola, chegamos ao já chamado 7º ano, acho que estávamos muito bem preparados, porque os outros, os que vinham do sistema de ensino "normal" não tiravam melhores notas que nós, bem pelo contrário. 


Ao fazer aqui umas arrumações deparei-me com fotos dos temos de escola e da minha turma do 6º B. Quase não sei o que é feito da maioria desta gente, mas acho que só não me lembro do nome do professor de Letras, de resto, mau era se não me lembrasse deles todos. O maior era o João Paulo, que está ao lado do Pedro, o filho da professora Luísa. Acho que aqui nestes tempos, com onze anos, ainda não tinha grande interesse pelas raparigas, aliás, algumas, duas ou três, até já tinham corpo de mulher.
Sei que a Nela e a Luísa mantêm a mercearia/tasco que era dos pais. E elas bem que eram espertas e vivaças. A Angelina sublinhava tudo muito bem sublinhado, com várias cores, mas tinha algumas dificuldades de aprendizagem, fruto talvez de uns pais muito mais velhos e muito antiquados e conservadores que não a souberam acompanhar. A Mafalda também está ali, é a tal que já tem uma filha adolescente com bom corpinho para levar umas boas palmadas. A Adélia ficou viúva ainda jovem... O Paulo Jorge, meu camarada da primeira-classe até aos 15 anos, e que desenhava bastante bem, é engenheiro civil e tem a sua empresa. O Eurico era muito bom de bola e maluco pelo Benfica! E agora que penso, talvez o seu nome não seja assim tão à toa, porque houve um Eurico que foi jogador do SL Benfica nos anos setenta, apesar de nos oitenta ter representado o Sporting e depois o FC Porto.  Havia ainda os dois Carlos, o Rui que tinha uma voz anasalada; os dois nHugos, o Neca (com quem troquei a moeda do meu avô) a Célia,  que parecia mais santinha do que na realidade era; a Marta com aqueles lábios grossos que faria muita inveja hoje em dia!; a São, a Natércia, a Anita, a Mónica, que certa vez desenhei numa aula de Educação Visual; o Cláudio, o Rui José, o Delfim e  o Miguel. Não sei o que é feito da maioria desta gente. Cruzámo-nos nos tempos de escola, e cada criança cresceu e seguiu as suas vidas. A maioria crianças de pais humildes, ainda assim, acho que longe, o mais carenciado seria eu. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sinto o tempo passar quando....

Sinto o tempo passar quando olho com aquele olhar que tira as medidas, não predador mas quase lascivo, naqueles segundos em que passo de carro e vejo uma jovem que espera pela camioneta na paragem. Na mesma paragem onde eu, durante tantos anos também esperei. Dias depois apercebo-me que a jovem é filha da Mafalda, uma menina que estudou comigo na Telescola



Esta curta publicação estava para ter por título "Sinto-me velho quando...", mas a verdade é que, apesar dos cabelos brancos irem proliferando cada vez mais (apesar de ser sempre preferível ter neve nas telhas, do que ver as telhas voar!) mas na verdade continuo a sentir-me o mesmo miúdo de sempre. Parece cliché mas acho mesmo que a velhice está na cabeça, apesar de, como é lógico, com o tempo o corpo começa a não corresponder como antes, e que o digam os jogadores da bola. 
Mas há tanto puto envelhecido por aí...