quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A noite está muito muito fria...

Corres o risco de apanhar pneumonia....



"Cão muito mau" / Éramos Assim / Boitezuleika (por Carolina Torres) / 2005

Conversas Improváveis 16

Nomes de países começados pela letra: A...B...C...D...E....

Países começados por P:

- Paraguai
- Polónia
- Panamá
- Palestina
-  A Palestina é um país não é?
Acho que sim, tem bandeira e tudo.

Países por P....acho que não me lembro de mais nenhum. 
Oh... que parvos! Não nos lembramos de Portugal! 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O Engate no Século XVIII - Orgulho e Preconceito

"Hoje não há regras não sabemos como agir quando nos encontramos. Apertamos a mão? Um beijo na cara? Dois beijos na cara? Batemos nas costas um do outro? Ninguém sabe. Não há regras.


O comportamento mais aceitável era parecer que não se queria um marido, apesar de se querer. Mas com a natureza humana a ser o que é, mulheres e homens tiveram de descobrir maneiras de se atraírem e deixarem a outra pessoa saber. Isso era aceitável. E uma grande parte disto aconteceria no salão de dança. 

A dança era absolutamente central para a sociedade da época no que diz respeito a encontrar um bom marido ou uma boa mulher. Quando se ia a um baile ou se havia uma dança no fim de uma festa, estar-se-ia sempre na presença dos pais. Portanto, se pensarmos como nos queremos comportar em frente aos nossos pais...

Era muito definido, muito claro. Ajudava muito, acho, olhando para trás. Levantamo-nos se uma senhora entra e fazemos uma vénia. Acho que hoje em dia, vemos isso como oprimente e demasiado formal. Eu de certa forma, gosto disso. Acho que dá à coisa um certo quê... Acho que é, na verdade bastante libertador.

O facto de ser difícil falar com alguém por quem se está apaixonado está brilhantemente realçado no período de Austen, onde não se podia falar com a pessoa a sós, exceto quando se dançava. Só assim podiam estar a sós e poder utilizar a dança dessa maneira. 

Os homens e as mulheres podiam estar juntos sem um chaperone e podiam falar um com o outro. 


É por isso que a ideia de um baile era tão excitante para elas. Porque se podia dançar com o filho do talhante, alguém que, num dia normal, não seria possível abordar para conversar. 

Se só se pode ter contacto físico na dança, então dançar com alguém é elétrico, é intenso. E é ter essa estrutura formal. Especialmente a dança. Representar esses pequenos momentos nessa altura formal. 

Eles não se tocam realmente. As mulheres não apertam as mãos dos homens. A primeira que o Darcy toca na Elizabeth é quando a ajuda a subir para a carruagem. E é um momento mesmo bonito. Porque é o primeiro toque de pele. E eu acho que hoje em dia não pensamos sobre isso, de todo. Eu apertoa mão às pessoas, beijo-as, o que for. É interessante pensar, se não se tiver essa natureza tátil, quão importante um toque pode ser."

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Incendiários do Facebook Anóninos


Portugalex / Antena 1 e Antena 3
Realmente há gente a escrever muito bom humor em Portugal. Genial. 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Declaração Amigável de Engate & Foda

Esta semana, quando lia um artigo do The Guardian percebi que as neo-feministas americanas começaram a deixar as verdadeiras feministas, as francesas, com os cabelos dos sovacos em pé. Tudo porque, segundo a própria atriz francesa Catherine Deneuve, toda esta onda de denúncias de mulheres americanas acabou por se tornar numa verdadeira caça às bruxas e a colocar em causa a liberdade sexual.

Eu tenho para mim que, a continuar assim, em breve todos nós, homens e mulheres, teremos de andar connosco com uma declaração. Estão a ver aquelas declarações amigáveis que preenchemos quando temos um acidente, em que cada uma das pessoas preenche os seus dados, e até faz um desenho e tudo de como aconteceram as coisas?

Para esta gente muito em breve terá de ser assim.


Olhe, peço desculpa, mas olhei para si e gostaria de a conhecer. Quer avançar com o preenchimento de uma Declaração Amigável de Engate?

É neste momento que ambas as pessoas preenchem na mesma folha o formulário em que descriminam muito bem o que permitem que vá acontecer. Ficará decidido o tipo de abordagem e linguagem - não se estão a esquecer que o piropo já é crime pois não?  (portanto, muito cuidado!) ficará também decidido quem pagará os não sei quantos jantares que irão acontecer, até que, alguém se lembre de perguntar ao outro se podem preencher uma Declaração Amigável de Foda.

Atenção que, quando estamos a falar de uma Declaração Amigável de Engate, não estamos necessariamente a falar da procura de namorado(a) ou da busca de uma relação. Estamos só a falar do interesse normal que as pessoas têm em se conhecer ou relacionar-se, e logicamente, também do interesse em ter sexo, afinal, o sexo é uma das forças que movem o mundo.
Mas será expressamente proibido duas pessoas terem sexo sem terem antes uma Declaração Amigável assinada. A Declaração Amigável de Engate será uma espécie de Seguro que cada pessoa terá, principalmente se, muitos anos mais tarde vier a ser a ser muito conhecida, correndo o sério risco de vir a ser acusada, por não sei quantas pessoas, que se lembrarão que afinal, no passado, andou a tentar engatar alguém.

Para se passar ao nível seguinte e assinar uma Declaração Amigável de Foda as pessoas serão obrigadas a ter primeiro terem uma Declaração Amigável de Engate. Faz sentido não é? Os bois vão sempre à sempre à frente da carruagem. Na Declaração Amigável de Foda constarão lá todos os elementos em que cada pessoa permite envolver-se com outra(s) pessoa(s). Se gosta de minete e broche, se gosta de anal e a menstruação até só uma lubrificação extra, ou, se pelo contrário, só se permite sexo às escuras, com um lençol por cima do corpo e à missionário, tal como manda expressamente a santa madre igreja. Obviamente que só se pode fazer o que um e outro tenham assinalado em comum. Mas, de qualquer forma, em qualquer momento, qualquer um dos dois pode atualizar a sua Declaração Amigável de Foda e acrescentar mais alguns elementos.

Estou certo que este é o caminho que muitas pessoas querem. Ser humano, ter desejos e tesão é um ultraje para muitas pessoas. Acredito que as Declarações Amigável de Engate e de Foda serão uma realidade a breve prazo. Ninguém poderá falar para outra pessoa sem primeiro ter uma Declaração Amigável de Engate. Chamar amigo a quem se acaba de conhecer na net, e até tirar fotografias completamente nu e enviá-las para o telemóvel de alguém que se acaba de conhecer virtualmente é um comportamento normal e perfeitamente aceitável. Ousar dirigir palavra a outrem, abordar alguém que está à nossa frente, e manifestar-lhe o nosso interesse, seja ele qual for, é um injúria grave e que merece, no mínimo, o empalamento na praça pública. E com tudo isto, o verdadeiro assédio sexual,  agressivo e criminoso começará a passar despercebido.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Cannabis: Expliquem-me como se Eu fosse mesmo muito Burro

"O estado proíbe ao indivíduo a prática de actos infractores, não porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopolizá-los." (Freud)

Via Google Images
Hoje discutiu-se no parlamento a legalização da Cannabis para efeitos terapêuticos. E o que eu gostava era que me explicassem, como se eu fosse mesmo muito burro, por que é que o Estado português vende um produto manipulado por forma a criar vício, e que mata, e que até colocou mesmo nas embalagens que "Fumar Mata", mas que, por outro lado, proíbe uma planta natural que a Natureza criou e que tantos benefícios tem.

Gostaria também que alguém me explicasse, igualmente como se eu fosse mesmo muito burro, por que é que o Estado português permite que se venda a droga que, cientificamente está comprovado, é a que mais estragos provoca na vida das pessoas, e essa droga chama-se álcool e que no entanto até se pode comprar em qualquer mercearia, mas depois, o mesmo Estado, vem dizer que é proibido cultivar e ter em casa uma planta, que por acaso até tem propriedades terapêuticas que ajudam em diversos problemas de saúde, mas que quando fumada pode fazer rir. Então temos que: Produto que mata? Pode-se vender! Produto que faz rir? Nem pensar! Toca a proibir!

Gostaria também que me explicassem como se eu fosse mesmo muito burro, por que é que o Estado  português diz que é proibido ter, cultivar ou propagar Cannabis em casa, mas depois, o mesmo Estado português, permite que se cultivem grandes plantações de Canabis em Portugal destinadas à exportação. 

Produzir Cannabis em Portugal para tratar doentes portugueses? É crime e dá cadeia. Produzir Cannabis em Portugal para tratar os doentes estrangeiros? Perfeitamente legal. 

Ide-vos foder a todos mais a puta da vossa hipocrisia. 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Políticos que Mudam de Opinião conforme o Vento

"Depois do que passei, em 2004, 2005, depois do que aconteceu, com mais culpa minha ou não, acho que se concorresse a primeiro-ministro não tinha possibilidades de ganhar as eleições. Não tenho dúvida nenhuma sobre isso, nem que o vento mudasse 10 vezes" (Santana Lopes 2013)



Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter dito que "Nem que Cristo desça à terra" (não serei candidato à liderança do PSD) e ter acabado por dar o dito pelo não dito e ter acabo por suceder a Fernando Nogueira, eis que é agora a vez de Santana Lopes, de mostrar que é tão irrevogável quanto Paulo Portas.

E eu espero, sem dúvida, que Santana Lopes, quatorze anos depois de ter sido primeiro-ministro durante quatro meses, possa voltar a ser líder do PSD. A vida política portuguesa agradece, pois será bem mais divertida. 


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A Serenidade dos Assuntos Sem Solução

"Eu tinha a minha vida inteira dentro do computador quando, de repente, crachou. Eu estava a ver o meu e-mail num hotel em Santa Maria da Feira e, sem explicação, como se tivesse vontade própria, o computador suspendeu-se, deixou de responder (...)

Eu tinha a minha vida inteira dentro de um computador que não me obedecia, que parecia  desfalecer. Depois chegou a serenidade dos assuntos sem solução. Essa paz tornou-se um terreno propício, uma planície, para o otimismo. 
Eu sei que hoje em dia, os técnicos de informática são capazes de recuperar a memória de discos muito mais intransigentes. Era sábado, estava em Santa Maria da Feira, ficaria adiada a solução. Eu não queria duvidar da possibilidade de uma solução. 

Ainda assim, nesse fim-de-semana, com amigos, houve algumas vezes em que nos faltou tema de conversa. Depois de falar da chuva e do frio, eu cedia perante a preocupação que escondia sob o otimismo, e contava-lhes o que tinha acontecido ao computador. "Não fazes backups?" Eu ficava a olhar para eles sem nada para dizer (...)

Passando o tempo, passou o sábado e passou o domingo. Na segunda-feira, cedinho, fui procurar o técnico que me foi sugerido por uma amiga. "Não fazes backups?"Andei por ruas de Alvalade com o computador ao colo até encontrar a direção que tinha escrita num papel mas que já memorizara (...)

O técnico tinha óculos e um vagar simpático. Devia ter fumado milhares de cigarros inclinado sobre aquela secretária. O cinzeiro estava a transbordar e o cheiro estava estranhado no pó. Expliquei-lhe. Ora vamos lá ver. Ligou o computador e não houve problema nenhum. Ligou-o de novo, e de novo, e voltou a não haver problema nenhum. Jurei-lhe que tinha acontecido o que descrevi antes. Olhou para mim, acho que acreditou e deu-me de novo a lição de que, quando se tem a vida toda dentro do computador, deve fazer-se backups. Isso já eu sabia, obviamente. 

Fui para casa, acreditando que era essa a mensagem que o computador me queria transmitir. A vida dos computadores é muito menor que a das pessoas, menor até que a dos gatos ou dos cães. Um ano na vida de um computador deve equivaler a uns vinte anos na vida de uma pessoa. Pensando assim, acreditei que o meu computador ancião me queria avisar antes de partir. Talvez sentisse a morte a aproximar-se. Esta ideia foi contrariada quando cheguei a casa, o liguei e, de novo, com a mesma insistência, me mostrou a tal mensagem e se recusou a deixar-me aceder a tudo o que transferi para o seu interior. Senti, por momentos, que era algo pessoal (...)

Por isso e por mil outros motivos iguais a esse, o computador ainda está ali, atrás de mim. Está coberto por cartas abertas, convites para lançamentos de livros e jornais que não leio. Mas creio que não estou preocupado, Ou, melhor, não estou mesmo. Afinal, eu sempre fiz backup de tudo num disco muito mais importante. Esse disco está coberto pelo meu nome. Funciona com imperfeições. No dia em que deixar de funcionar completamente, nada mais me importará. 

Disco Interno / Abraço / José Luís Peixoto (2011)