domingo, 26 de março de 2017

Questionário: O que é que a fotografia do teu perfil diz sobre ti?

Estava aqui a passar os olhos pela imprensa domingueira, sempre tão repleta de entretenimentos ao domingo, e dou de caras com um daqueles pequenos questionários, acerca das nossas imagens de perfil. Muitas vezes estes questionários valem tanto como o horóscopo diário que vem nas revistas, mas ainda assim, tal como nos horóscopos, às vezes também acho piada a alguns destes questionários.

Segundo o questionário, as nossas imagens de perfil das redes sociais, dizem mais sobre nós, do que nós pensamos. E então o questionário coloca-nos as seguintes questões:

1. Com que frequência mudas a imagem de perfil no Facebook?
(A) uma vez por ano (B) várias vezes por ano (C) pelo menos uma vez por mês

2. A foto que tens no Twitter, é (A) uma foto mesmo tua, ou (B) um avatar?

The Guardian (foto Alamy
Resultados:

Se respondeste (A) à pergunta 1, então o mais provável é que sejas extrovertido.

Se respondeste (C)
então o mais provável é seres um introvertido, com (B) pelo meio.

Um estudo do Centro de Segurança Cibernética da Universidade de Warwick descobriu que os participantes com pontuação elevada na extroversão mudaram sua imagem de perfil com menos frequência do que os tipos mais introvertidos: exatamente o oposto do que os pesquisadores esperavam.

Se respondeste (B) à segunda pergunta, então, novamente e de forma surpreendente, és, provavelmente um extrovertido. Se respondeste (A) és introvertido. 
 
Mais uma vez trocando as voltas ao que seria expectável, os pesquisadores descobriram que os introvertidos são mais propensos a usar uma foto de si mesmos como seu perfil do Twitter do que extrovertidos. Por quê? Só podemos especular, mas talvez introvertidos sejam tipos sérios que usam o Twitter para negócios ou de forma profissional (onde mostrar seu rosto é importante), enquanto os extrovertidos são mais propensos a usar o Twitter para se divertir, escolhendo avatares que representam os seus gostos de uma forma mais brincalhona.

Ora bem, eu gosto muito de psicologia, e por equivalência já devo três ou quatro doutoramentos, mas nem sempre gosto muito de generalizações do género: coças-muito-no-nariz-então-é-porque-te-masturbas-muito! Ou aqueles testes dos borrões (Rorschach) em que no fundo analisa-se as respostas de cada pessoa em função do que uma maioria já disse do que via nos borrões. É óbvio que tem a sua fiabilidade mas acho que nunca poderemos generalizar ou ser taxativos. 

Ainda assim tudo isto é muito curioso, porque eu não estou registado no Facebook nem Twitter, e só isso, segundo os psicólogos já diz que sou, muito provavelmente!, um psicopata!

Mas que poderei dizer sobre mim? 
Bom, no perfil da rede social Google+, Blogger e Youtube, uso a mesma imagem desde o início, ou pelo menos, é sempre a imagem de um Bufo-real, avatar que uso, há pelo menos cinco ou seis anos. Ou seja, segundo o estudo da universidade isto afirma claramente que eu sou extrovertido. 

Certíssimo.

sábado, 25 de março de 2017

Primeiro Verão



No tempo dos romanos e até ao século XVI, havia o Verão (a actual Primavera), o Estio (o actual Verão), o Outono e o Inverno.

A palavra Verão provém do latim vernum, com o significado de “tempo primaveril”, derivado de ver, veris, que significava Primavera. A expressão primo ver (que originou o termo Primavera) aplicava-se apenas ao começo da estação: primo + ver = o primeiro Verão (= actual Primavera), o princípio do Verão (= Primavera).


sexta-feira, 24 de março de 2017

Brasão de Família

Via Google Images
Eu sou pobre, plebeu, nunca liguei a este tipo de coisa, da heráldica e das árvores genealógicas. Percebo o fascínio, como uma amiga que tenho, que na volta ainda é descendente de um rei. Mas eu não. Nas minhas veias corre sangue sim, mas não azul. É vermelho. Nem nunca tive especial atração pela monarquia, bem pelo contrário. 
Muitas vezes até, e estou-me a lembrar das feiras medievais, por exemplo, em que até me cruzo com pessoas que vendem os brasões do nome de família. Nunca me demorei muito a procurar o meu. Mas agora, por mero acaso, aterrei aqui num blogue onde tem ali a coisa tão esmiuçada, até achei curioso que o meu nome de família, seja um dos mais antigos do país. E esteticamente, até gosto do brasão. Mas só isso! (podem colocar aí em baixo o visto no "do que te lembras"!)

O Défice mais Baixo desde 1974


A notícia que hoje não se falará será esta. Já há dias não se falou que o Estado Português emitiu dívida pública com juros negativos, o que significa que nos vão pagar para nos emprestarem dinheiro!

Mas hoje, é oficial, o governo apoiado pelos partidos mais à Esquerda no parlamento, aqueles radicais que comem criancinhas ao pequeno-almoço!, conseguiu o feito histórico de ter o défice mais baixo desde o 25 de Abril de 1974! Mas certamente que será muito difícil descobrir a notícia. 

Hoje falar-se-à de tudo, de-não-sei quem-que-matou-não-sei-quem, do terrorismo, dos santinhos de Fátima, da namoradinha do capitão-gay da seleção de futebol, de tudo, menos desta excelente notícia, porque não interessa nada aos nossos média que são suportados pelo poder capitalista.
Muito importante é saber quantos sorrisos o Centeno mandou nas SMS ao ex-administrador da CGD, isso sim é importante, e é tema para meses a fio!

Antigamente tínhamos o lápis azul da censura, hoje temos uma censura mais refinada de tempos modernos. Mas hoje também se prova que a anterior ministra das Finanças percebe tanto de matemática como eu percebo que costura! E ainda assim não sei... quer dizer, eu se calhar percebo mais, porque ainda fiz uns belos bordados nos tempos de escola!


"Aritmeticamente é impossível" disse ela! Eu no teu lugar Maria, borrava a minha cara com merda. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Indigno. Impróprio. Inaceitável.


Lobo em pele de cordeiro? ou: olha para o que eu faço no Governo mas não olhes para o que eu digo na Oposição?

Partidas & Chegadas



Habilitações Necessárias para Ministro


Junho 1871

Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder, trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da Fazenda, a ruína do País!


Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País. Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros liberais, e os interesses do País!
Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.

Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do país...

Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...

Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa constitucional do poder moderador...

E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num choito tão triunfante!

A Religião no Hospital

No dia da cirurgia, as diferentes pessoas, enfermeiras e médicos, que comigo contactaram, haveriam de me perguntar, várias vezes ao longo do dia: qual é a sua religião? E até hoje, sinceramente, não consigo perceber para quê tal pergunta. Por que não perguntar a minha orientação sexual? Por que não perguntar os meus ideias políticos? Por que não perguntar se tenho um clube preferido e qual? Por que não perguntar como é que eu gosto dos ovos, se sou omnívoro ou vegetariano?

Mas o mais engraçado é que, no inquérito que a enfermeira me fez na receção, nem sequer lá contemplava a opção "Sem Religião"! Os hospitais portugueses partem do princípio - errado! -  que toda a gente tem de ter religião! 

- Qual a sua religião? 
- Eu não tenho religião.
- Mas então é agnóstico?
- Não sou ateu mas também não sou agnóstico. E agnóstico e ateu também não são religiões. Mas eu não tenho nenhuma religião.
- Mas eu não tenho aqui "Sem religião", então vou colocar agnóstico. 

Vamos lá ver uma coisa. Vivemos num país Laico, sem religião portanto. Então, porque raio perguntam aos doentes que se dirigem a um hospital público qual a sua religião? Mas por acaso a religião é tida e achada dentro de um hospital? E do ponto de vista clínico, interessa alguma coisa a um médico saber a religião do doente? Não devemos todos ser tratados de forma igual? Então para que é que querem saber da religião das pessoas?

Ah mas ó Konigvs há pessoas que não querem transfusões de sangue porque a sua religião não permite. 

Eu sei muito bem que, por exemplo, as Testemunhas de Jeová, além de quererem aparentar uma neutralidade política - como se isso fosse possível! (mas a Esquerda agradece) - são também muito conhecidos por não aceitarem transfusões de sangue. E em Portugal existem cem mil Testemunhas de Jeová, cerca de 1% da população.

Eu sempre defendi as liberdades individuais, pois certamente também concordo que cada pessoa é que deve saber o que fazer quando está doente. Não quer receber uma transfusão de sangue? Quer morrer? Muito bem, estou totalmente de acordo, cada um está no seu direito de fazer o que bem entender. Só que existem certas vontades, ou liberdades, que colidem eticamente com as liberdades dos outros.

As pessoas são livres de ter a sua religião, seja ela qual for. Totalmente de acordo. Mas as pessoas também devem ter presente que os médicos também fazem o seu juramento: o de salvar vidas. E onde é que fica o Direito do Estado Laico? Neste momento, o meu país não me deixa morrer, se esta for a minha vontade. É crime. Mas então, com que direito, é que o mesmo país, permite que se deixe morrer uma pessoa, havendo todas as possibilidades para lhe salvar a vida?

Quer dizer, as Testemunhas de Jeová são contra a Eutanásia, mas depois são a favor que deixe morrer uma pessoa, quando poderia ser facilmente salva, bastando para isso que recebesse uma transfusão sanguínea. São contra o suicídio. Só Deus pode tirar a vida. Mas então, deixar-se morrer e esvair-se em sangue não é suicidar-se? Em que ficamos então? Defendem a vida num caso mas no outro já não? Há qualquer coisa nessa linha de raciocínio que não bate certo... Mas eu percebo, a verdade é que as pessoas que têm religião não se regem pelo raciocínio, mas pelo fanatismo. 

Se eu quero morrer o Estado não mo permite. É crime. Se eu quero viver, mas como sou fanático-religioso, e quero impedir o médico de me salvar a vida, ou a vida da minha mulher ou do meu filho, está tudo bem, até há legislação sobre o assunto! Então onde é que fica o argumento da defesa da vida no caso de quem se recusa a receber uma transfusão de sangue? Dois pesos e duas medidas. 

Pois o que eu acho é que, das duas uma: ou confiámos em Deus (no santinho a quem se fez a promessa, no Diabo ou outra divindade qualquer!) ou confiamos no médico, no cirurgião, no anestesista, e no trabalho desenvolvido pela unidade de saúde. E se as pessoas preferem confiar na vontade de Deus, e estão no seu direito, mas então nunca recorram aos médicos! Pois se adoecem é porque foi a vontade divina! - e vão agora ao médico para contrariar essa vontade? Qual é a lógica e coerência disso?

Também acho muita graça aquelas pessoas que fazem uma promessa ao santinho ou santinha. Fazem as promessas, mas depois vão fazer os tratamentos ou cirurgias no hospital. E depois, se ficam curadas, vão agradecer ao santo e dizem que foi ele que as salvou! Então mas para que é que foram ao médico? Se o santo cura, para que é que procuram os médicos? Onde estão os milagres então? Quando tiverem algum problema de saúde rezem! Rezem muito que nunca terão nenhuma doença! Mas se tiverem, não vão ao médico, afinal adoeceram por vontade de Deus! E se é Deus que vos salva, então não vão chatear os médicos! 

Uma coisa é a liberdade individual, outra é o trabalho de um médico. Qualquer doente tem o direito de não ser tratado. Mas nenhum doente pode querer que o médico o deixe morrer quando o pode salvar. Há aqui um conflito de interesses! Muito pior ainda é nos casos de menores. Cada um que decida sobre a sua própria vida, e se quer morrer ótimo, mas que não interfira nas vidas dos outros.

Um hospital é um local onde se tratam doentes que decidem ser tratados. Na missa também ninguém ensina o padre-nosso ao vigário. Portanto, para assuntos religiosos, o destino é a Igreja e não o Hospital. Não queiram misturar alhos com bugalhos.