sexta-feira, 22 de junho de 2018

"Quem é que põe dinheiro num país dirigido por Comunistas e Bloquistas?"

A direita e a extrema-direita portuguesa (que às vezes se confunde e confundem as pessoas, sempre fizeram a propaganda de que um país dirigido por gentes de esquerda afastam os investidores. Mas será mesmo assim ou afinal ou é propaganda barata como afirmar que os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço? A notícia é de ontem e desfaz todas as dúvidas.

Portugal (segundo o estudo da EY) é agora considerado o país mais atrativo da Europa para investir no curto prazo. Propaganda barata portanto. 




Mas quem é que o afirmava todos os dias que com uma coligação de Esquerda ninguém investiria em Portugal e que vinha aí o Diabo? O nosso saudoso mentiroso compulsivo Passos Coelho. Falhaste em toda a linha, mas é preciso ter memória e eu não me esqueço. 



terça-feira, 19 de junho de 2018

Por Que é Que os Pobres Nunca deixarão de Ser Pobres

"Ignorância é Força"

Desde que há documentos escritos, e provavelmente já desde o fim do Neolítico, existem no mundo três categorias de pessoas: a Alta, a Média e a Baixa. Estes grupos têm-se subdividido das mais diversas formas, foram-lhes atribuídos variados nomes, e a sua proporção numérica, bem como as atitudes recíprocas, variaram de época para época; a estrutura fundamental da sociedade, porém, nunca se modificou. Mesmo depois das maiores convulsões, das mudanças aparentemente mais irreversíveis, acabou sempre por restabelecer-se idêntico modelo, tal como um giroscópio volta sempre ao ponto de equilíbrio por muito bruscamente que o desloquem nesta ou naquela direção. 

Os objetivos destes três grupos são absolutamente inconciliáveis. O objetivo da classe Alta consiste em permanecer onde está; o objetivo da Média, em trocar de posição com a Alta. O objetivo da classe Baixa, quando algum objetivo tem - pois a caraterística persistente da classe Baixa resume-se a ser de tal modo oprimida pela dureza do trabalho, que só de vez em quando toma consciência daquilo que é exterior à sua vida quotidiana -, consiste em abolir todas as distinções criando uma sociedade onde todos os homens sejam iguais. E assim, ao longo da Historia, se repete vezes sem conta uma luta, nas suas grandes linhas, sempre a mesma. Passam-se longos períodos em que a classe Alta se julga firme no poder, surgindo logo um momento em que os seus elementos perdem a confiança uns nos outros, ou a capacidade governar com eficiência, ou ambas as coisas. São então destronados pela classe Média, que, no seu fingimento de estar a empreender a luta pela liberdade e pela justiça, consegue o apoio da Baixa. Mas mal atinge os seus objetivos, a classe Média volta a empurrar a Baixa para a antiga servidão, e converte-se ela própria em Alta. Ao fim de algum tempo, a nova classe Média se formou, a partir de um dos outros grupos, ou de ambos, e tudo recomeça. Das três categorias, só a Baixa nunca consegue, ainda que temporariamente, atingir os seus objetivos. Seria exagero dizer que ao longo da História não tenha havido um certo progresso material. Mesmo hoje em dia, no atual período de declínio, o ser humano vive, em média, materialmente melhor do que vivia há alguns séculos. Mas nenhum acréscimo de riqueza , nenhum abrandamento dos costumes, nenhuma reforma ou revolução fizeram recuar um milímetro sequer na desigualdade humana. Do ponto de vista da classe Baixa, as mudanças históricas pouco mais representaram do que a mudança de nome dos chefes.

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro / George Orwell / 1949


O Ser Humano está Sempre Pronto a Fazer Mal a Outro Ser Humano

Qual terá sido a grande lição que retirou desta grande cobertura de terramotos, por exemplo, até conversações de paz. 
Que lição é que retira enquanto jornalista?

Que o ser humano está sempre pronto a fazer mal a outro ser humano. Eu vi isso em zonas de conflito e vi isso infelizmente em zonas de desastres naturais. Por exemplo, creio que foi em El Salvador, pouco tempo depois de um terramoto, apareceu um gangue de colombianos a vender os caixões a dez vezes o preço normal, obrigando as pessoas a sepultar os seus entes queridos em sacos de plástico numa vala comum como se fossem lixo. Noutra ocasião venderam a água a dez vezes o preço normal às pessoas que tinham sido vítimas de um terramoto. Na Nicarágua o presidente a roubar dinheiro que foi dado para a recuperação de um furacão (...) e o presidente achou que a melhor maneira de gerir o dinheiro que tinha sido dado para a recuperação do país era uma parte ficar para ele. E podíamos estar aqui o dia todo com exemplos destes. 

O ser humano está sempre pronto a fazer mal a outro ser humano, é uma das lições. 

Luís Costa Ribas no programa À volta dos Livros da Antena 1. 

E se fossem 629 cães que andassem à deriva no Mediterrâneo?



Nos últimos dias 629 pessoas andaram à deriva no mar Mediterrâeno. A Itália fascista, curiosamente a mesma Itália católica apostólica romana, temente a Deus e que se orgulha de ter o Papa em Roma, de imediato recusou-se acolher estes seres humanos. Seguidamente Malta, lavando as suas mãos, também fez o mesmo com a desculpa que deveriam ser os italianos a deixar atracar este navio nos seus portos. 

Enquanto isto, em Portugal falava-se de algo muito mais importante que a vida de 629 pessoas. Falava-se de Bruno de Carvalho. As sucessivas conferências de imprensa ; as rescisões dos jogadores do Sporting; a vida pessoal de Bruno de Carvalho; até parece que se separou apontava o escarro jornalístico mais vendido no país.

A minha pergunta é: e se em vez de 629 pessoas fossem 629 cães que precisassem urgentemente de ajuda? Pois certamente seria uma enorme comoção mundial com os países a guerrear entre si para ver quem ficaria com os cãezinhos e todas as pessoas chocadíssimas por estares a maltratar cães. 

Afinal por estes dias só andaram 629 pessoas à deriva no Mediterrâneo. 629 vidas humanas. Que é que isso interessa afinal? Alguém já sabe mas é o onze inicial que vai jogar contra Marrocos?