sábado, 22 de setembro de 2018

Tenho que Avisar no Blogue que vou Morrer logo ao fim do Dia

Tenho que avisar no blogue que vou morrer logo ao fim do dia. 
Acho que estou num hospital.... Não consigo perceber muito bem. Talvez seja uma cadeia, ou pelo menos estou preso de alguma forma. 
Sei que a decisão chegou e vou morrer logo ao fim do dia. 
Tento convencer-me que todos temos que morrer. 
Até que abraço a minha mãe e fico num pranto. 
E de repente penso que tenho que informar no blogue que vou morrer logo à tarde para as pessoas saberem.
Até que acordo e vou à casa de banho. E volto feito morto-vivo. 
São 3:12. 
Parece que o meu espírito ainda não voltou para o meu corpo. 
Bem, vou ver se durmo outra vez. 
Mas antes vou avisar no blogue que vou morrer logo ao fim do dia. 



sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Por que é que o António Costa usou Calças de Ganga em Angola?

Porque como a Doutora Cristas, aquela senhora muito competente (que assinou o tratado de resolução do BES sem o ler, e que como se preocupa muito com os pobrezinhos lançou uma lei que previa aumentos de mil por cento nas rendas dos bairros sociais) nos ensinou, são precisamente as calças de ganga, a roupa mais adequada para usar quando vamos visitar os pobrezinhos. É como se fosse uma roupa de trabalho, um equipamento de proteção individual, porque os pobrezinhos sujam muito, e não queremos estragar a nossa melhor roupa, não é?



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Pensamento do dia: Na Empresa Como na Cadeia

deviantart.com

Eu e a minha colega continuamos o trabalho dos últimos dias e das últimas semanas. Ultimamente ir para o trabalho mais parece que vou para um programa de ocupação de tempos livres forçados, ainda que eu preferisse, sem dúvida, ocupar todo o meu tempo de forma livre.

E como na OTF (Ocupação de Tempos Forçados) o tempo livre é muito, há sempre muito em que pensar e muito para conversar durante oito horas.
Os meus dois colegas sonham abrir um negócio próprio. As ideias são sempre muitas, se vingariam ou não é outra questão. E se o meu colega hoje achava que o que ia dar era vender produtos naturais, já a minha colega pensava que o que ia dar era vender cereais americanos.

A determinado momento refleti e comparei a vida numa empresa à vida numa cadeia.

Numa cadeia os presos só têm um objetivo e uma esperança: a liberdade. Muitos até elaboram planos meticulosos de fuga que os possam conduzir à liberdade. A outros resta-lhes esperar, pacientemente, que os dias da pena passem e chegue, finalmente, o dia em que possam sair livremente da cadeia.

Numa empresa, muitos escravos trabalhadores passam os dias a pensar em que negócios se podem meter para sair fora do jugo dos patrões e tornarem-se eles mesmos patrões, para alcançarem a sua carta de alforria. Outros, apesar de muitas vezes saltitarem de empresa em empresa, esperam pacientemente que chegue finalmente o dia em que possam deixar de trabalhar e possam aproveitar os seus últimos dias de vida livres na reforma.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A Nova Faixa Rodoviária para Papás que Vão Levar as Crias à Escola

Dia de hoje, dezassete de Setembro de 2018
Saí de casa à mesma hora de sempre.
Depois de deitar comida às tartarugas, saí, fechei o portão que está cada vez menos branco, e montei no cavalo preto. Liguei os médios e o relógio marcava 7H43
Todos os dias atravesso a estrada nacional Nº1 mais ou menos a quinze minutos de chegar ao trabalho. E há muitas semanas que vinha sendo um sossego atravessar a estrada nacional, bastando para isso chegar ao semáforo e atravessá-lo nos dez segundos enquanto não muda de novo para vermelho.

Mas hoje estranhamente algo se passava. Não conseguia perceber muito bem o porquê mas, setecentos metros antes de chegar ao semáforo tinha uma enorme bicha de trânsito à minha frente. 
(É curioso que sempre se disse, nas rádios e televisões, bicha de trânsito, tal como as pessoas sempre disseram bicha no centro de saúde. Muitas pessoas à nossa frente era uma bicha. Mas de repente, com a inundação de programas brasileiros nas televisões portugueses, de repente, as pessoas começaram a sentir-se inseguras quanto à sua sexualidade, e então higienizaram o português passando a dizer "fila". "Estava uma fila muito grande. E não deixa de ser muito irónico que, as mesmas pessoas que hoje acusam o acordo ortográfico de ceder aos brasileiros, depois sejam as primeiras a deixar de usar as palavras que sempre usaram, para não serem confundidas com os significado dúbios que têm no Brasil).
Estranhamente estava uma enorme bicha de trânsito à minha frente. Teria sido algum acidente? Os carros lá iam andando, a passo de caracol, e eu, ora metia a primeira, ora estava parado, até que finalmente percebi, quando passava pelas várias escolas que estão antes do semáforo, que seria o primeiro dia de escola para muita canalha, pois bem via, algumas mamãs, com as crias ao lado. E depois de ter atravessado o semáforo, e quando atravessava a estrada, tive mesmo que buzinar pois vinha um enorme bando de pré-adolescentes no meio da estrada, tranquilamente como se nada fosse. E eu tenho muito mais pena de atropelar um cão ou um gato, que passar por cima de uma pessoa que parece que anda desgostosa para atravessar uma estrada sem passadeira ou atravessar quando está vermelho para os peões.

Quando eu tinha seis anos e fui pela primeira vez para a escola primária, ia a pé, sozinho, todos os dias. Tinha de andar uns vinte minutos, por estradas de terra batida, subir um monte e andar por um carreiro de cabras até chegar à escola. Quando deixei a escola primária e fui para o quinto ano, passei a andar de transportes públicos, e até ao dia que deixei de estudar, nunca que os meus papás me foram levar à escola. Mas hoje, em pleno século vinte e um, como estamos a criar uma geração de incapazes os papás têm de ir levar os filhinhos à escola. 

E esse simples gesto complica a vida de toda a gente. Há o trânsito normal quando as escolas estão fechadas, e depois há o trânsito quando a escola começa. E é absurda a diferença! 

Ainda estava no carro e tive a ideia genial (mais uma!). Já temos o corredor BUS, onde também podem andar os táxis e as motas, mas agora há algo ainda bem mais importante.

É preciso criar a faixa para os papás que vão levar os filhos à escola de carro. Para que a vida de todos os outros que vão trabalhar fique melhor. 


Tu és uma Pessoa Tarte de Mirtilo?

"Bem, pelo que tenho observado é melhor não saber... e outras vezes não há razão nenhuma para encontrar. 
Tudo tem uma razão. 
Como estas tartes e estes bolos. No final de cada noite... o cheesecake e a tarte de maçã estão todos vendidos. A torta de pêssego e o bolo de chocolate estão no fim, mas fica sempre uma tarte de mirtilo inteira. 
Então qual é o problema da tarte de mirtilo? 
Não há nenhum problema com a tarte de mirtilo, só que as pessoas fazem outras escolhas. 
Não podes culpar a tarte de mirtilo, simplesmente ninguém a quer. 
Espera! Eu quero uma fatia. 
Com gelado? 



My Blueberry Nights / Kar-Wai Wong / 2008

domingo, 16 de setembro de 2018

Separar-nos-emos para que o nosso Amor Sobreviva. Entendes?

"No amor verdadeiro, a comunhão dos corpos realiza-se como o coito das flores, como as bodas dos insetos. Os insetos, que sublimes mestres do amor! É muito mais interessante ver como amam os coleópteros do que as cortesãs, as atrizes, os poetas, os frades, os filósofos e os reis. 
- Sinto-me inteiramente tua! confessava Mélita ao amante. - A minha peregrinação pelo mundo talvez fosse apenas a procura de um homem que me completasse, a procura de ti. 
- Não buscavas a solidão? 
- Há uma coisa mais bela que a solidão: a solidão a dois. Existiam em mim grandes reservas de amor em estado latente; tu foste aquilo que os fotógrafos chamam o líquido revelador. Deixarás um grande traço na minha vida!
- Falas como se tivéssemos de nos separar amanhã.
Amanhã, não; mas breve. O nosso amor foi episódio tão espontâneo e imprevisto na minha vida que não deve alcançar o peso de um vínculo, nem marchar num hábito. 
Separar-nos-emos para que o nosso amor sobreviva. Entendes?






Bem-vindos Às Falsas Promessas do que Seria o Trabalho no Século XXI

Quando eu era miúdo prometiam-nos uma vida muito melhor. Diziam-nos que num futuro próximo as máquinas de escrever iam ser substituídas por computadores e imaginem que até se dizia que o papel iria desaparecer. Infelizmente o papel não desapareceu, e por causa disso temos um país infestado de eucaliptos. Diziam também que iríamos ter de trabalhar muito menos horas por dia e com os computadores até se poderia passar a trabalhar de casa.

As novas máquinas vieram, e hoje, ao contrário de quando era criança, em que basicamente a maioria das pessoas só tinha uma motorizada para se deslocar, hoje, toda a gente tem o seu carro, dois ou mais até, ou pelo menos um para cada elemento do agregado familiar. Hoje, ao contrário do tempo em que era criança, todos já têm o seu computador de secretária ou portátil, têm dois ou três, e todos até têm o seu telemóvel com acesso à internet. A indústria sofreu uma verdadeira revolução e até aí estão os robots para, supostamente, substituir os humanos. Mas afinal, até que ponto a nossa vida mudou verdadeiramente para melhor? A vida mudou realmente para melhor, ou as pessoas passaram a ter de trabalhar muito mais para comprarem as merdas que o capitalismo meteu na cabeça das pessoas não podem sem as ter? 

Pois é. Afinal todas as promessas não passaram de mentiras deslavadas e continuamos a ter de trabalhar de sol a sol, tal como antigamente. Simplesmente já não nos levantamos com o sol com uma enxada na mão para ir cavar. A única coisa que mudou foram os objetos dos escravos trabalhadores. Se antigamente os trabalhadores usavam foices e martelos, hoje vão para a jorna de trabalho (olha o Google nem sabe o que é jorna e sublinha como se fosse erro!) e vão para a jorna dobrar roupa, estar o dia todo, de pé a passar códigos de barras ou de telefone na mão a atender clientes ou a impingir-lhes serviços. As ferramentas foram a única que mudou.

De resto, continuamos a ter que trabalhar de sol a sol, oito horas por dia. Talvez hoje ainda se trabalhe mais, visto que antigamente as pessoas só se levantavam com o sol, e hoje, graças aos carros, já todos poderemos ir trabalhar para bem longe de casa, nem que para isso tenhamos de sair de noite, e percamos duas horas de viagem, todos os dias e viagens essas que os patrões não pagam. Mas depois as pessoas revoltam-se é com a mudança da hora! Se trabalhássemos duas horas de manhã e duas horas de tarde, alguém andava a discutir se era preciso ou não mudar a hora? Andamos sempre a discutir o que não interessa para nada, em vez de exigirmos as mudanças que interessam verdadeiramente. 


Sim, o futuro chegou, a nossa realidade mudou e foi higienizada, e tomamos dois ou três banhos por dia, mas ao contrário do que se pensa, a nossa realidade mudou para pior. Acham que não? Então pensem um bocadinho. Hoje já ninguém se reforma aos cinquenta anos, ao contrário do tempo em que era criança. Hoje, em pleno século vinte e um, vamos ter de trabalhar em prol de outro ser humano, não até aos cinquenta anos mas sim até morremos! Quão espetacular é isso, trabalhar até morrer? E vamos ter de trabalhar até morrer porque não vai haver dinheiro para pagar as reformas. Mas dizem-nos até, como se nós fôssemos muito burros, que é por causa da "esperança média de vida"! Maldita esperança média de vida que deveria era de diminuir para não sermos obrigados a trabalhar, sem forças, até aos setenta anos! E dizem-nos ainda, como se fôssemos muito burros, que temos de fazer muitos bebés para que depois, quando eles crescerem, nos possam pagar as reformas que não vamos ter porque não há dinheiro para as pagar!

Quando eu era criança, maioritariamente só o homem o trabalhava e o dinheiro de uma só pessoa chegava para construir uma casa. Acham que estamos melhor hoje? Hoje quase nenhum jovem terá dinheiro para comprar um terreno e construir uma casa! Antigamente a mulher ficava em casa a tomar conta dos filhos que não precisavam de infantários nem de amas. Eram verdadeiramente educados pelos pais. Hoje são educados por quem? Eu vou ter um filho para quê? Para ter de pagar para os outros o educarem? Antigamente as crianças brincavam livremente, tal como eu brinquei, sem horários, pelo menos até aos seis anos de idade, quando então tínhamos de ir para a escola primária.  

Hoje trabalha o homem, trabalha a mulher e aos seis meses as crianças vão para a ama ou para o infantário que é mais uma despesa no orçamento familiar. As pessoas correm de um lado para outro, as crianças correm de um lado para o outro. As pessoas não têm tempo nem pachorra para se ouvirem. Não têm disponibilidade física nem mental para ainda chegar a casa, depois de um longo dia de trabalho, e terem de fazer as tarefas domésticas, cuidar dos filhos, ouvir os problemas do cônjuge ir para a cama e ainda ter vontade fazer sexo. Temos setenta, repito, 70% de divórcios e as crianças além de correrem de um lado para o outro por causa das dezenas de atividades que os pais agora as obrigam a fazer, têm ainda de correr de casa da mãe para casa do pai por causa da guarda partilhada. E há uma nova geração de gente que cresceu em famílias disfuncionais, que mais não foram que armas de arremesso entre pais e mães. 

A vida supostamente melhor que o século vinte e um prometia, no final de contas, é ser ainda mais escravo do trabalho e ter cada vez menos tempo. É trabalhar mais horas, é fazer mais horas-extra que agora deixaram de ser pagas porque se inventou uma coisa chamada banco de horas, e é trabalhar de noite com menos horas de subsídio noturno (muito obrigado aos senhores Passos Coelho & Paulo Portas), e é, por exemplo, trabalhar sábados e domingos no turismo, que em Portugal está a fazer dinheiro como ninguém faz no mundo, e ter um salário principesco de 620€. Repito: 620€ para trabalhar aos sábados e domingos!!  E é viver num dos países da Europa onde os patrões se aumentam a si mesmos 40%  em três anos, mas onde ironicamente os escravos, perdão, é a força do hábito, onde os trabalhadores (que agora lhes chamam colaboradores) são os menos aumentados da Europa. 

sábado, 15 de setembro de 2018

Emigrantes: Carros de 50 Mil Euros, T-Shirts de 2 Euros

No mês passado, tinha acabado de deixar o segurança do Lidl de Dark para trás e uma meia hora depois já estava no Outlet de Vila do Conde. O parque estava bastante cheio, mas acho que isso é normal. É verdade que lá devo ir duas ou três vezes por ano, se tanto, e sempre que lá passo o parque encontra-se cheio, mas o que não é normal, pelo menos no resto do ano que não Agosto, é ter o parque cheio de carros com matrícula estrangeira, maioritariamente matrículas suíças e francesas. 

Lá dentro nas lojas só se ouvia falar francês. A determinado momento comecei a achar que era o único português naquele enorme espaço comercial. Melhor dito, comecei a achar que era o único português que não estava a falar francês naquele enorme espaço comercial! Ainda assim, quando queriam pedir ajuda às empregadas das lojas, a muito custo, que eu bem vi, lá perguntavam, em português, se tinha outro tamanho ou coisas do género. 

No fim do mês, o Jornal de Notícias até fazia destaque com a notícia que as vendas de Agosto, por causa das compras dos emigrantes, já valem mais que as vendas no Natal, o que não deixa de ser impressionante.  


Entretanto, na oficina do mecânico, estive à conversa com um emigrante na Suiça. Estava lá com uma Volkswagen Transporter para mudar a bateria, coisa que qualquer leigo como eu até sabe fazer. E entretanto o homem gaba-se que enche a carrinha, cheia de produtos como vinho, para levar para lá e vender, e à minha pergunta, se vendia a portugueses ou suíços, responde: "a quem quiser". E que depois cá volta, carrega de novo a carrinha e para lá voltar de novo para vender. Portanto, há compras de produtos a serem feitas cá em Portugal por emigrantes, com o intuito de depois serem vendidos lá na Suíça (ou noutros países também).

Mas tudo isto deixou-me sem dúvida a pensar, pois como diria o camarada Jerónimo, isto não bate a bota com a perdigota. Vamos lá ver uma coisa. Os emigrantes chegam cá a Portugal, em grandes máquinas, carros que devem valer cá, no mínimo de cinquenta mil euros para cima....

... mas depois vão comprar t-shirts a dois euros a um Outlet!
Qual e a lógica disto tudo? Se eu tenho muito dinheiro para comprar um carro de 100 mil Euros, vou ter um padrão de vida condizente com isso, certo? Se eu tenho cem mil euros para dar por um carro, terei muito mais para comprar roupa no país em que vivo, ou não? Por que é que estes emigrantes todos, se vivem assim tão bem como os seus carros querem fazer parecer, parece que passam o ano todo sem fazer compras, para depois cá chegarem a Portugal e desatarem a comprar a torto e a direito tudo que é roupa barata? 

Os Zombies da Comunidade da Esperança


Aqui está a esperança de seis projetos de demolição
Que se estendem até Benning Road
Um bem conhecido "caminho da morte"
Pelo menos foi o que me disseram

Ok, agora é apenas a Cidade-Droga, apenas zombies
Mas isso (como dizia o Guterres) é a vida
Na comunidade da esperança

Capital do Sul é o seu nome
E a escola parece um buraco de merda
Parece-vos um bom lugar?
E aqui a velha instituição psiquiátrica
Agora a base de segurança interna

E na comunidade da esperança
Vão agora aqui construir um grande centro comercial


"The Community Of Hope" / PJ Harvey (2016)