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domingo, 6 de dezembro de 2020

SIC: Tenham Noção a Bem da Informação!


 Sim, é verdade, eu não vejo televisão, mas não é preciso ver televisão para estar minimamente informado do que se passa na televisão. Este foi, de longe, um dos piores anos que me lembro para o jornalismo,  em que a pressa de dizer alguma coisa foi inimiga da verdade, mas se foi um dos piores anos para o jornalismo, foi especialmente mau para a SIC.

O caso mais mediático foi desde logo a capa falsa do New York Times sobre a Festa do Avante! em pleno Jornal da Noite apresentado por Clara de Sousa. A pressa de denegrir o partido de Jerónimo de Sousa, que  este ano foi alvo de uma nojenta campanha por parte dos média não os impediu sequer de fazer a coisa mais simples que se faz no jornalismo, que é, confirmar a fonte, e vai daí apresentam uma imagem manipulada e falsa que corria pela internet!

Outro erro gritante e inadmissível foi quando, em Março, pleno início da pandemia, resolve passar uma reportagem sobre confrontos entre a polícia e as pessoas dando a entender que seria por causa da pandemia e essas imagens eram de 2011!!

Mas ontem à noite acontece o insólito! Dão a morte, sempre de lamentar do jornalista Pedro Camacho mas mostram imagens do Paulo Camacho, ele mesmo ex-jornalista da própria SIC!



Fazer jornalismo não é ir às redes sociais e partilhar a primeira merda que se vê. Nem passar qualquer coisa na televisão sem confirmar primeiro o que se está a fazer. Para isso não precisamos de jornalistas, e se o jornalismo quer ser relevante é bom que não seja ele mesmo a difundir mentiras senão deixa de ter credibilidade. E de facto, infelizmente, o jornalismo de qualidade está cada vez mais em vias de extinção. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

"Mentirosos pela Verdade"

 Depois de termos sabido que nos "médicos pela verdade" não existia um único epidemiologista, mais engraçado ainda é descobrir-se que nos "jornalistas pela verdade" não existe um único jornalista!!

A fonte é da conhecida jornalista da RTP, Rita Marrafa de Carvalho que fez a  seguinte publicação no Twitter:




Posto isto, eu acho que vou criar uma página intitulada "Mentirosos pela Verdade" para mostrar às pessoas todas as mentiras em que precisam de acreditar! Nós, os mentirosos, nós é que dizemos as verdades!

Editado: Recomendo esta reportagem sobre os "jornalistas e médicos pela verdade". Muito elucidativa:



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

As mentiras que se contam na rede

Passava agora pelo Pinterest, site onde por norma vou roubar imagens para ilustrar aqui o blogue (quando não uso as minhas) e deparo-me com esta imagem seguida do seguinte comentário:


"A história: Estas cadeiras foram aqui deixadas para um casamento em 1939 na Polónia. O casamento foi abandonado devido à invasão alemã. Elas foram encontradas novamente depois da guerra com as árvores que cresceram através deles. Todos os anos são repintadas."

A história é enternecedora de facto. "Que bonito" dirá qualquer pessoa. Mas eu comecei a olhar para aquilo e .... quer dizer... Que grande sorte, em cada cadeira nasceu uma árvore. Nenhuma árvore nasceu ao lado, todas acertaram! E depois, para árvores que nasceram nos anos quarenta do século passado, e que têm agora mais de setenta anos, estão umas árvorezinhas muito magrinhas coitadas! 

"Isto não pode ser verdade", pensei.

E não é. Bastou uma breve pesquisa para desvendar o mistério. 

Isto nada mais é que uma obra ( de 2001) do escultor francês Patrick Demazeau "As Quatro Estações de Vivaldi" ao longo da estrada Haut-bois e Faulx em Namur na Bélgica. E muito do trabalho de Demazeau envolve justaposição de móveis e natureza, que simboliza as árvores (que passam a vida de pé) oferecendo assentos para compartilhar com os caminhantes e sonhadores que se deparam com eles: