Mostrar mensagens com a etiqueta conhecer pessoas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta conhecer pessoas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de janeiro de 2022

Não é a Tua Amiga Aqui na Revista?

Sim e não. Sim, é a pessoa que tinha falado, mas não é minha amiga. Em boa verdade até já faz muito tempo que deixamos de falar.  

Anteriormente já tinha aqui falado como as figuras públicas exercem um enorme poder de atração sobre os anónimos. E quem não me conhecer até poderá pensar que eu já tive uma amizade com alguma figura pública ou, pior, que andei envolvido de alguma forma com alguma. Lamento desiludir mas, não! E por isso não há detalhes sórdidos para ninguém!

Contudo, já tive uma pequena amostra quando me deparei com uma cantora, bem conhecida do meio que frequentava e que, muitos anos depois, acabei por ter como colega de trabalho. E a verdade é que, nunca a consegui ver como outra pessoa comum, igual a outro colega. Havia ali sempre uma diferença.

Se eu agora, por algum motivo, começasse a conversar, ainda que na net, com determinada figura pública, não tenho dúvidas que seria sempre toldado pelo fascínio, mais ou menos como a atração que, de noite, os mosquitos sentem pela luz. 

Acredito que para um ~ilustre anónimo como eu, seja sempre uma espécie de troféu ou conquista, mesmo que ninguém saiba. "Eu sou amigo, ou eu relaciono-me ou eu ando a comer a pessoa X". Que fixe que é. Sou o maior! Porque o que vem primeiro não é o conhecimento da índole ou personalidade da pessoa pública mas sim o brilho do mediatismo e o feito de nos relacionarmos com alguém que tem determinado protagonismo e que está muito acima de nós. 

Sim, eu conheci aquela senhora que apareceu na revista. Foi um conhecimento virtual ainda que, a determinada altura, até tenha sido agendado um encontro pessoal que acabou por não acontecer. Foi meramente um encontro casual num local inesperado do éter cibernético que desembocou em conversas e revelações pessoais. 

Fomos trocando conversas entre dois iguais, meros ilustres anónimos e, só bem mais tarde, fruto de a ir acompanhando na sua rede social, comecei a perceber, bem antes das revistas, que se estava a tornar numa figura de destaque mundial. 

Guardo para mim a triste revelação (na minha maneira de ver as coisas) que nunca se apaixonou. Que estava farta de ver as amigas sofrer por causa das suas relações. Então, decidiu nunca se entregar. Começou a pedalar com rodinhas na bicicleta e resolveu nunca mais as retirar com medo de cair. É verdade que assim não corre o risco de cair e aleijar-se, mas também nunca conhecerá a sensação de pedalar livremente. Viver sempre debaixo da cama com medo que a casa um dia venha abaixo também não é viver. É só existir. A dor faz parte da vida, tal como faz a alegria. É legítimo estar sempre na defensiva, mas eu acho triste. Mais triste ainda foi confessar-me que achava que os homens só a viam como um bom naco de carne para foder. 

Deixamos de falar, de forma natural, tal como deixamos de falar com tantas outras pessoas com quem nos cruzamos na net. Como deixamos de falar com os próprios amigos, que estão à distância de um clique na rede social. Também sei que será uma pessoa extremamente ocupada, sempre a viajar de um lado para o outro lado do mundo e a gerir o grupo de pessoas que com ela trabalha diretamente. E depois eu também nunca gostei de sentir que estou a forçar algo. Gosto de deixar fluir.

Fico feliz que esteja a ter muito sucesso porque o trabalho ou o sucesso profissional, e consequente reconhecimento pessoal, é sempre uma componente importante das nossas vidas. Mas mais importante que o brilho dos holofotes, espero que longe deles, a vida pessoal também lhe esteja a correr bem. 

terça-feira, 3 de agosto de 2021

E Quando Não Há Química Digital?


Já sabemos que as pessoas conhecem-se na internet e devem ir logo a correr conhecer-se pessoalmente (ironia). Mas, e quando duas pessoas que se conhecem pessoalmente, sem saber nada do outro, e até se percebe que há interesse de parte a parte,  mas depois começam-se a conhecer no  digital e simplesmente não há química? Ah pois é! Que é que aconselharão os psicólogos neste caso? "Quando está interessado em alguém que conhece pessoalmente, vá logo a correr conhecer as redes sociais da pessoa ou, nunca, mas por nunca, que vá querer conhecer as redes sociais dessa pessoa"? Acho que se calhar vai depende do psicólogo!

A história já tem alguma distância temporal, até porque aconteceu no primeiro verão de pandemia!, mas é rápida de contar. Numa das melhores aplicações de engate que existem (Custo Justo ou OLX!) enontrei-me com uma vendedora a quem comprei uns quinze livros. Ela foi sempre muito simpática. Encontrei-me com ela na estação de comboios e acabamos por ficar a conversar uns quantos minutos porque a conversa começou a ficar muito interessante. Achei-a extremamente culta, e isso cativou-me ainda mais que as boas pernas ou o decote proeminente. Entretanto chegou a hora de pagar e ela não tinha troco. Como me vendeu os livros a um preço simbólico, acabei por a contrariar, que queria ir levantar dinheiro, e dei-lhe cinco euros a mais. "Então depois escolhe mais livros ou dou-lhe a diferença".

Essa ponta solta fez com que acabássemos a trocar mensagens. Tratávamo-nos sempre na terceira pessoa e eu sempre fui (como sou sempre) bastante respeitoso, ainda por cima sabia lá bem eu se a  senhora era comprometida ou não. Ainda por cima tinha-me dito que "estamos a mudar" por isso estava a despachar dezenas, se não centenas mesmo, centenas de livros. E "estamos" é plural, é mais do que um. Mas começou a chegar a um certo ponto que percebia-se que ela estava a ser  muito explícita no interesse - fosse ele qual fosse - na minha pessoa. 

Começamo-nos a tratar tu, a trocar mensagens, mas ela queria ir para um canal de conversação. Tudo bem. Mas coisa já nas mensagens por telemóvel não começou lá a fluir muito bem, e de forma meio despropositada pergunta-me se eu sou sempre assim, "lento" para tudo. Posteriormente percebi que estava bloqueado na rede social que usámos para teclar, durante, sei lá, um dia? Dois? 

Não houvesse tecnologia, provavelmente ia-mos sair, quem sabe até, com algum convívio íntimo e nunca se sabe o que poderia dali acontecer. Assim a senhora foi ver o meu perfil da rede social, fez os seus juízos de valor - "porque é que não gostas dos Estados Unidos" - e, aquilo que até poderia ser uma bela amizade, acabou digitalmente mais depressa que começou, porque, ao que parece, não tínhamos química digital.