Mostrar mensagens com a etiqueta Lei de Karmurphy. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lei de Karmurphy. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de junho de 2020

Cavalo Preto (2008 - 2020)

Quando o vi subir para cima do carro fúnebre foi quase como se de uma pessoa se tratasse. Como se me tivessem arrancado um bocado de mim.
Disse-me uma das pessoas que melhor me conhece, há cinco anos, que eu não me deveria ligar tanto às pessoas, porque depois, mais à frente, isso acabaria sempre por me causar sofrimento. Tem razão. Eu ligo-me demasiado às pessoas e acabo muitas vezes com um sentimento de perda. Mas eu teria que deixar de ser Eu e passar a ser uma outra coisa qualquer para deixar de me ligar tanto às pessoas que deixo aproximarem-se demais. 

https://www.carthrottle.com/
Estes tempos de pandemia não têm sido propriamente fáceis. E o vírus, coitado, não tem culpa nenhuma. Estou em crer que tudo que me tem acontecido teria acontecido na mesma, ainda que noutro cenário. E no mesmo dia que eu disse que, provavelmente ficaria com o meu cavalo preto por muito tempo e não o substituiria tão cedo por outro, eis que aparece o karmurphy para me trocar as voltas e, no meio de não sei quantos azares, o raio do bicho acabar com uma doença terminal. 

Mas há que perceber quando já é tempo de deixar as coisas ir... e eu tinha mesmo que deixá-lo ir. Desta estava decido, não voltaria atrás, e nem sequer autorizei que o ligassem às máquinas ou quis entrar para uma lista de espera para um transplante motor. Autorizei simplesmente que os seus órgãos pudessem salvar outros cavalos da sua raça.

Isto não tem necessariamente que ver com o dinheiro, apesar deste nunca ser de menosprezar e logicamente que isso também me aborrece. Mas tem essencialmente que ver com as memórias que aquele carro carregava. Todos os sítios para onde me levou: da Galiza ao Algarve, de Aveiro a Cidade Rodrigo, de Bragança a Castelo Branco, de Lisboa a Sintra. E as memórias de todas pessoas que se sentaram naquele lugar do pendura... e todas as histórias que passamos juntos. 

Eu ligo-me demasiado às pessoas mas às coisas também. Mas, quem sabe, talvez também os carros um dia reencarnem noutra coisa qualquer e ganhem vida, e, um dia, quando eu também voltar ao que era antes de ser o que sou hoje, quem sabe, ainda nos possamos reencontrar por aí. Até sempre Cavalo Preto.


quinta-feira, 21 de maio de 2020

Lei de Karmurphy

O karma, para quem acredita nas ideias budistas, diz que colhemos o que plantamos, ou seja, se tivermos bons comportamentos e agirmos corretamente para com os outros, seremos recompensados no futuro, caso contrário, se procedermos de forma errada, mais à frente, ou mesmo muito mais à frente no tempo ou até numa outra vida qualquer (reencarnação) seremos punidos. E é então aqui  que o karma entra em cena. Isto também poderia ser traduzido por uma 2a lei de Newton adaptada, uma coisa deste género: quanto pior agires sobre os outros o universo responderá com igual força e igual maldade sobe ti. Só que, cá entre nós que o Buda não nos ouve, é uma pena que tenha que se esperar tanto tempo para poder observar tal reação. Quer dizer, um gajo tem que morrer para depois poder ver o Adolf Hitler nascer cigano, ser descriminado e acabar gaseado pelo André Ventura!

Edward Murphy foi um engenheiro aeroespacial que no século passado acabou por ficar na história por dar o seu nome à conhecida lei de Murphy e consequentemente a muitas outras umas espécies de provérbios em que o mais conhecido começa por dizer que "qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível".

Ora, se juntarmos o karma com a lei de Murphy que temos então: a Lei de Karmurphy. Não me digam que nunca tinham ouvido falar? É provável, acabei de inventar agora e diz o seguinte:

Quando menos esperares, se o karma puder correr mal, correrá mal da pior forma possível no pior momento possível.