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sábado, 3 de maio de 2025

Celebremos Enquanto Podemos!

 Celebremos enquanto temos Liberdade, celebremos enquanto temos imprensa. 

Cartoon de Luís Afonso, hoje, no jornal Público, a propósito do dia mundial da liberdade de imprensa. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

A Felicidade Está no Caminho e Não no Destino

Excelente texto do Miguel Esteves Cardoso, publicado na revista Fugas do Público a 14 de Dezembro deste mês a que deu o título de "Andar atrás da felicidade vale mais pelo andar do que por outra coisa", mas que também se poderia intitular "o vício dos atalhos":


"Um dos piores mas mais compreensíveis vícios humanos é o vício dos atalhos.

Vejo alguém a ler um livro há mais de um mês, a tirar apontamentos e a consultar outros e pergunto-lhe de chofre: “Então, qual é a grande lição desse livro?” Não temos tempo. Não temos vagar. Temos outras coisas para fazer. E é com essas desculpas que passamos a vida à procura de atalhos. Querer um atalho é isto: quero ter o benefício desta coisa, mas não estou disposto a trabalhar por isso. Importas-te de me dar um resumo?

O atalhismo leva à abreviação de tudo. Mas o mal não é esse. É outro, muito mais daninho.

Quando vemos que uma coisa traz felicidade a alguém, queremos logo experimentar essa coisa, com a ideia que também nos pode trazer felicidade. Alguém está a gostar dum livro, duma cidade, duma pessoa? Vou já experimentá-la, a ver se me traz felicidade também. Mas não é o nome do livro que interessa: é como se chegou lá.

Como é que eu o encontrei? Quanto tive de procurar? Que critérios empreguei? Que livros li antes?

É o velho problema: há, de facto, livros para cada um de nós, em cada altura das nossas vidas. Mas como encontrar os livros certos para cada pessoa?



Claro que tudo é subjectivo e que é impossível adivinhar o gosto de cada um, mas isso não pode servir para fingir que o problema não existe - e que há livros e pessoas e filmes e países que são bons para toda a gente, e que toda a gente deveria conhecer. Não há. Nunca houve. Nunca haverá.

A verdade é que tem de ser cada um a procurar o que gosta. Só procurando se encontra o que nos faz felizes.

Mas o procurar não é um meio - é o fim em si. É o procurar que nos prepara para o prazer, não só de encontrar, mas de conhecer.

Ao tentarmos fazer atalhos, não estamos a perder o prazer do caminho. Isso é um lugar-comum. Na verdade, o caminho é quase sempre uma chatice, como em qualquer viagem.

Para já, tornamo-nos cada vez melhores como procuradores. Quanto mais coisas boas achamos, melhor percebemos o que procuramos, e queremos, e precisamos.

É por isso que não basta apanhar o que outros encontraram. Sim, a coisa pode ser muito boa só por si, mas falta o caminho que foi preciso fazer para lá chegar.

Em Manchester conheci um velhote, sempre impecavelmente vestido, que tinha ficado viúvo muito novo e que andava à procura de uma segunda mulher. Em vez de desistir, como tinham feito os amigos dele, estava sempre catita, pronto para o que desse e viesse. É isso que devemos fazer, quando a felicidade se faz tardar: estarmos sempre disponíveis, estarmos sempre prontos para ela.

Não há atalhos: apenas preparações. Para se ser feliz, é preciso estar à mão. É preciso gostar do dia-a-dia de quem está pronto. É preciso manter as estrelinhas nos olhos. Tanto faz vir na forma de uma pessoa ou de um disco, ou de outra alegria qualquer.

Estar pronto é procurar.

Procurar é o que mais se aproxima da felicidade. Como a felicidade é passageira, e incerta, e, às vezes, nem sequer aparece, o procurar é o que fica, o procurar é aquilo em que se pode confiar.

Se calhar, até nem precisamos de ser felizes. Precisamos é de estar distraídos. Se calhar, a verdade da vida é sempre muito triste, e não somos feitos para a aguentar.

É procurando que nos distraímos mais. Roubar o que os outros encontraram é roubarmo-nos a nós mesmos.

Ficamos com as felicidades dos outros - que nunca cabem, que nos ficam sempre mal - e, acima de tudo, ficamos sem a coisa que mais graça tinha, que era a procura. Que era o procurar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Este Ano o Pai Natal Não Veio


 Não, filho, o Pai Natal este ano não veio. Como é estrangeiro foi apanhado numa rusga da PSP preparada há meses pelo governo e foi mandado encostar a uma parede. Como trazia muitas prendas, a esta hora ainda estão a revistá-lo a ver se conseguem encontrar um perigoso X-Ato para depois fazerem uma conferência de imprensa a mostrar que estamos todos muito mais seguros. 

sábado, 30 de novembro de 2024

Nesta Black Fraude Comprei Jornalismo de Qualidade

 Na importada Black Fraude lá dos states, não comprei nenhum bem físico. Comprei informação, crónicas e reportagens. Comprei jornalismo, que considero de qualidade. Decidi assinar o jornal "O Público" por 1€ por semana. 



Agora já poderei ler o Miguel Esteves Cardoso, o Pacheco Pereira ou a Ana Sá Lopes (mais aqueles que espero descobrir) bem como posso fuçar em todo o arquivo do jornal...

E, ainda que Mark Twain tenha escrito que se leres jornais estás desinformado