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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O Pernas de Alicate e o Max Cavalera do Ténis de Mesa

No ano passado tinha ido à final, mas hoje, se quisesse passar a fase de grupos tinha de vencer o atleta seguinte já bem meu conhecido. Mas fui para a mesa a pensar em quem seria aquele atleta de 47 anos que antes deste jogo se aproximou de mim e disse: "nós conhecemo-nos mas não sei se onde, tu até me apresentaste uma banda portuguesa...", e depois mostra-me uma foto de uma demo de 99 de uma antiga banda de Lisboa, os Te Deum da Cristina Lopes. Sim, de facto, ele não estaria enganado porque eu conheci bem de perto os Te Deum...

Peguei na bolsa da raquete, na toalha e na garrafa e lá fui para o jogo. Entrei totalmente desastrado. No primeiro set até falhei 3 serviços... "Ele tem olhos azuis mas aquele maxilar e aqueles dentes não me são estranhos. Ele disse que nos teremos conhecido nos anos 90... Já sei! É o Pernas de Alicate! Tinha um cabelo comprido, muito loiro e usava uma t-shirt de Lacrimosa! À boca pequena davam-lhe esse nome porque usava calças elásticas muito coladas às perninhas finas. Como é que eu o poderia reconhecer agora, sem cabelo e muito mais gordo?

O meu adversário estava a jogar mal mas eu não estava ali de todo, estava bem longe a pensar de onde conhecia este desconhecido que me tinha abordado. Ele era da turma de gestão de redes e eu de automação e robótica. Era dali que nos conhecíamos. De certeza! Perdi 3-0 mas fui ter com ele contente, tinha vencido o desafio de o encontrar na minha memória! Disse-lhe de onde nos conhecíamos e ele confirmou logo!

Casou e engordou bastante. "Tu continuas na mesma", disse-me. Claro, não casei mantive o mesmo peso, pá! "Espera, vou já ligar à minha mulher para me divorciar"! Trocamos números de telefone. Claro que não tem redes sociais. É engenheiro informático e sabe bem a merda que são. Esteve no Twitter mas, tal como eu, saiu mal o Musk comprou a rede social. Usa as redes sociais russas, mas eu disse-lhe que estou no Bluesky e aliciei-o a ir dar uma vista de olhos. 

Ele teve um esgotamento e a psicóloga aconselhou-lhe desporto. Tal como eu também não gosta de ginásio e certo dia a ver os Jogos Olímpicos viu ténis de mesa e lembrou-se como gostava de jogar na escola e inscreveu-se num clube da Maia. 

Paralelamente a esta aparição e reencontro, curiosamente, um outro adversário nosso conhecido, e atleta do clube organizador, é vocalista de uma banda que eu inclusive vi, há muitos anos, aqui na minha terra! Ele arbitrou o meu primeiro jogo e disse-lhe que o meu colega de clube o tinha reconhecido. Ao que ele responde que seria natural porque veio ao nosso torneio. Não, ele reconheceu-te da banda que és vocalista! 

No ano passado fui à final deste torneio. Desta vez nem passei da fase de grupos. Mas foi espetacular na mesma!

sábado, 4 de outubro de 2025

O Erro de Paulo Futre Sobre a Vinda de Charters de Chineses


Campanha eleitoral de 2011 no Sporting. A dois ou três dias da votação, Paulo Futre tem uma conferência de imprensa, em que diz que o Sporting tem que ir buscar o melhor jogador de futebol chinês porque "vão vir charters de chineses" para o ver jogar.

A ideia não foi assim tão descabida. Só que, o erro do Futre foi querer ir buscar o melhor jogador chinês de futebol. Ora, como qualquer pessoa esclarecida sabe, o futebol não é o desporto rei dos chineses. A modalidade preferida dos chineses é o ténis-de-mesa!

Atentemos no que aconteceu por estas semanas, quando um clube que está no terceiro escalão do futebol da Alemanha - mas que tem uma equipa forte de ténis de mesa - foi buscar o melhor jogador chinês. A reportagem é de um jornal alemão de desporto que traduzi:

"Invasão chinesa em Saarbrücken"

Isto nunca tinha acontecido no 1. FC Saarbrücken! O clube é conhecido sobretudo pela sua secção de futebol, que milita na 3.ª Liga. Mas agora tem um campeão olímpico com milhões de fãs: na equipa masculina de ténis de mesa joga o chinês Fan Zhendong (28).

Durante muito tempo foi o número um do mundo e campeão mundial de singulares por duas vezes – e provocou em Saarbrücken uma autêntica invasão chinesa!

Normalmente, os jogos em casa contavam com cerca de 500 espectadores. Desta vez, os primeiros encontros na Joachim-Deckarm-Halle, com capacidade para 1880 adeptos, esgotaram. “E ainda poderíamos ter vendido pelo menos o dobro dos bilhetes”, afirma o diretor desportivo Nicolas Barrois (35).

Estão previstos jogos pontuais na maior Saarlandhalle (3500 adeptos) – como no dia 21 de dezembro contra o Borussia Düsseldorf.

Também nas gameboxes (lugares anuais) o clube vive um boom: “Normalmente vendemos entre 20 a 50 por temporada”, diz Barrois. “Desta vez, em apenas dois dias, foram 500. Entre 90 e 95% foram para a China.”

Lá, Fan é uma superestrela que precisa de proteção policial. Os seus fãs aproveitam agora a oportunidade para o verem na Alemanha, em pavilhões mais pequenos.

Curioso: a maioria dos chineses, apesar de terem lugar anual, só assiste a um ou dois jogos. “Se alguém gasta 3000 euros num voo, também investe os 200 euros no passe de época para garantir que vê o Fan”, explica Barrois.

Montes de correspondência de fãs chegam a Saarbrücken. “Ainda nem conseguimos abrir tudo, vamos tratar disso na pausa de inverno”, acrescenta Barrois. Também as vendas de camisolas dispararam: em dois meses, Saarbrücken vendeu tantas como normalmente ao longo de toda uma época.

Isto é importante para o clube, já que os jogadores estrela recebem salários de seis dígitos na Bundesliga. Mas parece que o investimento está a compensar.