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domingo, 11 de setembro de 2022

Conversas Improváveis (72) - Luta de Classes: O Padre e o Coveiro

 Desta última vez que fui com a minha mãe ao cemitério visitar a moradia onde vivem os meus avós e o meu pai, acabamos como é normal a falar também com algumas pessoas que por ali estavam, ainda por cima porque tinha morrido uma pessoa cá na aldeia, e até falamos com o novo coveiro e a senhora que também limpa o cemitério. 

O cemitério é um reflexo da sociedade em que vivemos. A permanente ostentação e opulência mesmo depois de mortos. Morre-se, enterra-se e fica um monte de terra com uma cruz. Mas isso não é suficiente! Tem que se meter uma grande pedra por cima (se calhar têm medo que o morto fuja, não sei!) e colocar umas estatuetas grandes e caras!, para mostrar que não é qualquer um. E o parecer. Parecer que gosta muito de quem morreu, indo muitas vezes ao cemitério colocar flores e velas, mesmo que em vida se tratasse a pontapé ou ignorasse completamente (e penso, por exemplo, como os filhos do meu padrasto o tratarão depois de morrer). 

Até que a conversa chegou a um ponto em que se falou do valor que o padre cobra para fazer o enterro (e não faço ideia se aumentou por causa da guerra na Ucrânia!) mas deve andar entre 100 e 150€. 

O coveiro que é alto e corpulento e mais jovem do que eu diz: 

"O padre vem aí e leva cento e tal euros e eu que tenho que dar cabo do corpo a trabalhar levo uma miséria".