Estávamos à mesa e a minha mãe olhava lá para fora. Reparou nos malmequeres na beira da estrada e comentou que na altura dela como não havia brinquedos fazia os seus próprios brinquedos, e um dos entretenimentos era fazer colares de malmequeres. Pegava-se num fio e iam-se passando as flores até o transformar num colar amarelo.
E é curioso que também eu recordei que os colares de malmequeres ainda se fizeram quando eu era criança. E uma geração depois também eu não tive grandes brinquedos, porque não havia brinquedos para os ter. Eu não tive sequer uma bola de futebol. Tive alguns brinquedos sim, que recebi e que eram dos primos da Maia, família que já se poderia considerar classe média, e ainda por cima os meus tios depois acertaram na lotaria e receberam dinheiro que deu para comprar uma boa vivenda.
E também eu, ainda por cima cima porque sou filho único, sempre tratei de arranjar as minhas próprias brincadeiras, fazer os meus próprios brinquedos e sempre arranjei forma de me divertir, mesmo sozinho.