segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Quando a Caminhada Fica Dura Só os Duros Continuam a caminhar


Foi em 2016 que fui, com os meus colegas e patrões, fazer uma instalação na empresa Martifer. Naquela fábrica produziam-se aqueles postes com ventoinhas gigantes para a produção de energia eólica.

Nunca soube ao certo o comprimento da fábrica, não e que fosse propriamente muito, mas entre o colega arquiteto e o patrão aquilo deveria andar em torno de 700-900 metros de comprimento. 

Não é que fosse muito (há fábricas muito maiores) mas, para ir de um lado ao outro fazia-se a pé entre um quilómetro e meio e dois quilómetros! Os técnicos da manutenção, por exemplo, deslocavam-se lá dentro de bicicleta! Ainda que, muitas tinhas os pneus furados por causa das limalhas no chão. Se calhar hoje em dia deslocam-se de trotinete! Eu, comecei a deslocar-me de porta-paletes, usando-o tal e qual um skate ou trotinete (não elétrica) e posteriormente de empilhador. 

As regras de higiene e segurança para lá entrar eram rigorosas e tinha que ser. Acidentes mortais iam acontecendo com o manuseamento de cargas e era obrigatório entrar lá dentro com botas de biqueira de aço. Eu levei umas botas da empresa que havia para lá, mas ainda por cima, era um ou dois números acima do meu. Coitadas das minhas pernas e pés a fazer tantos quilómetros naquela fábrica.

Já na altura me lembrei das minhas queridas Doc Martens, que, em tempos, usava 365 dias por ano. Fizesse muito frio, chuva ou muito calor, era o que eu usava. Sempre! Houve um interregno na altura em que, com 23 anos comecei a ter aulas de condução. E eu achava que, com umas sapatilhas, conseguiria sentir melhor os pedais. De resto, eram extremamente confortáveis, e tanto me acompanhavam para as aulas como nos concertos de Heavy Metal, ainda que, nesse tempo, basicamente a indumentária cavernosa era sempre a mesma! 

E já na altura tinha pensado: e se eu arranjasse umas botas usadas para estes trabalhos pontuais da empresa? Isso é que era! Mas  tempo foi passando e acabei por nunca comprar nada.

E a verdade é que já nem estou mais nessa empresa e acabei mesmo por comprar umas novas Doc, que até são usadas. Não sei se a algumas pessoas chocará comprar calçado usado, a mim não me choca minimamente, até porque, desde pequeno fui sempre habituado a usar roupa e calçado usado, proveniente de outras  pessoas. Chocava-me mais dar 200€ por umas Doc Martens novas!

Não sei se é crise de meia-idade ou síndrome de Peter Pan. Mas o que me interessa é que estou contente com as minhas novas Doc Martens!

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