domingo, 9 de fevereiro de 2014

Censura ao vermelho

É curioso analisar como, quarenta anos depois da queda da ditadura fascista, o respeitinho ainda está bem presente nas cabecinhas dos jornalistas. Não é preciso um censor riscar o que está mal, pois os jornalistas fazem-no muito bem sozinhos, auto-censurando-se a si mesmos.

Nos tempos da ditadura, o vermelho foi banido, por ser também a cor do socialismo soviético, e ser também a cor dos revolucionários, da luta, dos subversivos, anarquistas, etc. No fundo, o vermelho é a cor da liberdade. Até o lápis que os censores usavam para sublinhar, riscar, tudo o que a comunicação social não poderia noticiar, por poder ser nefasto à ditadura, era um lápis azul. E na altura, a comunicação social, foi obrigada a utilizar a palavra encarnado, para se referir ao Benfica, de modo a que não se conjugasse a palavra vermelho com vencedor. 

Mas é muito curioso que apesar de no 25 de abril tudo que era relacionado com o ditador ter sido destruído, e até a ponte Salazar mudou de nome, mas quarenta anos depois, afinal vê-se que, nas cabecinhas de muita gente, o respeitinho pelo ditador fascista ainda é muito bonito e continua bem presente.

Vejamos um exemplo mais do que evidente disso mesmo. No mesmo site, no mesmo dia, a TSF diferencia muito bem as coisas.

O Alerta da meteorologia para hoje é Vermelho:


O Benfica é de outra cor! Vai que o homem ainda se levanta da sepultura se disserem que é vermelho!


Nem quarenta anos depois porquê? Alguém me consegue explicar? Jornalistas de trazer por casa.

E agora deixo aqui uma música, especialmente dedicada ao nosso ditadorzinho da merda, que deve estar a arder, no vermelho do inferno! Salazar, abre os ouvidos, esta é só para ti:


Vermelho, Vermelhaço, Vermelhusco, Vermelhante, Vermelhão

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