segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Do Ter e do Ser

Há muito que me deixei de grandes discussões na internet, seja em fóruns ou até em blogues, porque já cheguei à conclusão, que não vale a pena estar-mo-nos a chatear e a esgrimir argumentos com pessoas que muitas vezes nem conhecemos. 

Mas ontem deixei um comentário, num blogue, onde outrora comentava assiduamente, mas que fruto do aborrecimento em que se tornou para mim, deixei de o fazer, porque em que a maioria dos bloggers de serviço, ou escreve sobre política ou então sobre consoantes mudas ou a falta delas. O post em questão "Da importância do Ter" fez-me responder argumentando em sentido contrário ao da autora:

"Pois eu felizmente, não recebo mensagens nenhumas sobre ter ou ser, nem durante o ano, nem em dezembro. Devo certamente andar por espaços binários da internet diferentes dos vossos. Quanto ao ser e ao ter, discordo absolutamente de vocês.
Eu estou-me a cagar para a merda do espírito de Natal, mais a anexação diabólica que a igreja católica fez de uma festa pagã.
E estou-me também a cagar para a moda da caridadezinha, que essa sim, que se multiplica mais rapidamente em dezembro que a junça num campo agrícola.

Mas voltando ao ter e ao ser. Eu vejo tanta gente que tem tanto, dinheiro claro, mas tanto, mas continua tão infeliz, quase sempre por não conseguir ter ainda mais. E lembro-me sempre das palavras de uma ex-namorada, que me dizia há muitos anos: “Sabes, era tão feliz quando era criança, vivia num barraco, e tinha de tomar banho numa bacia pois nem casa de banho tinha. Hoje temos uma grande vivenda nossa, toda bonita, o meu pai ganha muito dinheiro, e não me sinto feliz. Não tenho afeto e agora ele só pensa em ter mais dinheiro”.

Pois é.


E lembro-me também do retrato que o meu colega de trabalho me fez, ainda há semanas, da estada recente que teve em África. Ver quem nada tem e como estranhamente parecem felizes. Mas como é que isso pode então ser? Aqui temos eletricidade, água canalizada, telemóvel, internet, televisão, etc etc etc, e andam todos tristes e deprimidos, basta olhar para os rostos fechados das pessoas na rua. Se calhar a depressão generalizada advém da falta do ter.

Pois é."

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