domingo, 24 de maio de 2020

Um Bando de Ratos Com as Mãos Cheias de Sangue


Em Portugal, pouco antes da pandemia (que abafou todos os outros assuntos) os jornalistas portugueses só agora tinham descoberto, graças às revelações de Rui Pinto, que Isabel dos Santos era uma grande ladra - como lhe chamou em direto Ana Gomes. Antes disso eram só entrevistas a mostrar como era uma grande empreendedora!

No Brasil, os jornalistas, que tudo fizeram para retirar do poder Lula e Dilma para lá colocar lá uma figura de direita, erraram na quantidade de pólvora, como diz no vídeo o nosso conhecido José de Abreu, e acabaram por colocar no poder um verdadeiro ditador filho da puta. Mas agora, todos esses jornalistas mostram-se muito surpreendidos quais Madalenas arrependidas! Muito surpreendidos quando todos já conheciam bem a figura de Bolsonaro e ainda por cima quando ele disse ao que vinha! Agora, que está quase instalada uma ditadura no Brasil, em que o próprio presidente diz que interfere na justiça para não se prejudicar nem prejudicar a própria família, agora é demasiado tarde para arrependimentos. Agora, os ratos abandonam o navio mas com as mãos cheias de sangue.  

Cá em Portugal temos outro grande filho da puta, apoiado pelos mesmos média, pelas mesmas igrejas evangélicas, associado a grupos de criminosos de extrema-direita, com as mesmas ideias racistas e xenófobas, que quer aplicar as mesmas leis para que os ricos paguem menos impostos e para meter ainda mais o pé no pescoço dos mais pobres. 

Muitas pessoas dizem que não devemos falar nele para não lhe dar publicidade. Pois eu acho precisamente o oposto: é mostrar o grande filho da puta que ele é, as suas contradições, o seu discursos racista, xenófobo, é mostrar bem para toda a gente veja e que depois não diga que não sabia o grande filho da puta que ele é. Se uma só pessoa que seja parar para pensar e ganhar anticorpos já terá valido a pena. 

Grande José de Abreu. 

Ninguém Pode Compreender Aquilo Que Não Sente

Acendeu um cigarro e continuou com o livro. Bateram à porta. Philip ergueu-se e foi abrir: era Elinor.
- Que tarde! - exclamou ela, atirando-se para uma cadeira. 
- Então que novidades me contas de Marjorie?
- Novidades? Nada que se pareça com isso... - disse Elinor num suspiro, enquanto tirava o chapéu. -A pobre criatura está insípida como sempre. Mas lamento-o sinceramente. 
- Que lhe aconselhaste?
- Nada. Que queres que ela faça? E Walter? - perguntou Elinor por sua vez.  - Achaste ocasião para fazer de papá severo?
- De papá semi-severo, digamos... Consegui que ele se fosse instalar em Chamford com Marjorie.
- Conseguiste? Foi um verdadeiro triunfo!
- Não tanto como julgas. Não tive inimigo contra quem combater. Lucy parte para Paris no próximo sábado .
- Esperemos que ela fique por lá... Pobre Walter!
- Sim, pobre Walter... Mas eu tenho que te falar dos diabos-marinhos.
Falou-lhe. 
- Um dia destes - concluiu - preciso escrever um Bestiário moderno. Que lições de moral! Mas dize-me, como achaste Everard? Tinha esquecido completamente que o tinhas visto.


- Não podias deixar de esquecer... - retorquiu ela desdenhosamente. 
- Achas? Não sei porquê...
- Não, não sabes. 
- Estou esmagado sob o peso do teu desdém - disse Philip com uma humildade fingida.
Houve um silêncio.
- Everard está apaixonado por mim - disse por fim Elinor, sem olhar para o marido, e com uma voz perfeitamente calma e fria. 
- Mas isso é novidade? Julguei que fosse um velho admirador. 
- Mas é a sério - prosseguiu Elinor- Muito a sério. - Ela esperava ansiosamente os comentários do marido. Estes vieram, depois de um curto silêncio. 
- Isso já deve ser menos divertido...
No fim de contas Philip não era um tolo. Ou talvez compreendesse muito bem e estivesse apenas a fingir o comentário; talvez estivesse mesmo secretamente contente com os sentimentos de Everard. Ou era então simplesmente a indiferença que o tornava cego? Ninguém pode compreender aquilo que não sente. Philip não podia compreendê-la, porque não sentia as coisas como ela. Estava confiante na crença de que as outras pessoas eram tão razoavelmente mornas como ele. 
- Mas gosto dele - afirmou Elinor em voz alta, fazendo uma derradeira tentativa desesperada para arrancar do marido pelo menos um simulacro de demonstração de amor. Se ao menos ele se mostrasse ciumento, ou triste, ou zangado, como ela seria feliz, como lhe ficaria reconhecida por isso!
- Gosto muito de Webley - continuou Elinor. - Há alguma coisa de muito atraente. Aquele seu carácter apaixonado, aquela violência...
Philip pôs-se a rir:
Exatamente o irresistível homem das cavernas, hem?
Elinor ergueu-se com um pequeno suspiro, pegou no chapéu e na bolsa e, inclinando-se para o marido, beijou-lhe a testa, como para lhe dizer adeus; depois afastou.-se e, sempre sem dizer palavra, subiu para o quarto.
Philip tornou a abrir o livro que tinha abandonado. Leu;
"Benellia viridis é um verme verde, não muito raro no Mediterrâneo. A fêmea tem o corpo da grossura aproximada de uma ameixa, munida de um apêndice proboscidinano em filamento, bífido na extremidade, fortemente contráctil, e que pode atingir os dois pés de comprimento. Mas o macho é microscópico, e vive no que pode ser denominado o conduto reprodutor (nephridium modificado) da fêmea. Não tem boca a alimenta-se unicamente do que absorve parasitariamente através das suas superfícies ciliadas..."
Mais uma vez Philip largou o livro. Ficou a pensar sobre se devia ou não subir e falar a Elinor. Estava convencido de que ela nunca chegaria a amar realmente Everard. Mas talvez ele, Philip, não devesse ter a coisa como muito certa. A mulher parecera-lhe um pouco transtornada. Talvez esperasse que ela lhe falasse, que lhe dissesse do seu amor e de quanto ficaria infeliz - e furioso - se ela deixasse de o querer. Mas eram estas precisamente as coisas mais impossíveis de dizer. Finalmente decidiu não subir. Ia esperar para ver... transferia para outra ocasião. Continuou a leitura sobre a Bonellia viridis.

Capítulo XXI / Contraponto (Point Counter Point) - Aldous Huxley (1928)

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Número De Infectados Pelas Ideias do Chega Continua a Subir

"Seguimos agora em direto para a Direção Geral de Saúde onde a Doutora Graça Freitas se prepara para fazer um importante anúncio:

Dinheiro Vivo
Muito bom dia. Bom, como sabem a DGS está a realizar testes serológicos à população em geral mas especialmente aos taxistas e aos veteranos do Ultramar e a conclusão preliminar é a de que, o número de portugueses infetados pelas ideias do CHEGA de André Ventura poderá ser dez vezes superior ao registado. 

- Dra Graça Freitas, como é que isso isso possível se o CHEGA só foi fundado há menos de um ano?

Bom, na verdade há estudos que dizem que as ideias já circulam entre nós, pelo menos desde 1933, e foram feitas análises ao bolor de algumas propostas do senhor André Ventura, e a datação por carbono14 aponta para a década de trinta ou para o período jurássico da era mesozóica e as ideias nunca foram erradicadas, ao contrário da poliomielite e das calças à boca de sino. 

- E haverá uma vacina em breve?

Bom, há ensaios clínicos a decorrer cujos resultados iniciais são promissores. Houve oito pessoas a quem foi dado a ler um livro de história e todas elas desenvolveram anticorpos contra o André Ventura ao fim de duas páginas. Portanto vamos ter esperança, esta bem?

- E a hidroxicloroquina não resulta?

É prematuro dizer. Eu preço-vos que não tomem isso, a não ser que estejam a ficar com alergia aos Gipsy Kings ou às trivelas do Quaresma. Está tudo, muito obrigado a todos e eu volto amanhã com novos dados e uma nova pregadeira. 

PORTUGALEX 21 DE MAIO / 2020

* há coisas que a Patrícia Castanheira escreve (não faço ideia quem seja) absolutamente geniais. Não é possível escrever todos os dias coisas geniais, há coisas que resultam melhor que outras, mas há episódios como este absurdamente geniais. Logicamente que a interpreção dos atores Manuel Marques e António Machado também ajuda, mas há que valorizar a pessoa escondida dos holofotes, que escreveu e permitiu que os atores brilhassem.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Lei de Karmurphy

O karma, para quem acredita nas ideias budistas, diz que colhemos o que plantamos, ou seja, se tivermos bons comportamentos e agirmos corretamente para com os outros, seremos recompensados no futuro, caso contrário, se procedermos de forma errada, mais à frente, ou mesmo muito mais à frente no tempo ou até numa outra vida qualquer (reencarnação) seremos punidos. E é então aqui  que o karma entra em cena. Isto também poderia ser traduzido por uma 2a lei de Newton adaptada, uma coisa deste género: quanto pior agires sobre os outros o universo responderá com igual força e igual maldade sobe ti. Só que, cá entre nós que o Buda não nos ouve, é uma pena que tenha que se esperar tanto tempo para poder observar tal reação. Quer dizer, um gajo tem que morrer para depois poder ver o Adolf Hitler nascer cigano, ser descriminado e acabar gaseado pelo André Ventura!

Edward Murphy foi um engenheiro aeroespacial que no século passado acabou por ficar na história por dar o seu nome à conhecida lei de Murphy e consequentemente a muitas outras umas espécies de provérbios em que o mais conhecido começa por dizer que "qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível".

Ora, se juntarmos o karma com a lei de Murphy que temos então: a Lei de Karmurphy. Não me digam que nunca tinham ouvido falar? É provável, acabei de inventar agora e diz o seguinte:

Quando menos esperares, se o karma puder correr mal, correrá mal da pior forma possível no pior momento possível.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Amizade Entre Mulheres é Apenas Uma Trégua Nas Hostilidades

Cá em casa dos mais pais, antes de jantar, e até há pouco tempo, a televisão estava sempre ligada no Preço Certo, mas desde que apareceu o programa dos "agricultores" que não sai do mesmo canal. E é o único bocadinho de televisão que vou vendo. O programa é uma terrível seca e aborrecimento. Se na segunda-feira estão à mesa no pequeno-almoço no episódio de sexta-feira ainda estão à mesa só que ao jantar. E durante todos os outros dias repetem e repetem e repetem sempre as mesmas coisas. 

Mas botar o olho no programa deu no entanto para perceber algumas coisas. Desde logo como é ser agricultor em Portugal. Percebi que a maioria dos agricultores passam montes de tempo a passear, mormente a cavalo mas também de carro e gostam muito de conversar, mas abrigados do sol, pois quase todos os concorrentes apresentam uma tez tão queimada do sol como a Branca de Neve! 

Mas, tudo bem, aquilo é um programa de engate e os agricultores têm que conversar para ver se arranjam par, ainda que, na maior parte das casos não parece que eles queiram encontrar o amor, mas sim querem só encontrar uma companhia que os ajude no negócio e isso não é desde logo um bom princípio. 

E eu não percebo muito bem as regras e a orgânica do programa, mas sei que há uns agricultores a quem lhes calhou duas cabras, perdão, duas mulheres, enquanto a outros calhou três, e a agricultora até teve logo direito a quatro homens! Mas uma coisa salta logo à vista: a forma como os concorrentes se tratam entre si. Não há nenhum agricultor que tenha mulheres em casa e em que não haja intrigas, manipulação, chatices e discussões ou choro. Já a agricultora tem quatro marmanjos em casa cheios de testosterona, mas estão sempre na galhofa e divertidos entre si. Por estes dias apanhei até uma parte em que a agricultora teria que mandar um dos convidados para casa e um dele diz em jeito de desabafo: "ou saímos todos ou não sai ninguém". 

E é isto que eu nunca consegui entender nas mulheres, este comportamento de quem parece estar sempre a marcar o território, sempre na defensiva, com uma agressividade latente quando outra mulher está por perto.

O título desta publicação é de Rivarol, um escritor francês do século dezoito. Não podia ser mais atual. 

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Para a Secção Política da Estante

Recebi por estes dias mais uns quantos livros, e em minha defesa dizer que custaram todos dois euros cada um, e se calhar só o valor de mercado dum deles paga os outros todos, ainda por cima porque, por coincidência (e não que eu ligue especificamente a isso) mas quando os recebi reparei que são quase todos primeiras edições. 

Quatro livros sobre duas das figuras mais importantes na luta contra da ditadura de Salazar. Dois volumes "Andanças para a liberdade" de Camilo Mortágua:


Entre os inimigos de Salazar que lutaram de armas na mão contra o Estado Novo destacam-se dois homens: Camilo Mortágua e Hermínio da Palma Inácio – os últimos revolucionários românticos. A eles se devem os golpes mais espectaculares que abalaram a ditadura. Mas a história da acção directa contra o regime há-de reservar a Camilo Mortágua um capítulo muito especial, pela sua perseverança na luta, ao longo de mais de vinte anos, iniciada, em Janeiro de 1961, com a participação na Operação Dulcineia, comandada pelo capitão Henrique Galvão – o desvio do paquete português «Santa Maria» – e prosseguida com o assalto ao avião da TAP, em Marrocos, no mesmo ano, e com a LUAR, de que foi um dos fundadores, até ao 25 Abril.

E dois livros sobre o general sem medo Humberto Delgado que proferiu, provavelmente, uma das frases mais célebres na política do século vinte português. Na campanha para as presidenciais de 1958, quando perguntado sobre o que faria em relação ao Presidente do Concelho (Salazar) caso as vencesse, respondeu: "Obviamente demito-o". Depois foi, como se sabe, assassinado a mando do nosso ditador.


sábado, 16 de maio de 2020

Malditos Ciganos Que Vivem à Custa da Teta do Estado


Relacionar-se Com Um Jardineiro Aprende-se Mais do Lendo Marx


"E não fazer as coisas simplesmente porque as pessoas dizem que é bom. Eu faço porque eu estou a fim de fazer. 

Não é crise do ego. É a crise do Eu, que é uma coisa muito diferente. 

Na troca aprende-se muito mais que no isolamento. 

Às vezes, no simples relacionar-se com um jardineiro aprende-se mais do que lendo Marx. Se você for fundo, conversando com um jardineiro que está arrumando o seu jardim você aprende muito mais do que lendo "O Capital". Porque aí não é a teoria, é a prática. 

Está muito difícil viver. Deve ser um sinal que está meio acabando esta era. 

Se a gente não fazendo mal a ninguém já está fazendo um grande negócio, porque hoje em dia as pessoas só fazem mal às outras. 

Não foi para isso que a gente veio ao mundo. Não foi para isso que este planeta foi criado. Ainda dá para fazer alguma coisa. Mas tem que fazer. 

Está tudo errado. A gente tem que perder tempo, sim. A gente tem que se envolver. A gente veio para o mundo para contribuir para o bem. Tem que trabalhar para o bem. Não é responsabilidade do governo, da polícia. Não, é responsabilidade nossa. 

É dentro de casa que começa a grande transformação da sociedade. 

A coisa está do jeito que está porque as pessoas que têm um pouco de lucidez e um pouco de poder e um pouco de possibilidade e um pouco de alguma coisa na mão não querem saber. Elas querem é tomar conta da sua conta bancária." 

Elis Regina / 1980

Qual o Papel de Deus na Pandemia?


Acabava agora de ler que, nos Estados Unidos, dois terços da população crente (que são quase todos) acredita que a pandemia é uma mensagem de Deus.

E como é que os crentes portugueses verão o papel de Deus nesta pandemia?

Para um milhão de euros:

A - Deus nem sabe que está a acontecer uma pandemia

B - Deus sabe da pandemia mas não lhe apetece fazer nada

C - Deus sabe da pandemia mas é incapaz de acabar com ela

D - Deus causou deliberadamente a pandemia


quarta-feira, 13 de maio de 2020

CTT: Um Serviço de Merda (7) - A Jogar Ping Pong Com a Minha Encomenda?

Depois de há duas semanas eu ter requisitado e pago a recolha de três encomendas por CTT Expresso e simplesmente ninguém ter aparecido para as recolher, atentemos agora na seguinte encomenda enviada pelo vendedor no dia 8 de Maio em correio registado que deveria chegar no dia seguinte e hoje é já o terceiro dia útil. 

A encomenda foi entregue em São Félix da Marinha (Vila Nova de Gaia).
Entretanto foi para Matosinhos.
Depois foi para Aveiro.
Voltou para Matosinhos. 
Regressou de novo para Aveiro...

Pergunta: andam quê? A jogar ping pong com a minha encomenda entre Aveiro e Matosinhos? 

E sabem que mais? Eu não vivo em nenhum desses dois concelhos!!
Obrigadinho Passos e Portas pela privatização, nota-se que os CTT estão a funcionar lindamente. 


Atualização: Hoje dia 14, quatro dias úteis depois, no site diz que está disponível para entrega no posto dos correios mas não deixaram qualquer aviso na caixa do correio. 
Dia 15, uma semana depois de uma encomenda registada ter sido enviada, deixam aviso na caixa do correio para levantamento da mesma. 


sábado, 9 de maio de 2020

Um Longo Silêncio Perdido




A Long Lost Silence / There's A Light (2018)


Novos Ditados Populares: A Dobradiça do Portátil

Já ninguém vai à fonte buscar água porque hoje em dia todos temos água canalizada em casa. Então, o velho ditado popular "tantas vezes vai o cântaro à fonte que um dia deixa lá a asa" extinguiu-se e não faz mais sentido ser usado.

A partir de agora a expressão deverá ser substituída por:

"Tantas vezes o computador portátil abre e fecha que um dia fode a dobradiça". 


HP

A Doutrinação Política que o CDS Gosta

Nesta semana que agora termina várias foram as polémicas causadas pelos fachos dos CDS e pelo facho-coiso-comentador-da-bola-que-de-vez-em-quando-mete-os-pés-na-assembleia-da-república para atos racistas e que mais uma vez foi driblado, desta vez com uma trivela do primeiro-ministro António Costa.

O CDS, na pele do eurodeputado Nuno Melo, o português mais faltoso do parlamento europeu, veio-se insurgir contra o historiador Rui Tavares, e o partido acabou mesmo a perguntar ao governo se este era professor da Telescola e falaram mesmo doutrinação política. Não, o historiador Rui Tavares não é professor da Telescola, apareceu simplesmente num vídeo de uma aula.

Mas eu acho é que o CDS e o Nuno Melo têm muitas saudades e salivam pelos tempos do fascismo e da ditadura, tempos esses de verdadeira isenção no ensino! Nesses tempos, como se provam as imagens abaixo retiradas dum livro de ensino para adultos do meu avô, era o próprio presidente do conselho de ministro, "Doutor Oliveira Salazar" que publicava textos para os alunos lerem!, e ainda diziam cobras e lagartos do comunismo, principal motor da oposição em Portugal ao fascismo. 

Ah, Nuno Melo, nesse tempo é que havia isenção no ensino, não era? 



terça-feira, 5 de maio de 2020

Máscaras: Vestir uma Roupa Lavada Sem Primeiro Tomar Banho

Encontro para uma venda pessoal proveniente do Custo Justo. Dez minutos antes da hora marcada já eu estava no local combinado. Dez minutos depois da hora marcada chega um Renault 4L. Momentos depois de estacionar, sai de lá de dentro um senhor de cabelo quase rapado e uns olhos azuis bem bonitos. Sai disparado em passo apressado em direção ao meu carro. E nota-se que é uma pessoa muito consciente pois usa uma máscara que lhe tapa a cara. 
Chega ao pé de mim e diz: "Boa tarde", enquanto me estende a mão para eu o cumprimentar. 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Como É Que o Sabão Mata o Coronavírus?

Quem percebo um pouquinho que seja de agricultura biológica, sabe que o sabão é muito usado porque, entre outras bichezas, mata o piolho, a cochonilha e limpa a  fumagina, aquela película escura que se forma sobre as folhas das árvores. Diluindo um bocado de sabão em água, e pulverizando as plantas, todas estas bichezas morrem.

Como tal, para mim não é surpresa nenhuma que o sabão também mate o coronavírus, e por isso devemos lavar muito bem as mãos, porque se ele estiver nas nossas mão o sabão matá-lo-á! Mas o que a grande maioria das pessoas não sabe é porquê! Então, é muito simples e vão perceber porquê. As bichezas são, quando comparadas connosco, microscópicas não é? Então é mais do que óbvio. As bichezas, tal como o coronavírus acabam por morrer, com um enorme ardor nos olhos!

Justiça Portuguesa a Dar Cambalhotas

Nesta semana que passou o jornal "Público" noticiou que o Tribunal da Relação recusou condenar este jornal por causa duma reportagem que fez em que dava conta das péssimas condições de trabalho (falava mesmo em escravatura) dos cruzeiros do Douro da empresa Douro Azul do senhor Mário Ferreira.



Mas a mesma Justiça Portuguesa, condenou duas vezes um ex trabalhador da Douro Azul por ter denunciado as mesmas más condições de trabalho!


Acho que não é preciso fazer um curso de Direito para perceber que, se os factos são verdadeiros para o jornal Público, não servem os mesmos factos também para ilibar o trabalhador? Ou, pelo contrário, se há provas que afinal o trabalhador cometeu difamação, então que dizer do jornal que falou em escravatura?! Que merda de Justiça é esta? É a pedido? É conforme apetece? É consoante os juízes estarem bem dispostos ou mal dispostos, se almoçarem bem ou mal? Acho absolutamente lamentável. 

segunda-feira, 27 de abril de 2020

27 de Abril de 1927

A 27 de Abril de 1927 nascia o meu avô que se fosse vivo faria hoje 93 anos. 
Espero que, onde quer que esteja, esteja bem.





sexta-feira, 24 de abril de 2020

Trump Candidato a Nobel da Ciência 2020


Depois de muito se ter falado que Trump poderia ser laureado com o Nobel da Paz em 2019, e depois das recentes revelações sobre vírus, germes e bactéricas, que culminou ontem com esta conferência de imprensa, Trump está lançadísismo para ser agraciado com o Nobel da ciência deste ano.

Depois de Trump ter feito a descoberta brilhante que o coronavírus é muito inteligente e tem a capacidade de ser invisível!, eis que chega agora com a cura: fazer solário (na impossibilidade de não se ser fakir e não se conseguir engolir um candeeiro) ou então, bem mais prático: injetar desinfetante! (e andaram por aí a gozar com os youtubers, enfim!)

A pneumónica matou milhões de pessoas há cem anos, mas Trump chega-nos agora em 2020 para nos salvar a todos do novo vírus. Caso não vença o Nobel da ciência será este ano será, novamente, uma uma tremenda injustiça. 

domingo, 19 de abril de 2020

A Pandemia Cá na Aldeia

Foi no início do mês de Março que foram confirmados os primeiros casos de infeção por coronavírus em Portugal (ainda que já poderia haver por aí mais casos, simplesmente assintomáticos). Mas apesar do vírus já estar aí a propagar-se há uma semana, cá no burgo as pessoas lembram-se de ir numa excursão, três autocarros, só de mulheres, celebrar o dia da mulher.

E a prova de como andar por aí misturado com outras pessoas dá mau resultado, é que, graças a esta excursão, além do motorista, várias mulheres ficaram infectadas, e, pelo menos num dos casos que foi sabido, resultou mesmo num internamento nos cuidados intensivos. Ou seja, apensas duas semanas depois do vírus ter aterrado em Portugal, já cá tinha vindo também visitar a minha aldeia. 

E se pensarmos, isto é muito interessante. As pessoas viajam e, para poupar nas despesas fazer couchsurfing, pois este vírus faz o mesmo, anda por aí a visitar o mundo inteiro mas fazendo humunsurfing!

Entretanto dez dias depois de conhecido o primeiro caso, o governo, e muito bem, decreta o encerramento das escolas. Só que as escolas foram encerradas para os miúdos ficarem fechados em casa. Encerrar as escolas temporariamente não foram férias, era para os miúdos não se misturarem. Mas não foi isso que eu vi. Na minha rua o que vi foi os miúdos andarem todos juntos a brincar, jogando à bola ou a andar de bicicleta. E se, de forma geral as pessoas deram bons exemplos, outras pessoas houve que mereciam era uns chapadões no focinho.

Tomei conhecimento de um caso muito próximo, em que uma pessoa, mesmo sabendo que estava infetada, resolveu continuar a trabalhar como se nada fosse. Talvez achando que não tinha grande mal devido ao seu trabalho ser, cuidar de um idoso! E foi precisamente o filho do idoso que, vendo-a com tanta tosse, resolveu mandá-la embora ou que apresentasse um documento atentando que não estava infetada. A estupidez é tanta que a pessoa não pensou que, se infetasse o idoso e este morresse ela ficaria sem trabalho. Não dá para entender.

Cá na aldeia quem mais deve estar a lucrar, e ainda bem, será a merceeira porque o negócio não ia lá muito bem. Como agora as pessoas, e bem, não se querem expor, serão estes negócios de proximidade a lucrar mais, evitando assim que as pessoas façam deslocações. Por outro lado esta senhora também se expõe bastante ao vírus porque contacta com muitas pessoas, que entram loja adento e nem sempre haja respeito do devido distanciamento social. Mas são as mercearia da aldeia que vão fornecendo as pessoas naquilo que elas mais precisam. Ainda por estes dias telefonou-lhe uma rapariga, duma família fechada em casa por estar infetada com coronavírus, perguntando se lá poderia ir e a senhora da mercearia acedeu, advertindo no entanto que fosse protegida com máscara e luvas.

Nestes dias de quarentena o silêncio impera. Interrompido algumas vezes por moto-serras a deitar pinheiros e eucaliptos abaixo porque é tempo de limpar em volta das casas. O fim-de-semana da Páscoa foi dos dias mais silenciosos, não se ouvia qualquer barulho humano, só mesmo os passarinhos. Já neste fim-de-semana que hoje termina - se é que isso interesse para alguma coisa, porque os dias passaram a ser todos iguais - mais parecia que vivo junto a um autódromo e havia uma competição de motociclismo a decorrer lá ao longe na estrada nacional.

Faz amanhã, dia vinte, um mês que estou por casa. Faz também um mês que decidi não tomar a medicação. Por agora, aparentemente, está tudo bem. Depois logo se vê o que vai acontecer.

sábado, 18 de abril de 2020

Sabias Que a Califórnia Foi Roubada aos Mexicanos?

"A Califórnia já pertenceu ao México, e as suas terras aos mexicanos; uma horda de americanos andrajosos e febris inundou a região. E tal era a sua fome de terra que as tomaram, roubaram as terras dos Suters e dos Guerreros, roubaram e destruíram as concessões e esses homens esfomeados e raivosos brigaram uns com os outros sobre a presa e guardaram de armas na mão as terras de que se tinham apoderado. Isto era a apropriação e a apropriação equivaleria a um título de posse. 
Os mexicanos eram moles por excesso de alimentação. Não puderam resistir porque nada se desejava no mundo como os americanos desejavam aquelas terras. 
Depois, com tempo, os acocorados deixaram de ser acocorados para passarem a proprietários; os seus filhos cresceram, e por sua vez tiveram filhos. E a fome acabou-se entre eles, essa fome animalesca, essa fome corroedora e lacerante da propriedade, da água e de um céu azul sobre ela, da relva fresca exuberante , das raízes entumecidas.
Tinham tudo isso, e com tal abundância que deixaram até de ver essa riqueza. Já não se sentiam corroídos pela ânsia de obterem um acre de terra fértil ou um arado brilhante para nela abrir sulcos, sementes ou um moinho agitando o ar com as pás. Já não acordavam nas madrugas escuras, para ouvir o primeiro chilrear dos pássaros ainda ensonados, ou o ruído do vento matinal em torno de casa enquanto aguardavam os primeiros clarões, à luz dos quais deveriam ir para os seus amados campos. Tudo isso fora esquecido, e as colheitas eram avaliadas em dóllars e as terras eram-no em capital mais juros e as colheitas compradas e vendidas mesmo antes de se fazer a plantação. Nessa altura, já o malogro das colheitas, as secas e as inundações haviam deixado de significar pequenas mortes dentro da vida, mas simplesmente perda de dinheiro. E todos os seus afetos eram medidos pelo dinheiro, e toda a sua impetuosidade se diluía, à medida que lhes aumentava o poder, até que finalmente eles deixaram de ser fazendeiros ou rendeiros, para se transformarem em homens de negócios dos produtos da terra, pequenos industriais que tinham de vender antes de terem produzido qualquer coisa. E os fazendeiros que não eram bons negociantes, perdiam as suas terras, em favor dos que eram bons negociantes. Não importava que fossem trabalhadores diligentes e que amassem a terra e tudo quanto nela crescia, desde que não fossem também bons negociantes. E, com o tempo, os bons negociantes apropriaram-se de todas as terras e as fazendas foram aumentando de tamanho, ao mesmo tempo que diminuam em quantidade....