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domingo, 27 de dezembro de 2015

Tão autobiográfico



"Fico contente que digas isso porque  eu sempre me senti assim, uma aberração, porque eu nunca fui capaz de seguir em frente...assim (num estalar de dedos)! Tu sabes. As pessoas simplesmente têm curtes, ou relações inteiras...acabam e esquecem! Seguem em frente como fariam se trocassem de marca de cereais! 
Tu nunca podes substituir ninguém. O que se perdeu perdeu-se. Cada relação, quando acaba, dá realmente cabo de mim. Eu nunca recupero completamente. É por isso que eu sou muito cuidadosa em envolver-me, porque... Magoa demais! Mesmo dar uma trancada! Atualmente eu não faço isso.... E vou ter saudades da outra pessoa, das coisas mais mundanas. Tal como eu sou obsecada com as pequenas coisas. Talvez eu seja louca, mas... "


Celine / Before Sunset (Antes do Amanhecer) / 2004

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Vejo-te, mas nunca és tu....

Isso não acontece só com as separações por via da morte, acontece também nos casos das separações amorosas. E apesar de racionalmente ser mesmo impossível ver tal pessoa, por ela estar bem longe num outro país, mas basta um vislumbre dos mesmo cabelos, das mesmas formas do corpo, dos mesmos óculos de sol que lhe tapavam metade da cara, que ao longe, o nosso cérebro logo nos engana e faz-nos acreditar que sim, que é mesmo aquela pessoa. E também aí se fica muito nervoso e o coração dispara. Depois aos poucos aproximamo-nos e comprovamos que não é quem queríamos que fosse.

Quanto ao seu pai… É curioso como até nisso nós não somos todos iguais, e não há nenhum ministério da igualdade ou lei que nos faça iguais, porque seremos sempre todos diferentes, todos mais ou menos especiais. Isso há-de ter uma qualquer explicação, talvez um dia a conheçamos. E eu continuo sem saber por que será que há pessoas que têm a capacidade, o dom, ou a maldição, e eu acredito mesmo que se trata de uma maldição, pois só pode ser uma maldição muito grande, ver quem já morreu. Tal como só pode ser uma maldição ter informação privilegiada sobre tudo e sobre todas as pessoas, mesmo de pessoas de quem nunca se viu, só dos outros nos falarem delas em conversa. Tão grande maldição que é preciso ter acompanhamento para não se dar em maluco…





Talvez um dia a Carla volte a ver o seu pai. Talvez eu mesmo volte a estar com o meu pai que não vejo há mais de vinte anos. Mas isso ainda podia esperar mais uns dias. Por agora contentava-me só em ter o abraço da mulher que amo, que perdi, e que vejo por aí de vez em quando. Nunca é ela, porque não poderia ser, mas como eu tanto queria que fosse…


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Este pequeno texto foi um comentário meu a uma crónica de uma senhora que escreve (e como escreve bem) num blogue que visito frequentemente, e onde maioritariamente se fala sobre política mas não só. Eu vou comentando com as minhas alarvidades, umas vezes mais, outras menos, mas cada vez mais nos poucos textos que fogem ao tema da política.

No texto, a autora fala do seu pai, que já partiu (e eu ainda me lembro de ler textos em que ela falava dele ainda vivo)  e de como agora, por vezes, acontece achar que o está a ver. O coração dispara, o corpo fica a tremer, mas depois constata que era uma mera ilusão, era simplesmente uma pessoa parecida e o seu desejo de o poder voltar a reencontrar.

"Não foi a primeira vez que isto me aconteceu. O coração e, logo a seguir, as pernas, às vezes também as mãos, foram sempre enganados. Pessoas sensatas explicaram-me que é normal, coisa que eu nunca duvidei ser. Os olhos procuram similitudes com padrões conhecidos. Os olhos procuram, respondo, o que o coração deseja ver. E o coração, que é sempre o pobre tolo, tem de aprender, uma e outra vez, a perder."


E também eu já fiquei com o coração a disparar e o corpo a tremer perante a possibilidade de me estar a cruzar com alguém que me é muito importante. Eu fui escrevendo, apaguei umas partes, acabei por deixar outras ali que não fazem nenhum sentido, estive quase (como muitas vezes acontece) a apagar tudo, mas acabei mesmo por submeter um comentário que acabou por se revelar demasiado sentido e demasiado pessoal. Demasiado íntimo e demasiado revelador. Mas para que as palavras desse comentário não se percam por aí, agora vão ficar aqui também.

sábado, 19 de setembro de 2015

"Queres um conselho? Não te cases."

Se eu gostasse de conselhos pedia-os, e na verdade, e ao contrário de muitas pessoas, não sou muito de pedir conselhos aos amigos, aos pais, ou seja lá a quem for. Conselhos, como é lógico, naquilo que é verdadeiramente importante na minha vida pessoal, e não sobre coisas triviais, pois não me tenho por nenhum supra-sumo do conhecimento de todas as áreas, e sempre que existe algo que não domino quero-me informar, gosto de auscultar quem tem mais experiência ou sabe mais do que eu em determinado assunto para depois então depois decidir pela minha cabeça.

Mas esta semana deram-me um conselho sem eu o pedir.

Depois de já antever as palavras que teria de ouvir quando chegasse a casa e tivesse de explicar à mulher uma coisa tão simples, como o horário do voo que teria de apanhar, um colega no trabalho diz-me:

"- Queres um conselho? Nunca te cases. Nós pensamos que connosco vai ser diferente dos outros. Que elas serão diferentes. Que serão diferentes das mulheres dos outros. Mas não. É tudo igual".

E vira-se para o outro colega que estava connosco, também ele casado e interpela-o:
"- Não é ó... "? Ao que ele de imediato concordou totalmente!

freeimages.com

Pois é, mas eu se quisesse conselhos pedia-os. E se eles fossem mesmo muito bons, então talvez as pessoas os devessem vender, pois talvez um bom conselho valha bom dinheiro.

Mas o que eu questiono é - será que as pessoas dizem isto que pensam ao respetivo(a)? Será que as pessoas casadas dizem ao respetivo(a) que dão conselhos aos outros para não se casarem? Será que ao menos conversam sobre isso?

"Olha amor, sabes, nós estamos casados há alguns anos, eu estava cheio de expectativas, achei mesmo que iríamos ser felizes, que iríamos ser diferentes dos outros, que tu irias ser diferente dos outros, mas isto afinal é um casamento exatamente igual ao dos outros.
Sabes amor, estou farto de aturar as tuas merdas e já nem me lembro qual foi a última vez que fodemos, mas a sério e não aquela fodinha da misericórdia em que abres as pernas enquanto pensas na cena do episódio da novela de amanhã, e eu, com sorte, venho-me três minutos depois. Olha amor, se eu soubesse não me tinha casado contigo".

Será que as pessoas realmente dizem o que sentem, ou armam-se simplesmente em muito sabedoras, mas só para com os outros, quando na verdade não fazem nada para mudar o estado de coisas das suas próprias relações e dos seus próprios casamentos?

Pois é. Querem um conselho? Não estão bem? Ponham-se. Os divórcios são livres. E já agora guardem os conselhos para vós mesmos. Talvez vos façam mais falta que a mim que ainda sou solteiro. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Estarão todas as relações condenadas?

Depois de reencontrar um casal que já não via há bastante tempo, dei por mim a refletir se passados uns quantos anos, todas as relações se transformam naquilo que eu observei. É verdade que também podemos sempre ver a evolução das coisas que se passaram connosco, nas nossas próprias relações, e devemos sempre retirar daí ensinamentos para o futuro, mas quando somos parte interessada é sempre diferente porque nunca temos a mesma distância e a mesma imparcialidade de quem vê as coisas de fora. Enquanto que, quando olhamos de fora, para as outras pessoas, conseguimos sempre ver o quanto as coisas mudaram - ainda mais se não estivermos com elas durante bastante tempo como foi o caso - e ver como há pequenas coisas que mudaram. De repente, uns anos sem estar com estas pessoas, e quando as reencontramos, essas pequenas coisas saltam logo coisas à vista porque são demasiado evidentes.

As constantes implicações, algum desdém, o deitar o outro abaixo, a constante competição, como querendo mostrar que eu-é-que-tenho-razão, e as coisas acontecem por-tua-culpa. E nada disto  era visível no passado. A própria linguagem não verbal muda. A forma como se comunica com o corpo. As mãos dadas, o caminhar abraçado, ou por outro lado o caminhar cada um para seu lado, desligados. Até nos afetos, um beijo de quando em vez, os pequenos carinhos, o olhar cúmplice e as conversas telepáticas em que parece bastar olhar nos olhos do outro para se saber o que ele está a pensar. De repente ainda é evidente a cumplicidade, mas as coisas são já substancialmente diferentes do que eram antes. 

E o que é que afinal acontece para que as coisas mudem e as pessoas chegarem a este estado de coisas? É que sinceramente não me pareceu  uma coisa muito saudável. Parece-me cansativo e desgastante. E até frustrante. 

E isto deixou-me um pouco triste.
Há quem diga que eu sou um romântico. "Tu não és deste mundo" diziam-me recentemente. Talvez não seja mesmo deste mundo, pois eu ainda sou da opinião, que quando nos entregamos a alguém, e sentimos "aquilo", isso é para toda a vida.


freeimages.com


E são estas relações que conhecemos há mais tempo, em que as pessoas estão juntas há mais anos, são esses exemplos que nos levam a acreditar que sim, que é possível as coisas darem certo "para sempre". Em tempos também eu fui esse exemplo para os outros. Depois as coisas acabam e toda a gente fica como que em choque, pois mais um casal "perfeito" deixou de o ser. 

E foi por isso que não gostei de ver o que vi, porque nós queremos que esses exemplos sobrevivam. 
Eu não sou nenhum especialista em relações, se o fosse certamente não seria o único solteiro da minha rua. Ou talvez seja mesmo especialista - olhando por outra perspetiva - por nunca me ter casado! Ou na verdade, talvez uma coisa não tenha nada a ver com a outra, até porque numa relação, nós só temos o poder de decisão de 50%, e isso é muito pouco, para que, mesmo um especialista consiga levar as coisas a bom porto. 

Mas eu gostaria de acreditar que se hoje iniciasse uma relação, e daqui por dez anos ainda estivéssemos juntos, quero acreditar que as coisas não estariam assim. Nós achamos que connosco é sempre diferente não é?
Mas eu gostaria de acreditar que continuaria a passear de mão dada tranquilamente, sempre juntos, e não como um casal Taliban, em que andam separados por dez metros de distância. Quero acreditar que nunca deixaria de ser carinhoso, e que nem deixaria de surpreender a outra pessoa, com um abraço apertado, vindo sabe-se lá de onde. E essencialmente gostaria de acreditar que o brilho dos meus olhos nunca se desvaneceria sempre que olhasse profundamente nos olhos da tal pessoa.

Talvez seja por eu querer ainda acreditar nestas coisas que eu não seja mesmo deste mundo. Talvez seja por isso, por ser de outro mundo que continuo sozinho. Ou talvez seja só porque hoje em dia todas as relações estão condenadas. 

domingo, 31 de agosto de 2014

Manda quem menos se interessa...

Há uns meses partilharam comigo um artigo sobre algumas verdades inconvenientes acerca das relações modernas, e logo no primeiro ponto referia que, quem menos se interessa é quem manda. E é verdade. E estou em crer que isso é tão válido não só para as relações de afeto (amor, sexo ou seja lá qual for o interesse), como para tudo o resto no que à socialização entre humanos diz respeito. 

Dificilmente numa relação as coisas estão equilibradas, até porque não há duas pessoas iguais, que demonstrem, gostem ou amem da mesma forma. E começa logo pelo início, e já Eça dizia que "há sempre um que ama e outro que se deixa amar". E quem menos se interessa manda sempre. E manda, porque passa sempre a mensagem, ainda que teoricamente, que não precisa tanto do outro, e que o outro estará mais  preso, mais dependente.

O mesmo se passa até no sexo. Um dos dois pode estar sempre pronto para ir aos treinos e gostar de transpirar bastante, mas se o outro não está para aí virado, tem duas alternativas, ou vai treinar e suar sozinho, ou azar, não treina de todo. Mas quem não se interessa, não manda só na frequência dos treinos, manda até no tipo de exercício. Se alguém se lembra de fazer um exercício diferente, mais exigente ou diferente do habitual, ou convidando por exemplo outras pessoas que gostem do mesmo desporto para se juntarem à prática desportiva, rapidamente os planos podem ir por água abaixo se o outro acha que isso já é inovação desportiva a mais.

Também nas amizades manda quem não se interessa tanto.Também nestas situações há sempre duas opções, ou andar atrás dos outros, comprando vontades, quase como quem mendiga uma amizade que já só funciona num sentido, ou então invertem-se as coisas.

Mas tudo tem um reverso da medalha, quantas vezes a caça vira-se contra o caçador? Quantas vezes, quem não se interessava, depois já torce as orelhas. Ignorar os olhinhos que a gordinha do liceu fazia, e depois, anos mais tarde passar por ela, boa com'o milho... ah pois! Pode-se sempre correr atrás, mas por certo irá-se descobrir que já anda a treinar com outro qualquer!

Também quem não se interessa e corta-se sistematicamente aos treinos, pode ir mandando, mas só até um dia, em que fica com as trouxas à porta, ou então, ir continuando a mandar, mas com um belo enfeite na cabeça! E assim ficam todos felizes, quem pensa que manda pela indiferença, quem se deixa mandar e as faz pela calada, e claro, a terceira pessoa que aproveita o desinteresse dos outros em benefício próprio.

Mas olhando para esta história do (aparente) desinteresse, no fundo, hoje em dia parece que andamos todos a jogar, quer-se uma coisa mas dá-se a entender que não, há que se fazer de difícil. E agora todos querem ser aquele que se interessa menos. Eu devo ser uma espécie em vias de extinção. Quando tenho interesse acho que dou sinais evidentes disso mesmo, tal como quando não o tenho. E ainda faço pior, quando gosto acho que o demonstro. Quanto aos que menos se interessam, esses também só mandam até um dia.

domingo, 10 de agosto de 2014

Conversas de escritório

A porta da cantina estava entreaberta, e enquanto almoçava sozinho, ouvia as conversas que ecoavam vindas lá do escritório... Conversas mais ou menos banais, de gente inteligente e culturalmente acima da média. Mas o que me chamou mais a atenção, foi quando alguém (um homem) se sai com a ideia ou estudo, ou que leu não sei onde, que um homem a chegar aos quarenta ("alto isto interessa-me!") está no momento certo em que pode captar a atenção de mais mulheres.


A teoria é a de que, nunca como agora, um homem perto dos quarenta anos, é um alvo apetecível para mulheres mais novas, na casa dos vinte, que gostam ou se sentem mais atraídas por faturarem homens mais velhos; e por outro lado, têm já uma certa maturidade para mulheres um pouco mais velhas e que não se importarão nada de serem cortejadas por homens mais jovens que elas (que não crianças); e claro, um homem de quarenta anos, tem sempre o mercado politicamente correto, do mulherio da sua idade.

Olha que não está mal visto não senhor. Talvez os cabelos brancos me consigam trazer algumas vantagens....ou então não!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Se eu nunca te conhecer...

"Se eu nunca te conhecer nunca terei de te perder." 

É esta a frase que me fica do último episódio da quinta série de Lost (Perdidos). O casal em causa é composto por Juliet, a loira de olhos azuis escuros, a ex-Outros (the Others) que fala a linguagem dos iluminados (latim), de perfil intrigante, ora é médica da fertilidade, serena, preocupada com os outros e de sorriso fácil, ora é capaz também de olhares intimidantes, de pegar na arma e matar qualquer um a sangue frio, ou de aplicar uns golpes karatecas vindos assim do nada e sem ninguém saber onde raio os aprendeu. E o outro elemento do casal é Sawyer, o trapaceiro de corpo escultural, que gosta de sair do mar sem roupa, e só pensa nele e de como se pode aproveitar dos outros em proveito próprio. Mas não é um bronco qualquer, Sawyer é a personagem que mais lê na série, tem sempre uma nova alcunha para qualquer pessoa, e nos últimos três anos, depois de ambos terem parado de saltar no tempo, trinta anos atrás do tempo presente, e de terem ido brincar às casinhas com o pessoal do Dharma Iniciative, Sawyer amadureceu.



Aparentemente este poderia ser um casal improvável. A mulher culta e bonita mas inteligente e sensível com o bonitão trapaceiro, mas além de Sawyer amadurecer, também restam unicamente o físico "louco", o coreano de poucas palavras, e o chinês que fala com os mortos, e claro, a malta da Dharma Iniciative, que ambos sabem que acabarão todos mortos. Sawyer e Juliet têm-se um ao outro, protegem-se um ao outro e a coisa acontece naturalmente.







E tudo corria bem, até que todos os que tinham saído da ilha, resolvem voltar para ajudar os que tinham lá ficado. E depois de toda uma série de desenvolvimentos extremamente complexos com explicações de física quântica - bem mais complexos que no filme "Regresso ao futuro", em que se as personagens alterassem o passado poderiam desaparecer no futuro - surge a possibilidade de, ou deixar tudo como está, e ficarem a viver no passado, trinta anos atrás, ou então acreditar que fazendo algo, irão regressar ao presente, e impedir o avião em que seguiam de ter o acidente que teve. 

Só que isso tem grandes implicações, se o avião nunca se despenhar, todas aquelas pessoas que entraram no avião e que não se conheciam antes, e fizeram grandes amizades, e algumas apaixonaram-se mesmo na ilha, com essa decisão, no presente o avião irá aterrar em segurança e nunca se conhecerão.


Neste episódio chega-se a um grande conflito de interesses. Jack, o médico, o líder natural dos sobreviventes, que no entanto nunca quis liderar ninguém, o obsessivo, o senhor "se-não-vivermos-juntos-vamos-morrer-sozinhos", personagem com quem me identifico em certos aspetos, está decidido a fazê-los voltar ao presente. Mas será que isso tem alguma coisa a ver com Kate? Sawyer diz-lhe que se fizer o que pretende, nunca conhecerá Kate, mas Jack afirma que "o que tem de ser tem muita força". 

"Eu tive-a" disse-lhe. "Eu tive-e e perdi-a" repetiu. Sawyer não concorda nada com Jack, pois Sawyer está bem com Juliet, só que algo acontece e ela muda radicalmente de opinião. Se inicialmente Juliet, sua companheira, estava com ele na ideia de travar Jack, de repente ela intervém e diz a Sawyer que não e acha que Jack tem razão. Mas Sawyer quer saber, afinal o que mudou na cabeça da Juliet?


Ela é Kate, com quem Sawyer andou enrolado na ilha, antes dela ter saído da ilha com Jack e mais alguns sobreviventes, e já fora da ilha acaba finalmente por viver com Jack. Sawyer diz-lhe que não interessa para quem olhou, que está com ela, e Juliet responde-lhe, que sabe disso e que ele ficaria com ela para todo o sempre se ela o permitisse, e que é por isso que sempre o amou. E que só porque se amaram durante um tempo, não quer dizer que fiquem juntos, e que talvez não tivesse de ser assim. Talvez não fosse sequer suposto ficarem juntos. 

Mas Sawyer pergunta de novo: - porque estás a fazer isto Juliet?


E chegamos à frase: "Se eu nunca te conhecer nunca terei de te perder". Juliet prefre apoiar Jack na sua decisão, e assim nunca ter a oportunidade de conhecer Sawyer, e de um dia não ter de o perder. No fundo ela sabe que ele ficaria para sempre com ela, mas ela não o quer com ela, ainda pensando na "sardenta" Kate. 

Acho que sempre que vemos um filme, uma série, lemos um livro, ouvimos uma letra de uma canção, ou simplesmente observamos uma qualquer situação, há sempre algo com que nos podemos identificar. E quem diria que um dia estaria eu na pele do Sawyer, e encontrar alguém que simplesmente não me quis conhecer porque.... acho que não cheguei a saber bem porquê, ou talvez tenha percebido demasiado bem, ou então provavelmente já estou estou a confundir realidade com ficção, e já são episódios a mais de Perdidos. Mas agora também já só falta a última temporada! 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Coisas da Ex

Quem já passou por uma relação de muitos anos, sabe que, quando as coisas acabam, reunimos uma série de objetos que nos liga à outra pessoa, pois durante esse tempo, passaram muitos aniversários, nossos e da data em que se começou, sem contar que, muitas vezes, até recebemos ofertas, sem que seja precisa uma data especial. 

Esta semana andava a arrumar a casa, e dou de caras com um saco que já tinha posto em cima de um móvel há uns tempos, e quando olhei para ele de novo, já nem sabia do que se tratava. Um saco plástico, com uns chinelos azuis, e roupa de trazer por casa da outra senhora. 

A relação acabou, mas nunca me senti impelido, a reunir todas as coisas e a desfazer-me delas. Há até quem decida queimar tudo, como se num passe de mágica, todo aquele passado com aquela pessoa desaparecesse, e tudo o fogo exorcizasse. Mas não, pode-mo-nos livrar de tudo, de todas as tralhas, prendas, cartas e fotografias, que nunca apagaremos da nossa vida aquele longo período de tempo. Por vezes, era bom que fosse assim tudo tão simples, mas não é. Teremos sempre de viver, para o bem e para o mal, com o sucesso ou o fracasso das nossas escolhas, e muitas vezes, o medo do insucesso, assombrar-nos-à várias vezes de novo no futuro, e isso vale para tudo na vida, e não só nas relações com os outros.

Via Pinterest
Claro que reuni as tralhas todas num caixote (acho que foram dois), e arrumei-as bem arrumadinhas, porque um gaijo não quer estar sempre a tropeçar em coisas do passado. Mas muitas outras coisas banais, como a roupa por exemplo, é-me completamente indiferente, e nem sequer me lembro disso, é algo automático. Visto uma peça que me foi oferecida, com a mesma naturalidade, com que visto uma peça comprada por mim. É roupa, gosto das peças pelo bem que (acho) que me ficam, e não vou passar a odiá-las de um dia para o outro, só porque passei a ver a pessoa que ma deu com outros olhos.

Não sei se há dados sobre isto, mas é muito provável que a malta da psicologia, que se dedica a estudar estas coisas, saberá se existem padrões de comportamento. Não sei se serão mais os homens ou as mulheres que guardam ou se desfazem das coisas, ou se nem sequer tem nada a ver com sexos, e seja simplesmente uma questão de personalidade, de se ser mais ou menos apegado às coisas, de se gostar ou não de acumular tralhas. 

É provável que um dia me desfaça de todas aquelas coisas pessoais... mas não estou certo disso. De qualquer das formas, tê-las hoje, não significa, que mantenho, secretamente, a esperança, de um dia voltar ao local onde fui feliz. Não, pelo contrário, desse passado quero, e felizmente tenho tido distância. Acho que tenho as gavetas do meu passado muito bem arrumadinhas, embora isso não signifique que me tenha esquecido dele. E ainda bem que não esqueci, pois é principalmente com os fracassos que podemos aprender alguma coisa, para não voltarmos a cometer os mesmos erros. 

Ainda assim peguei naquele saco, com os chinelos azuis e a roupa de trazer por casa, e resolvi mandá-los para o lixo. Já cheiravam demasiado a mofo. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Celibato e crise dos sete anos

Há datas que se calhar não me importava nada de esquecer, mas sabe-se lá porquê, acabo sempre por me lembrar.
Este fim-de-semana, dei por mim a pensar, que faziam precisamente sete anos, desde que, do ponto de vista das relações, passei de trabalhador com contrato sem termo, daqueles contratos de trabalho que já não se usam, pois como se sabe, já não existem empregos para toda a vida, para trabalhador por conta própria.
Sete anos é muito tempo, refleti. Logo sete, o número místico associado a tudo e mais alguma coisa, e também associado à crise dos sete anos nas relações amorosas.
Ò diabo, pensei eu. - Será que existirá também tal coisa no celibato? Será que em breve sentirei uma vontade incontrolável de, por um lado, abandonar a tranquilidade do celibato, de sair com quem me apetecer, de não ter de dar explicações detalhadas de onde fui, com quem estive, e de quantos peidos dei, para de repente, querer encontrar de novo a tal pessoa para todo o sempre? 



É curioso como neste fim-de-semana estive com uma amiga, com quem já não estava há uns meses. Há que pôr a conversa em dia, e, conversa vai, conversa vem, ela, que também está em retiro celibatário há já uns anos (apesar de sofrer investidas constantemente) diz-me que não está nada para aí virada, e pior, diz-me que no seu círculo pessoal, não conhece um único casal fiel! E que não deixa de ser irónico que, sendo amiga de duas pessoas de um casal, e conseguindo ouvi-las individualmente, sabe que ambos mijam fora do penico.
Será que isto acontece por pressão social? A pressão invisível para se ter um comportamento socialmente aceite, de ter uma pessoa ao lado, nem que seja só para apresentar aos pais e aos amigos? Será que a imagem de sucesso para as pessoas, é ter uma relação de aparente felicidade, ainda que seja mesmo só aparente para os outros verem, quando na realidade ambos os elementos do casal andam a foder que nem martas, com outras pessoas?

Não sei. Eu por mim não sinto qualquer pressão social por ser o único solteiro da minha rua! O que tiver de acontecer acontecerá.

E já agora, se querem continuar a usar o sete para definir a crise nas relações - não seria melhor, assim de repente, mudar de sete anos para sete meses?