Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Porque o Amor é o Que Somos


Esta noite
Eu estou livre
Tão livre

Pela primeira vez
Eu tenho visto
Uma vida nova
Vida nova

Começar a respirar

E tu vieste para mim
De algum modo
E minha vida
Nunca será a mesma

(E um dia tu vais me sentir
Um sussurro na brisa)

E naquela noite
Como eu sonhei
E eu me afastei

Para outro lugar
Onde falaste comigo
Deste dia
Deste dia

E vieste para mim
De algum modo
E minha vida
É como um furacão

Pois tu és minha
E eu sou teu
Para a vida

O medo é apenas uma ilusão

---------------------------------------------------------

Numa vida
Há um momento
Para despertar

Ao som de
Do seu batimento cardíaco
Intacto

E tu estás agora livre
E eu permanecerei
Sonhando

Vivo e consciente
O amor em que eu acreditava

E um dia vai-me sentir
Um sussurro na brisa
E eu ver-te-ei parado lá
Destemida

E eu falo contigo silenciosamente
Mas tu vais-me ouvir
O sentimento é o maior que eu já conheci

Volta para mim
Por favor acredita

O sentimento é o maior que eu já conheci
Não acredito que foi apenas uma ilusão

O sentimento é o maior que eu já conheci

E um dia vais-me sentir
Um sussurro na brisa

------------------------------------------------------

Agora que te encontrei
Não te vou deixar
A Terra continua a girar
Espíritos refletindo
O meu coração bate por ti

Fora do meu corpo
Hoje à noite, na minha mente
Preciso que esperes

Uma promessa de futuro
Sonhando às cores
Estarmos juntos
Espíritos refletindo
Os sentimentos são tão reais
A beleza é infinita
Nesta noite, na minha mente
Eu preciso que me esperes

Fogo
À noite
E almas
Em voo
E tempo
Pode curar
Todas as cicatrizes
Ocultas

Porque o amor
É o que somos
Quão perto
Ou a que distância
E vida
Vai trazer
A verdade
Em sonho

The Lost Song (part 1, 2 e 3) / Anathema (2014)


domingo, 1 de setembro de 2019

Interessa Mesmo Que Eu Esteja a Namorar?

Via Pinterest

Há muito tempo que me demonstravas receio que eu voltasse a namorar. Se por um lado querias muito que eu encontrasse alguém especial, que aos teus olhos me merecesse, e com quem eu pudesse ser feliz, por outro lado isso deixava-te desconfortável, porque sentias que isso nos iria afastar ainda mais.

Eu sei que é um paradoxo fodido. Querer a felicidade de alguém, nós mesmos querermos que pudéssemos ser nós a fazer o outro feliz, mas não o podermos fazer. E como é que se pode querer a felicidade do outro, se ver o outro feliz implica vê-lo sem nós. Fodido, hein?

Mas muito sinceramente, interessa mesmo que eu esteja a namorar?

Afinal, de que é que adiantou eu não estar a namorar durante os últimos novecentos dias se nem por uma só vez nos pudemos ver? Se deixámos de falar ao telefone, e se passam meses sem nos correspondermos?

Interessa mesmo que eu esteja a namorar?

Pois eu acho que não interessa nada. Tal como não interessa que tenhas ainda, ou não, marido. O que interessa é o que nós sentimos um pelo outro, e que eu, sinceramente, acho que não vai mudar tanto assim com o tempo, mesmo que um de nós se mude para um planeta distante. Diferentes são as nossas vidas que têm se seguir, como as de toda a gente, dia após dia, após dia, até ao dia final.

E na vida não dá para fazer Pausa. Os dias correm. Novecentos dias passam a correr. Quando mal dermos conta estamos velhinhos e desperdiçamos toda uma vida sem nos falamos. E isso sim é um bocado triste. Eu sei, gostar de alguém com quem não se pode estar também é muito triste.

Mas, se não nos pudemos ter, ou se não nos quisemos ter porque não nos podíamos ter, interessa mesmo que outras pessoas entrem (e saiam) das nossas vidas? Tu sabes que não podemos fazer Pausa nas nossas vidas. A vida é uma correria. Cruzamo-nos com tanta gente que um dia esbarramos em alguém...

Tu andas por aí sabe-se lá por onde e eu estou aqui a escrever-te porque, para mim, verdadeiramente importante é não esquecer quem foi importante para nós. Por isso, diz-me, interessa mesmo que eu esteja a namorar?


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Estar Atento

"Uma vez, durante as férias grandes do meu primeiro ano da universidade, fui até ao Norte do Japão, e no comboio conheci uma mulher oito anos mais velha do que eu, também ela a viajar sozinha, com quem passei uma noite. Na altura, lembro-me de ter pensado que tudo aquilo parecia tirado das primeiras páginas do Sanshiro.

Ela trabalhava na secção de operações cambiais num banco de Tóquio. Sempre que tinha uns dias de férias, agarrava num punhado de livros e metia-se à estrada por sua conta e risco. - Viajar sozinha é muito menos cansativo - confidenciou-me. 

Tinha o seu encanto e ainda hoje estou para perceber como se foi logo interessar por um estudante universitário de dezoito anos, magro e taciturno como eu. E, contudo, parecia sentir-se nas suas sete quintas, ali sentada à minha frente naquela carruagem de comboio, a falar de tudo e mais alguma coisa. Fartava-se de rir à gargalhada. Por uma vez, até eu dei por mim a falar pelos cotovelos. Por mero acaso, saímos ambos na estação de Kanazawa.

- Tens onde ficar? - perguntou-me ela. 
- Não - respondi eu, que nunca na vida fizera uma reserva de hotel. 
- Tenho um quarto disse-me. - Se quiseres, podes ficar comigo. Não te preocupes - acrescentou -, o preço é exatamente o mesmo quer esteja ocupado por uma ou duas pessoas. 

Estava nervoso na primeira vez que fizemos amor, o que fez com que o meu desempenho deixasse algo a desejar. Apresentei-lhe as minhas desculpas. 
- Mas que bem educado me saíste! - exclamou ela. - Não precisas de pedir desculpa por tudo e por nada. 

(...)

Pronto, imagina o seguinte. Supõe que vais fazer uma longa viagem de carro com outra pessoa qualquer, e que vão conduzir por turnos. Nesse caso que tipo de pessoas escolhias? Uma que guiasse bem, mas que fosse imprudente, ou uma que não guiasse tão bem, mas que fosse prudente?
- A segunda, provavelmente - respondi eu.
- Também eu - retorquiu ela. - Temos aqui uma situação muito parecida. Ser bom ou mau, ser despachado ou desajeitado, isso são coisas de somenos. Na minha opinião, o que é importante é estar atento. Ficar calmo, estar atento ao que se passa à nossa volta. 
- Atento? repeti eu.

Ela não respondeu e limitou-se a sorrir. Mais tarde quando fizemos amor pela segunda vez, tudo correu na perfeição. Tive a sensação de começar a perceber o significado de "estar atento". Foi também a primeira vez que vi como reage uma mulher quando se abandona a um prazer intenso. 

No dia seguinte, depois de tomarmos o pequeno-almoço juntos, foi cada um para seu lado. Ela seguiu o seu caminho, e eu o meu. À despedida, contou-me que se ia casar daí a dois meses com um colega de trabalho. 
É ótima pessoa - acrescentou - toda sorridente. - Já andamos juntos há cinco anos, e agora vamos finalmente oficializar a situação, o que significa que, uma vez casada, vou deixar de poder andar a viajar por aí sozinha. Talvez seja esta a última vez. 

Eu era ainda muito jovem e pensava que histórias como excitantes destas aconteciam com frequência. Mais tarde, acabei por compreender, e de que maneira, que as coisas não eram bem assim. 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Não Há Desgosto de Amor Como o Primeiro


Imagem emprestada da net

Frases feitas. "Não há amor como o primeiro".
Mas será mesmo assim? Afinal isso significa concretamente o quê? Que nunca iremos viver um amor tão intenso como com aquela primeira pessoa que, muitas vezes, o único mérito que teve foi, simplesmente, no nosso pequeno universo, ter sido a primeira a aparecer? E, se tantos anos depois, pudéssemos voltar atrás, e fizéssemos uma troca temporal na nossa vida? E essa pessoa, que teve a sorte de ter sido a primeira, aparecesse mais para a frente no tempo, e outra pessoa, de quem também gostamos muito, passasse a ter sido a primeira pessoa que amamos? Como é que seria? A importância das pessoas seria a mesma? Qual seria agora o amor mais importante? Seria a mesma pessoa, independente do lugar em que aparecesse, ou já seria a primeira? Mas então a relevância do amor mede-se só pelo acaso de termos esbarrado em determinada pessoa em primeiro lugar?

Para mim, o encanto do primeiro amor tem unicamente que ver com uma coisa: a descoberta das novas sensações. Foi com aquela determinada pessoa que descobrimos aquele sentimento forte, o amor, sentimento esse que, todos aqueles que o sentiram, acreditaram e quiseram que tivesse sido para todo sempre. Tal como foi com essa pessoa que, muitas vezes, se descobriram tantas outras coisas em conjunto. Mas, por este ou por aquele motivo, as pessoas afastaram-se, e, como que traíram esse sentimento. E o tempo há-de passar, e muitas vezes um novo amor há-de aparecer e as pessoas voltarão a estar sozinhas, e em vários momentos das suas vidas voltarão de novo a olhar o passado com nostalgia.

A nostalgia dos tempos passados. A mesma nostalgia que invade as pessoas quando se lembram de coisas que faziam na sua infância, quando se lembram dos colegas de escola ou amigos de longa data que não vêem há anos. Lembrar o primeiro amor é mergulhar na nostalgia do primeiro encantamento, no tempo em que ainda se pensava que o primeiro amor seria para sempre. Mas afinal não foi. E não raras vezes o segundo e o terceiro também não. E, se calhar, o melhor seria voltar ao passado, ao tempo do primeiro amor, e fazer tudo de novo, para que o primeiro amor pudesse dar certo e não tivesse sido preciso falhar tantas vezes de novo. Certo? Não, errado.

Eu, sarcasticamente, costumo dizer que não há amor como o segundo. Mas, em boa verdade, acho que não deveria haver amor como o último que vivemos. Porque é sempre desse que temos que nos curar. Não é do primeiro. O primeiro já lá vai, longe, distante, tantas vezes já lembrado e esquecido. Mas, quando o primeiro amor não resulta, as pessoas descobrem uma outra coisa, por vezes tão intensa e trágica: o primeiro desgosto de amor. E, por mais amores que voltem a ter, não mais voltarão a ter outro primeiro desgosto de amor, será, tão simplesmente, só mais um.

Então, se voltamos a amar alguém, que não se comparem amores, independente do lugar espaço-temporal que tenham ocorrido. Contudo, por mais amores que possamos viver, só por uma vez perdemos a ilusão que o primeiro amor seria para sempre. Daí que, se calhar, não se deveria dizer que não há amor como o primeiro, mas sim, que não há desgosto de amor como o primeiro.

terça-feira, 19 de março de 2019

Coisas Que me Lembram de Ti (2) - Árvore das Rosas




Um pouco por todo o lado vêem-se agora rododendros em flor. E agora, como todos os anos por esta altura, sempre que os vejo em flor, em especial com flores vermelhas, vejo-te a posares para esta fotografia num dos sítios mais bonitos do país, sítio esse que te levei a descobrirmos, os dois, juntos, pela primeira vez. 

Ensinei-te o nome, e repeti-te em diferentes alturas: "ro-do-den-dro"!
- Acho que já não te lembrarás! É normal. Eu sei que não é propriamente um nome de muito fácil memorização e podia-te ter explicado o nome, bem mais interessante que tem em português.

Rododendro vem de "Rhodon" + "dendron". Em que "rhodon" significa "rosa" e "dendron" significa "árvore". Ou seja, a um rododendro podes chamar-lhe: "Árvore das rosas".

Já viste que bonito que é? E agora já sabes que sempre que vejo uma árvore das rosas é-me impossível não me lembrar de ti...

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Pode-se Estar Apaixonado por Duas Pessoas ao Mesmo Tempo?

Peguei no livro e abri mais ou menos a meio, ao calhas:



Não. Não se pode estar apaixonado apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo. (enamorado parece-me uma palavra bem mais interessante e a cair em desuso) 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

#1000 - Quando me seguravas a mão, isso não era real?

Há filmes que, por este ou aquele motivo, nos ficam na memória por muitos anos.
Estávamos em 2001, ano do Dragão (e também eu nasci num ano do Dragão) quando fui ao cinema ver o filme "O Tigre e o Dragão" de Ang Lee. Já não sei ao certo de quem terá sido a escolha do filme, se minha se dela, mas suspeito que terá sido minha. 


À primeira vista é só mais um filme de artes marciais de exímios guerreiros(as) com espadas, que levantam voo e saltam por cima de casas e andam sobre florestas de bambus. Mas o filme é muito mais que efeitos especiais e muito mais que artes marciais. Este filme é bem mais que um Matrix asiático. Tal como está descrito na sinopse do filme, O Tigre e o Dragão é um filme de amor:

Dois romances ligados às artes marciais, um incapaz de reconhecer o seu amor e o outro vivendo uma relação apaixonada, cruzam-se num cenário de crime e de disputas políticas da China Imperial, quando a preciosa espada "Destino Verde" é roubada. À medida que cada guerreiro luta pela justiça, depara-se com o seu maior inimigo - e o inevitável e sofredor poder do amor...

De diferentes filmes que vi no cinema guardo diversas memórias e diferentes sensações que me causaram. E o final deste filme, e talvez não consiga explicar bem porquê, teve o condão de me causar um grande impacto emocional. Ainda bem antes da cena final e de se perceber o que iria acontecer em seguida, já os meus olhos se enchiam de lágrimas...


Revi o filme por estes dias. Foi o segundo filme do ano que (re)vi. O primeiro foi o Cyrano de Bergerac (1990). E ao rever o Tigre e o Dragão, mal ouvi o nome Li Bu Mai como que fui, de novo, transportado no tempo para aquela sala de cinema. 

Não há eternidade nas coisas que podemos tocar. O meu mestre costumava dizer:
Não há nada a que nos possamos agarrar neste mundo. Só deixando ir é que podemos possuir o que é real". 
Mesmo para um velho tauísta como tu, nem tudo é real. Quando me seguravas a mão, isso não era real?
A tua mão é fria e tem calos de praticares com a faca. Todos estes anos nunca tive coragem de lhe tocar. Há tigres aninhados e dragões escondidos no submundo, tal como os sentimentos. As espadas e as facas têm perigos escondidos, tal como as relações humanas. 
Eu dei a Espada Verde do Destino com sinceridade, mas trouxe-nos problemas. 
Reprimir os sentimentos só os torna mais fortes. 
Eu não posso reprimir o meu desejo. Quero estar contigo. Estar sentado assim, dá-me uma sensação de paz.


O Tigre e o Dragão teve dez nomeações aos Oscares e é considerado por alguns críticos como um dos melhores filmes de sempre. Para mim, mais importante que a crítica mais ou menos positiva é tratar-se de um dos meus filmes preferidos. 

E esta é a publicação 1000 deste blogue. 


domingo, 16 de setembro de 2018

Separar-nos-emos para que o nosso Amor Sobreviva. Entendes?

"No amor verdadeiro, a comunhão dos corpos realiza-se como o coito das flores, como as bodas dos insetos. Os insetos, que sublimes mestres do amor! É muito mais interessante ver como amam os coleópteros do que as cortesãs, as atrizes, os poetas, os frades, os filósofos e os reis. 
- Sinto-me inteiramente tua! confessava Mélita ao amante. - A minha peregrinação pelo mundo talvez fosse apenas a procura de um homem que me completasse, a procura de ti. 
- Não buscavas a solidão? 
- Há uma coisa mais bela que a solidão: a solidão a dois. Existiam em mim grandes reservas de amor em estado latente; tu foste aquilo que os fotógrafos chamam o líquido revelador. Deixarás um grande traço na minha vida!
- Falas como se tivéssemos de nos separar amanhã.
Amanhã, não; mas breve. O nosso amor foi episódio tão espontâneo e imprevisto na minha vida que não deve alcançar o peso de um vínculo, nem marchar num hábito. 
Separar-nos-emos para que o nosso amor sobreviva. Entendes?

A Virgem de 18 Quilates - Pitigrilli (1924)






quarta-feira, 25 de julho de 2018

Oh Não se Mate


Via Pinterest


Não se mate

Carlos, sossegue, o amor 
é isso que você está vendo: 
hoje beija, amanhã não beija, 
depois de amanhã é domingo 
e segunda-feira ninguém sabe 
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Coisas que me Lembram de Ti

Foto emprestada da net
Bem sei que já te diziam que eras muito parecida com a Cristina. Até eu mesmo te surpreendi quando viste que eu tinha um poster da Cristina na garagem e te disse que também já tinha pensado nisso. Mas olha que, e não é de agora, que eu acho que és muito mais Ana que Cristina. Sim, a sério! Ou então, isto foi só desde o dia em que apanhei um valente susto, em que estava na bicha de um posto de combustível e olho para a minha direita e vejo-te na capa de uma revista! "Ui, que é que ela está a fazer numa capa de revista? Estarei a ver bem?" 

Acho que isto faz parte do processo, ou pelo menos do meu processo. Já tenho obrigação de o conhecer bem. É uma espécie de stress pós-traumático depois do fim de uma relação e em que se continua a gostar muito da outra pessoa. E agora que penso até nem é uma coisa que se fale muito, ou eu pelo menos nunca ouvi falar. Mas existe e pode ser muito complicado para ultrapassar. Afinal, não são só os ex-combatentes de guerra que ficam com traumas. E eu até estou em crer que a maioria dos traumas e os mais complicados que as pessoas carregam ao longo da vida, foram vividos na infância. E certamente que depois dum evento emocional fortemente traumático podem ficam sequelas para o resto da vida. (Coitadas daquelas crianças que o cabrão daquele filho-da-puta do Trump está a separar dos pais). E como é que não podiam ficar traumas, se uma das coisas mais fortes que emocionalmente experienciamos na vida é o amor? 

Ainda que, no meu caso e em boa verdade, esse stress pós-traumático se tenha transformado noutra coisa qualquer, uma vez que, ver-te nos mais variados sítios é sempre motivo de sorriso e de quase galhofa. Sim, também se pode ter transformado em loucura, é bem verdade!

Mas é claro que eu sei perfeitamente que, por exemplo, continuar a ver o teu carro em todo o lado não é nenhum sinal do Universo... Para ser honesto, e aqui que ninguém nos lê, se calhar acho que é... Se calhar também pode ser sinal que têm de existir muitos carros iguais ao teu, mas significa também que os meus olhos ignoram a maioria dos carros e só reparam em alguns. E os nossos cérebros fazem isso inúmeras vezes, mesmo que seja sem nos apercebermos, E não raras as vezes só vemos o que queremos ver. E três anos depois, ainda ver ainda o teu carro em todo o lado, significa só que, mesmo passado todo este tempo, e mesmo depois de me ter voltado a deixar encantar de novo por outra pessoa, tu continuas muito presente nas minhas memórias. Porque há coisas que não se esquecem, e mesmo que eu conseguisse, na verdade também não me quereria esquecer de ti.

sábado, 26 de maio de 2018

O Pragmatismo Chegou ao Amor

Agora que já fiz a digestão do meu próprio livro, eu acho que o meu livro e os últimos livros que eu tenho escrito, são sobre a nossa incapacidade de amar. Não é só azar não é só incompatibilidade de feitios... Não. É que acabaram algumas coisas que antes eram sagradas. E ainda bem que já não são como a renúncia, a entrega, a dádiva o amor incondicional, o amor unilateral que acontecia muito no caso das mulheres, etc. O próprio sentido de sacrifício. Isso tudo está completamente arredado da nossa vida do quotidiano... O pragmatismo chegou ao amor.

No caso deste livro ele vive no Porto ela vive em Lisboa já não dá muito jeito. E dantes tinha de haver diligências que levavam uma carta ao fim de seis meses, de um amante que estava embarcadiço ou não sei quê. Pronto. Hoje em dia há todas as facilidades. Podemos falar ao minuto com quem estiver na Austrália mesmo assim o amor não se aguenta com muitas dificuldades. 

Isto é a minha última descoberta, que parece uma paliçada, e que eu não acho que seja. Eu tenho três casamentos falhados, e tenho uma tendência universal de dizer: "foi azar". Não foi azar porquê? Primeiro porque isto é um bocadinho a história da Cinderela ao contrário. Tens um sapato que servia e é aquela a amada. E aqui é: "nós temos que ter o mesmo sapato". O sapato está um bocadinho apertado já não andamos bem;  se está largo já andamos como umas patas. Portanto, a chinela para o nosso pé é das coisas mais raras e difíceis de conseguir. É como acertar no Euromilhões. Ou desromantizamos  a hipótese de termos ao virar da esquina uma pessoa que seja a chinela do nosso pé, e percebemos que quando isso acontece, é aí sim, uma bênção extraordinária que temos que honrar, ou não nos vamos sentir frustrados quando cada vez que um sapato começar a apertar ou a alargar. Basicamente é a nossa incapacidade de amar. 


Rita Ferro, a propósito do seu último livro "Um amante no Porto" no programa "À volta dos livros". 

domingo, 18 de março de 2018

Perdidos na Desolação do Amor


"Aqui eu me sento junto ao fogo,
As chamas amargas do licor aquecem minha alma lânguida.
Aqui eu bebo sozinho e lembro,
Uma vida esculpida, a memória dela.
Neste copo, o veneno do amor,

Porque o amor é o veneno da vida.

Perdidos na desolação do amor,
As paixões que colhemos e semeamos.
Perdidos na desolação da vida,
Este caminho que trilhamos...


"A Desolation Song" / The Mantle / Agalloch / 2002

Não Basta Gostar

"Não. Há pessoas que ainda gostam uma da outra (eu sei que isto faz muita impressão a determinadas mentes) mas é assim, há pessoas que ainda gostam uma da outra, e chegam à conclusão que não conseguem viver juntas. Estou completamente disponível para aquele argumento, "mas se gostassem mais, tentavam mais". Eu lamento muito mas, do que a experiência me diz (o que é muito pouco romântico) é que não basta gostar. De vez em quando, nós temos maneiras de estar na vida, que tornam a convivência impossível." 
(Júlio Machado Vaz)

"Criar um filho com o "Ex" - O Amor é / Antena 1




domingo, 7 de janeiro de 2018

E Não deveria o Amor ser Sempre o mais Importante?

Estávamos junto ao Cais de Gaia a conversar dentro do carro. De repente a conversa derivou para a temática dos filhos. E talvez essa conversa não tivesse aparecido por acaso. Quando estamos apaixonados por alguém, especialmente há pouco tempo, e já não somos umas crianças, vamos analisando o outro, tentando perceber que terreno pisamos, com o que podemos contar. Creio que ela estava a ser mais analítica que eu, apesar de, como é lógico, também eu, ainda que de uma forma mais distraída fosse apreendendo que mulher era aquela que me abalou as estruturas. 

"Eu vou ter dois filhos", disse-me. Eu ouvi isto, não como um desejo muito grande da parte dela, mas como um facto. Eu sabia que ela só me estava a informar. Nesse momento uma grande tristeza abateu-se sobre mim e ela percebeu-o. Porque eu nunca quis ter filhos. E a determinada altura, ainda dentro do carro, abraçamo-nos. 

Lembro-me perfeitamente de conversarmos sempre de forma tranquila, e de lhe ter perguntado se ela afinal procurava um homem que a amasse ou se buscava um pai para os filhos dela. Claro que a resposta era óbvia: ela queria os dois. Mas para mim, não ter filhos é um duplo sentimento de amor, ainda que, se calhar, poucos o entendam. Antes de mais, e por maior ordem de importância, para mim, não querer ter filhos é um ato de amor pela mulher que amo. Depois, e só depois, porque a minha mulher teria de vir sempre em primeiro lugar, não colocar filhos neste mundo e nesta sociedade apocalíptica, seria um ato de amor por eles.

Mas é sempre tudo tão irónico... É tão irónico porque eu não deveria estar aqui a escrever. Muita coisa não era suposto ter acontecido, porque se tudo tivesse decorrido normalmente, eu hoje não estaria aqui neste mundo. Talvez não esteja mesmo. Talvez isto seja só uma realidade alternativa, de como seria o mundo destas pessoas a quem me dei, e como é que seria se eu tivesse nascido e vivido no meio delas. Se calhar só mesmo eu é que vejo esta realidade alternativa. Porque muitas vezes bem tento, mas parece que as pessoas me olham mas na realidade  não me vêem. É como se eu estivesse noutra dimensão, os visse e ouvisse mas não me vissem a mim, nem lhes pudesse tocar. 

Eu fui transplantado no tempo e fiquei a reviver estes momentos, ainda tão presentes, quando esta semana estive com um casal a degladiar-se, porque um dos dois quer ter muito pelo menos um filho, mesmo que não seja para já, mas o outro parece-me que, por sua vontade, nunca iria querer ter nenhum.
.
E o que é que se faz quando num casal um quer ter filhos e o outro não quer? Cedências? Consensos? Mas como é que se cede ou se chega a um consenso nesta matéria? Ter filhos contra a vontade, ou ficar toda a vida frustrado sem filhos (quando se tem companheiro para os fazer) não é bem o mesmo que ir ver um filme que à partida se sabe que não se vai gostar, mas a que se vai só para fazer fazer a vontade do outro. Ter ou não ter um filho não é bem o mesmo que chegar a um acordo sobre se compramos um monovolume ou uma carrinha, se passamos a comprar açúcar amarelo em detrimento do branco. Esta questão dos filhos é um bocadinho mais complexa que isso.  

E sem dúvida que ninguém deveria ficar frustrado e triste por passar uma vida sem ter filhos. Tal como ninguém deveria sentir-se obrigado a ter filhos contra a sua própria vontade. E acho que ninguém pode dizer que uma posição é mais ou menos importante que a outra e acho que é sempre preciso respeitar-se a vontade do outro, ainda que se possa conversar muito a esse respeito e quem sabe, eventualmente, as pessoas possam chegar a um entendimento.

Na verdade eu não sei como é que um casal resolve essa questão sobre os filhos, quando um tem um desejo oposto ao outro. Mas o que eu sei, de certeza, é que o Amor vem sempre muito antes dos filhos. E não deveria o Amor ser sempre o mais importante?

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Love is a Losing Game



Uma exposição de Maria Imaginário e Mariana, a miserável 
Inaugura no dia 9 de Novembro às 18 horas no espaço Art Room - Príncipe Real. Desde que se conheceram, descobriram que fazem parte da mesma equipa... A equipa dos incuráveis românticos, dos lesionados das emoções e magoados no coração. A equipa que perde.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A Viagem

Nunca fui de me apaixonar facilmente. Talvez isso também tenha a ver com o facto de eu não ser a pessoa-tipo por quem facilmente os outros se apaixonam. Ou talvez uma coisa não tenha nada a ver com a outra, afinal, o facto de nos apaixonarmos por alguém nada tem a ver com os outros se apaixonarem ou não por nós. Mas ainda assim, nestes jogos, há sempre um que corre mais atrás do outro e o outro pode-se deixar apanhar, pode fugir, pode ficar no seu canto, ou pode simplesmente aceitar jogar o jogo e ver no que a coisa vai dar. 

Se eu corri mais ou deixei-me apanhar mais vezes? Não sei, mas acho que a coisa deve estar mais ou menos a fazer. Acho que na maior parte das vezes nem nós mesmos sabemos se estamos a correr atrás ou se estão a correr atrás de nós. Simplesmente, às vezes, é bom ter uma companhia ao longo do caminho, e não sabemos muito bem se essa companhia vai chegar ao fim da viagem ou se vai sair umas estações antes.  

As viagens são longas. E muitos são os caminhos que cada pessoa percorre e os diferentes caminhos de diferentes e desconhecidas pessoas cruzam-se constantemente, muitas vezes sem sequer esperarmos ou estarmos predispostos para que nos acompanhem. Eu não sei se é karma, se é destino ou nenhum dos dois, mas ainda assim, somos sempre nós que decidimos se determinada pessoa pode entrar nas nossas vidas ou não. E se entra, somos sempre nós que decidimos caminhar junto com ela, ou quando é que ela terá de seguir a sua viagem sozinha. 

Comigo, infelizmente, nesta longa viagem que é a vida, tem-me acontecido inúmeras vezes de eu cruzar no caminho de outras pessoas, que também elas andam nas suas viagens e, muitas vezes sem nos apercebermos, decidimos seguir viagem juntos. Mas digo infelizmente, porque algum tempo depois, passe muito ou pouco tempo, muitas acabam por embarcar por outras linhas e decidem não me acompanhar.

Via Pinterest
No que ao amor diz respeito, é preciso (pelo menos para mim é) que eu caminhe durante um bom tempo sozinho até que deixe alguém acompanhar-me. Para mim tem sempre sido preciso tempo. Muito tempo. Não é tempo para esquecer porque eu nunca vou esquecer, mas é preciso que o tempo cicatrize e me cure de alguma forma. E não é de uma enfermeira que eu preciso, ainda que brincar aos médicos pudesse ser engraçado. Mas é mesmo de tempo, só de tempo que eu preciso. 

Lembro-me perfeitamente que já tinha passado muito tempo, quando certa noite, num bar do Porto, uma jovem que lá trabalhava a recolher copos, que eu tinha acabado de conhecer (apesar de termos combinado qualquer coisa num fórum da net) e que já estaria bem bebida, de repente, começa-me a meter a mão, por dentro da roupa. Parecia que era tudo dela. Mas não era. Aquilo além de me causar arrepio, deixou-me um pouco desconfortável. Tanto tempo depois, era a primeira vez que uma mulher me punha a mão no pelo. Literalmente. Até então, durante muitos anos, eu só havia sido tocado pelas mesmas mãos que eu tão bem sabia como me tocavam. E aquelas eram umas mãos estranhas para mim. No fundo, senti-me até como se estivesse a trair. Evidentemente que não a mulher que há muito já havia decidido seguir viagem por outra linha, rumo a um novo destino, na companhia de outra pessoa, mas era como se me estivesse a trair a mim. Como se traísse o sentimento por aquela pessoa,e que estava tão enraizado dentro de mim. Era como se eu não pudesse. E eu podia. Podia tudo que eu quisesse com aquela jovem alcoolicamente com o pito aos saltos. Podia mesmo tudo.

E o tempo vai passando e novas pessoas cruzam o nosso caminho e interagem connosco. Ao mesmo tempo, a estação daquela pessoa que antes caminhava connosco e desceu para seguir viagem sem nós fica cada vez mais para trás, mais distante. Às vezes até é confuso.Temos saudades do passado e ao mesmo tempo saudades do presente. Mas o novo começa a ficar cada vez mais presente nas nossas vidas, dia após dia, após dia. Passado e presente distanciam-se lentamente. Novas e frágeis ilusões se criam, muitas vezes para se desmoronarem mais à frente de novo. Mas seja como for, nós temos sempre de prosseguir viagem...

domingo, 2 de julho de 2017

Monogamia ocorre em Menos de 5% dos Mamíferos... e nem os Arganazes são fieis!

"O amor monogâmico acontece em algumas aves (como o mandarim) e em menos de 5% das espécies dos mamíferos. Entre elas, claro, estão os seres humanos, os castores, as lontras, os lobos e os arganazes-do-campo. 

E eu admiro extraordinariamente a sua fé nos seres humanos... para os pôr nesta lista com essa tranquilidade toda!


Arganazes-do-campo  (Todd Ahern)

Eles (os arganazes-do-campo) assim que acasalam, os machos e as fêmeas preferem sempre a companhia do se parceiro, andam sempre lado-a-lado e zelam muito pelos seus filhos. 

Mas repare uma coisa que disse, que é importante: assim que acasalam. Tem de haver acasalamento. Agora vamos pela estrada do costume nestes trabalhos, que é: e como é com os humanos?
A transposição imediata é dizer assim: a primeira pessoa com quem nós tivermos relações sexuais, nós ficamos com ela em relação monogâmica até ao fim da vida. 

O que acontece é que, como nós já dissemos (e neste artigo não vem mencionado e na minha opinião devia) é que mesmo nos arganazes monogâmicos, aquilo que se verifica é uma "monogamia social, porque pela análise genética dos bebézinhos arganazes, chegou-se à conclusão que em famílias monogâmicas, havia crias que não eram daquele pai. Ou seja (...) muitos deles são socialmente monogâmicos, mas sexualmente não são monogâmicos.  

O Amor é... (Diário)  - Júlio Machado Vaz


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ainda há Relações que Duram

Por estes dias via o filme "Woodsman" com Kevin Bacon e uma outra atriz, Kyra sedgwick, que até achei alguma piada. A senhora trabalhava numa serração, usava um lenço na cabeça a prender o cabelo, manobrava um empilhador com grande destreza e tinha um carro todo-o-terreno. Certamente que não era a senhora tipicamente feminina, com maquilhagem e saltos altos. Mas eu achei-lhe muita piada e fui investigar. 

O nome Kyra Sedgwick não me dizia absolutamente nada apesar da cara não me ser estranha... mas há tanta mulher loira na indústria cinematográfica, sei lá, podia estar a confundir com outra parecida ou então até já me ter cruzado com ela antes num outro filme qualquer.

Via Pinterest
Mas o que me chamou logo à atenção, foi saber que ela é casada com o próprio Kevin Bacon. E mais interessante ainda, foi saber que eles estão casados há mais de 28 anos!

Um casal de Hollywood, bonito, que se deve cruzar com inúmeras outras pessoas, um caminho fácil de perdição, e que se mantêm juntos, firmes há vinte e oito anos...

Mas a história vai de encontro a um teoria em que eu acredito cada vez mais: há pessoas que circulam sempre muito perto de nós, e que terão de obrigatoriamente se cruzar connosco. Comigo isso tem acontecido muitas vezes. 

E também aconteceu com eles. Nos anos setenta, ele tinha 19 anos, e estava a fazer uma peça de teatro, e na plateia estava uma menina de 12 anos que gostou logo muito dele. Claro que, por causa da diferença de idades - naquelas idades - nada se passou, mas viriam de novo a encontrar-se, uns anos mais tarde e casaram em 1988.

Estão juntos há mais de trinta anos, pois como é lógico não se apaixonaram num dia e casaram no dia seguinte. Há gente que, contra todas as expectativas, está junta há imenso tempo, e depois todos nós ouvimos falar nos quatro meses da paixão, na crise dos sete anos... E eles têm dois filhos estão juntos há mais de 30 anos!! 



Acho que são este tipo de casais que ainda alimentarão a esperança daqueles que ainda acreditam no amor ou que a sua relação possa fazer parte daqueles clube muito restrito que fica junto para sempre. Mas a realidade é muito dura... Em Portugal, a cada ano que passa, somos campeões europeus do divórcio e em cada 100 casamentos há 70 divórcios... 

Mas então qual é o segredo? Num vídeo que encontrei por mero acaso, a atriz e produtora fala em sorte de encontrar a pessoa certa, mas menciona também a questão das prioridades.

"Há tantas outras partes das nossas vidas, mas é importante quando temos as mesmas prioridades e sabemos que a nossa relação está sempre em primeiro lugar". (aplauso)