quarta-feira, 28 de junho de 2017

A Felicidade e a Solidão

Diz-se e lê-se por aí, que o amor, aquele amor que sentimos por outra pessoa, é partilhar a nossa felicidade. Que quem não está feliz sozinho, nunca o será a dois. Eu tendo a concordar, porque a nossa felicidade deveria ser um estado de alma interior, e não deveria depender de fatores como ter ou não companheiro(a), ter muito ou pouco dinheiro, ter muitos ou poucos amigos, etc. Mas por outro lado, nós também não somos felizes ou infelizes a tempo inteiro. Não é assim que a coisa funciona. Ao longo do dia é normal termos momentos mais felizes que outros, além de que todos vivermos fases mais felizes e outras de grande infelicidade, que por norma, estão quase sempre associadas ao amor, ironicamente, aquilo que se diz que nos completaria e nos faria felizes.

Por outro lado, isso do estado de alma interior também é muito bonito, mas a verdade é que, por exemplo, quando após um longo período de desemprego encontramos um trabalho na nossa área em que somos valorizados, ou graças a um novo tratamento passamos a ter uma outra qualidade de vida, ou ainda quando nos apaixonamos e somos correspondidos, a verdade é passamos a sentir-nos muito mais felizes do que antes. Nós não somos uma máquina, estanque, em que se carrega num botão e agora já estou estupidamente feliz. Ou como dizia o Barney: “When I'm sad, I stop being sad and be awesome instead”. Não, as coisas não funcionam assim, pelo menos comigo não!
Nó somos humanos e tudo o que nos rodeia é capaz de interferir, negativamente ou positivamente connosco, ainda que, mais numas pessoas que noutras.


E ultimamente, e não é de agora, que tenho vindo a sentir-me só...

No fundo eu sei que não precisaria de um batalhão de gente por perto para deixar de me sentir só. Até porque eu nunca gostei de grandes ajuntamentos, de muito barulho, de muita confusão. E nem sempre ter muitas pessoas por perto adianta de muito, pois pessoas há, que se sentes sós estando sempre rodeadas de gente. Talvez essa ainda seja uma solidão pior. No meu caso, talvez uma só pessoa chegasse para acabar com a minha solidão: seria aquela pessoa.

Ainda por cima nunca tive muitos amigos, e muitas vezes o pior é não os poder ter por perto.

"O teu dedo é como o meu. Aponta sempre para longe", disse-me certa vez uma amiga que, lá está, só vejo uma ou duas vezes por ano.

Mas eu sou feliz nas minhas pequenas coisas... A meter as mãos na terra e a observar todos os dias as minhas plantas. A sentir o cheiro da relva acabada de cortar ou a ver as gotas de orvalho nas teias de aranha. Sou feliz a observar as pequenas coisas da natureza. Acho que nunca precisei de muito para me sentir feliz. Sei que cometo as minhas futilidades é verdade, mas nunca foi a falta do material que me deixou triste, aliás, muito do que me deixa triste e revoltado, sempre foi, desde cedo, o que me rodeia, como a falsidade, a injustiça ou a hipocrisia.

Mas às vezes olho para o jardim, que não é nada de especial, mas é o meu cantinho que eu criei, e estou ali, sozinho. Acho um desperdício. Talvez o remédio para a minha solidão fosse partilhá-lo com outra pessoa. Talvez a solidão seja isso, falta de ter com quem partilhar as nossas coisas. Os nossos pensamentos, as nossas ideias, a nossa companhia... o nosso corpo. Ironicamente, é provável que ande por aí outra pessoa que se sinta só, e se calhar a nossa companhia seria o remédio para a sua solidão de outra pessoa.

O ser humano é um ser social, não é um lobo ou uma coruja solitária. E não me venham cá com essa tanga da felicidade interior, porque o que eu acho é que, ninguém consegue ser totalmente feliz sentindo-se só. E no meu caso, às vezes acho que não precisaria de muito. Bastaria a companhia de uma borboletinha em volta de mim, enquanto cuido do jardim.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Suicídio Político

Ele bem que já tinha avisado, que andava a refletir há muito tempo sobre a eutanásia....


Entretanto hoje decidiu suicidar-se politicamente:


domingo, 25 de junho de 2017

Algures. Longe de mim...



Olha...
Vem sentar-te comigo...
- Querida, a culpa disto é minha.
Não, é minha.
Ouve e não interrompas por favor. 
Ouve...
Se continuarmos juntos, estarás morta no Outono.
Não posso dizer-te mais, mas garanto-te que na realidade não envelheceste. 
Mal eu desapareça da tua vida, recuperarás a juventude e a beleza. 
Não me deixes, Dominic.
Por favor, não me deixes.
Eu estava condenado a perder tudo o que amo. 
Mas prefiro perder-te jovem e bela como eras e voltarás a sê-lo sem mim, do que ver-te morrer nos meus braços. 
- Prometeste que nunca me deixarias.
Eu vou deixar-te.
Se me deixares morrerei sem ti.
Se daqui a uns meses não estiveres como eras no Outono Passado, eu voltarei mal tenha notícias. São três ou quatro meses. Aguarda. 
Algures. Longe de mim. 
Não me deixes, por favor...


Youth Without Youth / Francis Ford Coppola / 2007 

Os Culpados do Incêndio de Pedrógão Grande

Tenho fugido das notícias sobre o incêndio de Pedrógão Grande como o Diabo da cruz! Mas digo-vos que não tem sido fácil! Basta abrir um qualquer site de um jornal, que de imediato levamos, no mínimo, com uns trinta artigos sobre o incêndio! Tenho de ser mesmo muito rápido no rato para não tropeçar numa qualquer desgraça pessoal. E depois também não é muito fácil escapar às notícias no local de trabalho apesar de, quando alguém me vem com o assunto, lá digo que não sei de nada sobre o incêndio, nem quero saber. Ainda assim, lá fiquei a saber que a Judite de Sousa andou ao chuto a um cadáver - suponho que, para estar verdadeiramente em cima da notícia! - ou que uma família, minutos antes de morrer queimada, tinha colocado no Facebook uma qualquer imagem romântica. Sim, informação  completamente irrelevante e desnecessária. 

Por isso, genericamente, acho que devo ser o português menos informado sobre o incêndio de Pedrógão Grande, desde logo porque não tenho televisão, não estou no Facebook, e não consumo todas aquelas noticiazinhas sensacionalistas, macabras e deprimentes que os nossos média são pródigos em difundir.



E como sempre, após uma desgraça como esta, lá vêm agora, comentadores ou políticos fazendo demagogia - ainda por cima a quatro meses de eleições - tentando retirar proveitos políticos, como verdadeiros soldados com as metralhadoras descontroladas, disparando em todas as direções, mas nunca disparando contra si mesmos.

Mas querem mesmo saber quem são os verdadeiros responsáveis pela tragédia do incêndio que vitimou 64 pessoas? Eu digo-vos!

Se toda a gente aponta a trovoada como a fonte de ignição do incêndio que vitimou 64 pessoas, então, processe-se desde logo Santa Bárbara, pois ela é a protetora das trovoadas. Seria da sua responsabilidade, desviar o raio para um sítio que não causasse danos de maior. E isto levo-nos ao óbvio São Pedro, como responsável máximo pela meteorologia. Num dia de altas temperaturas, mandar uns relâmpagos sobre um pinhal? Cadeia com ele!
Depois, também responsável, é a Nossa Senhora de Fátima que é da diocese de Leiria, distrito a que pertence Pedrógão Grande e que nada fez pela sua terra, apesar dos milhões de crentes que ainda lá estiveram o mês passado a rezar. Para que é que precisamos de um santuário e de uma santa milagreira, que sabe coisas - segredos! - se depois não faz nada por ninguém, nem pelas próprias pessoas que são da sua diocese?
E como tal, junte-se também ainda como responsáveis os Pastorinhos de Fátima, um vez que já são santos há um mês, e na sua primeira oportunidade que tiveram de fazer o seu trabalho, não fizeram qualquer milagre para evitar a tragédia – e afinal para que é que nós precisamos de santos se não sabem sequer fazer milagres? E se os santinhos falharam, isto leva-nos ao Santo Papa, pois foi ele que os ordenou santos, e que como se viu, não estavam ainda minimamente preparados para o alto cargo que a santidade lhes exige. Cadeia com o Papa também!

Em último lugar Deus, como responsável máximo por tudo aquilo que de mal criou, a começar, desde logo, pela humanidade.

sábado, 24 de junho de 2017

São João no Porto

Fernando Veludo / nFactos

Exércitos de Mortos-Vivos, aos milhares, de quem é difícil escapar por entre eles, com olhos de quem foi para a piscina nadar sem óculos de natação, munidos de martelo plástico numa mão e copo de cerveja na outra (pelo meio intervalado com o telemóvel) a correr para todo o lado e para nenhum em especial.

(E no meio de toda aquela confusão, abalroo um morto-vivo gigante e pesado, que vira-se para mim e diz: "You are very strong"!)

Avenida da Boavista



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Artigo 19º

"Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão."





Declaração Universal dos Direitos Humanos




terça-feira, 20 de junho de 2017

Caminhos


...Não tenho ninguém ao meu lado,
Certamente isso não está certo.
Certamente isso não está certo...



"Roads" / Dummy / Portished / 1994 


Só Quando me Apetece Time

Todos nós sabemos que existem dois tipos de horários: a tempo total (Full time) e a tempo parcial (Part-time) mas hoje constatei que ainda há um outro tipo: 

É o "Só-Quando-Me-apetece Time"! referiu de forma certeira a minha colega, aludindo ao nosso colega estagiário, que apesar de muito disponível e voluntarioso, gosta de trabalhar, mas só quando o trabalho lhe cheira, e quando lhe apetece, até porque, ainda por cima, há muitas tarefas que "não lhe competem"! 



Bom, se quiserem dar-lhe um nome pomposo estrangeiro, talvez lhe possam chamar: 

"Only-when-in-the-mood Time"!


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Será que as promessas prescrevem?

"Nunca mais ponho os pés no Hard Club".

Já foi há bem mais de dez anos. Doze ou treze anos talvez. 

Afinal já passaram mais de 14 anos. Haveria de ser remarcado a 15 Fevereiro 2003. Obrigado Internet.

O concerto era de três bandas portuguesas: Desire, Thanatoschizo e Azagatel
Eu tinha comprado previamente o bilhete na FNAC. E na semana do concerto tinha sido uma semana de cheias no rio Douro. E como rapaz previdente que era, passei na FNAC no dia do concerto para saber se este se ia mesmo realizar, e responderam-me que não tinham qualquer indicação em contrário. 

E lá fomos, eu a namorada da altura para o Hard Club, em Gaia, ali mesmo junto ao rio Douro. Chovia e ventava e a água do rio estava muito perto da estrada. Quando lá chegamos, muitas outras pessoas por lá estavam também a aguardar. E haveríamos de aguardar muito tempo. Da organização nem uma palavra. E as pessoas continuavam cá fora, ao vento e à chuva, sem perceber muito bem se ia haver concerto ou não. 

E eis senão quando, duas horas depois! vem cá fora um sujeito, de cabelo rapado dos lados, que até me pareceu ser o vocalista de uma conhecida banda rock do Porto, e coloca um papel na porta, a dizer que o concerto estava cancelado. 

Antigo Hard Club Gaia (http://oitentacoes.blogspot.pt/)

Obviamente que fiquei pior que estragado. Mas tratei de investigar. Agora que penso, se não estou em erro até estávamos no final de Dezembro de 2002. E como já havia internet na altura (ainda que eu não tivesse net em casa) tratei de contactar as bandas por e-mail, para tentar perceber o que tinha acontecido. E a banda que me respondeu foi Desire, que curiosamente até eram os de mais longe, de Lisboa. E o que fiquei a saber junto da banda, é que nem sequer estiveram no Porto no dia do concerto, pois já estava acertado com a organização do Hard Club que o evento iria ser cancelado. 

E pois então, se estava podre, ao saber da verdade pior fiquei. Questionei a organização do Hard Club e respondeu-me uma tal de Ana Póvoas. E a senhora, em vez de meter a viola ao saco e assumir o erro, não, arma-se em arrogante comigo. "Já que está tão bem informado" escreveu ela no e-mail... e ainda tive que me andar a chatear para reaver o dinheiro de volta, pois nem sequer sabia quando o concerto iria ser remarcado, e também não sabia se estaria disponível para ir, se de facto quisesse ir.

Mas na verdade eu não estava mais interessado em ir a concerto nenhum, nem estava mais interessado em pôr os pés no Hard Club, uma das salas mais interessante para concertos do país. E não estava porque como cliente não gosto de ser maltratado, pior ainda, quando reclamo ainda se armam em arrogantes comigo. E eu ia frequentemente ao Hard Club. Vi lá bastantes concertos. Mas a partir desse dia disse: "Não mais ponho os pés no Hard Club" e não pus mesmo. 

Mas três anos depois, o Hard Club de Gaia até acabaria mesmo por de encerrar portas. 

“O Hard Club vai fechar portas devido ao elevado montante de dívidas acumuladas, adianta o Correio da Manhã. O jornal adianta ainda que o espaço de Vila Nova de Gaia pode ser vendido a particulares que o transformarão num restaurante de luxo. A gerência do espaço, assegurada por Kalú, dos Xutos & Pontapés, está também a tentar assegurar um novo local para manter em funcionamento o clube, também na área do Porto.”

(http://oitentacoes.blogspot.pt/)
E haveria de reabrir, anos mais tarde, em 2010, mas do outro lado do rio, na cidade do Porto, ocupando o espaço do Mercado Ferreira Borges. Mas ao que parece a má gestão continuou, pois chegou a ser público que a empresa tinha salários em atraso aos trabalhadores e não pagava a renda mensal de 2500€ à Câmara Municipal do Porto.

Cheguei a ir lá. Mais do que uma vez. Levar amigas que não eram da cidade. Mas nunca fui a um concerto. Lembro-me até de, certa vez, uma amiga me ter feito esperar até às três da madrugada. só porque queria uns autógrafos e umas fotografias com os músicos de Anathema. 

Cheguei foi a ir ao bar para comer qualquer coisa. E esperei e esperei e esperei. Sentado! Não havia jeito dos empregados virem fazer o pedido. E acabei mesmo por me chatear, levantei-me e vim-me embora, pensando que realmente, aquela empresa, é mesmo uma casa a arder. 

Nunca mais lá meti os pés. Sim "eu sou fodido" como dizia um amigo meu. Sou fodido porque sou um homem de palavra. Mas agora estou a pouco mais de 24 horas de quebrar a promessa. Há longos meses que uma amiga me tinha convidado a ir com ela ao concerto de HIM (banda que até nem me diz grande coisa pois nunca fez parte do meu cardápio musical) mas disse-lhe que sim. Afinal, tantos anos depois, é mais importante uma amizade que uma frase dita há tantos anos. 

E na verdade o local até já nem é o mesmo, até é numa cidade diferente, apesar de curiosamente ser a pouco mais de 1Km! Mas a empresa, sim, essa é a mesma. Mas será que há aqui alguma espécie de atenuante? E afinal passaram mais de 14 anos... 

E depois, por estes dias, ela vem-me dizer que já há gente a oferecer 500€ por um bilhete. Quer dizer, 500€ é dinheiro! Bom quem sabe, por artes mágicas, ainda pode ser que o venda! Porque se não, estou na dúvida: vou ou não quebrar uma promessa 14 anos depois?

E será que as promessas também prescrevem?... assim mais ou menos como as investigações ao Paulo Portas, estão a ver?

A roupa para o Concerto

Liga-me a minha amiga. Está com uns problemas - e já sabemos que um mal nunca vem só - mas tudo o resto são coisas menores quando comparado com a situação absolutamente dramática que está a viver: não saber que roupa levar amanhã ao concerto.

- Como é possível que uma mulher não tenha planeado a roupa que ia vestir, sei lá!, pelo menos com um mês de antecedência?! 

Bom, eu acho que vou escolher da minha t-shirt mais ou menos assim:



Eta do "I Love Blood" até é bem gira. Aposto que ia fazer sucesso!

Spike, do filme Nothing Hill / 1999

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Coração de Desportista

"Já vos contei que a enfermeira disse que eu tinha um coração de desportista? Ah pois é!"

Passei o dia de ontem a dizer isto aos colegas de trabalho. E é verdade, eu por vezes consigo ser mesmo muito chato.  Por que é que acham que eu ainda estou solteiro? Não há mulher que me ature! 

Passou-se mais um ano, e lá tivemos nós mais uma consulta de medicina do trabalho. E isto agora é muito modernaço, nem temos de sair da empresa, sair e arejar, perder duas ou três horas e regressar. Agora são eles que vêm até nós, para os trabalhadores não perderem produtividade. 

Eles vêm à empresa e em minutos - não devo ter estado mais do que cinco minutos dentro da carrinha - e já nos conseguem dizer se estamos aptos ou não para trabalhar. Basta medir a pressão arterial, levar uma picada no dedo, e encostar um aparelho ao peito que se vê logo se estamos aptos ou não para trabalhar! Eu estou em crer que antigamente, quando se compravam escravos - uma pouca vergonha terem acabado com a escravatura, ao que isto chegou!, pois agora têm que pagar pelo trabalho e tudo! - e eu estou em crer que antigamente, quem comprava escravos, demorava bem mais tempo a analisar se determinado preto(a) estava em boas condições! 

Agora não há cá tempo a perder, tem de ser tudo muito rápido como convém, à tão falada produtividade. É sempre a aviar, sempre a despachar, que há muito dinheiro para ganhar noutras freguesias.



Cinco minutos e já se sabe tudo!

Um gaijo até tem um cancro terminal, está com os pés para a cova nos próximos dias, mas tem a tensão boa e os níveis de açúcar no sangue impecáveis, está apto para o trabalho! 

Eu fui logo o primeiro. As minhas colegas já tinham avisado, que ela, a enfermeira, era feia. Mulheres! Eu achei-a simpática, e para mim, feias são as mulheres que não sabem sorrir. E lá por uma mulher usar uns óculos com alguma graduação já é feia? Mulheres! 

E depois de me apertar o braço para medir a tensão arterial, e de me picar o dedo, lá me disse, depois de encostar um aparelhómetro, mais pequeno que os telemóveis de agora, ao peito:

"Pratica desporto? Tem uma frequência cardíaca baixinha, típica dos desportistas". 

(e nem queiras saber como são outros dos meus órgãos! Olha, se soubesses como é a minha vesícula ou meu fígado, ficarias boquiaberta!)

E lá empurrei a porta para ser visto pelo médico. E "ser visto" é mesmo a expressão apropriada, Ele só olhou para mim, e não fez mais nada, além de, durante um minuto me ter perguntado meia dúzia de coisas a que respondi quase sempre na negativa. E lá saí da carrinha e fui trabalhar. 

Eu já vos disse hoje que tenho um coração de desportista? 

(ou então estou a morrer!)

À Procura do Corpo de Deus

Quinta-feira, feriado.

A meio da manhã ouvia na rádio que era uma confusão de trânsito nos acessos às praias.

Brooklyn Bridge, NYC, 1951

Como em Portugal temos mais de 90% de cristãos, não tenho qualquer dúvida que, motivados pela fé, levantaram-se todos cedo e foram para a praia...

... para ver se encontravam o Corpo de Deus!


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Correios Privados de Portugal: um Serviço de Merda II

Num só dia, duas situações. 

O meu colega de trabalho tinha encomendado umas lentes de contacto, e a empresa enviou via CTT expresso e indicou-lhe o código do registo para ele poder acompanhar a encomenda. Os CTT enviaram-lhe uma mensagem avisando que a encomenda seria entregue no dia seguinte, como aliás tem de ser.
Mas uma encomenda que deveria ser entregue na quarta-feira da semana passada, acabou por ser entregue, hoje 2a feira. Talvez a encomenda tenha primeiro ido dar uma voltazinha pela Europa antes de ser entregue! E ele como não tinha lentes para ver, teve de ir comprar algumas. 



E hoje mesmo, os meus pais foram deixar umas encomendas minhas nos correios. E eis que entretanto chega lá uma menina que andava a trabalhar para os CTT, licenciada, mas a trabalhar por conta de uma outra empresa, e diz para a menina do nosso posto que apresentou a demissão. Era o primeiro mês e pagaram-lhe, tarde e a más horas, um salário de 300€ e ainda tinha de utilizar o próprio carro para trabalhar! 

"Lá vão as pilhas de cartas aumentar de novo" disse a nossa funcionário do posto dos correios. 

Vergonha Passos? Vergonha foi teres privatizado o serviço de correios que agora está uma valente merda, e que antes, quando era público, era reconhecido como um dos melhores do mundo. 
Borra a cara com merda antes de falares em vergonha. 

domingo, 11 de junho de 2017

O Jardim


Eu bem ando pelos jardins que tanto me apaziguam
E bem olho as heras a crescer
Mas nem por isso se faz Luz
e entendo os planos maquiavélicos que Tens
para mim...


"The Garden" / Kari Jobe / 2017



terça-feira, 6 de junho de 2017

Eu vou ao Fundo mas tu vens Comigo

Todos os dias às 8h15, uma vítima de gémeos fala sobre como os filhos são do pior que pode acontecer a uma pessoa.

No programa de hoje da Antena 3 é absurdamente genial:

"Hoje gostava de mostrar aqui a minha solidariedade no que toca às pessoas sem filhos. As pessoas sem filhos sofrem de um bullying tramado. Fogo. Je-suis-pessoas-sem filhos (só que com filhos). Aliás, eu quanto mais tenho filhos mais percebo as pessoas sem filhos. Há duas grandes razões para uma pessoa não ter filhos, mas já lá vamos, porque primeiro há duas grandes razões para as pessoas fazerem perguntas. 

Uma é porque sim. Porque o ser humano é assim pró perguntadeiro. A outra é uma teoria que eu cá tenho. Que é a teoria do "eu vou ao fundo, mas tu vens comigo".As pessoas com filhos ficam assim com uma espécie de uma estranheza... 
Namoraram, casaram...mas não têm filhos! É como se a vida tivesse dado erro. Empancou ali e não anda mais. 

E depois estão ali enterradas num lodo de fraldas e birras e ranho e gritos, e querem arrastar mais uns quantos para a lama, só para não terem de os ver acordarem ao meio-dia, ou a fazerem o que lhes apetecem, só porque podem. E depois pensam: "então, estou aqui eu tão ocupado a ser um adulto - quem são estes irresponsáveis que ousam continuar a divertir-se como se não houvesse amanhã? Não ouviram o chamamento, hein?" 


E então claro, lá vem a perguntinha não é? Então e vocês,quando é que tem filhos? Quando é que fazem um destes?  Também aqui há duas grandes razões para uma pessoa não ter filhos. 
Uma é porque não quer. A outra é porque não pode. E como é que nós sabemos de qual dos casos se trata? Não sabemos! 

Mas, calma, eu penso que, eu não sei... Eu não tenho a certeza absoluta do que estou a dizer, mas eu penso que a Terra vai continuar a cumprir a sua rotação mesmo se as pessoas não estiverem no poder dessa informação sobre a vida dos outros. Até porque parecendo que não, perguntar uma coisa a uma pessoa que ela quer e não tem, pode ser chato. Se for uma coisa que ela não tem e não quer, se calhar não tanto, mas não há muito por onde escapar. Por isso, a menos que alguém diga, o melhor é fazer como dizia o outro, e seguir a máxima: "Se não sabe, então por que é que pergunta"? 

Inês Lopes Gonçalves / O Pior do Mundo são as crianças

O Pior do Mundo São as Crianças de 06 Jun 2017


Era o António que Mexia

Portugal é o quarto país da Europa onde as famílias pagam a eletricidade mais cara. Mas para António Mexia, ex-ministro do PSD e atual presidente da EDP: 

"A eletricidade não é cara. As casas é que estão mal construídas"!


Lá está mais uma vez a lógica da batata, pois se eu construir uma casa muito bem construída estou em crer que que o preço que a EDP me cobra continuará a ser o mesmo, ou será que por a casa ser bem construída, de noite não preciso de acender as lâmpadas, nem cozinhar ou ligar o computador à corrente? 

Mas depois de, por estes dias, ter ficado a saber que o senhor presidente da EDP foi constituído arguido por corrupção,



..então finalmente percebi. A eletricidade não é cara em Portugal, o António é que Mexia no meu contador e no meu bolso!

(Claro que devemos sempre presumir a inocência dos arguidos. O problema é que os ricos e os políticos em Portugal são (quase) sempre inocentes! E depois este trocadilho estava mesmo a pedi-las!)

domingo, 4 de junho de 2017

Maxmat desenvolve novo Combustível: GAZOLINA!

Ando a pensar em comprar um corta-relva a combustão, mas fiquei surpreendido com um novo tipo de combustível que a Max Mat está a comercializar: a Gazolina!! Alguém sabe-me elucidar acerca deste novo combustível?



Agora a sério, pergunto-me como é que uma grande empresa como esta não tem um revisor para os seus catálogos. Eram escusados estes atropelos ao português.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Câmaras Municipais: Centros de Dia dos Ladrões Velhinhos


Valentim Loureiro, 78 anos volta-se a candidatar à Câmara de Gondomar depois de ter sido condenado a uma pena de três anos de cadeia. 
Avelino Ferreira Torres, 72 anos, condenado a três anos de cadeia, é candidato à Câmara Municipal de Amarante. 
Isaltino Morais, 67 anos, condenado a sete anos de cadeia e perda de mandato, é de novo candidato à Câmara Municipal 
de Oeiras. 

Eu estou em crer que muitos gondomarenses já estarão a pensar em renovar alguns eletrodomésticos! E muitos outros eleitores já estarão a ressacar por poderem votar num candidato ladrão, mas daqueles com diploma, condenados em tribunal e tudo. 

Mas ladrões ou não, todos estes autarcas velhinhos acharão que as câmaras municipais são os novos centros de dia para cuidar deles. Daqui por uns meses logo veremos o que os eleitores acharão da ideia do regresso deles.