quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O Bode Expiatório

"Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós"


"... E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para expiação do pecado e um carneiro para holocausto. Depois Arão oferecerá o novilho da expiação, que será para ele; e fará expiação por si e pela sua casa. Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da congregação. E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo Senhor, e a outra pelo bode emissário. Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá para expiação do pecado.
Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário. E Arão fará chegar o novilho da expiação, que será por ele, e fará expiação por si e pela sua casa; e degolará o novilho da sua expiação. (Levítico 16)

Via Google Images
Nos dias de hoje, bem longe dos tempos hebraicos que a citação acima do Levítico descreve na bíblia, aplica-se a expressão de "Bode Expiatório" para apontar o escolhido, arbitrariamente, que mais convém no momento, para arcar, sozinho, com a responsabilidade de uma calamidade, de um crime, ou qualquer evento negativo, embora não tenha sido ele a cometê-lo. O bode expiatório é muito empregue na propaganda política. Alguém tem de ser degolado, sacrificado, para todos os outros passem incólumes, por entre os pingos da chuva, e para que todos nós sejamos salvos. Ámen.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Conversas Improváveis (14)


Via Pinterest

No trabalho, uma colega:

"Há gente que parece que nasce com o cu virado para a Lua. Eu gostava era de ter a Lua dentro do cu."


Certezas & Gavetas

"Olhe, em áreas como a igualdade, os direitos das minorias, etc. O movimento que muitos de nós pensaram e desejaram que seriam um movimento sem passos atrás, tenho dúvidas... É evidente que, com alguma frequência, disfarçado pelo politicamente correto, mas (...) olhe, por exemplo, em relação às homossexualidades, se a Inês pensa que eu só oiço reticências ou pontos de exclamação escandalizados das gerações mais velhas, está completamente enganada. Eu oiço de gente muito mais nova as velhas frases "tudo bem, mas então façam essas coisas em casa deles... não à vista de todos". Eu ainda oiço gente, e isto é doloroso para alguém com o trajeto que eu tenho. Eu ainda oiço gente de dezoito, dezanove, vinte anos, empregar palavras como "que nojo" ou "que vergonha" em relação a outras pessoas. 


Via Pinterest

Olhe, quer ver outro exemplo clássico? É assim. "Não tenho nada contra os gays, etc, mas, que necessidade é que eles têm de fazer uma parada e isto e aquilo...?" Uma pessoa não tem obrigação nenhuma de gostar de paradas, aliás de gays, ou sem serem gays. Por exemplo (fora da questão da orientação sexual) eu, por exemplo, por vezes sentia-me envergonhado com o que observava nas paradas das queimas das fitas, porque de repente, havia uma parcela da população, que podia passear-se pela cidade, bêbaba como um cacho (ou pelo menos a maior parte) porque era estudante universitário e porque se estava naquela semana. E espetáculo não era edificante. Mas o que  é curioso, é que as pessoas dividem isso, espontaneamente, pela orientação. Como se aquilo, aquele tipo de espetáculo, só pode ser feito pelos gays. Os heterossexuais são incapazes e fazer aquilo. O que não é verdade. E depois esta questão de homogeneizar toda uma população é outro erro. Eu conheço gays que não apreciam nada as paradas de orgulho gay, e que alguns até dizem assim: "eu compreendo a intenção", outros até dizem "eu compreendo que em determinada altura isto foi a única forma de nós, verdadeiramente, metermos a realidade pelos olhos dentro das pessoas, mas hoje em dia acho que esse ponto está ultrapassado e portanto não seria necessário .É uma opinião legítima, portanto, logo aqui você vê como a vida é complicada, que é, passa uma parada gay, e você tem a assistir heterossexuais em alguns dos quais estão divertidíssimos, heterossexuais que estão escandalizados, e tem gays que stão a olhar para aquilo e, eventualmente, a pensar a célebre frase do Herman José "não havia necessidade". E é esta diversidade absoluta que existe, que as pessoas negam porque nós temos uma nostalgia espantosa, de ter certezas e de ter gavetas. 



Intervenção Divina

Ontem:

Eu: A meteorologia dá chuva para aqui, para esta madrugada à 1h da manhã....
Mãe: Mas se Deus existisse mandava a chuva já, para apagar todo este inferno dos incêndios. 

Hoje:

De manhã acordei, fui lá fora, e o chão estava imaculadamente seco. Ao longe, do outro lado do rio, via os montes a arder. Ontem acabei por não regar o jardim, afinal parecia que ia chover. E para quê desperdiçar água, esse bem tão precioso, se ela iria cair dos céus? Só que, quis acreditar nos meteorologistas mas, infelizmente, podemos acreditar tanto nas previsões da meteorologia como nas previsões dos economistas. Mais ou menos como podemos confiar na intervenção divina. 

Este Fim-de-Semana Foi Assim II




domingo, 15 de outubro de 2017

Porque lhe faltava tudo o resto

"Clara descreveu esta cena com minúcia no diário, pormenorizando com cuidado os dois quartos escuros, cujas paredes estavam manchadas pela humidade, a pequena casa de banho suja e sem água corrente, a cozinha onde havia sobras de pão velho e um tacho com um pouco de chá. o resto da vivenda de Férula pareceu a Clara congruente com o pesadelo que tinha começado quando a sua cunhada apareceu na sala de jantar da grande casa da esquina para se despedir (...)




*Esteban afastou-se a grandes passadas levando Clara pelo braço quase de rastos, se dar atenção à água suja que salpicava as impecáveis cinzentas que o alfaiate inglês. Estava furioso porque a irmã, mesmo depois de morta. conseguia fazê-lo sentir-se culpado, como quando era uma criança. Recordou a sua infância, quando ela o rodeava com as suas solicitudes obscuras, envolvendo-o em dívidas de gratidão tão grandes que não conseguiria pagá-las em todos os dias da sua vida. Tornou a sentir o sentimento de indignidade que frequentemente o atormentava na sua presença e o detestar o seu espírito de sacrifício, a sua severidade, a sua vocação para a pobreza e a sua inabalável castidade, que ele sentia como uma acusação pela sua natureza egoísta, sensual, e ansiosa de poder. "Que o Diabo te leve, maldita! disse entredentes, negando-se a admitir, nem no mais íntimo do coração, que a sua mulher tão-pouco chegou a pertencer-lhe depois de ter posto Férula fora de casa. 

- Porque vivia assim, se lhe sobrava dinheiro? gritou Esteban.
- Porque lhe faltava tudo o resto - replicou Clara docemente."

(*cena que não aparece no filme)


Onde Há Fumo Nem Sempre há Fogo

Eu estava aqui deitado a ler um pouco. Como a estrada da casa dos meus pais só dá para passar um carro de cada vez, e no larguinho mais acima dá sempre sol, costumo deixar o jipe no monte em frente (por aqui também se usa a palavra "sorte" para designar um terreno não murado), e onde ainda se pode ver, pendurada num pinheiro, uma placa da ERA. Ao que parece todos aqueles milhares de hectares já têm dono. Parece que o compraram. Parece. Uns tipos já por aqui estiveram, fazendo-e passar por novos donos, e até disseram aos meus pais que podem usar aquele bocado de terreno (que os meus próprios pais limparam) para o que quiserem (para colocar lenha para a lareira por exemplo). Mas parece que não se sabe nada ao certo. Afinal, pergunto-me, quem é que compra tamanho terreno para depois não fazer nada dele? Mas o que sei é que tem pinheiros demasiado perto da casa, apesar de todo o mato estar limpo. E como os pinheiros dão uma boa sombra todo o dia, é ali que agora tenho vindo a deixar o carro ao fim-de-semana.


Mas de repente irrompe a minha mãe quarto adentro: "Tens de ir tirar o jipe do monte. Os bombeiros já estão aqui, isto está tudo a arder, o fogo já deve estar mesmo aqui perto". Levanto-me à pressa,  calço-me, pego nas chaves do carro (pelo meio ainda vi o carro dos bombeiros a ir-se embora) e lá fui eu pegar no jipe e levá-lo para minha casa. Pelo caminho vi muitas pessoas a olhar para o imenso fumo preto que se via por cima da igreja. Em breve parece que a aldeia iria ficar engolida pelas chamas. E a meio do caminho de casa, já via, ao longe, outros focos de incêndio, com enormes colunas de fumo (mas este era branco) na direção do que me parecia ser o Parque Botânico do Castelo

Já em casa e entretido a fazer qualquer coisa no jardim, liga-me a minha mãe. Foram ver, e afinal o fogo nem é deste lado do rio Douro! aparentava ser só lá para os lados de Arouca, bem longe daqui portanto. Afinal, e como ao que parece, eu estou sempre a dizer: "não podemos generalizar". E não podemos mesmo, porque, até o fumo tem uma exceção. Afinal, nem sempre onde há fumo há fogo! 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Mais Ninguém...

Outubro / 2000

... E daqui a alguns anos quando fores ler isto novamente, vais pensar que eu tinha razão quando dizia que ficaríamos sempre juntos, porque aí já estaremos juntos, a viver juntos, a fazer tudo juntos. Nesse dia vais amar-me ainda mais, e à noite vais abraçar-me e vais pensar: "fomos mesmo feitos um para o outro" e eu vou sussurrar-te ao ouvido: "Eu sei, eu sempre soube"...


Banksy - Londres

Passaram dezassete anos desde que escreveste estas palavras naquele livrinho-diário, de amor eterno, com fotografias, mensagens em folhas que se desdobravam, citações, datas de coisas importantes como o dia em que perdemos a virgindade (e eu já nem fazia ideia quando foi), e onde nem faltam os nossos cabelos, juntos, lado-a-lado. E passado todo este tempo reli de novo as tuas palavras que, logicamente, nem sabia que as iria encontrar. Mas hoje, aqui nesta grande cama onde estou, com o portátil em cima das pernas, não está cá ninguém. E não é que eu precise de alguém para me aquecer, porque, felizmente, até sou um homem bem quentinho. Mas como vês, não estás cá tu para me abraçares nem para me sussurrares ao ouvido o que quer que seja. E se queres saber, não estás cá tu, nem está cá mais ninguém. 

Da Manipulação da Imprensa: Duas Tragédias, Duas Coberturas Jornalísticas Diferentes

Este verão tivemos duas tragédias: Pedrógão e Madeira, contudo, de uma delas mal se falou. Falou-se no própria dia mas já no dia seguinte quase nem sequer fez capa nos jornais diários. Relembremos os acontecimentos. No dia 15 de Agosto (quase um mês depois do incêndio de Pedrógão Grande!) durante as cerimónias da Senhora do Monte no Funchal, uma árvore caiu e matou treze pessoas e feriu outras quarenta e nove. 


Já estamos em Outubro, e neste tempo todo, vimos a imprensa prestar-se ao servicinho de ir atrás do futuro ex-líder da oposição que veio dizer, que segundo fonte segura, estavam pessoas a suicidar-se em Pedrógão Grande por falta de assistência psicológica. Pouco depois Passos Coelho veio confirmar que era tudo mentira, que afinal foi mal assessorado. A sério? Mal assessorado? 
Mas como uma mentira não chegou e as eleições estavam aí, algum tempo depois tivemos o escarro jornalístico chamado Expresso (aquele que o ex-futuro líder da oposição que plagia Trump disse que era preciso ler para saber a verdade) vir dizer que o governo andava a esconder o número de mortos do incêndio, esquecendo que há separação de poderes, e essa é uma competência do Ministério Público e não do governo. Depois, mais uma vez, veio-se a confirmar que era tudo mentira do Expresso e consequentemente de Passos Coelho. 

Mas no meio disto tudo o que me intriga é: porque raio nunca se falou da tragédia da Madeira? Que Passos e Cristas não mencionassem o assunto eu até compreendo, mas por que é que a nossa imprensa e televisões nunca mais falaram no assunto? Recordo de novo: treze mortos e quarenta e nove feridos! Por que é que nunca se fizeram reportagens até à exaustão (como no caso de Pedrógão Grande) e por que é que não se fez apelo do sentimentalismo barato e do sensacionalismo tão típico da nossa imprensa merdosa e não se fizeram reportagens com os sobreviventes, ou com familiares dos que morreram?

Será que pode ter sido por esta tragédia ter acontecido numa região autónoma que tem um governo PSD? Será possível que a imprensa portuguesa (toda ela de direita) está constantemente a manipular as pessoas, ou será que é tudo da minha cabeça? 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A relação Espanha e Catalunha como se fosse um Casal

Catalunha: Precisamos falar. 
Espanha: Ui, mas que é que tu queres? Espero que não me venhas com a conversa do costume que te queres separar. É que eu já estou um bocado farto dessas tuas conversas. 
Catalunha: Pois, eu sei. Eu também estou farta de tentar levar isto a bom porto mas não está a resultar. Precisamos conversar porque isto para mim não dá mais. Achas que isto é vida para nós? Já não conversamos, a nossa vida é um inferno. Já para não falar que já não fodemos vai para mais de cinco anos. Isto não é vida para ninguém. 
Espanha: Mas que é que tu queres afinal caralho?
Catalunha: Quero o divórcio. 
Espanha: Tu queres é levar no focinho minha grande puta. O que Deus uniu o homem não separa. E se me vens com essas conversas de divórcio de novo vais ter sérios problemas, estás a ouvir? 
Catalunha: Eu quero o divórcio, mas pronto, se quiseres, podemos dar só um tempo para tentar dialogar um pouco mais.... (e depois separar-mo-nos de vez!...)



Ontem, dia 10 de Outubro pelas 18h37 ouvia na rádio o presidente do governo da Catalunha declarar a independência. Minutos depois, seja isso lá o que significar, declarava a sua suspensão temporária para um possível diálogo. Mas eu está-me cá a parece que este casal nem com terapia lá vai.


domingo, 8 de outubro de 2017

Como Lágrimas na Chuva

"Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva."




Não sei se já tinha visto o Blade Runner, filme de 1982, já com uns quantos anitos portanto. Quase de certeza que sim, que em adolescente o tenha apanhado na televisão, mas na verdade se vi não retive grande coisa. E é curioso que já me lembro bem, por exemplo d' A Boneca Mecânica (Cherry 2000) de 1987, filme igualmente de ficção científica, e que também explora um pouco, ainda que de outro ponto de vista, os sentimentos entre seres humanos e robôs. 

Mas em Blade Runner, o que mais me chamou a atenção foi aquela frase do replicante Nexus-6 Roy Batty que, depois de inesperadamente ter salvo Deckard, diz-lhe que já viu coisas que ninguém imagina, e que todos esses momentos, se perderão para sempre.

E refleti sobre mim, sobre as minhas vivências, as minhas memórias, as coisas que vi, pelas quais passei, o que aprendi. As coisas que todos nós vimos, aprendemos, toda a sabedoria que carregamos. E talvez seja esse o medo pelo qual temos de morrer. Se calhar não tenho propriamente medo de morrer, de não poder continuar a viver e a acumular sabedoria, mas a tristeza que seria, ver todas essas memórias desfazerem-se... "Como lágrimas na chuva". 

Foi graças à Catalunha que Portugal se tornou Independente

É sempre bom relembrar, nestes tempos em que tanta gente por cá opina sobre a Catalunha, como nós portugueses aqui chegamos. Na verdade, se hoje Portugal é um país independente de Espanha, deve-o em grande parte à Catalunha, que tentou a sua própria independência na chamada "Revolta dos Ceifeiros (ou Sublevação da Catalunha) em 1640, e ao facto de Madrid ter apostado tudo, com os seus melhores soldados, em decapitar a revolta catalã, o que, estrategicamente deixou a porta aberta, para que os portugueses pusessem fim ao reinado filipino e tivessem declarado a sua independência, que só foi reconhecida por Espanha em 1668, depois de quase trinta anos da Guerra da Restauração. 

"Em 1640 há uma revolta na Catalunha. Há uma revolta de nobres na Catalunha apoiada pelos franceses. E o que é que Filipe III de Portugal e IV de Espanha (que é o mesmo) decide fazer? Primeiro, a revolta da Catalunha é um fogo muito mais perigoso do que estas alterações populares de Évora e as outras que se seguiram. Pretende acabar aquele fogo perigosíssimo porque estava estava mais perto da fronteira francesa. E porque também há, de facto, um movimento independentista na Catalunha, matando dois coelhos com uma só cajadada. Convoca o Duque de Bragança, que é o comandante do exército português por nomeação filipina, com o exército português para vir para Madrid combater, conjuntamente com o exército espanhol na Catalunha. E aí é que a nobreza portuguesa dá o seu grito de Ipiranga. E quarenta nobres, em 1640, combinam ir ao palácio, onde está a Duquesa de Mantua, que é a vice-rainha, prendê-la, para que ela dê ordens à guarnição militar que está em Almada para se render e tomar conta do palácio, para depois vir o D. João, de Vila Voçosa, nas calmas (para ver se não há problemas nenhuns) e ocupar o lugar como rei de Portugal. 

E o que é que acontece? O exército espanhol não se virou de imediato para Portugal. Virou-se para a Catalunha, e este processo do exército espanhol ir combater a Catalunha, e pôr apenas um pequeno exército a tentar pela nossa fronteira do Alentejo, permite ao Duque de Bragança e à nobreza portuguesa, organizar as nossas fortalezas na fronteira, e permite a Portugal restaurar a sua independência. 

Sem a Revolta da Catalunha, por um lado, e sem as alterações de Évora, não teria sido possível que a restauração da independência se tivesse feito no dia 1 de Dezembro de 1640. Primeiro, as alterações de Évora de 1637 foram o motor desta restauração da independência, Por que é que foram o motor? Porque obrigaram a nobreza a atuar. E era a nobreza que tinha que atuar porque eles é que tinham as armas. A revolta da Catalunha em 1640 permitiu, que a restauração fosse possível, em termos militares no dia 1 dezembro de 1640. Pode-me dizer "Ah, se não fosse em 1640, podia ser no século XVIII". Mas eu penso que já não seria mais."



"Na corte de Madrid pensava-se em tornar mais eficiente o jugo sobre Portugal. Havia um projeto de reforma administrativa, em que o país ficaria reduzido às proporções de simples província espanhola. Com o pretexto de serem ouvidos acerca da reforma, foram chamados à capital Espanha os grandes vultos da sociedade portuguesa, entre os quais os arcebispos e o bispo do Porto. Pelo mesmo tempo era investido no cargo de Governador das armas do reino, muito contra a vontade e após repetidas escusas, o próprio Duque de Bragança. Tratava-se de subornar, ou de incapacitar perante os portugueses (...) O golpe era de mestre. Não lhe tendo admitido as escusas, Olivares obrigava-o a pôr em execução a última ordem de Madrid em matéria militar: o levantamento em Lisboa de uma força importante de Cavalaria, nos Açores de alguns terços de Infantaria, e, na própria metrópole, de quatro regimentos de soldados experimentados e dois terços de voluntários. Todas estas forças seriam postas à disposição do gabinete de Madrid. O duque levantaria e equiparia nas suas terras, à sua custa, mil soldados. Os navios da frota portuguesa seriam entregues a oficiais espanhóis e incorporados da Armada de Espanha (...)

(1939) Uma grande esperança, de ordem internacional, os animava: a certeza de que encontrariam na França uma cooperação decidida. Richelieu, o hábil ministro de Luís XIII, encarregara um homem da sua confiança, Saint-Pé, de vir a Lisboa e promover a sublevação dos portugueses, ao passo que outros agentes fomentariam o levantamento na Catalunha. (...)

A revolta na Catalunha estalou, com efeito, em Junho de 1940. A ocasião era propícia: as tropas portuguesas deveriam ir combater os catalães revoltados; novos impostos recairiam sobre a nação. Um padre, Nicolau da Maia trabalha pela restauração entre os elementos populares de Lisboa (...)

Atribui-se uma influência decisiva, neste passo ao duque, à duquesa, D. Luísa de Gusmão, e à sua imensa vontade de ser rainha.Segundo uma versão que foi acreditada e divulgada, ela teria afirmado que "antes ser rainha uma hora do que duquesa toda a vida" (...)

Naquele dia 21 de Novembro, em Lisboa, e no próprio palácio dos duques de Bragança, onde João Pinto Ribeiro residia, se estabeleceu o plano do movimento revolucionário e se lhe marcou o dia e a hora: 1 de Dezembro, às nove da manhã (...)

A 1 de Dezembro, numa luminosa e serena manhã de Inverno lisboeta, juntavam-se no Terreiro do Paço umas dezenas de fidalgos, vindos em coches, em que transportavam armas, e um punhado de populares que o padre Nicolau da Maia convocara. Logo que as nove soaram nas torres da Sé, um grupo numeroso invadiu a entrada do paço e inutilizou, com alguns tiros, a resistência da guarda real, que correra às alabardas. D- Miguel de Almeida, um velho magnífico de energia, lançava-se à frente, de espada em punho clamando: "Liberdade! Liberdade! Viva El Rei D. João IV".

(História de Portugal - Restauração da Independência - Ângelo Ribeiro - 2004)

sábado, 7 de outubro de 2017

A Mirabolante História da Planta do Lidl

Entrei no Lidl, e logo à entrada botei o olho nalgumas plantas suculentas que lá estavam. Um vaso em particular chamou-me a atenção. Peguei nele, tentei ver se tinha alguma identificação da espécie (nunca tem não é?) e fiquei a admirá-lo, pois era uma espécie que não tinha. Sem me aperceber, um casal, a alguma distância, observava os meus movimentos. A amiga que estava comigo foi ao multibanco, e enquanto por ali fiquei, achei que, se calhar, o melhor seria, no fim de todas as compras passar então por ali, para colocar a planta por cima para não se danificar. E fui ter com a minha amiga. 

Quando volto, um minuto depois, já o casal, no meio de todas aquelas plantas, tinha pegado, precisamente, no vaso que eu queria levar. É preciso não ter sorte nenhuma pensei! Tinham precisamente pegado na única que eu queria levar! Bom, também não é caso para entrar em depressão, é só uma planta de quase dois euros, que provavelmente posso encontrar noutro sítio qualquer... ou não! E lá fomos fazer as compras. 

Até que, eis se não quando, junto à prateleira dos alhos, olho, e o que vejo? Precisamente o mesmo vaso, ali deixado por entre os restantes alimentos. Isto só podia ser um milagre! Alguém tinha ali deixado um vaso com a mesma planta que eu queria, ou, o mais provável, aquele casal que tinha pegado nela, desistiu da ideia de a levar, e deixou-a ali ficar. Para mim! Olha que sorte?! Deixei-a escapar, porque era a única e não a meti logo no carrinho, mas agora tinha a segunda oportunidade de ficar com ela. Lá peguei nela e coloquei-a num cantinho do carrinho por entre as outras compras. 

Ainda fomos ver mais qualquer coisa, até que, de repente, sou interpelado pelo senhor, o mesmo que tinha visto na entrada a admirar o mesmo vaso que eu tinha escolhido, e que me pergunta se fui eu que peguei no vaso que estava na prateleira, e enquanto isso, vê a planta no carrinho. Lá me explica que tinha sido a mulher, que a ali tinha pousado enquanto foram comprar outras coisas, que até me tinham visto, mas que não tinham visto eu a pegar na planta.

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Explicou-me que me tinham visto na entrada, a escolher especificamente aquela planta, mas como eu tinha desistido (não tinha não!) foram ver, e ele achou que eu tinha mesmo bom gosto: aquela era a planta mais bonita que ali estava! E então, lá me pediu desculpa, uma e outra vez, se podia levar a planta. E já que, ao que parece eu parecia perceber de plantas, perguntou-me se tinha de mudar de vaso. Pois claro que tem de mudar de vaso. E lá levou a planta com ele.
Mas que história mirabolante, comentei. "Mesmo", respondeu o senhor, que me ouviu apesar de já ir alguns metros mais à frente. 

O que retiramos daqui? Em primeiro lugar que, quando queremos realmente algo, ainda para mais raro ou único, como era o caso, e se chegamos primeiro ou se temos oportunidade de quisermos ficar com ela para nós, devemos, logo ali, exercer o nosso direito reivindicativo de tomarmos conta da ocorrência. Em alternativa, depois, podemos sempre dizer "já não tinha de ser". 

Em segundo lugar, como é interessante analisar que as pessoas adoram seguir os outros, seguir as escolhas dos outros. Se eu escolhi aquela planta, é porque ela deveria ser a melhor, a mais bonita. Na verdade eu nem achava que fosse a mais bonita, era tão somente uma espécie interessante, mas um cromo que não tinha na caderneta. Mas quando aquelas duas pessoas olharam para ela, e que já tinha sido namorada por mim, acharam logo que, para eu a querer, então é porque ela era mesmo bonita e especial. Muitas as vezes as pessoas nem sabem do que gostam e precisam sempre que lhes digam do que gostar. Lembram-se do filme "Runaway Bride"? A personagem de Júlia Roberts, que passava a vida a deixar os noivos no altar, no fim confessa, que nem sequer sabe como gostava dos ovos, gostava deles, simplesmente da mesma forma que o atual noivo gostasse. Ou quantas vezes vemos inúmeras pessoas interessadas nesta ou naquela pessoa, só porque anda meio mundo atrás dela? E se andam, é porque valerá a pena. Porque será que quando várias pessoas se junta na frente de uma tenda de vendas, logo muitas pessoas ali se vão juntar para ver o que se passa? 

Entretanto, vamos ver. Pode ser que aquela mesma planta me volte às mãos!

Mother North na Opera


"Mother North" / Nemesis Divina / Satyricon 1996  (Ao vivo com a Orquestra Nacional da Noruega 2015)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O Pedro e o Diabo

O Pedro era uma criança em corpo de adulto, que um dia, sem perceber muito bem porquê, deixou de poder brincar de primeiro-ministro e passou a ser a líder de oposição. Mas tal como uma criança, fazia birra, gritava e esperneava, que não podia ser quando ficou, de castigo, sem o seu brinquedo. Dizia que tinha ganho as eleições, e que ele é que tinha de continuar a ser primeiro-ministro. Mas, como sabemos, as crianças não percebem muito de política, e o Pedro ainda não tinha apreendido muito bem o que era essa coisa das eleições legislativas, em que se elegem deputados e não primeiros-ministros. Pedro ainda não sabia que, sem maioria absoluta, só forma governo aquele que conseguir uma maioria estável no parlamento.

Mas nestes dois anos, Pedro nunca se habituou à ideia de que lhe tivessem tirado o brinquedo Portugal, e não se habituou a brincar de líder de oposição. Nunca percebeu que um líder da oposição deve apresentar propostas, alternativas ao que está a ser feito, porque senão não é precisa oposição para nada! E como não percebia nada disso de ser líder da oposição, Pedro começou a dizer que o novo governo não sabia brincar com Portugal. Ele é que tinha sabido! Mas este novo governo começou a tratar o brinquedo muito melhor. Remendou e reparou todas as maldades que o Pedro tinha feito. 


E então o que Pedro dizia? Que tratar bem o brinquedo ia dar muito mau resultado! Que isso ia fazer com que o Diabo ficasse muito chateado, e viesse destruir tudo e todos. Ia ser o fim do mundo! Mas aos poucos, todos começaram a ficar contentes com a forma como o novo governo estava a brincar, porque tudo voltava a entrar numa certa normalidade. E agora o que passou o Pedro a dizer? Que tudo estava a dar certo, mas o mérito era dele, por ter maltratado anteriormente o brinquedo! quando um ano antes, dizia precisamente o contrário, que mudar a política dele ia ter muito mau resultado!

Ora, e de tanto gritar pela vinda do Diabo, as pessoas começaram a fartar-se desta criança muito piegas, que em vez de trabalhar, só sabia dizer que vinha o Diabo, que vinha aí o Diabo, que tudo ia dar errado e que o Diabo ia vir aí... E vai daí, nas eleições autárquicas o partido liderado pelo Pedro, teve o pior resultado de sempre!

Mas Pedro acabou por ter razão. O Diabo não viria em Setembro de 2016 como ele previra. Nem em Setembro de 2017. O Diabo viria sim, mas a 1 de Outubro no dia para eleições autárquicas. Para o levar para o Inferno, por ser uma criança muito mal comportada.

Nunca Invejes a Vida dos Outros...

Sempre que ouço as pessoas invejarem a vida dos outros, achando que os outros é que estão bem, que os outros é que têm sorte, e que elas é que estão muito mal com a vida que têm, lembro-me sempre desta frase de Sócrates que guardo desde há muitos anos:


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Ouvi dizer que houve mais um Massacre nos Estados Unidos...

Não li nem vi nada sobre o assunto (e ainda bem!) mas ouvi dizer qualquer coisa lá no trabalho sobre mais um maluco que matou umas dezenas de pessoas nos Estados Unidos. Mas certamente que isso não tem nada a ver com o facto de, por lá, as pessoas poderem comprar livremente as armas que quiserem, visto que, por mera coincidência claro, os Estados Unidos da América até são o maior produtor mundial de armas e se não as venderem é uma chatice.


Em 1999 também ocorreu um massacre, e desse lembro-me bem. Aconteceu numa escola secundária, e que resultou na morte de quinze pessoas (alunos e professores) e de várias dezenas de feridos. Na altura, disseram que um dos culpados foi o Marilyn Manson. Agora, certamente, será culpa de outra coisa qualquer. Mas claro que nunca será culpa das armas, que ironicamente, só por mera coincidência, é que foram inventadas para matar os outros. 

A Liberdade Aparente

Domingo 1 de Outubro de 2017. 
Pouco depois de votar, ouvia no carro, as notícias sobre os catalães, que também queriam manifestar a sua opinião, no seu referendo, a favor ou contra a separação de Espanha. E enquanto ouvia, refletia acerca das cargas policiais sobre cidadãos desarmados, que a única arma que poderiam ter consigo, era uma caneta para assinalarem uma cruz num papel, transmitindo assim a sua opinião sobre este assunto. Não importa se estavam a favor ou contra. Nada disso me interessou refletir no momento. A única coisa que para mim importou, é  que o grande crime que aquelas pessoas estavam a cometer, era quererem emitir a sua opinião. Ironicamente, os catalães pretendiam fazer a mesma cruz que eu momentos antes tinha acabado de fazer em três diferentes papeis. Mas em Espanha, tal gravíssimo crime, mereceu da parte do governo espanhol uma violenta carga sobre as pessoas.

De repente, parece que estávamos na era medieval, em que qualquer manifestação contra o Rei merecia nada menos que a pena de morte. É que nem de propósito, no dia anterior, sábado, de visita ao Museu do Vinho do Porto, relembrei, de novo, a história da Revolta dos Taberneiros (1757), contra a criação da Companhia dos Vinhos e do constante aumento de impostos, revolta da qual, o rei, quando soube, não gostou nada. E o resultado foi, depois de identificarem as pessoas, foram enforcadas e decapitadas para que servisse de exemplo para os demais não se atrevessem, de novo, a contestar o poder absoluto do rei. 


E eu fiquei a pensar nisso. No domingo passado, eu, bem como todos os portugueses, fomos todos incentivados a colocar lá as cruzinhas nos boletins de voto. Talvez porque, no fundo, escolhêssemos o que quer que fosse, a escolha como que já está sempre feita por nós. O sistema permanece sempre o mesmo, que beneficia quase sempre os mesmos em detrimento dos outros. Já os catalães queriam fazer uma escolha fora do sistema. E o sistema está feito para se proteger a si mesmo. E quando alguém ousa colocar em causa os poderes instituídos, esse sistema reagirá com grande violência, tentando amedrontar os demais. 

E é por isso que vivemos uma liberdade faz de conta, uma liberdade aparente, que não é real. Parece que temos liberdade de expressão, mas na verdade somos cada vez mais controlados e, incrivelmente, são agora as próprias pessoas a quererem entregar de bandeja a sua privacidade. Outrora, na era medieval, usava-se a forca e a decapitação. Hoje, em pleno século XXI, quando é preciso, a força é usada na mesma, sem qualquer respeito pela liberdade de expressão das pessoas. E a democracia é muito bonita "o governo para o povo" ou a ditadura escolhida pelos ingénuos, mas a própria democracia matou Sócrates, o pai da filosofia e  um dos seus mais acérrimos críticos.
Em democracia, o poder de escolha é sempre uma liberdade aparente. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Oeiras: e os Burros Somos Nós?

Das eleições autárquicas de ontem só me interessava saber uma coisa: quem seria o próximo presidente da Câmara Municipal de Gondomar?

Ao longo dos últimos dias eu fui sempre comentando que não queria acreditar que o ladrão, que foi despedido do exército por roubar, e bem mais recentemente foi condenado a três anos de cadeia por corrupção, e que se voltou a candidatar à câmara municipal (com um Coração de Ouro!) pudesse, de novo, vencer as eleições, depois de ao longo de vinte anos ter enterrado a autarquia em dívidas e em conhecidos favorecimentos pessoais. Eu não queria acreditar que iria de ter levar com este sujeito por mais quatro anos, se ao menos não tivéssemos a sorte que morresse antes. 

Para mim qualquer candidato servia, desde que não fosse Valentim Loureiro. Qualquer um, todos menos ele. Sim, é verdade que Gondomar ficou no mapa, passou a ser uma terra conhecida, depois que o homem, que na altura era presidente do Boavista e presidente da Liga de clubes, para cá veio. Mas Gondomar não ficou conhecida pelos melhores motivos. Ficou conhecida por ter habitantes que se deixavam comprar com eletrodomésticos e com música foleira de cantores que plagiam outros cantores.


Nesta campanha o major apostou forte. Na internet ia sabendo que usava os mesmos métodos arcaicos que funcionam sempre bem em meios mais rurais, e em que as pessoas são mais ingénuas e fáceis de enganar ainda por cima por um rosto conhecido que aparecia constantemente na Televisão. E quem aparece na televisão é sempre gente importante, de nível, pensam os ingénuos! Métodos como pudemos ver na novela O Bem Amado, em que a personagem de Odorico encarnava o típico político corrupto. E parece que nada mudou desde então! Festa popular, com cantores e porco-no-espeto. Tudo de borla como convém! E mesmo aqui onde vivo, neste sítio recôndito e muito afastado do centro do concelho, ouvia-se todos os dias a musiquinha repetitiva com o supostos feitos de pôr quarenta mil gondomarenses a voar (entre outras coisas) e vi apoiantes seus na rua onde vivo, e depois ainda vi crianças com a T-shirt verde da sua campanha.

E o dia das eleições chegou. Quatro anos depois de ter saído da câmara pela lei de limitação de mandatos, era esperar para ver o que sucederia. A noite não começava da melhor maneira. Um dos antigos dinossauros e ex-presidiário ganhava a eleição em Oeiras. Mas sobre Gondomar, até à hora que fui dormir nem uma só palavra na rádio. E no sítio da internet das Autárquicas, o concelho ainda só tinha metade dos votos apurados. Mas de manhã, a primeira coisa que fiz quando acordei, foi verificar quem tinha ganho. O major nem aos 20% tinha chegado, teve menos de metade dos votos do candidato vencedor, e unicamente mais três mil votos que a CDU. Já poderia respirar de alívio!

Mas ainda assim reflitamos um pouco sobre Oeiras e Gondomar. 

Oeiras, é sabido, é o concelho que mais licenciados tem no país. Gondomar por seu lado, é um concelho mais rural, de muita gente pobre e iletrada. Ambos os concelhos, Gondomar e Oeiras, tiveram presidentes de câmara por vinte anos ou mais, que tiveram problemas com a justiça e foram condenados a penas de cadeia por comportamentos pouco recomendáveis para quem quer gerir dinheiros públicos. Os eleitores licenciados de Oeiras, estudados, doutores e engenheiros, votaram, legitimamente, no candidato ex-presidiário. Pelo contrário, em Gondomar, as gentes simples e os parolos preferiram varrer de uma vez por todas o homem-político-corrupto.

Mas então, pergunto eu: o que é que esta gente de Oeiras anda a aprender nas escolas e nas universidades? Vocês é que são ricos, burgueses, cultos, gentes de bem, com boas casas na capital e com muitos cursos superiores, mas então e nós? 

Será mesmo que os burros somos nós?

sábado, 30 de setembro de 2017

Ide todos Buzinar pró Caralho

Há diversas situações em que as pessoas julgam que a lei como que se suspende e pode ser infringida livremente só porque...Sim! E uma dessas situações com que ainda à pouco me deparei são as buzinadelas por parte dos condutores. A Lei do Código da Estrada diz que:

Artigo 22.º Sinais sonoros
1 - Os sinais sonoros devem ser breves.
2 - Só é permitida a utilização de sinais sonoros:
a) Em caso de perigo iminente; 
b) Fora das localidades, para prevenir um condutor da intenção de o ultrapassar e, bem assim, nas curvas, cruzamentos, entroncamentos e lombas de visibilidade reduzida.
3 - Excetuam-se do disposto nos números anteriores os sinais de veículos de polícia (...)
7 - Quem infringir o disposto nos números 1 e 2 é sancionado com coima de € 60 a € 300. 

Via Google
Não, no Código da Estrada não diz aqui nada sobre se poder buzinar à vontade quando se vai em romaria num casamento! Será que as pessoas acham mesmo que, só porque vão em grupo, todas muito bem vestidas, a celebrar o casamento (ou enforcamento) de duas pessoas, como que existe uma exceção na lei para poderem buzinar livremente? Não, não há! É proibido buzinar mesmo quando vão em caravana para um casamento, antes ou depois do sim dos noivos!

Não. Também não diz aqui nada sobre ser permitido buzinar só porque o vosso clube foi campeão nacional de futebol ou de outra modalidade qualquer! 

Não. Também não há exceção nenhuma - aliás é expressamente proibido - buzinar dentro de túneis! Mas as pessoas parece que sofrem de um tique incontrolável, e sempre que passam, por exemplo, pelo Túnel da Ribeira no Porto, e mesmo com um sinal de proibição de buzinar, têm de buzinar, só porque parece muito fixe fazer um enorme cagaçal, e os peões que lá vão a passar quase ficam surdos. 

E não, também não diz nada no código da estrada, sobre o último dia de campanha eleitoral. E era à pouco, ouvir as caravanas dos partidos, ainda por cima, depois das dez da noite, todos a buzinar como se não houvesse amanhã. Estamos muito mal, quando até os candidatos às autarquias, por ignorância ou intencionalmente, não cumprem a lei. 

No meio disto tudo eu pergunto: o que é que a policia anda fazer?  

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Última Hora: Passos Coelho aconselha Voto nos Partidos de Esquerda!!

"Imagine que esta estratégia corre bem. Que é possível devolver rendimentos às pessoas, de forma mais rápida que o senhor pretendia, e ao mesmo tempo cumprir os limites orçamentais. Se isso acontecer tira ilações e demite-se?

Com certeza! Passaria a defender o voto no Partido Socialista, no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista.
(Passos Coelho / 1 de Março de 2016)


- Menor défice da democracia Portuguesa
- Maior Criação de Emprego dos últimos 17 anos
- Maior Investimento das duas últimas décadas
- Maior crescimento trimestral do PIB dos últimos 17 anos
- Portugal saiu do Lixo

Isso Passos, faz campanha pelos partidos de Esquerda. Mas por favor, não te demitas. A tua constrangedora incompetência diverte-me. Depois to título do Pior Primeiro-Ministro de Sempre, és agora o Pior Líder da Oposição de Sempre, que não tem uma ideia para o pais, e que só sabe dizer que vem aí o Diabo. Olha, o Éder escreveu um livro (ou escreveram por ele) que se chamava "VAi tudo correr bem", tu podes aproveitar e escrever o "Vai tudo correr mal"! Mas não te demitas. Quero-te ver arder em lume brando, até seres verdadeiramente queimado pelos teus pares. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os Bons Exemplos na Estrada

"Há uns tempos fui atrás de ti e tu dás os piscas todos. Até dás pisca se te desviares de uma folha...." 

É interessante analisar como até os comportamentos corretos incomodam as pessoas. Ser um cidadão cumpridor é censurável. Repugna. 

Pois eu há muito que digo que é um desperdício que as marcas de automóveis os fabriquem e enviem para Portugal com piscas. Para quê? Podiam fazer umas edições especiais, só para o nosso país, mais baratas e tudo que a malta agradecia, em que os carros vinham de fábrica sem piscas. Era espetacular, até porque os piscas em Portugal só têm uma utilidade: usá-los quando se está mal estacionado! 

Via Google
Acho que os portugueses pensam que ninguém tem nada que saber para onde é que vão. É o efeito surpresa! E nem de propósito, e isto é absolutamente verdade, vinha hoje a chegar a casa, e vai-me uma mulher, talvez na casa dos cinquenta, sempre pela esquerda, numa estrada de dois sentidos! e eu quase a ultrapassá-la pela direita de tão devagar que ela ia! Lá deixo a mulher voltar à direita, e de repente, cem metros à frente, começa a afrouxar, e para-me de repente! E ali fico eu, feito estúpido, emparedado entre ela e por um carro atrás de mim. Dei-lhe uma valente buzinadela e ao passar por ela, vejo-a inclinada, como se estivesse a apanhar qualquer coisa do chão. Mas usar pisca para sinalizar a manobra? Não é preciso, ninguém tem de saber o que a mulher vai fazer!

E a maioria dos portugueses são assim. Ninguém tem nada que saber se vão virar à direita ou à esquerda, ou se vão parar de repente! Dar pisca porque se contorna um carro estacionado? Nem pensar! Os outros que estejam atentos, se não virem e se se esbardalharem? Olha, azar! Toda a gente sabe que tem de sinalizar as manobras para prevenir acidentes, mas os idiotas, são pessoas como eu, que cumprem escrupulosamente o código que aprenderam na escolinha de condução e que permite que nos consigamos entender nas estradas.
Lembro-me até de, quando certa vez, no ex-grupinho de amigos, começarem a tentar gozar-me quando disse que fui para o Algarve a 120/130Km/hora. "Ninguém vai para o Algarve a essa velocidade"! "Ninguém vai"... e como ninguém vai, vamos todos fazer - mal - o mesmo! Por que é que os comportamentos errados são tão mais fáceis de imitar, ao passo que fazer o que é certo é tão difícil? 

E lá está, os que agem bem são os que não dão piscas, os que não param nos STOP, os que conduzem enquanto falam ao telemóvel, os que atualizam a rede social no semáforo ou até lêem mesmo o jornal em cima do volante (como ainda vi nesta semana) ou que bebem até cair e vão conduzir. Os que nem acendem as luzes quando com o nevoeiro não se vê nada à frente dos olhos. As luzes de nevoeiro, essas ligam-nas de noite, que é para dar mais luz! 

Num país de assassinos na estrada, quem age mal é quem tem respeito por um código que todos aprendemos, para que nos possamos entender nas estradas e quem tem respeito pela vida dos outros. Os outros, toda essa cambada de idiotas que andam nas estradas como se fossem circuitos de automobislismo, onde quase vale tudo, esses é que são os bons exemplos. 


Artigo 21.º Sinalização de manobras 
1 - Quando o condutor pretender reduzir a velocidade, parar, estacionar, mudar de direção ou de via de trânsito, iniciar uma ultrapassagem ou inverter o sentido de marcha, deve assinalar com a necessária antecedência a sua intenção. 
2 - O sinal deve manter-se enquanto se efetua a manobra e cessar logo que ela esteja concluída. 
3 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 60 a € 300.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Anónimo

"Jonson, aproxime-se.
Sabia que a árvore genealógica da minha família é a mais antiga do que qualquer outra família do reino? Combatemos em Crecy, Bosworth Field, Agincourt. Quando herdei o meu título, era um dos homens mais ricos de Inglaterra. No fim da minha vida,serei um dos mais pobres. Nunca tive voz no governo. Nunca ergui a espada numa gloriosa batalha. As palavras... as simples palavras serão o meu único legado. Só você vê as minhas peças e sabe que são minhas. 
Quando ouço os aplausos...os vivas do público, as mãos a aplaudir... sei que aplaudem outro homem. Mas naquela...cacofonia de sons, esforço-me por ouvir apenas duas mãos. As suas. Mas nunca as ouvi. Nunca me disse...nunca... me disse o que achava do meu trabalho. 

Acho... as suas palavras... as mais...maravilhosas...jamais ouvidas no nosso palco. Em qualquer palco. Desde sempre. O senhor...é a alma dos nossos tempos.


Prometa-me, Jonson... que guardará o nosso segredo que não vai denunciar Shakespeare. 
- Vossa senhoria...
- Já o vi na sua cara. Ele envergonha-o. Como podia não o fazer. Mas ele não é fardo seu. É meu. 
Tudo o que escrevi...as minhas peças, os meus sonetos... mantenha-os em segurança.Esconda-os da minha família. Os Cecil. Espere uns anos e depois publique tudo. 
Vossa senhoria, eu... não sou digno dessa tarefa. Eu traí-o. Contei-lhes da sua...
A tarefa da minha vida foi conhecer o carácter dos homens, Jonson. Eu conheço-o. Pode ter-me traído...mas nunca trairá as minhas palavras. 

Anonymous / Roland Emmerich / 2011

domingo, 24 de setembro de 2017

Diz-me com quem Andas...

... e dir-te-ei se os conheço também.


Memórias


...All of my memories
Keep you near
In silent moments
Imagine you'd be here
All of my memories
Keep you near
The silent whispers, silent tears...


"Memories" / The Silent Force / Within Temptation / 2004

Quando me Encontrei em Ti


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Clarividente

"Clara era uma aparição de rendas brancas de Chantilly e de camélias naturais, 
libertando-se como um periquito feliz dos nove anos de silêncio, 
dançando com o noivo debaixo dos toldos e lampiões, 
alheia por completo às advertências dos espíritos que lhe faziam sinais desesperados
 por detrás das cortinas, mas que no meio da multidão e do barulho ela não via."

Para mim ler sobre a Clara é quase como ler sobre Ti, apesar de tão diferentes serem uma da outra. É ler também sobre as várias pessoas que fui e vou conhecendo ao longo da vida e que são uma espécie de tinha telefónica para o mundo espiritual. Dizem, não sei se é verdade ou não, que todos nós temos essa faculdade, de nos conetarmos com o lado de lá da linha telefónica, mas comigo, e acredito que seja o caso da maioria das pessoas, a linha nunca funciona. Esses serviços de valor acrescentado estão barrados e quando se tenta ligar nunca dá qualquer sinal.

O meu anjo da guarda ou os meus guias espirituais, se é que os tenho, ou seja lá quem for que eu possa ter e que esteja do lado de lá e me queira ligar, na esperança de me alertar para algo, todos eles, bem que podem tentar, podem até gritar bem alto, que sabem que irão estar a gastar o seu latim inutilmente, pois eu não os vou conseguir ver, ouvir ou sentir. A linha do telefone está sempre interrompida. Daí que eu ache que essas almas perdidas que andam por aí, contactem precisamente quem saibam que à partida possa atender o telefone. E nem de propósito, neste exato momento, alguém bateu aqui, como se tivesse pegado num martelo, e dado com bastante força no teto desta casa. Talvez só se quisesse só fazer notar, ou então, fazer parte deste texto. É muito comum aqui, está sempre a acontecer, mas eu não sei o que eles querem. Eu só ouço as pancadas. A mensagem, essa,  nunca me chega porque a linha do telefone está cortada.

E talvez até possa parecer estranho a quem me conhece hoje, com esta idade, mas eu, ainda jovem, creio até que foi em dois períodos diferentes da adolescência, peguei na bíblia, como que, tentando que se fizesse alguma luz. Acho que tentava dar uma oportunidade a Deus, na esperança de que aquilo fizesse algum sentido para mim. Mas feliz ou infelizmente, aquilo para mim nunca fez qualquer sentido. Parecem umas historizinhas de horror e de arrepiar, para assustar meninos mal comportados. E acho que não me levarás a mal, se eu te disser que aquele, não é, definitivamente, o meu Deus. Sorrio agora, lembrando quando no início me disseste que eras uma mulher de fé, da religião católica e que querias casar pela igreja. Sorrio também, quando penso que acabaste a concordar comigo. A grande maioria dos padres são mesmo uns grandes filhos da puta!

Virei-me então para outros lados, e cedo comecei também a interessar-me por temas místicos. Fui lendo bastante sobre muitas coisas diferentes e prestando sempre muita atenção, sempre que me contavam histórias de espíritos, de bruxarias, de invejas e maus olhados. E depois, como sabes, também passei por umas coisitas. Nada que se compare a quem tem sempre rede no telefone onde quer que vá, mas serviu para reforçar as minhas convicções e para tentar começar a formar a minha própria opinião de como talvez as coisas se passem. E sem nada saber, que é precisamente o que eu acho que sei sobre o assunto - nada - fui no entanto, começando a ter alguma sensibilidade para a coisa, essencial para perceber melhor com o que me vim a confrontar mais à frente.

E ler sobre a Clara é também ler sobre Ti. Relembro quando me dizias que eles te alertavam acerca de mim, tal como no passado te tinham alertado para outras coisas mais. E eu sei que eles nunca te falharam. Nem falharão. E eu dei voltas e mais voltas à minha cabeça. Quase em desespero. Revoltado. Por que é que eles não queriam que te entregasses a mim? Porquê, se ninguém como eu te queria tanto bem? Eu sei que há coisas que estão para além do nosso entendimento. Do meu entendimento, até do teu, e do de toda a gente. E tu podias não me ter dito nada. Talvez a sensatez te devesse aconselhar a nada me dizeres, até porque não sabias como eu reagiria. Mas tu, sempre com uma honestidade e sentido de justiça notável, contaste-me. E depois eles são eles, e tu és tu. E és tu que tens de viver a tua vida por ti, tomando as tuas próprias decisões, para o bem e para o mal. Os nossas pais também acham sempre que sabem o que é melhor para nós. Muitas vezes talvez até saibam, mas temos de ser sempre nós a tomar as nossas decisões. O nosso livre-arbítrio como tu dirias.

E tantas vezes que me tu disseste que eras uma mulher normal, uma pessoa comum, igual a todas as outras, talvez por eu te colocar num patamar acima de mim na escala da evolução espiritual. Mas a minha admiração e fascínio por ti, tu sabes muito bem ao que se devia. Tu estiveste lá também, viveste as coisas como eu. Disseste-me até que nunca tinhas sentido nada assim. Tantos anos depois de teres nascido, tantas pessoas com quem te cruzaste nesta vida, e aceitaste conhecer a primeira pessoa, vinda lá desse mundo perdido que é a Internet, e disseste-me que nunca tinhas sentido nada assim. E eu também não. "Isto foi um reencontro" disseste-me. Era a tua energia que sempre me puxou para ti, que junto com a minha energia me fazia brilhar. Sempre foi a nossa energia. Sabes que nunca teve nada a ver com a tua clarividência. Aliás, sabes o que te disse, quando te ofereceste para me iluminares o meu futuro. Disse-te que não queria saber de nada. E nunca nada te pedi, só te pedi mesmo, já em desespero de causa, que ficasses comigo... Mas se calhar já não tinha de ser, disseste-me.

Mas revoltava-me saber que eles te alertavam contra mim. Eu poderia não ser o melhor para ti, aceito isso com humildade. Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo. Mas também deveriam saber que ninguém te quis ou quererá tanto, mas principalmente te quererá tão bem, quanto eu te quis. Eu pelo menos tenho sempre de acreditar nisso. E eu sei que eles nunca te falharam, nem falharão. Talvez outros planos te estivessem destinados, e eles só te estivessem a guiar. Não sei. Mas ninguém nunca te pôde querer tanto bem como eu quis. E continuarei, sempre, a querer-te bem. Talvez porque haja coisas que estão para além da nossa compreensão.

Mas se havia coisa que me deixava feliz, era saber que tu sabias. Nós podemos tentar mostrar e dizer a outra pessoa o quanto gostamos dela, mas se não sentirem, tudo se torna quase num ato de fé. Afinal pode não ser bem assim. Podemos estar a confundir as coisas... Mas no nosso caso tu sabias. Tu sentias! E certa vez, contaste-me. Eu apareci-te mesmo, junto a ti, na tua cama. Eu saí de mim, e mesmo não sabendo onde tu vivias,  apareci-te... E para mim, isso só pode ter sido qualquer coisa de muito especial...

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Na Soleira da Porta

Era na soleira das portas 107 ou 101 que eu gostava de me sentar enquanto esperava pela camioneta. Por vezes lia o jornal, pelo menos o Blitz lia todas as terças-feiras e que custava menos de cem escudos, ou comia um Bolicao que comprava no quiosque da esquina da rua Barão de São Cosme. E foram muitos anos a sair de manhã na última paragem, e entrar nessa mesma paragem ao fim da tarde, no autocarro que me levaria até casa, quarenta e cinco minutos depois, se corresse tudo bem. Mais tarde os autocarros haveriam de passar para o Central Shopping e com eles levaram toda a vida daquela rua. Mais tarde, também este centro comercial haveria de morrer. 

E claro que hoje, quando passei por lá, me lembrei de muitas coisas. Inevitavelmente lembrei-me de ti também. Para mim é inevitável lembrar-me das pessoas que foram importantes para mim, e de todas as memórias que determinados locais carregam. E se tu estiveste presente durante cerca de uma década na minha vida, é normal para mim que me lembre de ti. 


E naquele tempo, disseste-me depois quando nos conhecemos, reparavas muito em mim quando me vias. Mas em boa verdade, também é preciso dizer que toda a gente reparava! E se não era por me achares um deus grego (dessa nunca me vou esquecer!) seria certamente por eu me sentar na mesmíssima soleira que tu mesma também gostavas de te sentar. E eu achei muita graça a esse detalhe. Sabes que eu hoje acredito que determinadas pessoas que vamos conhecer no futuro, muito antes disso já nos andam a rondar. Muitas vezes passam nos mesmos caminhos, vão aos mesmos eventos que nós, e vê lá tu, que às vezes, até já nos andam a ler há anos! No fundo essas pessoas e nós, andamos à espreita de aproveitar uma oportunidade que o destino nos der. Acho que tem um pouco de destino e um pouco de livre-arbítrio talvez. 

E foi ali, junto a uma daquelas soleiras (acho que ainda te consigo ver e estavas de pé) quando ainda não nos conhecíamos, que me viste - e eu sei porque nesse mesmo momento também eu te estava a ver pelo canto do olho - e ouviste o Mota chamar-me por aquele nome, pensando tu que eu seria assim tratado pelos colegas. E acabou por ser esse nome, depois por mim adaptado, que haveria de dar origem ao meu primeiro pseudónimo, e que, ainda hoje, parte dessa palavra (Königvs) ainda uso. 

Tempos depois haveríamo-nos de nos cruzar por mera casualidade, certamente num evento previamente cozinhado pelo destino. Destino e livre arbítrio como te digo. O destino fez-nos esbarrar um no outro. Tu decidiste fazer-me uma pergunta...

domingo, 17 de setembro de 2017

Varinhas Mágicas & Cantores Românticos

Sabes qual é a origem da palavra Sofisticado?
Enganar, falsificar, corromper.



Fernando - quem é que ganhou as eleições autárquicas em 1998 no concelho de Gondomar?
Major Valentim Loureiro.
E qual é que foi o grande trunfo da campanha do Major?
Oferecer eletrodomésticos e bilhetes de graça para os concertos do Toni Carreira.
Varinhas mágicas e cantores românticos. Uma fórmula imbatível.

País Irmão / RTP

Ponte do Infante - Antes e Depois



VC JÁ VIVEU UM AMOR IMPOSSÍVEL?


Como Surge a Simpatia pelo Discurso Xenófobo e Racista

"O que é que nós temos vindo a verificar?
Nós temos vindo a verificar que tem vindo a atingir o poder ou a ficar muito perto de o atingir, gente, com um discurso, de uma violência, duma xenofobia extraordinária. E nós muitas vezes interrogamo-nos: mas como é que isto é possível?
E temos muito a ideia que, aquela gente, só pelo seu carisma, convencem as pessoas disto e daquilo. É infinitamente mais complicado. Porque o que acontece é que, o maior sucesso dessas pessoas é, no meio de outras, que têm um mal estar larvar, que encontra - digo eu - uma falsa resposta nas promessas dessas pessoas. 


As pessoas sentem-se rejeitadas. As pessoas têm falta de emprego. As pessoas sentem-se ameaçadas num processe que é clássico, o ser humano pelos outros, que é: a vida corre-me mal, de quem é a culpa? É muito mais fácil que a culpa seja de um tipo que tem uma cor diferente. E agora aparece alguém, que vem confirmar digamos assim, essas nossas teorias e diz: se nós nos livrarmos do Outro, nós voltamos ao paraíso perdido. Que é outra das táticas, que é dizer, antigamente é que era bom. E portanto, não é nada de admirar, que haja terreno fértil, para que determinadas ideias (muitas vezes nem são ideias, são puramente slogans) possam medrar, e levar a que se ganhem eleições.

Júlio Machado Vaz / O amor é... / 16/9/2017

sábado, 16 de setembro de 2017

As Mulheres Já Não se Arrepiam

"Eu é que não tenho pelos, senão estava toda arrepiada."

Enquanto ela dizia isto, pensava eu, como de facto já muito poucas mulheres devem ficar arrepiadas, com pele de galinha e com os pelos em pé...



Obrigado Diabo!

“Gozem bem as férias que em Setembro vem aí o diabo”
(Passos Coelho / 21 Julho 2016)



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Eleições & Futebol

Ao que parece, vale o que vale, mas vinha hoje a notícia no Diário de Notícias, que o governo socialista prepara-se para proibir jogos de futebol ao domingo de eleições. Parece que a culpa para termos mais de 50% de abstenção dos eleitores é do futebol. Mas assim sendo eu deixo aqui mais algumas sugestões para os dias de eleições, que, para beneficiar sempre os patrões, até são sempre ao domingo:


- Proibir o bom tempo em domingo de eleições. Dia de sol incentiva as pessoas a irem passear. Isso não é bom para as eleições. A partir de agora o São Pedro passará a estar obrigado, por decreto-lei, a dar tempo cinzento e com chuviscos em todos os domingos de eleições. Mas não muita chuva, nem muito frio, não vão as pessoas serem incentivadas a passarem o dia enfiadas na cama a aquecerem-se.

- Proibir a televisão e a rádio, e obrigar as empresas de comunicações a desligarem o serviço de televisão e internet em casa.

- Proibir a missa dominical, os casamentos, batizados e funerais em domingo de eleições, aliás, o melhor mesmo é fechar as igrejas todas e cemitérios a cadeado. 

- Proibir qualquer festinha ou arraial lá da terra

- Encerrar todos os museus, parques, jardins, teatros e cinemas e proibir a ida à praia

- Encerrar todos os centros comerciais 

- Fechar todos os postos de combustíveis

- E porquê só proibir o futebol? Proibir também todo e qualquer evento desportivo! Proibir tudo que possa permitir distração!

Proíbam tudo e mais alguma coisa. Nós não precisamos de melhores políticos, de políticos decentes e honestos, nem de políticos com quem as pessoas se identifiquem, para que as pessoas não continuem cada vez mais  afastar-se da política. Nem precisamos de educação política e de educação para a cidadania. O que precisamos mesmo é de não ter futebol em dia de eleições! Sim, porque quem vai ver um jogo às seis da tarde não pode votar de manhã!

Por mim até podem proibir o futebol porque não dou um cêntimo que seja para a causa, e acho verdadeiramente vergonhoso o estado a que a coisa chegou. Mas depois, é tão engraçado ver como os políticos se servem do futebol. Ele é nas televisões ou nas rádios a fingirem-se de comentadores desportivos para granjearem simpatias. Ou nas bancadas dos jogos importantes, lá estão eles, ao lado dos presidentes dos clubes para serem vistos, ou então a faltarem às sessões no parlamento para verem jogos (muitas vezes com viagens pagas por empresas como a GALP) para verem os jogos da seleção. Ou quando a seleção vai para uma qualquer competição, lá estão os políticos, a receber a seleção de futebol, que nunca sequer foi campeã do mundo, ao contrário de muitos outros atletas ou desportos, e que não têm, nem nunca tiveram o mesmo tratamento. Mas depois, servem-se também do futebol, como desculpa para a incompetência própria por não cativarem as pessoas a votar. Vão-se mas é foder todos. 

domingo, 10 de setembro de 2017

Vê Mais Longe a Gaivota que Voa Mais Alto


Ó Judite, Escreve 500 Vezes Florida para ver se Aprendes!

Descascava e ia comendo castanhas. Ao longe ouvia na televisão a Judite de Sousa na TVI, pronunciar Florida como se fosse uma palavra esdrúxula: fló-ri-da. Estou a ver que para ela os jardins são todos muito fló-ri-dos! Que ridículo Judite! E que grande pontapé na gramática! E ainda falam no Jorge Jesus! Só que há uma grande diferença: o Jesus é treinador da bola, não tem obrigação de saber falar corretamente português, enquanto tu és uma jornalista. Uma jornalista de competência duvidosa no meu entender, mas que ao menos deveria falar bem a sua língua, senão, ainda menos credibilidade tem!  


É que, que os meus colegas de trabalho tenham todos, teimado comigo que era flórida - afinal eles tinham um argumento de peso!: toda a gente diz flórida! boa! - ainda estou como o outro, afinal, também nenhum deles fez nenhum curso de comunicação social, e por outro lado, ainda não se mentalizaram que, quando eu afirmo algo é porque estou 100% seguro do que estou a dizer. Agora jornalistas a dizer disparates para toda a gente dizer como eles dizem?! Haja paciência!

Ó Judite, escreve mas é 500 vezes para aprenderes: "A palavra Florida é grave e pronuncia-se flurida".

Mas se tens dúvidas no que estou a dizer - afinal que sei eu de português? - olha, faz como eu e vai ao Ciberdúvidas que eles explicam lá tudo!

É Mais Fácil Viver com uma Mulher que se Sente Amada

Então porque não a deixas?
Quem?
À Edith.
- E ia deixá-la porquê?
Por estares apaixonado por outra.
Não estamos na Idade Média...
- Tem acontecido, homens têm deixado as mulheres por outras e sido felizes.
Até começarem a enganar a nova.
Pois, tu é que sabes...
- Contigo não vale a pena falar.
És amoroso de mais para foder sem sentir amor, certo? Portanto comer outra era prova de que não amas a Terry?
Tens falado com a minha amante?
Olha, ama todas as que puderes. E os teus filhos, a tua mulher, mantém a harmonia. E uma vez, só por uma vez, tenta foder alguém só por te saber bem. A tua mulher bem pode estar a viver segundo esses princípios...


Precisava que fizessem amor comigo. Tu já não fazes amor, já só me fodes. Sentei-me nos degraus e o Hank deu-me a mão. E ouviu-me. Ouviu-me enquanto eu falava desta merda de casamento. E disse que se sentia chegado a mim. E fiquei feliz por o ouvir. E feliz por fazer amor com ele, por um minuto senti-me tão estupidamente feliz... Até que pensei em ti. E só me apetecia estar aqui contigo e voltarmos ao que éramos e voltar para esta cama, para o meu marido e para os meus filhos, que é o meu lugar...
Sentimentos realmente admiráveis Terry.
Neste instante eu amo-te, talvez mais do que há anos. Mas estou furiosa, Jack, estão tão fodida...Porque tu preparaste isto tudo, e é claro que aconteceu! E não sei mais o que irá acontecer.
Vais voltar a vê-lo?
Credo, eu sei lá...
Então, está acabado? É o que estás a dizer?
Que se passa nessa cabeça? Para ti fazer amor é como fumar?
É...
- O quê? É uma promessa.
Prometeste-lhe que o voltavas a ver?
Não tive de dizer nada, abrir as pernas já é uma promessa.
E ele também não disse nada? Alguma coisa deve ter dito.
Tu estás a adorar isto...Queres pormenores?
Primeiro demos umas voltas. Depois pôs-me uma mão na mama. Quase me vim, mal me tocou.
E sabes o que aconteceu depois? Fodemos como doidos. E sabes que mais? Eu vim-me antes dele. E da segunda vez, estava eu por cima, olhei-o bem nos olhos e disse-lhe que o amava.
Bom, já chega. Chega.
Devias estar a partir-me os dentes, mas qual quê? Tu não, porque tu gostas. Queres ver-nos Jack? Queres assistir?
Fode quem e quanto queiras, mas poupa-me é as tuas estúpidas noções sobre a alma de um homem que nunca compreendeste. Porque são idiotas!
Estúpidas noções sobre a alma de um homem que não compreendo? Coitadinho...Falas e falas até achares que te conheces, mas olha, sabes? És um porco. Vou dormir; temos dois filhos que daqui a pouco acordam e pequeno-almoço é coisa que não lhe dás.
Eu dou-lhes, deixa que dou.
Ora aí está uma coisa que me podes ajudar...
Infelizmente com o meu outro problema já não podes. É que eu já não sei bem o que fazer...Amanhã que faço, digo ao Hank "Obrigadinha mas aquilo foi ontem, hoje é hoje e não sei se quero foder mais?Admitirás que até o adultério tem de ter alguma moral? Portanto vou ter de pensar bem.

We don't live here anymore / John Curran / 2004