segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sinto o tempo passar quando....

Sinto o tempo passar quando olho com aquele olhar que tira as medidas, não predador mas quase lascivo, naqueles segundos em que passo de carro e vejo uma jovem que espera pela camioneta na paragem. Na mesma paragem onde eu, durante tantos anos também esperei. Dias depois apercebo-me que a jovem é filha da Mafalda, uma menina que estudou comigo na Telescola




Esta curta publicação estava para ter por título "Sinto-me velho quando...", mas a verdade é que, apesar dos cabelos brancos irem proliferando cada vez mais (apesar de ser sempre melhor ter neve nas telhas, que ver as telhas voar!) mas na verdade continuo a sentir-me o mesmo miúdo de sempre. Parece cliché mas acho mesmo que a velhice está na cabeça, apesar de, como é lógico, com o tempo o corpo começar a não corresponder como antes. Mas há tanto puto envelhecido por aí...

domingo, 23 de abril de 2017

Shhh


Na Calçada das Carquejeiras - Porto

Bufo-real


O Bufo-real (Bubo bubo) é uma espécie de ave estrigiforme pertencente à família Strigidae. É, atualmente a maior espécie de coruja existente no planeta, chegando a 86 cm de comprimento, 1,70 a 2,10 metros de envergadura e pode pesar até 5,5 quilos.O Bufo-Real tem uma longevidade bastante extensa que pode variar de 10 a 20 anos. (Wikipedia)

sábado, 22 de abril de 2017

Porto Antigo - Porto Atual

Antiga Praça Almeida Garrett
Vista para a Rua Mouzinho da Silveira e Rua das Flores

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Acabe-se Já com a Medicina - Obriguem-se as Pessoas a Rezar aos Santos!

Tenho acompanhado ao de leve a discussão acalorada, por causa da enorme pandemia que Portugal atravessa de milhões, milhares, centenas, afinal parece que são vinte pessoas infetadas com sarampo. Tem sido uma tragédia, algo nunca antes visto, tal é a forma como os média portugueses não falam de outra coisa! E a discussão faz-se entre os dogmáticos defensores das vacinas, e aquelas ovelhas tresmalhadas, que como eu, gostam de questionar e analisar as coisas com outros olhos. 

E após uma breve análise já tirei as minhas conclusões. E o que eu acho é que se deveriam fechar os hospitais e deixar de formar médicos e enfermeiros. Deveria-se acabar já com a medicina! 
E deveria-se obrigar toda a gente, não a tomar todas as vacinas que a Santa Indústria Farmacêutica prescreve, mas sim, sempre que uma pessoa estivesse doente, obrigá-la a rezar à Santinha de Fátima e aos Pastorinhos, pois como se vê hoje na primeira página do jornal mais credível do país, os novos santinhos de Fátima já curam as pessoas!
Os milhões que se vão poupar ao SNS e em absentismo ao emprego! E com isso este governo de esquerda, já pode baixar a idade da reforma para os 50 anos! A fé é sem dúvida o melhor tempero. 


E eu acho realmente muita piada a quem se manifesta violentamente contra quem não segue a cartilha de que todas as vacina são boas, e que tudo o que a indústria farmacêutica coloca no mercado é para o bem da Humanidade. E eu vi algumas coisas que se têm escrito na blogosfera. De repente, até eu já pareço um terrorista fanático! Mas só ainda não percebi é qual será o interesse escondido das pessoas que ousam questionar as vacinas. Questionar e procurar esclarecimento, hoje em dia é crime, mais ou menos como era na Idade Média era crime mortal questionar Deus. 

Mas o meu interesse eu sei qual é. É questionar e tentar ficar minimamente esclarecido. É principalmente ousar pensar pela minha própria cabeça e não aceitar qualquer monte de merda que aparece nas televisões e nos jornais como uma verdade universal. É também saber que o negócio da saúde das pessoas só é ultrapassado pelo negócio de armas, tirando isso, nada dá mais dinheiro que o negócio da falta de saúde das pessoas. E é saber o que se disse por alturas da gripe A. Vinha aí, não o Diabo, mas uma enorme pandemia. Milhões e milhões de pessoas iriam morrer. Todos tinham de tomar a vacina, todos tinham de comprar aquele líquido desinfetante para as mãos (que em França foi proibido) e ia ser um caos. E é saber, que mais de 50% dos médicos e enfermeiros - grupo de risco! - não as tomaram! 

Mas se aparece nos jornais e nas televisões que os santos fazem milagres e curam as pessoas, então, acabe-se já com a medicina e os hospitais. Não obriguem as pessoas a tomar vacinas, Obriguem sim toda a gente a rezar! Fica muito mais barato!

Mas atenção, rezem de forma correta, com a correta devoção! Há muita gente que vai a Fátima a pé e depois acaba atropelado. Ou como uns tios da minha mãe, que num dia foram a Fátima rezar e à noite chegaram a casa e tinha a própria casa em ruínas por causa de um incêndio.

Rezem todos à Santa Vacina, mas cuidado, rezem com devoção, porque às vezes a coisa pode mesmo dar para o torto. 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Hoje não te vais Sentar no teu Lugar


Via Pinterest
Obviamente que não existem lugares marcados à mesa. Mas habitualmente cada pessoa ocupa sempre o seu mesmo lugar, e eu tomo sempre o meu. Hoje uma colega, que de vez em quando parece querer saltitar de lugar em lugar, decidiu que haveria de se sentar, naquele que é, habitualmente, o meu lugar à mesa do refeitório. Não podendo eu sentar-me no colo dela, ocupei o lugar à sua esquerda que é, habitualmente, o lugar de um outro colega. E conforme as restantes pessoas foram chegando, toda a gente foi ocupando um lugar, diferente daquele que é, habitualmente, o seu lugar. 

E assim se prova, como uma pequena decisão de uma pessoa, pode modificar a rotina de de todas as outras pessoas. 

domingo, 16 de abril de 2017

Universo: queres falar?

Há sempre mais um gato, aqui ou ali, ou a aproximar-se de mim para me assombrar. O que me vale é que eu quase nunca me lembro dos meus sonhos, se não, provavelmente iria descobrir agora que os meus piores pesadelos envolviam gatos.

A última conversa que tive com a Paula foi sobre quê? Gatos precisamente. Depois a Paula desapareceu. Para sempre. Não estou nada a ser trágico, nem dramático. É verdade. Espera... deixa corrigir, pelo meio ela deixou aqui um ou outro comentário. Mas isso não conta porque não voltamos a falar. Se um dia te encontro Paula, vais levar tantas nesse cu até ele ficar vermelho como a camisola do Benfica! 

Mais recentemente foi a Sofia. Penso na Sofia constantemente, pelo menos todas as semanas é de certeza. Talvez eu lhe devesse telefonar, ao menos para saber se está tudo bem com ela, mas não sei. Já no ano passado lhe enviei mensagens de telemóvel, e já lhe enviei um e-mail este ano. Não responder acho que é sinal suficiente que não quer falar comigo, e na realidade já não falamos vai para um ano. Bem, ao menos eu sei onde ela mora. E é curioso que a Sofia tinha-me dito que acreditava que eu seria das poucas pessoas que levaria como amigo para a vida, ainda por cima sendo eu uma pessoa com pénis. Sempre nos demos muito bem e acho que ela sempre soube o quanto gosto dela. Pois é... tudo corria bem até ao dia em que eu escrevi sobre gatos, aqui no blogue.


Sim, para mim foi uma discussão completamente parva, ao estilo de o-meu-clube-é-melhor-que-o-teu. Mas para a Sofia não foi. Foi grave porque encarou as coisas de forma pessoal. Claro que ela sabe muito mais sobre o assunto que eu, e sentiu como se eu a estivesse a atacar pessoalmente, mas não foi nada disso. Pelo menos esta é a minha versão, a dela será sempre um pouco diferente. Eu entendo perfeitamente o que pessoas como ela defendem e o mérito que essas pessoas têm em desenvolver o trabalho que desenvolvem, mas eu tenho a minha própria visão das coisas. Não se trata se discutir quem está certo ou errado, porque o mais estúpido, é que se calhar, até estamos os dois certos. 

Mas isso não interessa para nada. O que interessa é que eu perdi a amizade de uma pessoa que me era especial. E eu sinto-me culpado apesar de também achar que, uma discussão sobre gatos não deveria ser o bastante para acabar com uma amizade de anos.  

E se durante tantos anos os gatos andaram afastados da minha vida, agora são uns atrás dos outros que vão constantemente aparecendo. Gatos, gatos e mais gatos. Olha, ali um, na estrada atropelado. Eu sei Paula, que morrem muitos gatos atropelados na estrada. Esta semana, a gata da vizinha teve quatro filhos em casa dos meus pais. Eu sei Sofia, a importância do planeamento familiar para os gatos. 

E esta semana, mais um gato, veio miar para a minha beira em minha casa.
Universo: queres falar?

Ridículo e sem Noção

Desejar uma "Santa Páscoa" a quem não conhecemos é como desejar um santo Ramadão. Ridículo e sem noção.  (Fernanda Câncio)



Eu confesso que fico um bocadinho fodido quando entro numa loja, supermercado ou outro sítio qualquer, e toda a gente que me atende desata a desejar-me bom Natal ou boa Páscoa sem me conhecer de lado nenhum, e sem eu exibir uma cruzinha ao peito. 

Se agora até saiu uma lei europeia que permite, por parte do patrão, a proibição da exibição de símbolos religiosos, acho que dentro dessa neutralidade, bastaria o bom senso para dar indicações aos trabalhadores, para não partirem do pressuposto que determinado cliente é cristão, muçulmano, budista, pagão, ou de outra qualquer religião. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

As Mamas e as Bombas


Operatic - Eugenia Loli

"Por outro lado, e visto por esta ótica, não acham que seria muito interessante poder prever as reações que teriam face a certos estímulos os governantes que vamos eleger? Seria sensacional poder saber se um par de mamas é capaz de enlouquecer um indivíduo e torná-lo capaz de lançar bombas ou desencadear uma guerra para resolver os seus problemas sentimentais."

Livro das Emoções / Laura Esquivel (2000)


A Mãe de Todas as Bombas

Candy Bomber (2014)




Dúvida Existencial: Semana Santa



Visto que em Portugal não existe separação entre a lacidade do Estado e a Religião, e hoje até é feriado católico e tudo, surge-me contudo uma dúvida existencial:

Se estamos em plena "Semana Santa", por que é que então só é feriado na Sexta-Feira? A Segunda-Feira também não é Santa? Nem os restantes dias da semana porquê? Para quando então uma semana inteira de férias devoção e fé e os católicos terem tempo de limpar a casa e os passeios para a visita pascal? 

...nem bom Comportamento

Ainda nem uma semana passou desde a notícia de que mil alunos portugueses, na casa dos 18 anos foram expulsos de Espanha, e já outra notícia ecoa além fronteiras: o aberrante caso dos cânticos da claque troglodita do Futebol Clube do Porto, que nem a memória dos mortos da Associação Chapecoense respeita, nem tem respeito pelos próprios adeptos do clube que repudiam tais manifestações, e isto poucos dias depois de um dos elementos da claque ter, em campo e para toda a gente ver, ter partido o nariz de um árbitro de futebol. 

Eugenia Loli

Em Portugal, como em quase todos os países, gostamos de rebaixar os nossos vizinhos, no nosso caso os espanhóis, e usamos um provérbio que diz que "de Espanha nem bom vento nem bom casamento". Pois o que eu acho é que na verdade quem tem telhados de vidro não deveria atirar pedras aos outros, porque pelo que se tem visto: de Portugal nem bom vento, nem bom Comportamento.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O Pedido de Desculpa

Isolado no meio do maralhal, aproxima-se um senhor já conhecido de outras andanças, com idade para ser meu pai e diz-me:

"Lembra-se daquela caminhada às minas em Paredes? E lembra-se de estarmos no restaurante e eu ter-me exaltado e ter sido inconveniente consigo? Já há muito que andava a ver se o encontrava para lhe pedir desculpa. Aquilo não foi normal, eu não costumo agir assim e queria-lhe pedir desculpa."



Costuma-se dizer que as desculpas não se pedem, evitam-se. Mas neste caso o pedido de desculpa desarmou-me completamente, talvez por já ter passado tanto tempo. Está quase a fazer um ano desde essa ocorrência, e o senhor ficou a remoer naquilo. Eu e ele não temos qualquer relação. Somos simplesmente dois estranhos que nos juntamos em determinados eventos. Ele não precisa de mim para nada, tal como eu não preciso dele. Mas ele fez questão de vir junto de mim pedir-me desculpa. E isso tem de demonstrar alguma grandeza, pois talvez até seja quando erramos que nos podemos mostrar humildes e nobres. Este pedido de desculpa como que, de imediato, limpou a má imagem com que eu tinha ficado, e ao mesmo tempo criou uma imagem positiva.

"Ah não pense mais nisso" disse-lhe enquanto lhe afagava o braço. 

De facto deveríamos evitar começar falhar com os outros para evitar ter de pedir desculpa. Mas infelizmente não somos perfeitas. E para que haja uma reconciliação é preciso perdoar, mas primeiro é conveniente pedir desculpa.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Admiração pelo Outro

theodysseyonline.com

"Eu acredito piamente, que uma relação amorosa, para durar, tem de incluir uma dimensão de admiração pelo outro. Cuidado. Não idolatria. Mas nós temos de admirar uma ou outra coisa pelo menos no outro."

Júlio Machado Vaz



domingo, 9 de abril de 2017

A Saudade


"...não digas a ninguém
mas esta noite vou partir...
...para encontrar de quem tenho saudades"


"The longing" / Pirate Scum/  Storm Seeker (Versão Hurdy Gurdy) / 2016

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Erica

O android mais bonito e autónomo do mundo... 
ou como o futuro está mais próximo do que podemos pensar

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Pinturas Faciais

"Acho que dos meus seguidores és o único que não usa maquilhagem". 

Via Pinterest
Estaríamos em 2006 ou 2007, por aí. Certo dia reparo num dos jovens que fazia trabalho temporário lá na empresa. Ele tinha uma cara estranha. Não é que o gaijo tinha as sobrancelhas aparadas, de onde já nasciam novos pelos? Já antes tinha reparado, que os pelos das mãos peludas de um colega, que até tinha responsabilidades de chefia, tinham, subitamente, desaparecido! Desde logo percebi que estava aberta a Caixa de Pandora: não faltaria muito para que em breve eu fosse um autêntico homem das cavernas!

Maquilhagem nos homens, para mim, era coisa de bandas de Black Metal. E é curioso que a esse respeito, agora até me lembro de certa vez ter ido a casa do Tião, um colega do secundário. O Tião tinha o cabelo comprido, preto, abaixo dos ombros. Era baixinho e magro, e andava de Vespa. E andava também com umas camisolas um bocado rotas.

Certo dia ele fazia anos e íamos jantar num qualquer tasco do Porto com amigos dele, e ele disse para eu ir lá a casa dele. Um casarão. com vista privilegiada para o rio Douro, e com, por exemplo, uma bateria no quarto onde eu me pus para lá a bater como se percebesse alguma coisa daquilo. Ele pediu-me para eu o pintar com umas pinturas que comprou para o efeito. E pediu-me que o pintasse como um dos gaijos dos Immortal (na imagem), e eu até acho que a coisa nem correu mal.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Quando a Beleza ainda era Natural II

Marilyn Lange (Playmate do Ano 1975)

Como Água para Chocolate

Tita, de joelhos, inclinada sobre o metate, movia-se rítma e cadencialmente enquanto moía as amêndoas e o gergelim.  
Sob a sua blusa os seus seios oscilavam livremente pois usa nunca usara qualquer soutien. Do seu pescoço escorriam gotas de suor que rolavam para baixo seguindo o sulco de pele entre os seus peitos redondos e duros. 
Pedro, não podendo resistir aos cheiros que emanavam da cozinha, dirigiu-se para ela, ficando petrificado na porta diante da postura sensual em que encontrou Tita.
Tira ergueu o olhar sem deixar de se mover e os seus olhos encontraram os de Pedro. Os seus olhares apaixonados fundiram-se imediatamente de tal maneira que quem os tivesse visto só teria notado um olhar, um único movimento rítmico e sensual, uma única respiração agitada e um mesmo desejo. 



Permaneceram em êxtase amoroso até que Pedro baixou a vista e a cravou nos seios de Tita. Esta deixou de moer, endireitou-se e orgulhosamente ergueu o peito, para que Pedro o observasse plenamente. O exame de que foi objeto mudou para sempre a relação entre eles. Depois desses pescrutrante olhar que penetrava a roupa já nada voltaria a ser igual. Tita soube na prórpia carne por que é que o contacto com o fogo altera os elementos, por que é que um bocado de massa se converte em pão, por que é que um peito sem ter passado pelo fogo do amor é um peito inerte, uma bola de de massa sem qualquer utilidade. Em apenas alguns instantes Pedro tinha transformado os seios de Tita de castos em voluptuosos, sem precisar de lhes tocar. 

Como água para chocolate / Laura Esquivel / 1989

domingo, 26 de março de 2017

Sussurro-te ao ouvido...


I whisper in your ear
"Do you dream of me?"



Do you dream of me? / Wildhoney / Tiamat / 1994

Questionário: O que é que a fotografia do teu perfil diz sobre ti?

Estava aqui a passar os olhos pela imprensa domingueira, sempre tão repleta de entretenimentos ao domingo, e dou de caras com um daqueles pequenos questionários, acerca das nossas imagens de perfil. Muitas vezes estes questionários valem tanto como o horóscopo diário que vem nas revistas, mas ainda assim, tal como nos horóscopos, às vezes também acho piada a alguns destes questionários.

Segundo o questionário, as nossas imagens de perfil das redes sociais, dizem mais sobre nós, do que nós pensamos. E então o questionário coloca-nos as seguintes questões:

1. Com que frequência mudas a imagem de perfil no Facebook?
(A) uma vez por ano (B) várias vezes por ano (C) pelo menos uma vez por mês

2. A foto que tens no Twitter, é (A) uma foto mesmo tua, ou (B) um avatar?

The Guardian (foto Alamy
Resultados:

Se respondeste (A) à pergunta 1, então o mais provável é que sejas extrovertido.

Se respondeste (C)
então o mais provável é seres um introvertido, com (B) pelo meio.

Um estudo do Centro de Segurança Cibernética da Universidade de Warwick descobriu que os participantes com pontuação elevada na extroversão mudaram sua imagem de perfil com menos frequência do que os tipos mais introvertidos: exatamente o oposto do que os pesquisadores esperavam.

Se respondeste (B) à segunda pergunta, então, novamente e de forma surpreendente, és, provavelmente um extrovertido. Se respondeste (A) és introvertido. 
Mais uma vez trocando as voltas ao que seria expectável, os pesquisadores descobriram que os introvertidos são mais propensos a usar uma foto de si mesmos como seu perfil do Twitter do que extrovertidos. Por quê? Só podemos especular, mas talvez introvertidos sejam tipos sérios que usam o Twitter para negócios ou de forma profissional (onde mostrar seu rosto é importante), enquanto os extrovertidos são mais propensos a usar o Twitter para se divertir, escolhendo avatares que representam os seus gostos de uma forma mais brincalhona.

Ora bem, eu gosto muito de psicologia, e por equivalência já devo três ou quatro doutoramentos, mas nem sempre gosto muito de generalizações do género: coças-muito-no-nariz-então-é-porque-te-masturbas-muito! Ou aqueles testes dos borrões (Rorschach) em que no fundo analisa-se as respostas de cada pessoa em função do que uma maioria já disse do que via nos borrões. É óbvio que tem a sua fiabilidade mas acho que nunca poderemos generalizar ou ser taxativos. 

Ainda assim tudo isto é muito curioso, porque eu não estou registado no Facebook nem Twitter, e só isso, segundo os psicólogos já diz que sou, muito provavelmente!, um psicopata!

Mas que poderei dizer sobre mim? 
Bom, no perfil da rede social Google+ (que agrega Blogger e Youtube), uso a mesma imagem desde o início, ou pelo menos, é sempre a imagem de um Bufo-real, avatar que uso, há pelo menos cinco ou seis anos. Ou seja, segundo o estudo da universidade isto afirma claramente que eu sou extrovertido. 

Certíssimo.

sábado, 25 de março de 2017

Primeiro Verão



No tempo dos romanos e até ao século XVI, havia o Verão (a actual Primavera), o Estio (o actual Verão), o Outono e o Inverno.

A palavra Verão provém do latim vernum, com o significado de “tempo primaveril”, derivado de ver, veris, que significava Primavera. A expressão primo ver (que originou o termo Primavera) aplicava-se apenas ao começo da estação: primo + ver = o primeiro Verão (= actual Primavera), o princípio do Verão (= Primavera).


sexta-feira, 24 de março de 2017

Brasão de Família

Via Google Images
Eu sou pobre, plebeu, nunca liguei a este tipo de coisa, da heráldica e das árvores genealógicas. Percebo o fascínio, como uma amiga que tenho, que na volta ainda é descendente de um rei. Mas eu não. Nas minhas veias corre sangue sim, mas não azul. É vermelho. Nem nunca tive especial atração pela monarquia, bem pelo contrário. 
Muitas vezes até, e estou-me a lembrar das feiras medievais, por exemplo, em que até me cruzo com pessoas que vendem os brasões do nome de família. Nunca me demorei muito a procurar o meu. Mas agora, por mero acaso, aterrei aqui num blogue onde tem ali a coisa tão esmiuçada, até achei curioso que o meu nome de família, seja um dos mais antigos do país. E esteticamente, até gosto do brasão. Mas só isso! (podem colocar aí em baixo o visto no "do que te lembras"!)

O Défice mais Baixo desde 1974


A notícia que hoje não se falará será esta. Já há dias não se falou que o Estado Português emitiu dívida pública com juros negativos, o que significa que nos vão pagar para nos emprestarem dinheiro!

Mas hoje, é oficial, o governo apoiado pelos partidos mais à Esquerda no parlamento, aqueles radicais que comem criancinhas ao pequeno-almoço!, conseguiu o feito histórico de ter o défice mais baixo desde o 25 de Abril de 1974! Mas certamente que será muito difícil descobrir a notícia. 

Hoje falar-se-à de tudo, de-não-sei quem-que-matou-não-sei-quem, do terrorismo, dos santinhos de Fátima, da namoradinha do capitão-gay da seleção de futebol, de tudo, menos desta excelente notícia, porque não interessa nada aos nossos média que são suportados pelo poder capitalista.
Muito importante é saber quantos sorrisos o Centeno mandou nas SMS ao ex-administrador da CGD, isso sim é importante, e é tema para meses a fio!

Antigamente tínhamos o lápis azul da censura, hoje temos uma censura mais refinada de tempos modernos. Mas hoje também se prova que a anterior ministra das Finanças percebe tanto de matemática como eu percebo que costura! E ainda assim não sei... quer dizer, eu se calhar percebo mais, porque ainda fiz uns belos bordados nos tempos de escola!


"Aritmeticamente é impossível" disse ela! Eu no teu lugar Maria, borrava a minha cara com merda. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Indigno. Impróprio. Inaceitável.


Lobo em pele de cordeiro? ou: olha para o que eu faço no Governo mas não olhes para o que eu digo na Oposição?

Partidas & Chegadas



Habilitações Necessárias para Ministro


Junho 1871

Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder, trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da Fazenda, a ruína do País!


Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País. Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros liberais, e os interesses do País!
Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.

Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do país...

Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...

Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa constitucional do poder moderador...

E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num choito tão triunfante!

A Religião no Hospital

No dia da cirurgia, as diferentes pessoas, enfermeiras e médicos, que comigo contactaram, haveriam de me perguntar, várias vezes ao longo do dia: qual é a sua religião? E até hoje, sinceramente, não consigo perceber para quê tal pergunta. Por que não perguntar a minha orientação sexual? Por que não perguntar os meus ideias políticos? Por que não perguntar se tenho um clube preferido e qual? Por que não perguntar como é que eu gosto dos ovos, se sou omnívoro ou vegetariano?

Mas o mais engraçado é que, no inquérito que a enfermeira me fez na receção, nem sequer lá contemplava a opção "Sem Religião"! Os hospitais portugueses partem do princípio - errado! -  que toda a gente tem de ter religião! 

- Qual a sua religião? 
- Eu não tenho religião.
- Mas então é agnóstico?
- Não sou ateu mas também não sou agnóstico. E agnóstico e ateu também não são religiões. Mas eu não tenho nenhuma religião.
- Mas eu não tenho aqui "Sem religião", então vou colocar agnóstico. 

Vamos lá ver uma coisa. Vivemos num país Laico, sem religião portanto. Então, porque raio perguntam aos doentes que se dirigem a um hospital público qual a sua religião? Mas por acaso a religião é tida e achada dentro de um hospital? E do ponto de vista clínico, interessa alguma coisa a um médico saber a religião do doente? Não devemos todos ser tratados de forma igual? Então para que é que querem saber da religião das pessoas?

Ah mas ó Konigvs há pessoas que não querem transfusões de sangue porque a sua religião não permite. 

Eu sei muito bem que, por exemplo, as Testemunhas de Jeová, além de quererem aparentar uma neutralidade política - como se isso fosse possível! (mas a Esquerda agradece) - são também muito conhecidos por não aceitarem transfusões de sangue. E em Portugal existem cem mil Testemunhas de Jeová, cerca de 1% da população.

Eu sempre defendi as liberdades individuais, pois certamente também concordo que cada pessoa é que deve saber o que fazer quando está doente. Não quer receber uma transfusão de sangue? Quer morrer? Muito bem, estou totalmente de acordo, cada um está no seu direito de fazer o que bem entender. Só que existem certas vontades, ou liberdades, que colidem eticamente com as liberdades dos outros.

As pessoas são livres de ter a sua religião, seja ela qual for. Totalmente de acordo. Mas as pessoas também devem ter presente que os médicos também fazem o seu juramento: o de salvar vidas. E onde é que fica o Direito do Estado Laico? Neste momento, o meu país não me deixa morrer, se esta for a minha vontade. É crime. Mas então, com que direito, é que o mesmo país, permite que se deixe morrer uma pessoa, havendo todas as possibilidades para lhe salvar a vida?

Quer dizer, as Testemunhas de Jeová são contra a Eutanásia, mas depois são a favor que deixe morrer uma pessoa, quando poderia ser facilmente salva, bastando para isso que recebesse uma transfusão sanguínea. São contra o suicídio. Só Deus pode tirar a vida. Mas então, deixar-se morrer e esvair-se em sangue não é suicidar-se? Em que ficamos então? Defendem a vida num caso mas no outro já não? Há qualquer coisa nessa linha de raciocínio que não bate certo... Mas eu percebo, a verdade é que as pessoas que têm religião não se regem pelo raciocínio, mas pelo fanatismo. 

Se eu quero morrer o Estado não mo permite. É crime. Se eu quero viver, mas como sou fanático-religioso, e quero impedir o médico de me salvar a vida, ou a vida da minha mulher ou do meu filho, está tudo bem, até há legislação sobre o assunto! Então onde é que fica o argumento da defesa da vida no caso de quem se recusa a receber uma transfusão de sangue? Dois pesos e duas medidas. 

Pois o que eu acho é que, das duas uma: ou confiámos em Deus (no santinho a quem se fez a promessa, no Diabo ou outra divindade qualquer!) ou confiamos no médico, no cirurgião, no anestesista, e no trabalho desenvolvido pela unidade de saúde. E se as pessoas preferem confiar na vontade de Deus, e estão no seu direito, mas então nunca recorram aos médicos! Pois se adoecem é porque foi a vontade divina! - e vão agora ao médico para contrariar essa vontade? Qual é a lógica e coerência disso?

Também acho muita graça aquelas pessoas que fazem uma promessa ao santinho ou santinha. Fazem as promessas, mas depois vão fazer os tratamentos ou cirurgias no hospital. E depois, se ficam curadas, vão agradecer ao santo e dizem que foi ele que as salvou! Então mas para que é que foram ao médico? Se o santo cura, para que é que procuram os médicos? Onde estão os milagres então? Quando tiverem algum problema de saúde rezem! Rezem muito que nunca terão nenhuma doença! Mas se tiverem, não vão ao médico, afinal adoeceram por vontade de Deus! E se é Deus que vos salva, então não vão chatear os médicos! 

Uma coisa é a liberdade individual, outra é o trabalho de um médico. Qualquer doente tem o direito de não ser tratado. Mas nenhum doente pode querer que o médico o deixe morrer quando o pode salvar. Há aqui um conflito de interesses! Muito pior ainda é nos casos de menores. Cada um que decida sobre a sua própria vida, e se quer morrer ótimo, mas que não interfira nas vidas dos outros.

Um hospital é um local onde se tratam doentes que decidem ser tratados. Na missa também ninguém ensina o padre-nosso ao vigário. Portanto, para assuntos religiosos, o destino é a Igreja e não o Hospital. Não queiram misturar alhos com bugalhos.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Há tanto tempo que não vou a um concerto de Metal...



Guardians of Asgaard / Twilight of the Thunder God / Amon Amarth / 2008

As fotografias dela: Nua

Não é que eu achasse propriamente que ia morrer, mas uma operação é sempre uma situação de risco, por mais vulgar que seja. Há pessoas que vão tirar um furúnculo e depois acabam por morrer por incompetência médica, por uma qualquer complicação, ou simplesmente por azar. E os azares acontecem a qualquer um. Nós podemos morrer a qualquer momento, talvez a nossa data até já esteja marcada, não sei, mas acho que talvez seja normal, antes de uma cirurgia, refletirmos sobre a eventualidade de podermos morrer.

No dia anterior paguei as contas. Bom, neste caso não era com medo de morrer, pois se morresse, ao menos já não tinha de pagar mais nada a ninguém! Foi simplesmente para deixar as coisas já tratadas, apesar de, em princípio, vir embora do hospital no dia seguinte.

Nós podemos morrer a qualquer momento, mas na verdade nunca preparamos a nossa morte. E da minha morte, para já, só é conhecida a minha vontade de não ter nenhum padreco por perto. Não sou católico, não preciso de nenhum advogado de defesa - que ainda por cima nem sequer me conhece! - para meter uma cunha junto lá do São Pedro. Se for preciso, eu mesmo apresento a minha defesa sozinho, obrigado. Sinceramente, não acho que os 100€ que o padre cobra me irão ajudar de muito. Acho que o devem ajudar mais a ele!

E de repente pensei nas fotografias dela. Nua. 
Eu tenho aquele CD, sei lá, há uns doze anos talvez. Por que é que nunca apaguei as fotografias?Bom, em primeiro lugar aquilo não é de apagar. Apagar está à distância de dois cliques. Num disco compacto implica parti-lo. Não sei, mas parece-me algo de extrema violência. Deve ser o equivalente a rasgar as fotografias em papel ou a queimar os negativos. 

Via Pinterest

Eu guardei as fotografias, em primeiro lugar, porque as fotografias são minhas. Fui eu que as tirei. com autorização da própria. Mas depois também vos pergunto: mas será que sempre que terminamos uma relação, temos de destruir todas as fotografias? Se sim, porquê? Ou são só as comprometedoras? E por que é que teríamos de o fazer? Eu, tantos anos depois, ainda não o fiz, porque na verdade nunca achei que teria de o fazer.

Se não estou em erro, são fotografias a preto e branco. Sem dúvida que as pessoas ficam muito melhor nuas, em fotografias a preto e branco. Incomparavelmente! 

Eu não guardei as fotografias para passar a vida a andar a olhar para elas quando que me apetecesse. Aliás, há muitos anos que não as revejo. Mas também se visse, qual era o problema? Eu estou solteiro, qual é a diferença entre ver fotografias nuas de uma namorada ou, por exemplo, ver pornografia? 

Depois atentemos no seguinte. Eu se quiser ver as fotografias dela, não preciso ir buscar o CD e metê-lo aqui na gaveta do computador. Eu se quiser vê-la nua, basta ir à pasta dela, que está no meu cérebro! As nossas memórias não se apagam! Eu entendo que muitas pessoas destruam tudo que esteve ligado a uma relação anterior, como que se querendo purgar-se do passado. Mas na verdade não acho que isso faça muito sentido, tão simplesmente porque nós não apagamos o passado! Nós hoje, somos o produto de todas as experiências que vivemos no passado! Nós carregamos o passado sempre connosco e de maneiras que muitas vezes nem sequer nos apercebermos. Há pequenos acontecimentos, e que nem sequer tiveram importância, mas que ficarão guardados para sempre, e de vez em quando saltam cá para fora.

Na verdade, acho que a única coisa que me preocupa naquelas fotografias, é quando eu morrer. E não é por mim obviamente, é por ela. Quando eu morrer, já nada vai importar, mas é como se eu me sentisse o guardião da imagem dela contida naquelas fotografias. Talvez eu tenha mesmo que destruir o disco um dia destes, Não sei. Talvez o melhor mesmo fosse eu entregar-lho, mas isso também já não se coloca, desde logo, porque já não temos qualquer ligação há mais de uma década. 

Eu lembro-me frequentemente de uma frase dela quando nos despedimos, e que acho que, sinceramente, também nunca percebi muito bem o que ela quis dizer: "Preserva a nossa história". Preservar significa proteger; resguardar. Então nesse sentido, tem sido isso que eu tenho feito com as fotografias dela. Tenho-as preservado todo este tempo. 

domingo, 19 de março de 2017

Jesus Cristo: O Revolucionário Anarquista e a Inversão da sua Política

Eu não tenho religião. Nenhuma. E se algum dia vier a aderir a uma religião, façam-me um favor, internem-me, pois certamente já não estarei bem da cabeça. 

Eu acho que as religiões não são mais do que grandes organizações, travestidas de grupos do bem, mas destinadas a fazer o mal, a obter grandes benefícios, favores, e grandes quantidades de dinheiro que ainda por cima não paga impostos. E nenhuma pessoa pode negar, que certamente o mundo seria hoje um lugar bem mais igualitário, mais harmonioso e mais pacífico se não tivessem havido religiões. Os grandes líderes espirituais como Cristo, apregoaram o amor ao próximo. Ironicamente, os seus fanáticos seguidores, andaram e andam a matar quem pense de maneira diferente. 

Cristo não tinha religião! Era um homem livre que defendia a harmonia entre as pessoas. Desprezava e infringia as leis do Estado, lutava contra os políticos, contra o capitalismo, contras as fronteiras, e contra todas as formas de opressão.

Politicamente, parece-me óbvio que poderemos classificar Cristo como um Anarquista. Cristo foi considerado um agitador, um subversivo, alguém que se dava e defendia sempre os mais pobres e os excluídos. Cristo não era visto na companhia dos mais ricos, dos senhores de terras, dos comerciantes, ou dos fariseus. Pelo contrário, Cristo fazia-se rodear dos mais pobres, dos doentes, dos ladrões, das putas e dos mendigos. 

E por tudo isto, por atentar violentamente contra os interesses instalados, por pôr em causa as leis que defendiam os mais ricos, por ser um agitador e um extremista, tão radical que defendia o amor do próximo, e que defendia os pobres, Cristo foi condenado à morte. Mas aqueles que o mataram, os romanos, e que há séculos adoravam montes de diferentes deuses, rapidamente fizeram uma igreja em seu nome, para passarem, supostamente, a adorá-lo só a ele: aquele que mataram por ser  pior que o assassino Barrabás! E como qualquer bom político, os romanos começaram a fazer o oposto do que Cristo defendia!

A meu ver, ideologicamente, Cristo seria um anarquista. Mas se o quisermos integrar politicamente nos dias de hoje, entre a Esquerda ou a Direita, então teremos, sem sombra de qualquer dúvida, de o colocar certamente bem na Extrema-Esquerda do Parlamento!

Na sociedade da época tínhamos Herodes e Pilatos que defendiam os interesses dos mais ricos, que cobravam impostos e que matavam indiscriminadamente. Podemos então identificar Pilatos e Herodes, como os fascistas, os radicais de Direita, os "neo-liberais" como agora se diz, aqueles que põem o pé no pescoço dos pobres e da classe-média, para depois salvar os ladrões que levaram os bancos à falência.

E do ponto de vista económico, o que é que Jesus Cristo defendia na época? Defendia o capitalismo, o ganância de produzir mais e mais, ou defendia o seu oposto. Atentemos nas suas palavras?

"É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”. 

E deixou a estrita indicação:

“Vende tudo o que tens e dá aos pobres” 


Analisemos então. Cristo violava constantemente as leis instituídas, lutava contra os políticos, lutou contra toda a espécie de capitalismo (vende tudo e dá aos pobres) andava e lutava sempre pelos mais desfavorecidos, pelos pobres e pelos doentes. Pois então, é inegável que Cristo não tinha ideais de Direita! Bem pelo contrário! Cristo nunca que teria um partido político, pois defendia a liberdade individual. Cristo a meu ver, é um grande líder anarquista, mas se hoje fosse vivo, e tivesse de escolher de escolher um partido para votar, bom, então certamente que votaria num partido que defendesse os que menos têm. E esses partidos teriam de ser de inspiração comunista! Porque comunismo significa, precisamente, "comum", é uma política que defende (supostamente) a igualdade entre as pessoas. 

Mas o que é que se passa nos dias de hoje? Politicamente, quem são as pessoas que hoje se dizem seguidoras de Cristo? Ironicamente, são os mais conservadores! E como isto é tudo muito divertido! Quão irónico isto é? Cristo tinha um pensamento vanguardista, moderno, libertário, que apregoava o amor ao próximo. Então e não é que as pessoas mais religiosas de hoje, tal como no passado, são as mais mesquinhas, mais hipócritas e que são contra tudo que são liberdades individuais?

Se Cristo amava o próximo, e se dava com as putas, ladrões, e com toda a espécie de pessoas, aparentemente, pouco recomendáveis, porque raio é que os cristãos sempre oprimiram os mais fracos, nomeadamente as mulheres, e lutam com todas as forças contra a igualdade de direitos? Por que é que os cristãos são contra o aborto, são misóginos e homofóbicos?

E por que é que as pessoas que se dizem religiosas, e que dizem seguir a doutrina de Cristo, são na sua maioria de Direita, a política que defende, precisamente, o capitalismo e que defende os mais ricos que tenta esmagar os mais pobres? Porquê? Que raio de lógica é essa que os cristãos têm, que eu ainda não percebi? É a lógica da batata ou a lógica do "olha para o que eu digo mas não olhes para o que eu faço"?

Pior! Veja-se que em Portugal até meterem a Maria, a mãe de Cristo ao barulho! Celebra-se este ano cem anos, da invenção da aparição de Maria na Cova da Iria. E imaginem que um dos seus (supostos) segredos, era que se tinha de se acabar com o comunismo!! Reparem, até lá no céu a mãe de Deus, se preocupa com a política! E a Igreja também sempre se meteu na política. Os padres sempre tiveram junto do povo, crédulo e ignorante, grande influência e sempre tentaram manipular para que o povo votasse em quem mais lhes interessava, e que não era quem mais interessava ao povo!
Portugal viveu uma ditadura durante 50 anos, e quem foi o grande aliada do ditador Salazar? Para que foi que se inventou a confissão, se não para descobrir segredos e aniquilar os subversivos? 

Mas hoje em dia as pessoas já não andam com os olhos tapados. E então por que é que as pessoas não praticam os ensinamentos de Cristo? Por que é que os cristãos vão todos à missinha bater com a mão no peito, mas depois não dão nada a ninguém, nem fazem nada por ninguém? Por que é que as falsas instituições de caridade, associadas à igreja, angariam tanto dinheiro com a desculpa de ser para dar aos pobrezinhos, mas depois, como foi agora revelado, a Caritas tem milhões e milhões no Banco, para dar aos seus administradores? E por que é que o Vaticano, o país do Papa e dos cardeais, há-de ser o país mais rico do mundo se Cristo disse que nenhum rico vai para o céu?

Afinal, que puta de religião é essa?

sábado, 18 de março de 2017

Queres vir dar uma volta de bicicleta?

Desde sempre que me lembro de andar de bicicleta. Há uma fotografia minha, a agarrar na primeira bicicleta que tive, e que foi o meu pai que a montou com as próprias mãos. Só tinha três anos de idade nessa fotografia. Antes disso lembro-me do triciclo e da trotinete. E toda a gente pensava que eu me ia matar com a trotinete, quando pegava nela e ia a toda a velocidade monte abaixo. 

Andei muito de bicicleta em criança, quando a rua de minha casa ainda era em terra. E andei mais ainda na adolescência, quando o piso já era de um asfalto manhoso, cheio de sulcos. Era uma simples camada fina de espiche por cima da brita, e montado em cima da bicicleta sentia-se uma leve trepidação. 

Chegou a vida adulta, e trouxe os passeios frequentes com o melhor amigo e com a namorada, não raras vezes na companhia de ambos. Muitos anos passaram entretanto. Foi-se o amigo, foi-se a namorada. Ficou a minha vontade de continuar a andar de bicicleta. 


Um outro companheiro haveria de chegar depois: o desemprego. O desemprego fez de mim uma pessoa muito rica, não em dinheiro obviamente, mas em tempo. E para aproveitarmos a vida, nem que sejam só as pequenas coisas da vida, é preciso tempo. E há tanta coisa bela na vida, se as pessoas conseguissem ver. Sim, nem que fosse só um grilo a cantar. E juntos, eu e o desemprego, divertimo-nos imenso. E com tanto tempo livre que o desemprego me deu, pegava na bicicleta e andava por aí, a conhecer coisas, na minha própria aldeia, coisas que eu nem sabia que existiam. Por vezes pedalava como um desvairado pela aldeia toda. Era também para as pessoas verem. Afinal eu ainda não estava numa cadeira de rodas, eu estava muito bem até, obrigado. 


E agora tenho, de novo, duas bicicletas. Uma de montanha (por que é que os carro são "todo-terreno" e as bicicletas são de "montanha"?) e outra dobrável. A desculpa que eu dou a mim mesmo é que me vai dar muito jeito, para meter na mala, e até na hora de almoço do trabalho, poder ir dar uma volta. Se quiser até a posso deixar lá no trabalho. Também posso sair, e ir até ao mar. Afinal, eu trabalho a menos de 10Km do mar. Posso, um dia de vez em quando, sair do trabalho, e ir até ao mar. Pegar na bicicleta que se dobra e desdobra facilmente, e ir pedalar um pouco. Apanhar a maresia. Talvez me faça bem, talvez me limpe o diabito que por vezes carrego comigo. 

Dou a mim todas estas desculpas, que nem serão propriamente desculpas. Até porque, eu não tenho por hábito comprar coisas para depois as encostar sem lhes dar utilidade. Mas não terei eu comprado uma segunda bicicleta, e as duas até caberão dentro na carroça, para um dia destes perguntar a alguém: queres vir dar uma volta de bicicleta?

sexta-feira, 17 de março de 2017

Mulher a Condizer

Ora bem, com estes óculos, depois tinha de arranjar uma namorada a condizer!! Acho que poderia ser uma coisa assim:

Via Pinterest
Ou assim:

Via Pinterest
Ou então ou pouco mais formal:


Esperem! Para tudo! Esta! Esta sim seria os meus óculos-metade!

Via Pinterest

E se eu comprasse estes Óculos de Sol?

Agosto de 2016. Uma terrível tragédia abateu-se sobre mim: perdi os meus queridos óculos de sol!
Claro que quando cheguei pela primeira vez ao pé dos meus colegas - e ainda me lembro bem - foi num sábado, ao almoço, depois de ter estado a fazer horas-extra (no tempo em que ainda se pagavam horas-extra ao dobro da hora normal) e estava sentado em frente do chefe. E os colegas de imediato quando viram gozaram. Mas é sempre assim, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Primeiro critica-se, depois pede-se para experimentar e ver como fica!

Os meus óculos-de-sol eram únicos. Eu pelo menos nunca vi ninguém com uns iguais, e isso já deve querer dizer alguma coisa não? Já nem sei ao certo quando os comprei...Talvez em 2008 ou 2009, mais ou menos por aí. Fiz uma pesquisa na net e gostei logo deles porque eram esquisitos, pareciam uns óculos de proteção de um qualquer operário. (curioso, cada vez menos se ouve esta palavra: operário). Eram da marca Vuarnet. Eu nunca tinha sequer ouvido falar desta marca! Mas claro está que eu também não percebo nada de óculos de sol! O que sei é que devem proteger bem da luz solar, ponto. Depois é tudo uma questão de gosto pessoal.

E há uns meses comecei a minha epopeia na busca de uns novos óculos de sol. E eu quando procuro algo, procuro mesmo, não fico com a primeira coisa em que tropeço! E tropecei neste belo exemplar:



Comentei com uma amiga minha que de imediato me disse que gostava, mas chamou-me a atenção:


"Isso são óculos para gajo solteiro e sem pretensões de arranjar namorada(o). Imagina lá dar um beijo a alguém com isso!!"


Ora bem.. de facto ela tem razão. Até há um provérbio brasileiro que diz que "dois bicudos não se beijam" o que de facto faz todo o sentido. 

Mas eu sou um gaijo solteiro! E sem grandes pretensões! Portanto parece-me bem!

Os óculos custam cerca de 70€ e são de uma coisa meia sinistra chamada ByTheR, que ao que me parece é uma marca sul-coreana que tem como lema: "Not for public, just for mania". Têm umas roupas e acessórios meias futuristas, urbanas e góticas. Entre outras coisas gostei também desta mochila, mas isto seria mais coisa para oferecer uma eventual namorada! porque no meu entender parece-me mais feminino:



Eu entretanto comprei hoje mesmo uns óculos de sol. Não são assim nada de mais. Só não são azuis, nem verdes, nem às cores, todos apaneleirados, como agora se vê. Mas são um pouco discretos parece-me. E eu já sei que é sempre um risco comprar sem experimentar, sem ver com fica na cara. Mas pronto, estão comprados. Mas ainda assim estes todos cheios de picos ficaram-me na retina. E se eu comprasse estes óculos de sol?

ByTheR

# Mulher a Condizer

....Tão Perto. Que eu Suspiro


... a nossa hora aproxima-se
Tão perto...
que eu suspiro...


"Sear Me MCMXCIII" / Turn loose the swans" / My Dying Bride / 1993

quinta-feira, 16 de março de 2017

Alternativas de Relacionamento Afetivo

"Espero mesmo que não encontres uma namorada ciumenta
 que não te deixe mais corresponderes-te comigo"


Basta ver alguém chorando e poderemos apostar que a pessoa em questão está nesse lamentável estado emocional justamente por causa de quem deveria ser a sua fonte de felicidade. Então, há algo de errado aí. Há algo equivocado no conceito de relacionamento afetivo.
(...)
Parece-nos que o componente mais dramático do relacionamento afetivo é o cerceamento da liberdade. Não é à toa que o termo esposa em espanhol significa algemas. Contudo, não é só o homem que se sente algemado pelo enlace afetivo. A mulher é até mais vitimada pelas convenções sociais, afinal, vivemos numa sociedade patriacal, que se carateriza pela restrição da liberdade. 
É preciso que preservemos a liberdade, o nosso bem mais precioso. Entretanto, parece estar implícito que para nos relacionarmos afetivamente com alguém, precisaremos de abrir mão da nossa liberdade. Isso não está certo.
(...)
O melhor é não se casar. Mas... quem consegue? Quase todo o mundo adquire, já na infância, uma fixação cultural pela instituição casamento. Assim, mais cedo ou mais tarde, a maior parte das pessoas acaba-se casando, seja formal ou informalmente.
(...)
No filme Um caminho para dois, o jovem Peter Finch pergunta à adolescente Audrey Hepburn: "Por que as pessoas casadas não conversam uma com a outra?"  (...)
Então, por que as pessoas se casam? Por lavagem cerebral. Afinal, nem cogitam se há outra opção de relacionamento, fora daquele modelo único que a sociedade vigente nos impõe.
(...)
Você já notou que quando está acasalado (mesmo num simples namoro) os amigos não o convidam tanto para sair? É como se se afastassem polidamente para "não atrapalhar". Fora isso, ainda há um bom número de casais que se fecham em copas e passam a declinar os convites dos amigos - convites esses que já não são tantos. O resultado disso é que o casal vai-se isolando por discrição dos demais. No entanto, se você descasa ou fica sem parceiro(a) os amigos, frequentemente, retomam e começam a convidá-lo outra vez. Parece, portanto, que há uma conspiração, para que os casais fiquem sós, a saturar-se um ao outro com o excesso de invasão de espaço vital. Isso acaba resultando mal.
(...)
A monogamia foi originalmente uma boa ideia. Com ela, equilibravam-se numericamente as populações masculina e feminina, evitando confrontos entre os homens que ficassem sem parceiras. A monogamia ainda oferecia vantagens únicas para aquele período: evitavam-se as doenças sexualmente transmissíveis, para as quais não havia cura, e garantia-se a sucessão tanto genética quanto de bens e de títulos hierárquicos. Era mesmo uma ideia genial. Tão genial que durou milénios. Um sucesso, indiscutivelmente.
(...)
Hoje, a monogamia tem demonstrado ser uma instituição falida e mais do que isso, fonte de infelicidade, de mentira e de hipocrisia. Uma proporção avassaladora de pretensos monógamos trai a sua proposta de manter contacto com uma só pessoa. Todos traem, todos sabem, todos negam, todos fingem que acreditam. E assim caminha a Humanidade, aos trancos e barrancos, em direção a um nível maior de lucidez e de honestidade que deve estar em algum lugar, lá no fundo do túnel (..)
Quando conversava com uma amiga sobre esta modalidade comportamental, ela me contou uma anedota que ilustra a atitude das pessoas desse grupo:
O psicanalista perguntou ao paciente:
- Você tem um relacionamento monogâmico?
Ele respondeu:
- Sim, tenho vários
(...)
Tenho testemunhado muita gente declarando  que é monogâmica e não compreende ficar com mais de uma pessoa, mas trocam de parceiro quase semanalmente. Convencionamos designar esse procedimento de monogamia sequencial. Apesar de ser muito comum, não creio que precisemos analisar esta modalidade, pois ela já é bem descritiva por si só.
(...)
Biologicamente o Ser Humano não é monogâmico, porém vivemos em sociedade e não na selva. Criamos todas uma organização social baseada em sistemas de herança e responsabilidade pelo sustento de família e filhos que, embora esteja obsoleta, ainda é vigente.
(...)
A primeira alternativa com que nos deparamos é a do casamento aberto. Ele, na verdade, não deixa ser uma vertente do casamento monogâmico, só que com atenuantes. Ambos os parceiros mantêm uma relação afetiva estável e está muito claro para cada um dos dois que o seu ponto de referência no universo é a cara-metade. Entretanto contam com o beneplácito do cônjuje para ter relações extra-conjugais, o que na opinião de muitos deles, enriquece o relacionamento e reforça os laços de amor, confiança e honestidade.


No casamento aberto há inúmeras variantes. Poder-se-ia dizer que existem tantas quanto o número de casais, pois cada qual cria as suas próprias normas de conduta de acordo com a respetiva cultura.
Há os concedem o respeito pela liberdade do parceiro, mas não querem saber de nada. (...) Outros, ao contrário, só ficam bem se estiverem a par de tudo. "Não me escondas nada, quero saber o que está a acontecer" é a regra para este grupo.(...)
No casamento fechado, chega o momento em que novidade acabou e os parceiros já são antigos. Ora, sabe-se que o erotismo alimenta-se muito do elemento novidade. Enquanto os parceiros não pulam a cerca, as coisas sustentam-se  com uma aparência consistente. No dia em que uma pessoa nova cruzar o caminho de um devoto do casamento fechado, ele simplesmente se desestruturará. É o fator novidade. Ficará apaixonado e, como não professa o relacionamento aberto, terá de optar. Muitas vezes optará por uma pessoa extremamente inferior ao seu companheiro e, mais tarde, arrepender-se-á amargamente pela tolice cometida.
(..)
Ficou célebre o casamento que o filósofo Sartre mantinha com a sua esposa Simone de Bauvoir, mulher notável, escritora de uma inteligência raríssima. Para a época, década de 50, foi um escândalo. Só não teve consequências mais nefastas porque viviam em Paris e ambos eram intelectuais - casta à qual concedem-se exceções.
Embora casados e fiéis, moravam separadamente, cada um na sua casa. Fiéis eles eram, mas usufruíam da óbvia liberdade que o facto de viver em sua própria casa proporciona. Portanto, fiéis de acordo com o conceito de fidelidade que exponho aqui. Foi um casamento bem sucedido e que serviu de inspiração a muita gente.
(...)
Se você prestar atenção, vai notar que aquela pessoa com quem relacionava-se sem nenhum rótulo ou compromisso era um doce de tão cordata. Era compreensiva, não fazia cobranças,não reclamava de nada, não enchia o recipiente escrotal. Mas quando essa pessoa (homem ou mulher) foi elevada à categoria de titular, alguns azedumes começaram a transpirar. Você passou a perceber, não sem alguma deceção, que aquele ser humano tinha lá as suas mesquinhezas. E quanto mais essa criatura for se sentindo dona do pedaço, mais irá tentando impor as suas exigências.
(...)
Certo é tudo aquilo que lhe trouxer felicidade, bem-estar, ausência de conflitos, tensões ou desgastes para você e para os demais. Certo não tem nada a ver com moral. Algo pode ser certo para determinada pessoa ou grupo de pessoas e ao mesmo tempo inadequado para outro indivíduo ou comunidade.
(...)
Ser fiel é não trair. Trair é mentir,é prometer que não fará uma coisa e fazê-la. Se um cônjuje declara que não vai comer doces para emagrecer e come, isso é traição. Se não for assumido nenhum compromisso de abstinênica sexual com relação a terceiros, o contacto sexual não poderá ser classificado como traição.
(...)
Se você quer azedar o seu relacionamento afetivo, a receita é infalível. Seja ciumento(a). Ou o relacionamento deteriora e vai cada um para o seu lado, ou acabarão sendo personagens de manchetes policiais.
(...)
Se você conseguir um bom relacionamento afetivo com o seu parceiro, o que não vai faltar são os falsos amigos, e principalmente, as falsas amigas que em conversas íntimas procurarão descobrir um ponto fraco para inocular ali a sua peçonha. Primeiramente, procure minimizar os pontos fracos. Depois, não deixe ninguém saber quais são eles. Disfarce-os como se disso dependesse a sua vida - e ela depende mesmo!
(...)
Já que estamos repensando o relacionamento, para evoluir como pessoas, por que não repensarmos também o momento em que esse mesmo relacionamento precisa de um tempo, ou de uma reciclagem?
Acredito que as pessoas não devam afastar-se, privar-se do convívio de quem lhes deu tanto, apenas por estar numa outra etapa da sua evolução, da sua vida, ou da sua sexualidade. Devemos, sim, preservar esse relacionamento   que agora extrapolou os limites da relação homem-mulher e alcançou patamares excelsos de dois seres que são mais do que casal, mais do que amigos, mais do que irmãos.
É fundamental que ao conluir uma etapa do relacionamento e galgar uma outra, haja muita elegância e consideração.

Alternativas de Relacionamento Afectivo / DeRose / 2002

terça-feira, 14 de março de 2017

Irão os robots extinguir as putas?

Diz-se que a prostituição é a mais antiga profissão do mundo. Mas também se diz muita coisa. Talvez seja, talvez não, não sei. Se calhar a primeira profissão foi o agricultor, ou o pescador, ou o gaijo que afiava as pedras para ir à caça, ou o gaijo que aprendeu a fazer fogo - ou o tipo que descobriu a roda! Se calhar, muitas outras profissões chegaram antes da prostituição, ou não. Nunca saberemos, nem importa para o caso, mas assumamos que trocar favores sexuais por outros bens terá sido mesmo a profissão mais antiga do mundo. 

Via Pinterest
Há quem diga que não é uma profissão fácil. Mas se fosse uma profissão assim tão difícil, se calhar, digo eu, não haveria tanta tanta oferta. Basta abrir as páginas do Jornal de Notícias, um dos maiores chulos do país, que cobra cerca de 200€ por anúncio, numa prática, que não é preciso ter feito um curso de Direito para perceber que é lenocício.  

E também há diferentes tipos de prostituição. Na base da pirâmide temos aquele trabalho mais precário e sem direitos, que é a prostituição da beira de estrada; depois temos as putas que estão na rua mas têm o seu quarto na pensão; temos as putas que fazem da sua própria casa ou apartamento o seu bordel; depois há as mulheres que se despem na net e depois aí vamos nós, pirâmide acima, até chegamos lá ao pico, em que as próprias putas já se acham no direito de nem se chamarem putas, afinal só há sexo se quiserem. No fundo já se dão à esquisitice de não prestar o serviço a qualquer um. Mas um trolha, que só faz paredes para ricos não deixa de ser um trolha não é verdade?

Existe ainda, outro tipo de prostituição, mas que geralmente ninguém a vê como tal, que são aquelas putas travestidas de esposas, casadas e boas mães de família. Estas putas, são senhoras de bem, que se alugam por anos a fio num casamento, mas cá está, mais uma vez a troco de desafogo financeiro. Este tipo de prostituição mais comum, é um flagelo que atinge mulheres, mas não raras vezes, também muitos homens. 

A prostituição existe porque existem pessoas que a ela recorrem. Se não houvessem interessados nestes serviços, deixaria de haver prostituição. Assim, seguindo este raciocínio, a prostituição é algo necessário à sociedade, e como tal o Estado só teria que legalizar a atividade, e muito dinheiro se iria ganhar nos impostos. Assim, o Estado português continua a enterrar a cabeça na areia, fazendo de conta que não está a ver o problema.

Mas antes que me tomem por especialista no assunto, afirmar que não. De facto não sou especialista em putas porque tampouco recorri ao serviço de alguma. Na volta talvez não saiba o que ando a perder. Mas não sei, a mim a coisa nunca me entusiasmou. Se calhar acharia muito mais piada sair eu com o dinheiro, ser eu usado para, eu mesmo, como deve ser, fazer o serviço bem feito.
Mas ainda há não muitos anos, era quase tradição, aquando da inspeção para o serviço militar, os mancebos irem juntos às putas.

Mas as coisas têm mudado muito rapidamente. Também ainda há não muitos anos, era prática, de quem tivesse muito dinheiro, comprar apartamentos e meter lá dentro uma senhora, para todo o serviço. Depois, muitas vezes vendia-se o apartamento mais à frente, e anos depois de prazer ainda se ganhava dinheiro! Mas hoje em dia não acho que seja necessário ter amantes e sustentá-las em apartamentos. Existe uma coisa chamada Internet, existem os sites de sexo, e para quê sustentar uma só amante e trair a legítima sempre com a mesma cona? Na volta isso acaba também por se tornar aborrecido não? Então nada como o jogo de sedução constante e faturar, gratuitamente diferentes mulheres (ou homens).

Via Pinterest
O mundo está a mudar. Para grande parte dos jovens japoneses, por exemplo, é impensável ter uma namorada para lhe dar umas boas trancadas. Que coisa nojenta acham eles! Preferem jogar, e masturbar-se com brinquedos. E depois das bonecas insufláveis, que tinham uma cara que mais parece que acabaram de ter um AVC, chegaram agora as bonecas, mais realistas, que custam quase tanto como um automóvel. A par disto tudo o advento da robotizarão, que se estima que coloque, nos próximos anos, metade da população mundial no desemprego.

E irão os robôs também extinguir a prostituição?  Chegaremos aos tempos dos homens e das mulheres terem o seu robot-para-todo-o-serviço que trocarão de meio em meio ano, como fazem agora com os telemóveis?

Bom, para já, enquanto não chegam as robôs-humanoides, abriu em Barcelona o primeiro bordel com bonecas sexuais. Ali não há carne, só silicone. E uma hora com a bonecada custa 80€. Mas será este o futuro? Será que o futuro é os homens e mulheres, terem o seu robot-marido ou robot-esposa? Será que os robôs estão a chegar para nos foder literalmente?