quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Só Quando Te Foste...


"Only when you're gone" / The Nighty Disease / Madrugada (2001)

Partidos Políticos: Como o Marketing os Tornou Todos Iguais

Estamos a menos de dois meses das Eleições Autárquicas 2017, e o que já não falta por aí é a poluição do costume. Ruas e tudo que é rotunda cheia de enormes cartazes, com a propaganda dos candidatos dos partidos. Mas o mais curioso, é que cada vez mais vemos tudo azul! Da Esquerda à Extrema-Direita são todos azuis. Mas porquê?, pergunto eu. 

Vamos às cores, dos principais partidos, da Esquerda para a Direita:

O Bloco do Esquerda, o Partido Comunista Português (que nas eleições se chama CDU e é azul!) e o Partido Socialista são todos Vermelhos! O Partido Social Democrata é Laranja. E o Centro Democrático Social (partido de direita que mas que tem no seu nome "centro"!) é Azul.

E faz sentido que assim seja. A cor da revolução, da luta, é o Vermelho. A cor dos conservadores, que representava a monarquia, sempre foi o Azul. "Sangue azul". Aqueles que se acham melhores do que os outros - estão a ver? O lápis da censura também era azul, e não se podia dizer vermelho - e mesmo quarenta aos depois da Ditadura de Salazar, ainda hoje, os jornalistas dizem "encarnado" e não vermelho, não vá o ditador levantar-se da campa e ficar ofendido! 

Mas de repente, as alminhas do marketing, meteram nas cabecinhas de quem manda nos partidos, que vão todo ter muitos mais votos e ganharem eleições se forem azuis! E agora vejam alguns exemplos retirados da Internet, numa mera busca aleatória, começando pelo cartaz oficial do Bloco de Esquerda:







Conseguem ver as diferenças? Não pois não?! É tudo Azul! São todos da mesma cor! 

Se muitas vezes as pessoas não sabem diferenciar os partidos (simplesmente porque não se informam nem querem saber) agora o marketing político tornou-lhes a vida muito mais facilitada! Parecem mesmo todos iguais!

Porreiro, pá!

Não Vou Clicar Para Obter Mais Informações



# EM QUE ESTÁS A PENSAR?

O Homem das Coisas Simples



"Olha o homem das coisas simples"! 

Foi precisamente assim, com esta expressão, que aquele senhor de bigode branco, já na casa dos setenta anos, e com uma riqueza de conhecimentos sem igual (ainda que nem sempre pelos melhores motivos)  se dirigiu a mim quando me viu. 

E isso deixou-me a pensar que se calhar essa é uma extraordinária definição da minha pessoa. Acho que se um dia me perguntarem como gostaria de ser recordado, talvez tenha acabado de encontrar uma resposta. Talvez desse também um bom epitáfio!



quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Castigo Divino: Deuteronómio 5:8



"Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra" (Deuteronómio 5:8 / Bíblia)


Ainda assim eu vou mais pela tese da estupidez no caso da queda do andor em Lousada. Tenho para mim que Deus é demasiado preguiçoso para castigar quem quer que seja.



Eventos de Rara Probabiliade II

Por estes dias conheci um artista, pessoa formada em Belas Artes, que quando me conheceu, disse-me que quando leu o meu nome no e-mail, lembrou-se de quando usava esse mesmo nome (primeiro e último) como pseudónimo e até se questionou se esse seria mesmo o meu nome verdadeiro.

E este fim-de-semana, numa feira de artesanato, parei numa tendinha a falar com uma miúda - até foi ela que nos interpelou para nos mostrar um quebra-cabeças - e já quase a vir embora (e fui o único que comprei alguma coisa) de repente, reparo que o nome da loja é, precisamente, o meu nome, e que é também o nome do pai dela, pessoa que faz aquelas peças de artesanato...


# Eventos de Rara Probabiliade I




Marilyn Monroe

Marilyn Monroe em botões, argolas de abrir as latas de refrigerantes e outras coisitas mais:



Na loja de roupa Alkimia em Seia. 


No Fim do Mundo a ver passar a Volta a Portugal

Por mero acaso, estava no restaurante Fim do Mundo e apanhei a Volta a Portugal em Bicicleta na sua penúltima etapa Lousã - Guarda. Ando tão entendido nisto, que até fui pesquisar para saber que o camisola amarela e vencedor deste ano foi Raúl Alarcón.




Mas este conheço de outras voltas. Rui Sousa que anunciou o abandono e ficou no 25º lugar:



E por fim, claro, o Carro Vassoura:


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A tua carta era uma Carta de Amor

Há duas semanas que já se fazia um longo silêncio entre nós. E duas semanas depois decidiste escrever-me. Olho para o envelope e vejo a data do carimbo no selo. E eu gosto de cartas com selos (e quantos mais selos melhor!) e não com estas etiquetas brancas que saem da impressora de forma automática lá com o preço que temos de pagar. E vejo que o selo tem a mesma data do cabeçalho que colocaste na folha de linhas que dobraste a meio e que colocaste dentro do envelope.

Eu retirei a carta da caixa do correio no sábado de manhã do fim-de-semana seguinte. Acho que estremeci ao ver o teu nome no local do remetente. Acho que fiquei com medo do que pudesse encontrar lá dentro. Não a abri de imediato. Só a viria a abrir na noite do dia seguinte, não por desinteresse, mas porque não tinha o tempo suficiente para me dedicar a ela. E não a queria ler, apressadamente, por entre um monte de coisas que tinha de fazer nesse fim-de-semana, em que nem passei a maior parte do tempo em casa. Uma carta tua teria de ser lida com toda a calma necessária.

E afinal a tua carta era uma carta de amor. 

Eu sei que não se agradece por se receber uma carta de amor. Agradecer-te a carta seria como agradecer-te por gostares tanto de mim a ponto de me escreveres uma carta. De amor.
E a verdade é que eu passo a vida a queixar-me da minha pouca sorte no que ao amor diz respeito - e bem sabes que tenho as minhas razões - mas pensando bem, quantas pessoas hoje em dia, com a minha idade, é que se podem orgulhar de receber uma carta de amor? Fiquei a pensar nisso.

Não é um e-mail, não é uma mensagem escrita de telemóvel, não é uma foto nua. É uma carta de amor. E as cartas manuscritas, sejam de amor ou não, têm o seu ritual próprio, que hoje em dia pouca gente estará para se dar a esse trabalho. E receber uma carta de amor tem de me fazer sentir um privilegiado. Algures neste planeta, há alguém que perde do seu tempo a pegar numa caneta e a colocar numa folha de papel todo o sentimento que me dedica. E isso só pode ser amor.


E acreditas que, curiosamente, nesse mesmo domingo em que só à noite haveria de abrir a tua carta para a ler, andei pelos mesmos sítios por onde andamos juntos? Já durante a semana andava a pensar que me apetecia lá voltar. À noite achei curiosa a coincidência. E vi-nos deitados naquele prado verde, em cima daquela mantinha que eu tinha levado na mala do carro, e onde, no meio daquelas pessoas por lá espalhadas, aqueles cães nos vieram fazer companhia, e, deitados ao nosso lado, pareciam mesmo que nos estavam a guardar, fosse lá do que fosse.   

Mas a tua carta, apesar de me ter deixado feliz, deixou-me também triste, quem sabe, com a mesma tristeza ou angústia com que a escreveste. E só pode ser muito triste, quando duas pessoas reprimem o que sentem, como se fosse uma semente que não pode germinar.

E eu acho que o amor platónico, aquele amor que não reivindica e que nunca se concretizará é isso: um fruto que originou uma semente geneticamente preparada para poder germinar, mas que simplesmente não encontrou ainda todas as condições para nascer. Mas mesmo que nunca germine ela estará sempre lá... E tu sabias que há sementes, que resistem e resistem, e conseguem germinar ao fim de dois mil anos? É verdade. 

Há sementes que conseguem arranjar uma forma....


# JÁ NINGUÉM ESCREVE CARTAS

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Ladrão Voltou


Depois de vinte anos à frente da Câmara Municipal de Gondomar, com uma pena de três anos de cadeia pelo meio, Valentim Loureiro, após um interregno de quatro anos por força da lei da limitação de mandatos, volta de novo a ser candidato.  

sábado, 5 de agosto de 2017

Coisas que as Pessoas deixam dentro dos Livros




Wild Nights -- Wild Nights!
Were I with thee
Wild Nights should be 
Our luxury!

(...) 

Emily Dickinson

Portugueses: Os Falsos Pacifistas

Recentemente ficamos a saber que Portugal passou a ocupar o terceiro lugar na lista de países mais pacíficos do mundo, sendo só suplantado pela Islândia e Nova Zelândia. Quem não conhecer a realidade, imaginá que por cá não existe violência doméstica e somos um país de cavalheiros, fazendo jus a termos sido o primeiro país do mundo a abolir a escravatura e um dos primeiros a abolir a pena de morte. 

Mas depois na prática, somos tão pacíficos, mas tão pacíficos, que uma avioneta aterra de emergência numa praia, e os populares querem linchar, à boa maneira medieval, os tripulantes do aparelho. Era só ir buscar uma corda, que fazia-se já ali justiça! 

E depois reparem como afinal, pensando bem, para as pessoas, a diferença entre o heroísmo e a bestialidade é extremamente ténue. Tivesse a avioneta aterrado sem que ninguém tivesse ficado ferido, e estes homens, agora acusados de homicídio por negligência, podiam muito bem ser os novos Eder deste verão. 



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Como é que eu posso pegar num Momento e guardá-lo numa Caixa?




"Rumble Heart" / The Angel The Demon The Machine /The Temple (1997)


Uma Questão de Bom Dia

Acho que a mim ensinaram-me boas maneiras. E que faz parte da boa educação cumprimentar as pessoas. Que quando se chega a determinado lugar diz-se "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite" consoante a hora do dia. Aqui na aldeia cumprimenta-se quem passa por nós na rua, mesmo pessoas com quem não temos ligação ou até pessoas desconhecidas. 

E confesso que se à coisa que me deixa um bocadinho fodido, é chegar ao trabalho, dizer "bom dia", e do outro lado ouvir o som do silêncio. E quem diz "bom dia", diz "até amanhã" ou "bom fim-de-semana". 

Ah, Konigvs, mas se calhar as pessoas estão muito ocupadas e não te ouvem. Como? Nas redes sociais ou a verem vídeos no Youtube antes da hora de pegarem ao trabalho? Sozinhas e sem ninguém ao lado? Não! Ou então têm de lavar os ouvidos porque aquilo deve estar com uma camada de cera que deve dar para abastecer uma fábrica de velas! 


E de vez em quando nada. Silêncio. Fico pior que estragado. Muitas outras vezes, vem um b...o...m d....i....a ao ralenti ou como se estivessem a morrer. E se é para isso, então mais vale mesmo não dizerem nada. Parece que o meu "bom dia" as incomoda. Que chatice ter de abrir a boca e responder. Isso dá muito trabalho!
Mas por incrível que pareça, noutras ocasiões, muito raras, lá vem um BOOOM DIIIA tão efusivo mas tão efusivo (deves-lhes ter corrido bem a noite), que uma pessoa quase tem de meter as mãos na cara para não levar com aquela explosão de boa disposição na cara! 
O que eu acho é que estas pessoas devem bater muito mal dos cornos, só pode. Não sou especialista na matéria, mas creio que deve haver ali uma bipolaridadezinha qualquer a carecer de rápido tratamento, sob pena do mal se ir agravando cada vez mais.

E perante isto, dia-após-dia, lá continuo eu, sempre a dizer bom dia. Porque para mim é automático. A boa educação, o cavalheirismo ou se tem ou não se tem. É inato. Mas começa a chegar a um ponto que uma pessoa cansa-se das boas maneiras, e retalia. 

"Hoje não vais dizer bom dia". 
"Hoje não vais dizer bom dia". 
"Hoje não vais dizer bom dia".  

Mentalizei-me ainda no carro. E então pus a minha melhor cara de assassino - o que não é difícil - aliás, até tenho uma amiga, que me diz que eu fico sempre com cara de mau nas fotografias!, e então,entro, pico o ponto e faço de conta que não está ali ninguém.

Mas não é que depois acabei por me sentir culpado?! Estranhei. Culpado de quê? De responder à letra? E depois pus-me a refletir. Afinal, qual será o melhor comportamento nesta situação?

Continuar a ser como sempre fui, fazer a minha parte e ignorar a má educação dos outros, ou por outro lado reagir para que as pessoas percebam que os seus atos têm de ter consequências?  
Não sei, acho que ainda não cheguei a um veredito final....

E já agora.... Se o dia tem 24 horas, porque raio não dizemos sempre só "Bom dia"? 
Só falta começarmos a dizer, "Boa madrugada", "Bom amanhecer", "Boa manhã", "Bom entardecer", "Bom anoitecer".... "Bom dia" é o dia todo. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A Política Vergonhosa do Partido dos Supostos Defuntos

O mais incompetente líder da oposição desde que há memória, não satisfeito depois de ter mentido, afirmando que havia pessoas a suicidar-se por falta de apoio psicológico, veio entretanto afirmar que o governo estava a esconder mortos. Mau demais para ser verdade. 

Vejamos o que dizem Lobo Xavier (CDS) e Pacheco Pereira (PSD), ambos de direita, nos dizem sobre o acontecido:

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A melhor cena de engate de sempre

E por falar em viagem, comboios e estações, encontros e desencontros:

Pensa assim. Avança no tempo, dez, vinte anos e estás casada.

Só que o teu casamento já não tem a mesma energia. Começas a culpar o teu marido.

E começas a pensar em todos os gajos que conheceste na tua vida e no que teria acontecido se tivesses escolhido um deles. Bom, eu sou um desses gaijos. Sou eu! Podes pensar nisto como uma viagem no tempo, de lá até agora, para ver o que estarias a perder. Vê isto como um grande favor para ti e para o teu futuro marido do que isto poderia ser. Uma hipótese de veres como realmente não perdeste nada. Que afinal eu sou uma merda como ele, tão desmotivado e chato quanto ele, e tu fizeste a escolha acertada e estás muito feliz.



Acho que descer do comboio com este desconhecido seria praticamente impossível de recusar, tivesse ela namorado ou não. E se tivesse namorado, e sendo ele um homem, deveria ela recusar? Será que a partir do momento em que estamos numa relação (no caso dos heterossexuais) só podemos conhecer pessoas do mesmo sexo que o nosso? Se calhar essa é a teoria da burka..

E se não tivesse namorado, o que fazer com este desconhecido que tanto impacto causou, mas que vive lá do outro lado do mundo?
- Nem sequer pensar nisso porque depois vamos sofrer imenso?
- Vamos-lhe dar uma oportunidade e logo se vê?
- Ou se gostarmos muito dele, não há entraves para o amor?

É um dos meus filmes preferidos, e no meu modesto entender, esta é provavelmente uma das melhores cenas de engate de sempre.


Antes de Amanhecer / Richard Linklater / 1995

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A Jurisprudência Taliban dos Tribunais Portugueses

A justiça deveria ser justa e deveria ser igual para todos. Deveria ser igual tanto para ricos e pobres, como para homens e mulheres. Mas claro que não é! Há a justiça para o homem que rouba um polvo e um shampô no Fisco Doce, e depois há a justiça que, depois de andar oito anos a investigar o caso dos submarinos comprados pelo Paulinho das Feiras (que há muito deveria estar atrás das grades) acaba por arquivar o processo. Enquanto isso na Alemanha quem os vendeu está preso, tal como os políticos que os compraram na Grécia. Aqui quase ninguém vai preso, especialmente se é rico ou político, ou então, prende-se arbitrariamente primeiro para investigar depois.

Mas ninguém precisa fazer um curso de Direito para saber que as pessoas devem ser tratadas por igual, independentemente do seu sexo, raça, cor língua, religião ou opinião política. Estou em crer que  todos aprendemos na escolinha a Declaração dos Direitos Humanos.


Mas em Portugal, um coletivo de juízes (dois homens e uma mulher) do Supremo Tribunal Administrativo reduziu o valor da indemnização que a Maternidade Alfredo da Costa teria de pagar a uma mulher (menos 61 mil euros) devido a negligência médica, fruto de uma operação mal sucedida que ali  realizou há 19 anos, com o argumento brilhante que "já tinha mais de 50 anos e dois filhos, uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens". 

E hoje de manhã, como todas as manhãs, tenho por hábito passar pelas capas dos jornais, e dar uma vista de olhos no site do The Guardian e foi com regozijo que abri uma notícia que dizia "Para o Tribunal Europeu, o sexo é igualmente importante nas mulheres mais velhas". E as minhas suspeitas confirmavam-se, a notícia do site do jornal inglês, referia-se ao sucedido em Portugal. E hoje, a justiça portuguesa é motivo de chacota por todo o mundo graças e estes juízes iluminados.

E o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos europeu considerou os juízes portugueses culpados de descriminação sexual e de género:

"A igualdade de género ainda é um objectivo a atingir, e uma das formas de o fazer é abordando as causas profundas da desigualdade gerada pelos estereótipos", pode ler-se na sentença.


E o que eu pergunto é: afinal que merda de juízes é nós temos em Portugal? Quem é que anda a formar esta gentalha? O que é que esta gente afinal aprende nas universidades? O que é que estes juízes sabem da vida? 

É que o que transparece, é que esta gente tomou uma decisão, como de uma conversa de café se tratasse. "Ah, esta mulher já teve dois filhos, já não precisa foder. Já cumpriu a sua função. Já passou do prazo. Que vá mas é para a cozinha e que cuide dos filhos." 
Tomaram uma decisão ridícula, com argumentos sem qualquer base científica que os sustente!

Estamos a falar de uma decisão que demorou 19 anos! Não há justiça quando só se toma uma decisão 19 anos depois. E depois os juízes não têm de fazer juízos de valor, nem têm de usar argumentos que poderiam muito bem sair da boca de um qualquer bêbado machista e misógino em plena conversa de café. Em Portugal a justiça não é justa, e infelizmente os juízes fazem jurisprudência à moda dos Taliban.


A Viagem

Nunca fui de me apaixonar facilmente. Talvez isso também tenha a ver com o facto de eu não ser a pessoa-tipo por quem facilmente os outros se apaixonam. Ou talvez uma coisa não tenha nada a ver com a outra, afinal, o facto de nos apaixonarmos por alguém nada tem a ver com os outros se apaixonarem ou não por nós. Mas ainda assim, nestes jogos, há sempre um que corre mais atrás do outro e o outro pode-se deixar apanhar, pode fugir, pode ficar no seu canto, ou pode simplesmente aceitar jogar o jogo e ver no que a coisa vai dar. 

Se eu corri mais ou deixei-me apanhar mais vezes? Não sei, mas acho que a coisa deve estar mais ou menos a fazer. Acho que na maior parte das vezes nem nós mesmos sabemos se estamos a correr atrás ou se estão a correr atrás de nós. Simplesmente, às vezes, é bom ter uma companhia ao longo do caminho, e não sabemos muito bem se essa companhia vai chegar ao fim da viagem ou se vai sair umas estações antes.  

As viagens são longas. E muitos são os caminhos que cada pessoa percorre e os diferentes caminhos de diferentes e desconhecidas pessoas cruzam-se constantemente, muitas vezes sem sequer esperarmos ou estarmos predispostos para que nos acompanhem. Eu não sei se é karma, se é destino ou nenhum dos dois, mas ainda assim, somos sempre nós que decidimos se determinada pessoa pode entrar nas nossas vidas ou não. E se entra, somos sempre nós que decidimos caminhar junto com ela, ou quando é que ela terá de seguir a sua viagem sozinha. 

Comigo, infelizmente, nesta longa viagem que é a vida, tem-me acontecido inúmeras vezes de eu cruzar no caminho de outras pessoas, que também elas andam nas suas viagens e, muitas vezes sem nos apercebermos, decidimos seguir viagem juntos. Mas digo infelizmente, porque algum tempo depois, passe muito ou pouco tempo, muitas acabam por embarcar por outras linhas e decidem não me acompanhar.

Via Pinterest
No que ao amor diz respeito, é preciso (pelo menos para mim é) que eu caminhe durante um bom tempo sozinho até que deixe alguém acompanhar-me. Para mim tem sempre sido preciso tempo. Muito tempo. Não é tempo para esquecer porque eu nunca vou esquecer, mas é preciso que o tempo cicatrize e me cure de alguma forma. E não é de uma enfermeira que eu preciso, ainda que brincar aos médicos pudesse ser engraçado. Mas é mesmo de tempo, só de tempo que eu preciso. 

Lembro-me perfeitamente que já tinha passado muito tempo, quando certa noite, num bar do Porto, uma jovem que lá trabalhava a recolher copos, que eu tinha acabado de conhecer (apesar de termos combinado qualquer coisa num fórum da net) e que já estaria bem bebida, de repente, começa-me a meter a mão, por dentro da roupa. Parecia que era tudo dela. Mas não era. Aquilo além de me causar arrepio, deixou-me um pouco desconfortável. Tanto tempo depois, era a primeira vez que uma mulher me punha a mão no pelo. Literalmente. Até então, durante muitos anos, eu só havia sido tocado pelas mesmas mãos que eu tão bem sabia como me tocavam. E aquelas eram umas mãos estranhas para mim. No fundo, senti-me até como se estivesse a trair. Evidentemente que não a mulher que há muito já havia decidido seguir viagem por outra linha, rumo a um novo destino, na companhia de outra pessoa, mas era como se me estivesse a trair a mim. Como se traísse o sentimento por aquela pessoa,e que estava tão enraizado dentro de mim. Era como se eu não pudesse. E eu podia. Podia tudo que eu quisesse com aquela jovem alcoolicamente com o pito aos saltos. Podia mesmo tudo.

E o tempo vai passando e novas pessoas cruzam o nosso caminho e interagem connosco. Ao mesmo tempo, a estação daquela pessoa que antes caminhava connosco e desceu para seguir viagem sem nós fica cada vez mais para trás, mais distante. Às vezes até é confuso.Temos saudades do passado e ao mesmo tempo saudades do presente. Mas o novo começa a ficar cada vez mais presente nas nossas vidas, dia após dia, após dia. Passado e presente distanciam-se lentamente. Novas e frágeis ilusões se criam, muitas vezes para se desmoronarem mais à frente de novo. Mas seja como for, nós temos sempre de prosseguir viagem...

sábado, 22 de julho de 2017

Um Ginásio é um Sítio que Cheira a Chulé

Até ontem, eu nunca tinha entrado num ginásio. Nem numa sala de judo, de boxe ou num ringue de hóquei em patins. "Isto é tudo muito old-school" disseram-me no ginásio.  E de facto reparei que aquelas máquinas diabólicas que estavam naquele ginásio já deviam ser quase tão antigas como as G3 portuguesas usadas na guerra colonial! 

Quando desconhecemos determinada coisa, como eu desconhecia (e ainda desconheço) o que é um ginásio, vamos criando uma imagem (certa ou errada) baseado em tudo aquilo que ouvimos acerca. E até hoje o que eu sempre achei, é que um ginásio é um sítio onde ninguém gosta de ir para fazer o que se lá faz. A ideia que tenho (e que pode ser errada) é que as pessoas pagam uma mensalidade, que automaticamente sai da conta bancária, para se obrigarem a fazer algum exercício físico que na verdade não gostam de fazer, porque se gostassem iam correr, andar de bicicleta, ou compravam até uma ou duas máquinas de treino para ter e usar confortavelmente em casa quando lhes apetecesse.

Então, para se obrigarem a fazer algo que detestam, as pessoas pagam bom dinheiro, todos os meses, para se obrigarem a fazer exercício. Porque se não mais lá puserem os pés, o dinheiro continuará a sair e ficam com a consciência pesada, e lá vão elas, quando calha, uma ou duas vezes por semana, forçarem-se a fazer algo que não gostam.
E isto só pode ser um negócio genial, afinal, vende-se algo que as pessoas não precisam, que não gostam de fazer, mas só porque é moda e fica bem fazer, lá vão para os ginásios fazer o que não gostam de fazer e que podiam fazer sem gastar um tostão.


E até ontem nunca tinha entrado num ginásio, numa sala de judo, de boxe nem num ringue de hóquei em patins.

Lá, vi diversos quadros nas diferentes salas. Alguém supostamente famoso, frases motivacionais e desenhos dos músculos do corpo humano. No chão da sala de judo, placas azuis, que pareciam peças de um puzzle gigante a cobrir todo o espaço. E na sala de boxe estavam pendurados vários sacos. Não pude resistir, apalpei-os e dei dois ou três golpes com as mãos. Mas achei mais interessante experimentar com os pés. E depois de pontapear vários sacos a meia altura, dei um pontapé no saco mais pequeno, todo preto, e o resultado foi achar que podia ter partido o pé de tão duro que aquilo era!

Até ontem nunca tinha entrado num ginásio, mas agora já fiquei a saber um pouquinho melhor como é. E uma das coisas que pensei foi: um ginásio é um sítio que cheira a chulé.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Sonhos Destruídos


"Crescer e tornarmo-nos adultos é ver todos os nossos sonhos serem destruídos". 
(N.)

Para o Meu Anjo Caído


As I draw up my breath,
And silver fills my eyes.
I kiss her still,
For she will never rise.

On my weak body,
Lays her dying hand.
Through those meadows of Heaven,
Where we ran.

Like a thief in the night,
The wind blows so light.
It wars with my tears,
That won't dry for many years.

"Loves golden arrow
At her should have fled,
And not Deaths ebon dart
To strike her dead."


For My Fallen Angel / Like Gods of the Sun / My Dying Bride (1996)

domingo, 16 de julho de 2017

Tragédias? Como era no governo de Passos Coelho?!

Tenho ouvido, aqui e ali, com grande surpresa, a propósito da tragédia de Pedrógão Grande, algumas declarações dos dirigentes dos partidos de direita, criticando a atuação dos atuais ministros, quando ainda há pouco mais de um ano eram eles que estavam na cadeira de poder. 

E a minha pergunta é: será que já ninguém se lembra do que se disse no governo de Passos Coelho no Outono de 2015? Uma grande inundação abateu-se sobre Albufeira, com grandes prejuízos e uma vítima mortal a lamentar.



No meio de todo aquele cenário, eis que chega o ministro da Administração Interna Calvão da Silva e profere as seguintes pérolas:

“Deus nem sempre é amigo e de vez em quando dá-nos a provação”

Sobre a vítima mortal, disse que o homem de 79 anos "Entregou-se a Deus" e "com certeza que lhe reserva um lugar adequado".



E segundo ele, as inundações no Algarve deveram-se a uma "fúria demoníaca", a um “ato de Deus, um "act of God" como se diz numa língua estrangeira que a maioria das pessoas desconhece. 

E sobre quem ficou com prejuízos avultados, as pessoas tinham era que ter um seguro:

"Sei o que é ser pobre e tentar ser alguém. A mobilidade social funciona para todos e todos temos de ter a nossa responsabilidade também no sentido de dizer ‘eu tenho um negócio, vou fazer o meu seguro, para que, se o infortúnio me bater à porta, tenha valido a pena pagar o prémio"


Em face disto, aos olhos dos partidos de direita, ficámos a saber que o incêndio de Pedrógão Grande deveu-se à ira de Deus ou à fúria do Diabo. Um dos dois, tanto faz! No fundo devíamos era ficar felizes porque aquelas pessoas todas entregaram-se a Deus, mas Ele reserva-lhes um lugar melhor! Com jeitinho os familiares ainda deviam era pagar! 

"Se tem um familiar do agregado familiar que se "entregou a Deus" e foi para o Hotel Celestial, não se esqueça de declarar no IRS e pagar o impostozinho"!

E quem ficou sem casa? Bom, certamente que a maioria das pessoas guardou um dinheirinho para ter um seguro que cubra os prejuízos. Quem não tinha? Olha, azar. É a vida... (escrever aqui outra expressão religiosa qualquer)!

Estamos conversados sobre a sensibilidade dos fascizóides. 

Café Frio

Ora bem, depois de em 2016 a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter vindo alertar que beber café (quente) provocava cancro, e agora, apenas dois anos depois, já vir dizer, apresentando um estudo que, supostamente, o comprova, que quem bebe mais cafés vive mais anos, então só posso concluir uma coisa:
Há por aí muita gente a beber muitos cafés frios! Ou então beber café quente provoca cancros que prolongam a vida, mas até do que ser saudável e não ter cancros!


"Por favor, era um cafézinho... mas numa chávena bem gelada!"

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O Natural deveria ser o Normal

"Neste livro explica também qual é que é a diferença entre um parto natural e um parto normal...


Pois, porque o normal está muito longe do que é natural. Nós hoje já consideramos normal um sumo de laranja artificial. Um sumo natural custa muito mais dinheiro. Não devia.
Portanto, pegando um pouco nesse exemplo, o que as pessoas hoje chamam de parto normal, são partos altamente intervencionados e que se nós fôssemos perguntar a um bebé, se um bebé falasse no final desse parto, se calhar nós não iríamos gostar de ouvir aquele bebé. Por isso nós temos de ter algum cuidado e tentar desconstruir aquilo que é normal para que seja mais natural. Tal e qual como se está a fazer em tantas áreas da sociedade, nomeadamente a agricultura. O que é normal, já não é natural também. E está-se a procurar isso. E vários países da Europa também já estão a crer que o natural seja o normal por uma questão de saúde das pessoas, porque sabemos que o natural é mais saudável. E quem duvida disso, realmente, tem de procurar informação. 



sexta-feira, 7 de julho de 2017

7-7-7

Passam hoje dez anos que estive em Panóias (Braga) para um concerto de Orphaned Land com as bandas portuguesas Thanatoschizo e Thee Orakle.

Há dez anos eu era como um pássaro que viveu toda a vida numa gaiola, e que de repente, quando é libertado sente-se preso. Bom, é verdade que eu nunca fui pássaro para saber ao certo o que eles sentem, mas eu só sei que depois de tantos anos numa relação, a abrupta separação deixou-me perdido, como o tolo no meio da ponte. Sem saber o que fazer. Mas saía muito, acompanhado e também sozinho, e ia a muitos concertos, nem que fosse só para não estar metido em casa a pensar sempre no mesmo.

E no dia 7 de Julho de 2007 rumei a um hotel à entrada de Braga, onde me encontrei com um casal amigo. Deixámos os pertences, e dirigimo-nos para o concerto. E há dez anos, como se pode ver no vídeo, as pessoas curtiam mesmo os concertos, não passavam o tempo todo de pequenas televisões na mão para filmar ou fotografar, como agora. E não que não houvessem boas máquinas fotográficas que também filmavam bons vídeos, mas o Youtube ainda só nasceria em 2005 e as redes sociais ainda não eram o que são hoje. Então, para quê filmar se não se pode mostrar aos outros? Essa é a questão. 

E foi a primeira e única vez que vi os israelitas Orphaned Land ao vivo:

 

Nora El Nora, ne'ezar begvura shuvi elay malki
Dodi refa, nafshi nichsefa, lebeitach malchi
Nora El Nora, ne'ezar begvura

Nora Ashira, Lach akabira, shir mahalali
Lecha etna menat chevly vegoraly

Bekol zman azor el nora, geza avraham, netzer tifa'ara,
Ata el hai noten torah

Em 2007 saiu também o EP "Secret" dos transmontanos Thee Orakle. Haveria de os ver a primeira vez em Maio na Fábrica do Som, no Porto. Vi o concerto a um ou dois metros dos vocalistas, e tanto gostei que até comprei logo o EP à saída.

Micaela Cardoso - Thhe Orakle (7.7.2007)
Foi uma banda que acompanhei em inúmeros concertos, e quase que me tornaria uma espécie de groupie, pois acabaria de privar com alguns elementos da banda, e ainda haveria de descobrir que o baixista vivia (enquanto estudava no Porto) a duzentos metros do meu trabalho.



...Bela era a cena
Ou de ter ainda o sentir
Deslumbrante a paisagem
Nessa onda levava-me serena
Á vela solta em plácida viagem...


E tu, por onde é que estavas há dez anos?



quinta-feira, 6 de julho de 2017

Carneiro daquele que sabe mesmo a Carneiro

Hoje levei carneiro para comer no trabalho. Mas atenção, era daquele carneiro que sabe mesmo a carneiro. Daquele que a Judite de Sousa comeu no Paquistão. Vamos lá ver se nos entendemos... É mesmo daquele que sabe a carneiro, não é daquele que sabe a peixe-espada!


terça-feira, 4 de julho de 2017

domingo, 2 de julho de 2017

Monogamia ocorre em Menos de 5% dos Mamíferos... e nem os Arganazes são fieis!

"O amor monogâmico acontece em algumas aves (como o mandarim) e em menos de 5% das espécies dos mamíferos. Entre elas, claro, estão os seres humanos, os castores, as lontras, os lobos e os arganazes-do-campo. 

E eu admiro extraordinariamente a sua fé nos seres humanos... para os pôr nesta lista com essa tranquilidade toda!


Arganazes-do-campo  (Todd Ahern)

Eles (os arganazes-do-campo) assim que acasalam, os machos e as fêmeas preferem sempre a companhia do se parceiro, andam sempre lado-a-lado e zelam muito pelos seus filhos. 

Mas repare uma coisa que disse, que é importante: assim que acasalam. Tem de haver acasalamento. Agora vamos pela estrada do costume nestes trabalhos, que é: e como é com os humanos?
A transposição imediata é dizer assim: a primeira pessoa com quem nós tivermos relações sexuais, nós ficamos com ela em relação monogâmica até ao fim da vida. 

O que acontece é que, como nós já dissemos (e neste artigo não vem mencionado e na minha opinião devia) é que mesmo nos arganazes monogâmicos, aquilo que se verifica é uma "monogamia social, porque pela análise genética dos bebézinhos arganazes, chegou-se à conclusão que em famílias monogâmicas, havia crias que não eram daquele pai. Ou seja (...) muitos deles são socialmente monogâmicos, mas sexualmente não são monogâmicos.  

O Amor é... (Diário)  - Júlio Machado Vaz


Se calhar foi o Raio que vos Parta Ou Factos Alternativos à moda Portuguesa

Primeiro foi o raio, o único responsável pelo incêndio de Pedrógão Grande:



Agora, mais de duas semanas depois da tragédia, o Instituto de Meteorologia vem contrariar a tese da polícia judiciária, e afirma que não pode ter sido um raio, visto que as primeiras descargas elétricas só foram registadas três horas depois do início do incêndio! Uns encontram a suposta prova, a árvore atingida pelo suposto raio, outros afirmam que não houve raio nenhum! 




Se calhar, quem começou o incêndio que vitimou 64 pessoas foi o raio que vos parta a todos!

Ou factos alternativos à Portuguesa:

De há quinze dias para cá, que isto tem sido um fartote de notícias e logo a seguir outras notícias a contrariar as anteriores!

Caiu um avião no combate ao incêndio.
Caiu? Não caiu nada! Nenhum avião caiu no combate aos incêndios!

Há pessoas a suicidar-se por falta de apoio psicológico.
Não há nada. Nenhuma pessoa se suicidou. Aliás, o apoio psicológico tem sido excelente!

Agora ontem ficámos a saber que material militar foi roubado da base de Tancos.

Vai uma aposta, que ainda vamos ficar a saber que afinal nenhum material foi roubado?
Deve ter sido só o tipo que fez o inventário que contou mal!

É  o rigor político e jornalístico no seu melhor.

As nossas rotinas dão poemas e filmes

Durante o dia apanhei na rádio - por duas vezes! - o programa CineMax, e daquela revista dos filmes que estão em cartaz, só um acabou por me captar a atenção. E começou por prender-me a atenção por causa do nome Jim Jarmusch, porque o último filme que tinha ido ver - sim já foi há muito tempo! - foi precisamente deste realizador, mas também já tinha visto pelo menos um outro, o "Homem morto".

E por grande coincidência, ao fim da tarde, uma amiga minha pergunta-me se não quero ir ao cinema ver o filme Paterson, precisamente o tal filme que me tinha chamado a atenção, e que tinha ficado a saber no programa, que se tratava do relato do quotidiano de um casal, durante uma semana. 


Escolhemos uma sala de um teatro onde eu nunca tinha estado, em detrimento das salas mais confortáveis dum num grande centro comercial, sem direito a pipocas nem refrigerante cancerígeno, nem a stress para estacionar o carro ou enorme bicha para a bilheteira.

Eu gostei do filme:

      

Não nos conta uma história com princípio e fim, conta-nos simplesmente o dia-a-dia, de Segunda-feira a Domingo, na vida de um de casal comum, desde o momento em que Paterson (Adam Driver) acorda, sempre depois das seis horas, mas sempre (como eu) sem despertador, até ao fim do dia, em que pega no cão Marvin (que a mulher terá querido comprar porque agora está muito na moda) e vai dar o seu passeio noturno, parando sempre no mesmo bar onde bebe a sua cerveja, e quando a sua cerveja chega ao fim ele sente-se feliz. Volta para casa, para no dia seguinte ter um dia exatamente igual ao anterior

O filme mostra-nos que a beleza da vida está nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes. 

Paterson é motorista de autocarro na cidade onde nasceu e que se chama também Paterson. Todos os dias sai de casa, com a sua lancheira na mão, daquelas típicas que se vê nos filmes americanos, feitas de chapa (da marca Stanley, pormenor completamente irrelevante em que reparei) onde guarda a sande que a sua bonita, criativa e sonhadora mulher Laura (Golshifteh Farahani) lhe faz todos os dias, e onde vê a fotografia dela (que ela lá terá colocado) sempre que abre a tampa da lancheira. 


Peterson é motorista de autocarro numa cidade chamada Peterson. Peterson é também um livro de poemas escrito por William Carlos Williams que Peterson, o motorista, leu e tem na sua estante, juntamente com muitos outros livros só de poesia. No bar, o dono, coloca na parede todos os recortes de jornais de gente famosa que se relacionam com a pequena cidade Peterson, que nunca terá direito a autocarros novos. 

Certo dia o autocarro avariou. Não, "não explodiu numa bola de fogo", foi só um problema elétrico. E então Peterson tinha de contactar a empresa para rebocar o autocarro e uma menina perguntou-lhe se ele não tinha um smartphone, ao que ele respondeu que não. Ela ofereceu-lhe o seu para ele telefonar, que tinha um formato de boneco de criança. "Se calhar deverias comprar um", disse-lhe em casa a mulher. Ao que ele respondeu: "Durante milhões de anos o mundo viveu bem sem eles". Já a sua mulher tem computador portátil, Iphone, Ipad e essas bugigangas eletrónicas todas. 


Peterson é um motorista de autocarros,  mas é também um poeta. E em todos os tempos mortos, Peterson pega no seu caderninho secreto e põe-se a escrever poemas, que nem rimam, tal como ele gosta. No início da semana ele começa a escrever um poema para a sua mulher, e se é para ela, como ele diz, então é um poema de amor, mesmo que comece a descrever os fósforos preferidos do casal.  


A mulher há muito que insiste com ele, que ele deveria fazer alguma coisa com aqueles poemas, que ele guarda secretamente, até mesmo dela. E ela acha que "todo o mundo deveria conhecer". E isto deixou-me a pensar na minha última querida namorada... Também ela achava que eu deveria fazer qualquer coisa com a minha escrita, pois achava mesmo que eu escrevia muito bem, apesar de eu sempre lhe ter dito que achava que não, que só sabia escrevinhar, não sabia escrever. Pus-me também a pensar em todas as pessoas anónimas, com quem nos cruzamos todos os dias, pessoas com quem até podemos trabalhar e que pensamos que conhecemos, mas que não sabemos que, por baixo daquela camada da rotina de todos os dias, e muitas vezes de empregos pouco relevantes, escondem-se pessoas com dons que ninguém imagina. Um simples motorista de autocarros, pode ser um grande poeta e ninguém sabe. Nem ele mesmo. 


Para reler depois dos 60

Não que eu ache que vá chegar aos sessenta anos, afinal, desde pequenino que cresci a ouvir dizer que não passaria dos vinte. E depois a doença, todas as drogas que já tomei e continuo a tomar, e que me podem matar de mil maneiras diferentes, que sempre me fez ter a lucidez de me preparar para não morrer de velho. E é curioso que já me falaram de uma pessoa, com a mesma doença que eu, e que ao que parece tem os mesmos desabafos... Quem sabe talvez seja uma espécie de defesa que as pessoas doentes têm, de se preparem e verem a morte mais próxima que as outras pessoas que, cheias de saúde, não têm essa preocupação. Ainda assim, também acho que só morremos quando tivermos de morrer. 

Via Pintrest

Mas se lá chegares lembra-te disto:

Não te tornes um velho toleirão que se baba por qualquer rabo de saia e que faz figurinhas deprimentes como se atirar à auxiliar ou enfermeira do hospital, à empregada de mesa do restaurante, à massagista das termas, à mulher-a-dias, ou outra qualquer com quem te cruzes. Sim, é verdade que muitos homens sempre tiveram esse tipo de comportamento pouco civilizado desde jovens - ainda por estes dias uma amiga, quando passávamos por determinado local contava-te que se tinha cruzado ali por um homem a masturbar-se no carro - mas sempre ouviste histórias (muitas contadas pela tua mãe) de homens mais velhos que mais parece que chega ali uma altura e dá-se um clique. Perdem a noção do ridículo e parece que querem à força toda copular com tudo o que mexe, mesmo que muitas vezes já não tenham com o que mexer.  E lembra-te do que aconteceu com o teu próprio tio, aquele que foi o irmão que não tiveste, e que perdeu completamente o juízo.

Se chegares aos sessenta anos e estiveres sozinho, como é o mais provável que vá acontecer, não penses que de repente uma qualquer boazona de trinta ou quarenta anos, de repente se vai apaixonar por ti! Não, ela não vai interessar-se por ti. Não, não ela está interessada em ti por pareceres o Gandalf e não vai achar que tudo o que dizes é a coisa mais inteligente do mundo. Ela provavelmente só estará interessada em sugar-te o mais que puder. E se passaste toda a vida adulta sem recorreres a putas, não vais começar agora depois dos sessenta, pagando um preço ainda mais caro. Compra uma boneca mecânica robotizada. Nesse tempo qualquer adolescente terá uma pelo que custa agora um telemóvel. 

Confia em mim, o teu Eu de quarenta anos, que tem agora um cérebro em melhor estado do que oque vais ter. Sim, eu vou-te dando Ginkgo bilova a beber até lá! 

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Haja o que houver


Haja o que houver
eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti
Volta no vento
Ó meu amor
volta depressa
por favor
Há quanto tempo
já esqueci
Porque fiquei
Longe de ti
Cada momento
é pior
Volta no vento
Por favor

Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
espero por ti


Haja o que houver / O Paraíso / Madredeus / 1997

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A Felicidade e a Solidão

Diz-se e lê-se por aí, que o amor, aquele amor que sentimos por outra pessoa, é partilhar a nossa felicidade. Que quem não está feliz sozinho, nunca o será a dois. Eu tendo a concordar, porque a nossa felicidade deveria ser um estado de alma interior, e não deveria depender de fatores como ter ou não companheiro(a), ter muito ou pouco dinheiro, ter muitos ou poucos amigos, etc. Mas por outro lado, nós também não somos felizes ou infelizes a tempo inteiro. Não é assim que a coisa funciona. Ao longo do dia é normal termos momentos mais felizes que outros, além de que todos vivermos fases mais felizes e outras de grande infelicidade, que por norma, estão quase sempre associadas ao amor, ironicamente, aquilo que se diz que nos completaria e nos faria felizes.

Por outro lado, isso do estado de alma interior também é muito bonito, mas a verdade é que, por exemplo, quando após um longo período de desemprego encontramos um trabalho na nossa área em que somos valorizados, ou graças a um novo tratamento passamos a ter uma outra qualidade de vida, ou ainda quando nos apaixonamos e somos correspondidos, a verdade é passamos a sentir-nos muito mais felizes do que antes. Nós não somos uma máquina, estanque, em que se carrega num botão e pronto, agora já estou estupidamente feliz! Ou como dizia o Barney: “When I'm sad, I stop being sad and be awesome instead”. Não, as coisas não funcionam assim, pelo menos comigo não!
Nó somos humanos e tudo o que nos rodeia é capaz de interferir, negativamente ou positivamente connosco, ainda que, mais numas pessoas que noutras.


E ultimamente, e não é de agora, que tenho vindo a sentir-me só...

No fundo eu sei que não precisaria de um batalhão de gente por perto para deixar de me sentir só. Até porque eu nunca gostei de grandes ajuntamentos, de muito barulho, de muita confusão. E nem sempre ter muitas pessoas por perto adianta de muito, pois pessoas há, que se sentem sós estando sempre rodeadas de gente. Talvez essa ainda seja uma solidão pior. No meu caso, talvez uma só pessoa chegasse para acabar com a minha solidão: mas teria de ser aquela pessoa.

Ainda por cima nunca tive muitos amigos, e muitas vezes o pior é não os poder ter por perto.

"O teu dedo é como o meu. Aponta sempre para longe", disse-me certa vez uma amiga que, lá está, só vejo uma ou duas vezes por ano.

Mas eu sou feliz nas minhas pequenas coisas... A meter as mãos na terra e a observar todos os dias as minhas plantas. A sentir o cheiro da relva acabada de cortar ou a ver as gotas de orvalho nas teias de aranha. Sou feliz a observar as pequenas coisas da natureza. Acho que nunca precisei de muito para me sentir feliz. Sei que cometo as minhas futilidades é verdade, mas nunca foi a falta do material que me deixou triste, aliás, muito do que me deixa triste e revoltado, sempre foi, desde cedo, o que me rodeia, como a falsidade, a injustiça ou a hipocrisia.

Mas às vezes olho para o jardim, que não é nada de especial, mas é o meu cantinho que eu criei, e estou ali, sozinho. Acho um desperdício não o partilhar com ninguém. Talvez o remédio para a minha solidão fosse partilhá-lo com outra pessoa. Talvez a solidão seja isso, falta de ter com quem partilhar as nossas coisas. Os nossos pensamentos, as nossas ideias, a nossa companhia... o nosso corpo. Ironicamente, é provável que ande por aí outra pessoa que se sinta só, e se calhar a nossa companhia seria o remédio para a sua solidão de outra pessoa.

O ser humano é um ser social, não é um lobo ou uma coruja solitária. E não me venham cá com essa tanga da felicidade interior, porque o que eu acho é que, ninguém consegue ser totalmente feliz sentindo-se só. E no meu caso, às vezes acho que não precisaria de muito. Bastaria a companhia de uma borboletinha em volta de mim, enquanto cuido do jardim.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Suicídio Político

Ele bem que já tinha avisado, que andava a refletir há muito tempo sobre a eutanásia....


Entretanto hoje decidiu suicidar-se politicamente:


domingo, 25 de junho de 2017

Algures. Longe de mim...



Olha...
Vem sentar-te comigo...
- Querida, a culpa disto é minha.
Não, é minha.
Ouve e não interrompas por favor. 
Ouve...
Se continuarmos juntos, estarás morta no Outono.
Não posso dizer-te mais, mas garanto-te que na realidade não envelheceste. 
Mal eu desapareça da tua vida, recuperarás a juventude e a beleza. 
Não me deixes, Dominic.
Por favor, não me deixes.
Eu estava condenado a perder tudo o que amo. 
Mas prefiro perder-te jovem e bela como eras e voltarás a sê-lo sem mim, do que ver-te morrer nos meus braços. 
- Prometeste que nunca me deixarias.
Eu vou deixar-te.
Se me deixares morrerei sem ti.
Se daqui a uns meses não estiveres como eras no Outono Passado, eu voltarei mal tenha notícias. São três ou quatro meses. Aguarda. 
Algures. Longe de mim. 
Não me deixes, por favor...


Youth Without Youth / Francis Ford Coppola / 2007 

Os Culpados do Incêndio de Pedrógão Grande

Tenho fugido das notícias sobre o incêndio de Pedrógão Grande como o Diabo da cruz! Mas digo-vos que não tem sido fácil! Basta abrir um qualquer site de um jornal, que de imediato levamos, no mínimo, com uns trinta artigos sobre o incêndio! Tenho de ser mesmo muito rápido no rato para não tropeçar numa qualquer desgraça pessoal. E depois também não é muito fácil escapar às notícias no local de trabalho apesar de, quando alguém me vem com o assunto, lá digo que não sei de nada sobre o incêndio, nem quero saber. Ainda assim, lá fiquei a saber que a Judite de Sousa andou ao chuto a um cadáver - suponho que, para estar verdadeiramente em cima da notícia! - ou que uma família, minutos antes de morrer queimada, tinha colocado no Facebook uma qualquer imagem romântica. Sim, informação  completamente irrelevante e desnecessária. 

Por isso, genericamente, acho que devo ser o português menos informado sobre o incêndio de Pedrógão Grande, desde logo porque não tenho televisão, não estou no Facebook, e não consumo todas aquelas noticiazinhas sensacionalistas, macabras e deprimentes que os nossos média são pródigos em difundir.



E como sempre, após uma desgraça como esta, lá vêm agora, comentadores ou políticos fazendo demagogia - ainda por cima a quatro meses de eleições - tentando retirar proveitos políticos, como verdadeiros soldados com as metralhadoras descontroladas, disparando em todas as direções, mas nunca disparando contra si mesmos.

Mas querem mesmo saber quem são os verdadeiros responsáveis pela tragédia do incêndio que vitimou 64 pessoas? Eu digo-vos!

Se toda a gente aponta a trovoada como a fonte de ignição do incêndio que vitimou 64 pessoas, então, processe-se desde logo Santa Bárbara, pois ela é a protetora das trovoadas. Seria da sua responsabilidade, desviar o raio para um sítio que não causasse danos de maior. E isto levo-nos ao óbvio São Pedro, como responsável máximo pela meteorologia. Num dia de altas temperaturas, mandar uns relâmpagos sobre um pinhal? Cadeia com ele!
Depois, também responsável, é a Nossa Senhora de Fátima que é da diocese de Leiria, distrito a que pertence Pedrógão Grande e que nada fez pela sua terra, apesar dos milhões de crentes que ainda lá estiveram o mês passado a rezar. Para que é que precisamos de um santuário e de uma santa milagreira, que sabe coisas - segredos! - se depois não faz nada por ninguém, nem pelas próprias pessoas que são da sua diocese?
E como tal, junte-se também ainda como responsáveis os Pastorinhos de Fátima, um vez que já são santos há um mês, e na sua primeira oportunidade que tiveram de fazer o seu trabalho, não fizeram qualquer milagre para evitar a tragédia – e afinal para que é que nós precisamos de santos se não sabem sequer fazer milagres? E se os santinhos falharam, isto leva-nos ao Santo Papa, pois foi ele que os ordenou santos, e que como se viu, não estavam ainda minimamente preparados para o alto cargo que a santidade lhes exige. Cadeia com o Papa também!

Em último lugar Deus, como responsável máximo por tudo aquilo que de mal criou, a começar, desde logo, pela humanidade.

sábado, 24 de junho de 2017

São João no Porto

Fernando Veludo / nFactos

Exércitos de Mortos-Vivos, aos milhares, de quem é difícil escapar por entre eles, com olhos de quem foi para a piscina nadar sem óculos de natação, munidos de martelo plástico numa mão e copo de cerveja na outra (pelo meio intervalado com o telemóvel) a correr para todo o lado e para nenhum em especial.

(E no meio de toda aquela confusão, abalroo um morto-vivo gigante e pesado, que vira-se para mim e diz: "You are very strong"!)

Avenida da Boavista



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Artigo 19º

"Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão."





Declaração Universal dos Direitos Humanos




terça-feira, 20 de junho de 2017

Caminhos


...Não tenho ninguém ao meu lado,
Certamente isso não está certo.
Certamente isso não está certo...



"Roads" / Dummy / Portished / 1994 


Só Quando me Apetece Time

Todos nós sabemos que existem dois tipos de horários: a tempo total (Full time) e a tempo parcial (Part-time) mas hoje constatei que ainda há um outro tipo: 

É o "Só-Quando-Me-apetece Time"! referiu de forma certeira a minha colega, aludindo ao nosso colega estagiário, que apesar de muito disponível e voluntarioso, gosta de trabalhar, mas só quando o trabalho lhe cheira, e quando lhe apetece, até porque, ainda por cima, há muitas tarefas que "não lhe competem"! 



Bom, se quiserem dar-lhe um nome pomposo estrangeiro, talvez lhe possam chamar: 

"Only-when-in-the-mood Time"!