domingo, 10 de dezembro de 2017

Não Agites o Barco Quando o Mar está Calmo

E também te estás nas tintas para saber que o Estado português participa na produção desta novela com dinheiro de uma igreja manhosa?
Meu querido, o Estado Democrático Português deu um canal de televisão à Igreja Católica e não foi assim há tanto tempo. 
Ok, e?
Provavelmente as calças que tu tens foram feitas por uma criancinha no Vietname e nunca te vi a costurares a tua própria roupa para ajudares as criancinhas asiáticas. Hoje em dia ninguém faz uma omelete sem que os ovos sejam do aviário e esteja cheio de hormonas. Percebes? Ninguém é inocente. Nada. Nem tu. 
Uau. É incrível. Tu transformaste-te num clone do Fernando. 
Esta produção já passou por muita merda. Agora estamos bem, as audiências são boas, as pessoas estão felizes. Elas gostam de ver o rei a correr atrás da escrava, feliz, e ninguém quer saber se foi a IFUBEG que pagou a coroa da Carlota Joaquina. Não agites o barco quando o mar está calmo. 
Isso é um ditado?
Não, é uma metáfora. Das más. 


País Irmão - Episódio 12

Então- é-isto-que-eles-conversam-lá entre-eles-e-querem-que-eu-me-Junte?!





sábado, 9 de dezembro de 2017

Parte de Alguma Coisa Maior

Sabe onde é que eu estava indo Márcio? No Museu do Fado. Estou em Lisboa há meses e ainda não vi nada da cidade. Você já ouviu Amália cantando?
Não.
- Prefere rock evangélico?
Jazz. 
Nossa, que ousado Márcio. Quem?
Billy Holiday, Frank Sinatra, Porter... Esses. 
Madrugada, um frequentador de prostitutas e uma bicha. 
Sabe o que a gente tem em comum Márcio? Quando eu escuto a Amália cantando eu me sinto parte de alguma coisa maior. Eu acho que é como você se sente quando você está rezando com centenas de pessoas num templo. Eu acho que no final das contas todo o mundo tem esse desejo de transcendência não é? Se sentir parte de alguma coisa. Maaaas, eu não fico tentando converter as pessoas ao fado. Eu não digo o que você tem de fazer, não me importo com quem você dorme, tampouco com o que você veste...
Cê tirou o seu dia de folga para fazer sermão para o pastor?
Todos nós somos pregadores das nossas convicções. 
Cê quer concluir?
Cê não cansa, de ser o que as pessoas querem que você seja? Fazer o que as pessoas querem que você faça?
Cê tá falando de mim ou de você Branca?
Acho que eu estou falando de nós dois né?



País Irmão - Episódio 12

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

É para isto que se quer ter uma Relação?

Já era de madrugada quando ela foi passear o seu cão preto, desconfiado, de olhos escuros e vestido de pai natal, para fazer o seu chichi. Eu acabei por dar mais uma volta ao bilhar grande, só para aproveitar os últimos minutos de conversa, antes de ter de refazer novamente metade do bilhar para ir para o carro, molhado pela chuva, e vir embora. 

De repente, a conversa interrompe-se. Ouvem-se gritos. Vinham de dentro de um Peugeot 205 branco que estava estacionado junto ao passeio da praça. O homem, descontrolado, gritava e batia violentamente com os punhos no tablier.  A mulher, do lado do volante, virada para a frente, estava quieta.

Perguntei-me se é para isto que as pessoas querem ter uma relação?

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Da Manipulação da Imprensa e das Opiniões que Contam para Limpar o Cu

 Hoje, 4 de dezembro de 2017 Mário Centeno, Ministro das Finanças do governo socialista, apoiado pelos partidos de Esquerda, é eleito (para o bem e para o mal) Presidente do Eurogrupo. Mas em Novembro de 2016, o pasquim Sol, dava como certa a sua saída do governo no início deste ano, provando-se que se tratou de mais uma mentira descarada e de uma campanha de intoxicação e manipulação da opinião pública.


Ora bem, Mário Centeno não sai do governo em Janeiro tal como afirmava o pasquim do Saraiva, mais, em face dos bons resultados que a economia portuguesa apresentava, Centeno começa a granjear simpatia na Europa, mesmo na família política da direita europeia, tanto que, o próprio Schäuble, Ministro alemão das Finanças, chega mesmo a apelidá-lo de "Ronaldo do ECOFIN. E começa-se mesmo até a falar dele como possível candidato a Presidente do Eurogrupo.

E o que é que tem a dizer sobre isto o comentador e ex-político frustrado, Marques Mendes, na SIC, canal do fundador do PSD e aquele de quem Belmiro de Azevedo disse que não servia nem para porteiro da SONAE?

 

Muito elucidativo não é? E dizem que esta é a "opinião que conta". Jornais e comentadores a manipular e a mentir descaradamente. Mas infelizmente, os jornais nem para para limpar o cu servem.

E o que é que eu acho de Centeno no Eurogrupo? 
Não acho nem deixo de achar. Pode ser prestigiante para Portugal sim, se desenvolver um bom trabalho, mas neste momento acho que os portugueses estão mais preocupados com a economia portuguesa do que com a economia europeia. E depois eu não tenho especial simpatia por portugueses no estrangeiro, principalmente se forem incompetentes. Prefiro todo e qualquer estrangeiro competente a um português incompetente por dois motivos: primeiro ficamos melhor servidos, segundo, não passamos vergonhas como com Durão Barroso. Vou esperar para ver.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Teste de Personalidade: Quão Neandertal és Tu? e podes culpar o teu ADN?

Fala-se muito do QI (Quociente de inteligência) e do QE (Quociente de Inteligência Emocional) mas e o que sabem acerca do Quociente de Neandertal?

O jornal Guardian, no seu site on-line, e em jeito de passatempo e curiosidade domingueira, e promovendo o livro "És mais esperto que um chimpanzé?"de Ben Ambrige, deixa um questionário para percebermos melhor como é o nosso Quociente de Neandertal. Isto porque um novo estudo da Universidade Nova York analisou 200 Homo Sapiens e tentou perceber quais os traços de personalidade que eles compartilhavam com os nossos primos distantes Homo Neanderthalensis.

The Guardian
E quanto a nós? Vamos lá ver então. Com que frequência (nunca / ocasionalmente / frequentemente) tu...

a) Fantasias sexualmente com alguém que não é o teu parceiro?

b) Evitas falar com pessoas que não conheces muito bem?

c) Por vezes sentes-te tão nervoso que nada te pode acalmar?

d) Mostras falta de imaginação em situações novas?

Ora bem... no meu caso, como de momento não tenho nenhuma Femina Sapiens(*) salto já para a alínea b: Não, não evito nada falar com pessoas que não conheço bem. Estou muito à vontade com isso.

c: Raramente. 

d) Sou extremamente criativo e imaginativo mesmo em situações novas.

Concluindo, sou um verdadeiro Homo Sapiens! e tenho um QN  baixo!
Mas se a maioria das tuas respostas foi frequentemente então tens um NQ relativamente alto

À primeira vista nós Homo Sapiens somos monogámicos (cof cof) sociáveis, calmos e imaginativos, ao passo que os Neandertais eram promíscuos e brutos. Mas os investigadores observaram as amostras de ADN dos participantes e procuraram correlações entre as suas personalidades e a sua sobreposição genética com o ADN de Neandertal, as correlações foram pequenas, mas estatisticamente significativas. Uma vez que, em geral, a evidência de traços de personalidade hereditários é forte, e como tal não é exagerado imaginar um futuro próximo em que as nossas personalidades sejam analisadas, não em questionários, mas pelo nosso ADN. 

Mas eu acho que isto também dá uma bela inimputabilidade a muito boa gente! 
Ai querido, sim é verdade, andei a pinar com o colega novo do escritório, mas tu sabes, eu não tenho culpa nenhum. É o maldito Quociente de Neandertal! Ou ainda "Querida, levas nas trombas todos dias, mas eu não tenho culpa, é tudo do ADN e dos nossos primos Neandertais!

(*) Pois é, chamar Homo Sapiens a todo a humidade é certamente uma terminologia que viola o código para a igualdade de género. Oh não, se alguém se lembra temos mais umas dezenas de mortos, com os incêndios... nas redes sociais! 

Deixar de Acreditar



É mais do que isso. Eu deixei de acreditar.

A cada dia que passa eu acredito um bocadinho menos, um bocadinho menos e um bocadinho menos, e é fodido. E que é que eu faço em relação a isso Scherbatsky?

Química. Se tens química, só precisas de outra coisa.

E isso é o quê?

Tempo. Mas o tempo é uma merda.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

The Temple com Zé Pedro


"Baby Hate" - Diesel Dog Sound / The Temple (2004)

com Zé Pedro (1956-2017)

"Nothing is pure anymore..."

Tão Bom que era o Patrão Belmiro

Agora que o Belmiro de Azevedo morreu, ouvem-se tantos elogios ao empresário-modelo, que pagava salários miseráveis, que quase fico comovido. Passemos os olhos em alguns testemunhos de quem trabalhou nas suas empresas e que certamente só boas coisas terá a dizer:


Sair a horas é impossível

O ordenado é a mesma miséria, 3€ à hora e é se quero, senão põem outra pessoa no meu lugar, de momento não tenho outra hipótese senão continuar

Trabalho há vários anos na Worten, sou permanência de loja, sou responsável de uma secção, trabalho a tempo inteiro e recebo 3€/hora

Trabalho num Continente-Modelo e subscrevo tudo que foi dito anteriormente, despediram metade dos meus colegas e faço o turno da noite sozinha, querem que faça sozinha o trabalho que faziam 3 pessoas. Devia sair às 22h mas nunca saía a horas, saía quase sempre às 23h. Relativamente às horas a mais nunca me foram pagas nem nunca foram gozadas

Quanto aos contratos é verdade 3 e rua…uma vergonha

Trabalhei em lojas da Sonae em que chegava a trabalhar 10 dias seguidos, com uma folga por semana ou então umas cinco horas sem ir comer ou à casa de banho por me encontrar sozinha em loja

Vendo o meu trabalho há 23 anos como Operadora de Caixa num Hipermecado do Grupo Sonae . Sim, sempre pedi para ir ao WC e muitas das vezes ignorada indo á rebelia das chefias

Tenho uma anemia crónica e ainda assim insistiam em meter-me 2 dias a trabalhar 5h e sem comer…

Fui ensinada se possível a comer de 5 em 5 horas ou mais


Comerr? mesmo que tenhas problemas de saúde (estômago) que impliquem comer vezes amiúde não podes!!! tens que aguardar as tuas ditas 4h que é para estragar mais ainda o estômago…

Cheguei a fazer horários de 8 horas na caixa e só ao fim de 6 horas de trabalho ia jantar ou almoçar. EX: 12h00 às 21h00, só comia das 18h00 às 19h00 e no meu horário estava das 14h00 às 15h00; falei à minha chefe e a resposta delas era ‘não tenho operadoras suficientes, aguenta’… depois há erros de que os clientes não têm culpa…

Na loja onde trabalhei, o director proibiu a água. Qual o motivo? Não foi explicado, mas era fácil perceber que a ideia era limitar as idas à casa de banho o mais possível

Uma colega gravida (gravidissima) com diabetes gestacionais estava a sentir-se mal porque não a deixavam fazer uma pausa para ir sequer comer, beber ou à casa de banho

Isto para já não falar das colegas mulheres que estão com o período e chegam a ficar todas sujas porque não lhes permitem ir ‘mudar o penso

Reconheço todas as queixas e ainda acrescento algumas: na loja onde trabalhei, o aquecimento era desligado e só era ligado nos dias em que vinham auditorias à loja

Eu deixo já a sugestão para que a Igreja Católica canonize Belmiro de Azevedo e o ponha no altar! Todos os elogios ao patrão-maravilha podem ser lidos aqui.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Não Me Morras

Eu gostava de saber mais. Muito mais. Sobre isso e sobre tudo o resto. Gostava de saber muito mais sobre ti. Sei pouco. Às vezes também não é preciso saber. Basta sentir. E gostava de saber de onde é que vem todo esse sofrimento que carregas e que tanto te consome. Um sofrimento que tem de ser quase insuportável a ponto de achares preferível deixar de viver a teres de enfrentar esse peso a cada novo dia que passa. Eu sei que não consigo imaginar o quanto estarás a sofrer, porque sei muito bem que é preciso estar a sofrer muito para nada mais interessar. Como se quisesses acabar tudo para quem sabe recomeçar de novo de forma diferente.

Nós nascemos sozinhos. Vivemos juntos. Morremos sozinhos. Ninguém pode morrer por nós. Ninguém pode sofrer por nós. O que tivermos de passar, teremos de ser nós a passar. Ninguém poderá passar por nós. E eu sei que nada do que eu te disser agora te animará. Não interessará que eu diga que és uma pessoa encantadora, certamente muito querida por todos, e de quem, certamente, toda a gente gostará. Nada adiantará eu dizer que toda a gente vai sentir muito a tua falta. Os teus pais, amigos e todos aqueles que te querem bem. Sei bem que nada disso interessa porque estás a sofrer e o sofrimento não desaparecerá com as bonitas palavras e incentivos dos outros. 



E eu não tenho que saber de nada. E o mais importante eu já sei, que é saber que não estás bem. Que queres acabar com tudo e ir-te embora. E isso é mesmo muito triste para mim. Sinto-me impotente, porque, mais uma vez, nada posso fazer. E eu sei que nada do que eu possa dizer te fará sentir melhor. E isso é muito triste para mim. 

Tu sabes melhor do que eu. Certo dia, faz hoje precisamente dois anos, aproximaste-te de mim. Aproximaste-te só para me mostrar que havia alguém, que mesmo não me conhecendo, que se importava com a minha tristeza. E só isso já diz muito sobre a pessoa que és. Hoje, sou eu que te quero dizer que estou aqui para ti. Sempre. Tens-me sempre aqui para ti. Desculpa já não ser um desconhecido para ti. Já me conheces, já sabes como eu sou, não te posso motivar a conhecer alguém alguém novo. Mas por outro lado já sabes como eu sou. Sabes com o que podes contar. E eu sempre achei que é para isso que servem os amigos. Pois é. Durante tanto tempo não conseguimos encontrar definição para o que éramos um do outro. Amigos sempre me pareceu bem. E para mim os amigos são para estarem lá quando precisamos deles.

E o que eu gostava era de poder estar agora contigo. Agora, que precisas. Gostava de poder abraçar-te e deixar-me abraçar por ti, com toda a força que entendesses, mesmo que me deslocasses duas ou três costelas! Entende que, mesmo ninguém possa resolver o que te aflige, tu não tens de lutar sozinha. É mais fácil se dividires o fardo com aqueles que te querem bem. E eu quero-te muito. E bem.

domingo, 26 de novembro de 2017

Reciclar é Aliviar a Consciência Pesada

The Guardian
Reciclar não é ser sustentável. Ser sustentável é não comprar. Ser sustentável é usar o máximo tempo possível. Não é sustentável comprar um telemóvel a cada seis meses só porque saiu um novo. Não é sustentável comprar uma nova consola de jogos sempre que sai uma nova para o mercado. Não é sustentável comprar um batalhão de roupa nova, muita nem se vai usar, só porque está barata. Está barata mas alguém, pago miseravelmente, teve de a produzir. A Natureza foi, irremediavelmente prejudicada com essa produção. 

E depois, no fim disto tudo, da produção e da poluição, fala-se na reciclagem. Mas reciclar é mais ou menos como o bom cristão que peca, que comete um pecado grave e depois vai ao padre para confessar os seus pecados. E sente-se aliviado. Ou como aquelas pessoas que enchem o bandulho ao fim-de-semana, e comem um monte de porcarias, e depois na segunda-feira, com a consciência pesada, decidem aparecer no ginásio. E reciclar é mais ou menos isso: aliviar a consciência pesada.  

Conversas Improváveis 10


Via Google Images
No trabalho:

"Eu tenho de pedir um atestado médico para fazer exercício e ir para um ginásio que é algo que faz bem à saúde. Mas ninguém tem de pedir um atestado médico para dar cabo da saúde! Por acaso alguém é obrigado a pedir um atestado médico para começar a fumar ou para ir ao Macdonald's? Mas isto faz algum sentido"?

Tu Votas em Partidos que Defendem as Touradas?

É muito curioso que não se fez eco desta notícia, eu pelo menos não ouvi nada. Parece que a notícia que interessava badalar no final da semana, era que o INFARMED se ia mudar de Lisboa para o Porto. Desta notícia, bem mais importante por sinal, não se fez qualquer eco, e não terá sido por coincidência que os maiores partidos em Portugal, todos, votaram da mesma forma. Estranha unanimidade diria! E quando não se faz eco na comunicação social é como se as coisas não tivessem acontecido. Mas vamos então à notícia:

esquerda.net

No segundo dia de votações na especialidade do Orçamento do Estado para 2018, o Bloco de Esquerda apresentou uma proposta para que as touradas e os toureiros deixassem de estar isentos do pagamento de IVA. Mas a proposta, que à partida é de uma enorme sensatez, foi rejeitada no parlamento. Porquê?

Porque CDS, PSD, PS e PCP votaram contra. Fica aqui preto no branco quais são os partidos que em Portugal defendem as touradas. E defendem também que um sem abrigo tenha de pagar IVA na compra de um pedaço de pão para comer, enquanto que, aqueles que fazem espetáculos bárbaros que implicam o sacrifício e a morte de animais não paguem IVA. Sou só eu que achei isto aberrante?

Tu votas em partidos que defendem as touradas? 

sábado, 25 de novembro de 2017

Gostamos mais de Animais do que de Pessoas?

Pandora
Comecei a pensar neste assunto quando a minha mãe me falou que a Pandora, a cadela, anda com alguns problemas de saúde. Apesar da idade avançada, ainda muito rija anda ela. Mas a minha mãe não quer que ela sofra, e apercebi-me que estaria a falar em eutanasiar a bicha caso perceba que ela vá terminar os seus dias em sofrimento. E depois pus-me a pensar qual seria a pessoa que, por ver um ente querido a sofrer horrores, seria o primeiro a dizer uma coisa destas? Pelo contrário. O que vejo é as pessoas prolongarem o mais possível uma vida humana, mesmo que, muitas vezes só esteja artificialmente viva ligada a máquinas. E porque será então que queremos prolongar ao máximo a vida de uma pessoa, ao passo que com um animal, por mais que gostemos dele, preferimos que não sofra?

Outra situação. Recentemente uma amiga, que sabe muito de animais e que nem sequer ouso questionar os seus conhecimentos, disse-me que dar a pílula a gatas é muito errado pois vai-lhes criar muitos problemas de saúde. Eu nem coloco isso em discussão, mas depois pus-me a pensar: então mas e nas mulheres? Às mulheres já as podemos entupir, mês após mes de pílulas contracetivas, que não lhes faz mal nenhum? Às mulheres, até se aconselha, mal iniciem a atividade sexual a fazer uma consultazinha de planeamente familiar e a prescrever-lhe a píula! Não haverá aqui qualquer coisa errada?

Por último apanhei uma conversa no refeitório da empresa, sobre como os restos de comida não são alimentação saudável para os animais. E na verdade sempre fui ouvindo dizerem isso. Até tenho amigas em que os bichos têm de comer ração de determinada marca senão podem-se sentir mal. Mas, curiosamente, todos os humanos que estavam naquele refeitório, comiam sobras do dia anterior aquecidos no micro-ondas.

E os animais abandonados? Qualquer pessoa que vê um animal na rua, abandonado à sua sorte, de imediato fica com o coração partido e o trás para casa, para cuidar dele. Mas alguém que encontra uma pessoa desnutrida na rua, alguma vez no seu juízo perfeito a vai trazer para a sua prórpia casa? Então por que será que somos tão indiferentes para com o sofrimento humano alheio? O que é que isto significa afinal? Não queremos que um animal sofra em fim de vida, mas ai de quem abra a boca para dizer isso de um filho ou familiar. Ai de quem dê pílula aos animais que é um desnaturado, mas ninguém se importa que as próprias mulheres a tomem toda a vida. E não se podem dar restos de comida aos animais que é errado, mas nós mesmos, animais-pessoas comêmo-los todos os dias. Afinal o que é que isto significa? Que gostamos muito mais dos animais que das pessoas? 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Poeira das Estrelas

Há umas semanas cruzei-me de novo no espaço onde nos conhecemos. Tinha combinado com uns colegas que escolheram especificamente aquele sítio. E como sabes, eu tenho o péssimo hábito - para bom português bem entendido! - de ser muito pontual. Claro que fui o primeiro a chegar, e ainda esperei uma meia hora até que chegasse mais alguém. Pude então perder-me nos meus pensamentos, e foi-me impossível que, naquele espaço físico, por onde deambulamos uma quantas vezes, não me transportasse de imediato no tempo. Para o tempo em que segurar na tua mão e olhar nos teus olhos, era o suficiente para me fazer feliz. Era impossível que a nostalgia não me deixasse com o coração apertado. Cruzar aqueles espaços era como se eu estivesse ali, a assistir a uma peça de teatro, de um determinado período da minha vida, em que nós os dois éramos os protagonistas. 

Durante todo aquele tempo que por ali estive à espera, fiz-me várias perguntas. A mais importante acho que foi perguntar-me no porquê de não teres querido seguir viagem comigo. E eu sei que tu quiseste, no tempo devido, que eu te fizesse todas as perguntas que quisesse fazer, pois querias esclarecer todas as minhas duvidas. E eu acho que consegui perceber, pelo menos em parte mas...

A minha pergunta ia no sentido de eu me questionar se fiz algo de errado. Enquanto por ali estive, questionei-me se, desde o dia que nos encontramos, naquele mesmo local, se eu pudesse, agora, como que por magia, fazer voltar o filme atrás, se eu poderia corrigir alguma coisa. E tu sabes que isto é um exercício meramente académico. Mas sabes o que eu respondi a mim mesmo? Eu respondi aquilo que tu mesma me responderias: "Tu não fizeste nada de errado"!

Mas algo não resultou para que tivesses decidido que cada um de nós seguiria em viagens separadas ou em vidas paralelas. Daí que, se puxássemos o filme atrás, e eu agisse da mesma forma, "não fazendo nada de errado", claro que tudo se repetiria de novo! Alguma coisa eu teria de ter feito diferente. Mas e se eu tivesse mudado algumas cenas ao nosso argumento? Será que teria havido alguma forma de termos seguido viagem juntos?



E queres saber a que conclusão eu cheguei, enquanto estava ali, sentado numa mesa, com vista para um dos quaisquer cantinhos que escolheste para nos sentarmos? A triste conclusão a que cheguei, é que o resultado seria sempre o mesmo. Verdade. E isto não tem nada a ver com eu acreditar que o destino já estava traçado. Não, isto tem só a ver com o teu livre arbítrio, com a decisão que tu achaste por bem tomar. E eu estou em crer que, mesmo que eu até fosse moreno, de cabelo preto e de olhos escuros, tal como tu gostas, sei lá, mesmo que até tivesse feito tudo de maneira diferente para melhor, eu acho que o resultado seria o mesmo. Porquê? Porque seria sempre Eu que estive contigo. 

E eu acho que é em mim que eu devo procurar resposta. Não que ache que tenha de mudar, até porque com esta idade já acho que isso seria muito difícil! E na verdade eu até gosto de ser como sou. É verdade! Claro, apesar dos defeitos, mas também era o que faltava se não tivesse! Mas eu sou como sou. E claro que ambos sabemos que o problema não foi a cor dos meus cabelos nem dos meus olhos. E às vezes quase me conseguias convencer, quando me olhavas com ternura e me dizias que eu era um homem muito bonito. E, sabendo eu, que não era nada o estereótipo de beleza que te atraía, tinha a sua graça. Acho que gostava mais de acreditar sobre o que dizias da minha Luz... Gostava mesmo...

E por falar em Luz, diz-se que todos nós somos feitos de poeira das estrelas. Olha, se calhar, pensei nisso enquanto esperava pelos meus colegas, talvez tu fosses estrela demais para a minha poeira! Sei lá! Na volta, talvez todas as estrelas de quem a luz me fez aproximar tenham luz demais para mim. Ou então eu carregue o karma de ser uma poeira estrelar que tenha de andar por aí sempre à deriva...

sábado, 18 de novembro de 2017

Medo. Tenham Muito Medo...

Acreditar no Destino



Mulher de coragem a sua mãe, porque muitas vezes no campo arriscou a vida, passou comida através da cerca eletrificada, comida e medicamentos a outro preso, assumiu a culpa pelo desaparecimento de alguma comida, e correu sempre risco de vida...

Sim. A minha mãe é uma mulher muito corajosa e eu tento analisar isso no livro, e eu acho que grande parte dessa coragem se deve ao facto de ela acreditar completamente no destino. Então ela nunca se preocupa "ah eu vou morrer" ou "eu vou apanhar alguma doença"ou "vai acontecer alguma coisa comigo". Ela entrega a vida dela para o destino e eu acredito que é isso que lhe confere tanta coragem e que fez também com que ela conseguisse sobreviver, porque ela não ficava se poupando, e privando de uma forma egoísta ou vaidosa. Ela sempre soube ser humilde e aceitar as coisas como elas vinham, e até hoje ela é assim. 

Noemi Jaffe, autora do livro "O que os cegos estão sonhando?" no programa À volta dos livros" de 16 de Novembro na Antena 1.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Gostava de ter sido Eu a escrever isto:



Márcio, deixa eu te contar uma coisa:
Uma vez eu estava andando na rua, e aí do nada apareceu um maluco com uma Bíblia na mão, e ele tacou o livro assim, com toda a força, na minha direção. E aquela Bíblia ia tendo atingido diretamente o meu coração..
- Sabe qual foi a minha sorte?
É que eu estava com um casaquinho, tipo um blazer desses que tem um bolsinho assim, e dentro do bolso tinha uma bala de revolver. Aquela Bíblia teria atingido diretamente o meu coração se não fosse aquela bala. Acredita?

(da série País Irmão)

E Nós? Estaremos preparados para quando a chuva chegar?


Na Grécia morreram, pelo menos quinze pessoas na sequência de uma semana de chuvas torrenciais. Em Portugal, por agora fala-se de seca extrema. Mas estaremos preparados para quando a chuva chegar? É que, tal como é no Inverno que se previnem os incêndios é no tempo seco que se devem prevenir as inundações...

domingo, 12 de novembro de 2017

A Armada Turística Portuguesa




Barcos Fernão de Magalhães, Infante D. Henrique e Vasco da Gama no Rio Douro. Ponte do Freixo, Ponte São João e Ponte Dona Maria. 

Gondomar: A Cidade Europeia do Desporto que Não Gosta de Ciclovias

Em Gondomar inaugurou-se a primeira ciclovia junto ao Rio Douro em 2009. É um percurso de cerca de três quilómetros, que vai desde o Palácio do Freixo até Gramido. 

Era uma via com alguns metros de largura, dividida a meio, em que a metade do lado do rio era de uso de quem pretende caminhar ou passear, enquanto que, a parte do lado da estrada marginal, que estava pintada de cor mais escura, até para se perceber bem que era uma ciclovia, era de uso exclusivo de quem quisesse andar de bicicleta. Este espaço de usufruto, bastante aprazível, também rapidamente foi vandalizado. As casas de banho até foram fechadas, e roubaram de tudo um pouco, desde torneiras, até, pasme-se, os corrimões de aço inox. 

É uma zona que sempre fui visitando, se bem que, cedo, comecei a evitar de andar de bicicleta. Não há respeito. As pessoas vão passear e não respeitam nada nem ninguém. A ciclovia sempre esteve bem sinalizada mas ninguém respeita nada. Se as pessoas não respeitam os outros quando andam de carro nas estradas, iam agora respeitar uma sinalização num passeio? Era o que havia de faltar!

Se for uma família de quatro ou cinco pessoas a passear, pois têm de ir os quatro ou cinco parolos, lado-a-lado, a ocupar toda a largura do passeio, estando-se verdadeiramente a cagar para o que aquilo é. Então, já sabendo de antemão da ocorrência deste tipo de situações desagradáveis, comecei a evitar por lá andar de bicicleta, principalmente ao domingo, quando grandes multidões de pessoas por ali se juntam. 


No entanto hoje, já depois de ter andado na ciclovia de Oliveira do Douro, bem menos frequentada, apesar dos mesmos parolos que têm os mesmos comportamentos, na vinda para casa acabei mesmo por estacionar o carro, e ir dar mais umas quantas voltas por ali, servindo-me de todo aquele maralhal de pessoas, como prova de obstáculos! E na verdade aquilo até dá alguma adrenalina, contornar toda aquela gente, como se fossem pinos de obstáculos!

Mas qual não foi o meu espanto quando pude constatar a nova sinalização que ali meteram! Como a cor da ciclovia entretanto desapareceu, a autarquia deve então ter entendido que seria bem mais fácil acabar com a ciclovia e colocar vários sinais ao longo do percurso dizendo que os peões têm prioridade!! No entanto, o ridículo da situação é que, temos agora um enorme passeio, dividido ao meio, onde um ciclista não sabe por onde andar. É pela esquerda ou pela direita? Não interessa. O que interessa é que os peões têm sempre prioridade!

Gondomar, para quem não sabe, é neste ano de 2017 Cidade Europeia do Desporto. Ironicamente ficamos agora a saber, que esta cidade do desporto não gosta de ciclovias. Prefere os parolos que ocupam as ciclovias todas. Lamentável. 

A Perfeição e o Desastre


A perfeição é isto. Estacionar a um fio de cabelo da parede. Mas convém termos presente que a perfeição também está, muitas vezes, a um fio de cabelo do desastre. E por alguma coisa se diz que o ótimo é inimigo do bom. 

sábado, 11 de novembro de 2017

Não estudes, Corrompe!

Querido leitor: 
Nunca penses servir o teu país com a tua inteligência, 
e para isso em estudar, em trabalhar, em pensar! 
Não estudes, corrompe! Não sejas digno, sê hábil! 
E, sobretudo, nunca faças um concurso; 
ou quando o fizeres,
 em lugar de pôr no papel que está diante de ti
 o resultado de um ano de trabalho, de estudo, escreve simplesmente:
 sou influente no círculo tal e não me façam repetir duas vezes!
(Eça de Queiroz / As Farpas / 1871)


Quando eu era criança, ouvia muitas vezes dizer que era preciso estudar para se ser alguém na vida. Que quem não estudava nunca que iria sair da cepa torta. Queres estudar ou ir carregar baldes de massa? Mas hoje quando penso nisso, acho que é uma barbaridade! Uma indecência! A mentirem descaradamente às crianças logo desde pequenas. Até porque, vamos lá ver uma coisa, o que não falta para aí, é gente a trabalhar na construção civil e ganhar bem mais que licenciados! Uma empregada de limpeza ganha hoje, sem grande dificuldade, 7€ à hora, que é bem mais do que muito licenciado ganha, muitas vezes a dobrar roupa numa loja de centro comercial. 

E do que eu tenho visto, nunca foi bem assim como dizem. Aliás, desde miúdo que ouço falar de gente da minha aldeia, os "brasileiros", que foram para o Brasil  e que em poucos anos ficaram muito ricos. Conta-se que eram donos de ruas inteiras. Mas certamente que não ficaram ricos com a ajuda dos poucos estudos que tinham. E desconfio até, que não ficaram ricos a suar. Eu pelo menos nunca vi ninguém ficar rico de um dia para o outro graças ao esforço físico. E neste caso, até era público, pois uma dessas pessoas que enriqueceu contava que tinha tanto dinheiro, que dava para as suas duas filhas (da idade da minha mãe) e para os netos viverem sem nunca terem de trabalhar. Curiosamente este senhor morreu esmagado pelo próprio carro, quando este, destravado ia rua abaixo e ele foi a correr tentando sustê-lo com o seu corpo. E ele, que era tão rico, acabou esmagado contra uma parede. Não é irónico? Alguém tão riquíssimo que morre a tentar salvar algo que não lhe fazia diferença nenhuma? Mais, quase todos esses irmãos, acabaram por morrer cedo, igualmente de acidentes estúpidos.

Mas se esta afirmação nunca fez muito sentido, então hoje em dia nem se fala! Hoje em dia, cada vez mais o trabalho é mal pago. A título de exemplo, estamos em 2017 e eu tenho um salário inferior ao que ganhava em 2008. Será isto razoável? Não, não é porque o custo de vida está cada vez mais caro. A eletricidade está mais cara; a água está mais cara; o gás está mais caro; a internet está cada vez mais cara. Os transportes estão cada vez mais caros. Tudo está cada vez mais caro, mas os salários não acompanham. Porquê? E o que vejo é que, mesmo com muitos estudos, as pessoas ganham cada vez menos dinheiro, quando comparado ao que se ganhava há décadas atrás. É preciso empobrecer, gritam-nos os radicais-capitalistas! É preciso que os trabalhadores ganhem cada vez menos, para que os ricos ganhem cada vez mais! 

"Se fosse hoje nunca que tinha feito um curso superior. Passas tantos anos a queimar a pestana, para depois não arranjares trabalho na tua área e a ganhar uma porcaria". Quem mo disse foi uma ex-colega,  licenciada em engenharia química de 24 anos.

Antigamente, como a maioria das pessoas não tinha dinheiro para poder pôr os filhos a estudar (nunca que haverá igualdade de oportunidades) no máximo as pessoas ficavam-se pela instrução primária. Esse mérito de poder estudar ia para os filhos das gentes endinheiradas, que tinham sempre muitos escravos, que trabalhavam 16 horas por dia,  por uma bucha de pão e por uma malga de vinho. Mas hoje em dia, felizmente, que as pessoas já podem estudar mais um bocadinho, apesar de, não raras vezes com muito esforço.

E se agora muito mais gente estuda, a oferta, ainda por cima com taxas de desemprego altíssimas, o que não falta às empresas é por onde escolher, pagando sempre o mínimo possível, muitas vezes optando até por recrutar estagiários e nunca colocando as pessoas nos quadros da empresa. E nunca como hoje o emprego foi precário. Quase que o anterior governo tornou o despedimento livre ao sabor dos desmandos dos patrões, como se as pessoas fossem uma mercadoria.



E cada vez menos é a estudar ou a ser honesto que se vai longe. O Relvas chegou a doutor sem nunca sequer ter posto os pés numa universidade. Em Portugal (talvez como na maioria dos outros países é assim) chega-se longe a mentir, a aldrabar, a corromper. Chega-se longe fazendo-se rodear das pessoas certas nos sítios certos que fazem as coisas acontecer.

Foi precisamente isso que Eça de Queiroz escreveu n' As Farpas de Novembro de 1871, tendo sido preterido num concurso público para o Consulado da Baía: "Não estudes, corrompe! Não sejas digno, sê hábil! "

Portanto, se quereis dar uma boa vida aos vossos filhos, não os mandeis estudar porque, muito provavelmente, acabarão os dias a ter um trabalho para o qual não precisavam de nenhum curso superior, e a ganhar um salário de merda. Se quereis mesmo dar um bom futuro aos vossos filhos ensinai-os a mentir e a corromper. Por certo que terão o futuro garantido. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Mulher Virgem Extra

Esta semana, enquanto conduzia no caminho do trabalho para casa, apanhei o programa À volta dos Livros da Antena 1 e que versava sobre o livro "A Vida Virgem Extra" de Cláudia Vilax. 



O que é que distingue este azeite virgem extra dos outros, Cláudia?

O azeite virgem extra é um azeite que tem melhor qualidade. É um azeite que não tem defeitos e só tem qualidades. E quando é um azeite que é bem feito de verdade, é um azeite cheio de nutrientes bons que nos fazem bem à nossa saúde. Como por exemplo a Vitamina E que, hoje em dia, está provado cientificamente, é muito melhor ingeri-la através dos alimentos do que artificialmente através de suplementos vitamínicos; tem também ácidos gordos monoinsaturados que são essenciais à nossa saúde; outros anti-oxidantes além da Vitamina E; têm vitaminas lipossolúveis; O azeite é de facto algo que nos faz muito bem. 

E fiquei a pensar nisto no que é que distingue o melhor azeite dos outros. Com que então o azeite virgem extra só tem qualidades e nenhuns defeitos e que só nos faz bem à saúde? Mmm.. é isto! O que eu preciso é de uma mulher como o azeite! Mas tem de ser uma Mulher Virgem Extra! 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Drama e o Horror de Sair com um Anti Social como EU!



Acabas de me conhecer, lógico, o homem perfeito, mas não estavas preparada para o pior pesadelo da tua vida. Não, eu não estou no Facebook, nem sou muito de redes sociais. Não me vais encontrar em sítio nenhum da Internet. Nem vais poder pesquisar fotografias das minhas ex-namoradas. E a única forma que vais ter de ver o gémeo grande é mesmo ao vivo e a cores. Ah pois é! E quando tirares uma fotografia espetacular das tuas mamas, e ma quiseres mostrar, não!, não vais ter para onde mandar!

E não vais ter forma de saber o que eu fiz no verão passado porque não está no Facebook! Eu não tenho pegada digital! Ok, na verdade eu tive um Myspace, mas lá ninguém usava o seu nome próprio, por isso estás fodida na mesma!

Quem sou eu? Bom, se calhar não existo! Ah ah ah (gargalhada maléfica!)
E se fores cuscar os meus albuns de fotografias vais perceber que lá não existem caixas de comentários e nunca vais saber o que as pessoas acham de mim! 

Se calhar eu não sou quem digo ser e só te quero envolver romanticamente. Na volta até sou um psicopata! E vai ter medo, muito medo! Nem sequer tens como saber o que eu trouxe para comer ao almoço, a menos que, me perguntes pessoalmente! Ah ah ah!!
Ok, eu existo, mas sou um Anti-social do caralho!!

domingo, 5 de novembro de 2017

Para Ti Meu Amor



Poema de amor, escrito por Mário Soares a Maria Barroso em 1962, quando se encontrava detido na prisão do Aljube.


Telecrã

Saí do centro comercial em frente do Estádio do Dragão e, já depois de me terem perguntado se eu queria "Tickets?", dirigi-me para o carro que tinha ficado estacionado no exterior. Já dentro do carro e com os vidros fechados, um sujeito aparentando ser de etnia cigana, aproxima-se e começa-me a chatear, mostrando-me um telemóvel (ou telecrã como diz agora uma amiga minha que acabou de ler o 1984 do Orwell) e onde eu só reconheci a marca a prateado Samsung (lá está, uma marca que reconheço dos televisores), enquanto que o vou ignorando. 

Até que, perante tanta insistência, tenho mesmo de lhe dizer:
"Ó amigo, isso não vale nada. Eu tenho um telemóvel muito melhor que esse. Não quero isso para nada". E enquanto isso, vou ao bolso e mostro-lhe o meu Nokia 6630 de 2004 e digo-lhe: "Isto é que é que uma máquina!"

Ele riu-se e eu arranquei e fui-me embora. 

Um Estado que Premeia os Preguiçosos

Arderam centenas de casas este ano e muitas empresas também. E o Estado, que somos todos nós, vai pagar isso tudo porque coitadas das pessoas, ficaram sem casa. 

Mas imaginemos a seguinte situação:
Eu pego numa mala cheia de dinheiro, e deixo-a dentro do carro, aberta, com as notas a verem-se. E resolvo deixar as janelas abertas para entrar o ar, enquanto vou dar um passeio a pé. Mas quando chego, fico muito surpreendido ao ver que me roubaram a mala cheia de dinheiro. Então, reclamo veementemente que a culpa é do meu país que é o uma merda, porque o meu país não defende as pessoas. O meu país falhou comigo. Afinal, uma pessoa já nem pode deixar o carro na cidade com o vidros abertos porque é logo roubado! Vou para a rua gritar que a culpa é do Estado! O meu país falhou! O meu país deveria colocar um polícia junto de cada carro, para que nenhum carro possa ser roubado! E vou exigir que o Estado me pague os prejuízos. 

Não acham que isto seria realmente muito estúpido?


É mais ou menos a mesma estupidez que eu acho que o Estado pague casas a particulares e danos em empresas, a pessoas que deixaram o mato entrar pelas casas e empresas adentro. Nem as pessoas  cumpriram a lei, nem as câmaras municipais fizeram com que a lei se cumprisse. Mas pela incúria de uns, todos vão pagar. E afinal o desleixo e a preguiça compensam sempre. É mais ou menos como quando o mesmo Estado beneficia quem não paga os impostos a tempo e horas e depois aplica perdões fiscais permitindo que os incumpridores paguem, sem juros, o que já deviam ter pagado aquando todos os outros. E quem cumpre acaba sempre por sair prejudicado. 

Este Outono eu tinha planeado limpar o terreno em volta da minha casa, como o faço todos os anos, se bem que, desta vez, tinha mesmo pensado cortar vários pinheiros, para estar a salvo de qualquer incêndio no futuro. Mas afinal não preciso de o fazer. Se a minha casa arder, não há problema, todos ma vão pagar!

sábado, 28 de outubro de 2017

Pêssego ou Manga Laranja?

Acho que foi no fim-de-semana passado que comecei a pensar que no tinha acabado de pedir na roulotte. Perante a pergunta sobre qual molho eu queria no prego, respondi prontamente "Ketchup". Mas por que é que eu pedi Ketchup e não Mostarda ou Maionese? Eu estaria a pedir Ketchup porque de facto é um molho que eu muito aprecio, ou estaria a pedir por outro motivo?

Sinceramente já não me lembro quando comi pela primeira vez um prego em pão de hamburguer. Mas tenho quase a certeza que estaria com ela. E de certeza que até então nunca que tinha provado um prego com maionese, com mostarda e com ketchup para já ter formulado a minha escolha. Hoje, tantos anos depois, continuo a pedir Ketchup nos pregos em pão de hamburguer, porque era assim que ela me dizia que gostava. Que assim era melhor. Mas era melhor para ela. Será que era mesmo o melhor para mim? 

Há pessoas que chegam à roulotte e pedem tudo. Pedem todos os ingredientes que estejam disponíveis: alface, tomate, cogumelos, milho, cebola, ervilhas, batata-palha, ovo, queijo, fiambre, tabasco no bife, e mais algum ingrediente que me possa estar agora a escapar! E à pergunta - molhos? Respondem: "todos"! E a senhora ou o senhor, apertam no frasco de cada molho que está pendurado, e apertam-no como se estivessem a ordenhar uma vaca, e ejaculam para cima da sande montes de molho em círculos e mais círculos. E depois repetem no segundo molho e no terceiro, e fica para ali uma bela bodeguice. 

Talvez porque estas pessoas nunca que tiveram a oportunidade de parar para pensar sobre qual será o seu molho preferido. Então, na dúvida, pedem todos. Afinal, estão a pagar, e assim sentem-se reconfortados, estão a pedir o máximo de comida possível, o máximo de ingredientes, e o máximo de bodeguice. 

Por mim escolheram o Ketchup. E eu aprendi a gostar de Ketchup no prego. Talvez fosse agora preciso nascer de novo, para conseguir decidir o que eu gosto verdadeiramente. Ou então talvez de uma nova namorada, para me dar a provar outro molho, para eu provar outro sabor, e ver como afinal este novo melhor é melhor que Ketchup.

No filme Runnaway Bride, que saiu no mesmo ano que comecei a namorar com a pessoa que me fez gostar de Ketchup no prego,  também podemos ver a protagonista, a sorridente Júlia Roberts, que em determinado momento do filme é confrontada pela personagem de Richard Gere, que nem sequer nunca soube como gosta dos ovos. Ela gosta dos ovos conforme for a forma que o namorado com quem estiver no momento gostar. 



E, durante muitos anos pedi, a acompanhar, por norma, uma torrada ou uma tosta mista, um néctar de pêssego. E também agora vejo que era como ela gostava. Era o que ela bebia. E será, ocorre-me agora, que também ela ainda hoje, sem se aperceber, faz determinadas escolhas porque fui eu que lhas plantei sub-repticiamente? E que escolhas serão essas? Ou será que, por ter passado a dividir a sua vida com outra pessoa, já não restará qualquer resquício da minha influência? Se é importante para mim saber? Claro que não é importante! São só meras curiosidades retóricas. 

Mas nós estamos sempre a ser influenciados nas mais pequenas coisas, mesmo sem nos apercebermos. E há coisas que nos ficarão para sempre. Sim, eu sei, "sempre" é muito tempo. Professora de química do oitavo ano: "As tampas colocam-se sempre viradas para cima". E não sei porquê mas esta frase ficou.me sempre na cabeça, e sempre que abro uma rolha de uma garrafa e a coloco em cima de uma mesa, a verdade é que a viro sempre para cima. Sim, muito provavelmente  os professores, depois dos pais, talvez sejam das pessoas que mais nos influenciam ao longo da vida. 

E sempre que vou dar saída de um Hotel, ouço a frase dela: "Vê se não deixamos nada caído". E sempre que vou dar saída num Hotel, reviro os lençóis, espreito debaixo da cama, vou duas vezes à casa-de-banho e olho por todo o lado, para ver se não deixo nada caído em nenhum lado. 

E muitos anos depois, provei um néctar de Manga Laranja. "Mas isto é muito bom", disse-lhe. Mas e eu, afinal, de qual é que gosto mais? De Pêssego ou Manga Laranja? 

Nos Meus Sonhos Beijo a Tua Cona...




In my dreams I kiss your cunt, 
your sweet wet cunt. 
In my thoughts I make love to you all day long.








Atonement / Joe Wright / 2007

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Correios Privados de Portugal: Um Serviço de Merda (3)

Após ter enviado uma encomenda no dia 11 de outubro em correio normal e, duas semanas depois o destinatário me ter dito que não a recebeu, tive a simpatia de enviar nova encomenda, de borla (pagando apenas novos portes de envio) mas desta vez na modalidade de correio registado, para saber ao certo por onde andava a encomenda. 

Isto foi na segunda-feira dia 23. Hoje, dia 26, TRÊS DIAS ÚTEIS DEPOIS!!!, escreve-me o destinatário a dizer que, apesar da encomenda ter sido registada, e que dever ser entregue OBRIGATORIAMENTE no dia seguinte, ainda não tinha recebido nada. 


Com o código do registo, fui agora mesmo ao site e confirmei, como podem ver acima, o que o destinatário me disse. Mas ainda não foi entregue porquê? Como é que é possível?

O meu sentido obrigado a Passos Coelho e Paulo Portas por terem privatizado os Correios de Portugal, transformando o nosso país no primeiro país da Europa com correios nacionais privados, ainda por cima, provavelmente o serviço público que melhor funcionava, e que, como se pode ver,  agora transformou-se numa merda que simplesmente não funciona. Parece que em vez de distribuírem a correspondência, estão agora mais empenhados em abrir bancos... que provavelmente depois irão à falência e teremos de pagar, mais uma vez, do nosso bolso. Sem dúvida que ao privatizar ficamos muito melhor servidos. Deveriam era ter privatizado também as putas que vos pariram a todos.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O Inquietante País-Correio-da-Manhã

"Essa capa é vergonhosa. 

É inquietante o país-correio-da-manhã. A Sábado é agora uma porta travessa do Correio da Manhã. É inquietante o país Correio da Manhã.

A imprensa é uma coisa importantíssima e que tem de ser defendida, e é com capas como esta que ela acaba por ser muito criticada e até destruída. Portanto, não é aceitável. É preciso respeito pela tragédia humana. Transgride tudo que é bom senso, da ética, e de qualidade de carácter, como aconteceu com a revista Sábado. 

É tão fácil manipular declarações. 


Antes do 25 deAbril fui perseguido e não podia fazer nada, mas agora acontecem-me coisas esquisitíssimas. Uma delas, por exemplo, foi fazer um programa sobre as barragens. (...) Já se sabia isso, as barragens foram uma asneira. Fiz quatro programas. Passou o primeiro. O jornalista desgraçado que trabalhou comigo, que fez o programa foi despedido.
Onde?
TVI.

Um Certo Olhar / Com Eugénio Sequeira, Luísa Schmidt, Gabriela Canavilhas, António Araújo e Luís Caetano /Antena 2 / 20 Outubro 2017

A Francesa que tem Orgulho na sua Floresta e Não Gosta de Viver em Paris

A Morgane é alta. Bom, pelo menos é mais alta que eu, e em Portugal acho que é considerada uma mulher alta. Trazia um gorro na cabeça que lhe escondia os cabelos castanhos claros, volumosos, e vestia um casaco castanho por cima de uma camisa branca, e umas calças com cintura subida, também castanhas, que lhe ficavam justinhas nas nádegas. Gostei particularmente dos sapatos, Doc Martens vermelho-escuro, com aquele picotado caraterístico à volta, a fazer lembrar os modelos de algumas décadas atrás. 

Enquanto eu guiava pelas ruas do Porto, elas iam conversando em inglês porque ela percebe-nos mas não fala português. Ouvi-a falar com orgulho da região onde vive e da sua floresta. E até pegou no telemóvel e mostrou uma fotografia da paisagem da sua terra. Eu só vi de relance, porque tinha era de estar atento ao trânsito, apesar de ser hora de jantar e as ruas do Porto, apesar do pouco estacionamento, estavam bastante desertas, talvez por aquela hora o FCP estar a jogar no Dragão.
Etrigny
Depois ouvi-a falar de Paris, cidade para onde foi estudar e que detesta. Claro que é muito bom para passear e fazer turismo, e tem magníficos museus e sítios para visitar disse, mas onde ela não gostou de viver. Onde é tudo impessoal e ninguém se preocupa com ninguém. Onde uma mulher pode estar grávida, com uma enorme barriga e ninguém se preocupar em dar-lhe o lugar. Onde já ninguém diz "Bom dia" ao motorista do autocarro e como às vezes se sente quase uma extra-terrestre, quando ficam todos a olhar para ela, só porque quebra essa indiferença e trata as pessoas com educação, tal como deveriam ser sempre tratadas. "It's a human being" disse. É um ser humano que está ali.


Love is a Losing Game



Uma exposição de Maria Imaginário e Mariana, a miserável 
Inaugura no dia 9 de Novembro às 18 horas no espaço Art Room - Príncipe Real. Desde que se conheceram, descobriram que fazem parte da mesma equipa... A equipa dos incuráveis românticos, dos lesionados das emoções e magoados no coração. A equipa que perde.

domingo, 22 de outubro de 2017

Em Portugal Há Mais Hipocrisia que Eucaliptos



"Para acabar fica aqui o meu beijinho lambuzado para os canais televisivos informativos do querido Portugal. Agora estão cheios de imagens e entrevistas sobre o incêndio e muito pesar pelo abandono a que as pessoas foram sujeitas, mas na noite do drama estavam a dar programas de bola na TV, e às 3 foram todos para a cama e estavam-se para as tintas para o drama. Coisas docinhas não é?

Em Portugal há mais hipocrisia do que eucaliptos. É pena não arder a primeira."

Bruno Nogueira / Mata Bicho / 20 de Outubro de 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

Perseguição à Lua Minguante ao Som da Weeping Song


E já se passou um ano que fomos a Espanha. Que regressamos já ao anoitecer, e que paramos num pequeno parque junto da estrada nacional espanhola para comer. E que quando entramos em Portugal, pelo Lindoso, quiseste ficar a ouvir a "Weeping song" do Nick Cave, repetidamente, enquanto te entretinhas a olhar para a lua e a filmá-la conforme ia aparecendo por trás das montanhas. Para pouco depois adormeceres como um bebé, reclinada no banco até casa. 

Não ter a Puta da Vergonha na Cara

Estávamos em 2013 e o governo de Passos Coelho e Paulo Portas, pela mão da então Ministra dos Eucaliptos, Assunção Cristas, aprovou o Decreto-Lei nº 96/2013, que ficou conhecido como "Lei do Eucalipto Livre". Esta lei veio permitir que se pudesse plantar eucaliptos livremente, favorecendo, mais uma vez, os interesses da indústria da pasta de papel e dos proprietários. Por outro lado, e por incrível que pareça, este novo regime passa também a penalizar a plantação de espécies autóctones! Não é fantástico? De uma assentada beneficia-se a indústria e os grandes grupos económicos, e por outro lado, dificulta-se a defesa da floresta nacional!

Só que entretanto a ministra deixou de ser ministra e passou a ser líder do seu partido, o CDS. E foi aí que apareceu uma rã. Uma rã que queria ser boi...


"Em declarações à Antena1, o presidente da Liga para a Proteção da Natureza e especialista nesta área, Eugénio Sequeira, mostra-se contra a hipótese de se regar eucaliptos com equipamentos de regadio público mesmo que sejam antigos. “Quem é que paga a água? A água é precisa para outras culturas. O pior é que vai ficar tudo com eucalipto e nós não comemos papel. E não temos água para isto tudo. E vão aumentar os fogos, porque o regadio, em vez de ter culturas que não ardem, vai ter eucalipto, que arde”, avisa Eugénio Sequeira." (clicar para ouvir)

E se passamos anos e anos a ouvir esta gente do CDS (bem como do PSD) a falar que precisamos de menos Estado, que menos Estado (que somos todos nós) é melhor Estado. Tal como passamos anos a ouvir até dizer que o papel social do Estado deveria ser feito pelas IPSS! Claro, meter ainda mais dinheiro no cu de privados, de gente rica que se disfarçada de caridosa. 
Mas, subitamente, o fumo dos incêndios começou a toldar convenientemente os ideias a esta gente de extrema-direita. Não é que, começamos agora a ouvir a senhora Cristas vir dizer que o SIRESP tem de ser gerido pelo... quem é mesmo Cristas? O Estado, aquele que tu querias Menos! Quer até que os bombeiros sejam funcionários públicos (que são do Estado!) Mas muito pior ainda! Quer ainda que os meios aéreos de combate aos incêndios deixem de ser entregues a privados! E passem para as mãos de quem? Do Estado! 

Mas então em ficamos Cristas? Queres menos Estado ou ainda Mais Estado como andas agora a apregoar aos sete ventos? Mas afinal agora és mais comunista que o Jerónimo e a Catarina Martins? Que puta de ideologia é essa Cristas? És de extrema-direita no governo mas comunista convicta na oposição? Estás quê? A seguir a ideologia do monárquico Paulinho das Feiras, que na oposição passava a vida a falar na lavoura? Tu estás a seguir o quê? A ideologia do que mais convém à opinião pública no momento? Eu sei, tu és uma rã que quer ser boi. 

Mas sabes, eu acho mesmo é que preciso não ter nenhuma puta de vergonha na cara. Teres sido tu, a pessoa que, na letra da lei liberalizou as plantações de eucalipto em Portugal, e que venhas agora, de forma sorrateira, nojenta e oportunista, pedir a demissão do governo que travou o mal que tu fizeste. Só porque infelizmente morreram muitas pessoas nos incêndios e como se tu mesma, não fosses a pessoa que neste país mais tem as mãos sujas de cinza. 

É mesmo não ter a puta da vergonha na cara.

Não Há Nenhuma Cidade Assim



"Não há nenhuma cidade, assim, que subitamente se não torne secreta"
(Eugénio de Andrade)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O Bode Expiatório

"Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós"


"... E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para expiação do pecado e um carneiro para holocausto. Depois Arão oferecerá o novilho da expiação, que será para ele; e fará expiação por si e pela sua casa. Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da congregação. E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo Senhor, e a outra pelo bode emissário. Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá para expiação do pecado.
Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário. E Arão fará chegar o novilho da expiação, que será por ele, e fará expiação por si e pela sua casa; e degolará o novilho da sua expiação. (Levítico 16)

Via Google Images
Nos dias de hoje, bem longe dos tempos hebraicos que a citação acima do Levítico descreve na bíblia, aplica-se a expressão de "Bode Expiatório" para apontar o escolhido, arbitrariamente, que mais convém no momento, para arcar, sozinho, com a responsabilidade de uma calamidade, de um crime, ou qualquer evento negativo, embora não tenha sido ele a cometê-lo. O bode expiatório é muito empregue na propaganda política. Alguém tem de ser degolado, sacrificado, para todos os outros passem incólumes, por entre os pingos da chuva, e para que todos nós sejamos salvos. Ámen.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Conversas Improváveis (14)


Via Pinterest

No trabalho, uma colega:

"Há gente que parece que nasce com o cu virado para a Lua. Eu gostava era de ter a Lua dentro do cu."


Certezas & Gavetas

"Olhe, em áreas como a igualdade, os direitos das minorias, etc. O movimento que muitos de nós pensaram e desejaram que seriam um movimento sem passos atrás, tenho dúvidas... É evidente que, com alguma frequência, disfarçado pelo politicamente correto, mas (...) olhe, por exemplo, em relação às homossexualidades, se a Inês pensa que eu só oiço reticências ou pontos de exclamação escandalizados das gerações mais velhas, está completamente enganada. Eu oiço de gente muito mais nova as velhas frases "tudo bem, mas então façam essas coisas em casa deles... não à vista de todos". Eu ainda oiço gente, e isto é doloroso para alguém com o trajeto que eu tenho. Eu ainda oiço gente de dezoito, dezanove, vinte anos, empregar palavras como "que nojo" ou "que vergonha" em relação a outras pessoas. 


Via Pinterest

Olhe, quer ver outro exemplo clássico? É assim. "Não tenho nada contra os gays, etc, mas, que necessidade é que eles têm de fazer uma parada e isto e aquilo...?" Uma pessoa não tem obrigação nenhuma de gostar de paradas, aliás de gays, ou sem serem gays. Por exemplo (fora da questão da orientação sexual) eu, por exemplo, por vezes sentia-me envergonhado com o que observava nas paradas das queimas das fitas, porque de repente, havia uma parcela da população, que podia passear-se pela cidade, bêbaba como um cacho (ou pelo menos a maior parte) porque era estudante universitário e porque se estava naquela semana. E espetáculo não era edificante. Mas o que  é curioso, é que as pessoas dividem isso, espontaneamente, pela orientação. Como se aquilo, aquele tipo de espetáculo, só pode ser feito pelos gays. Os heterossexuais são incapazes e fazer aquilo. O que não é verdade. E depois esta questão de homogeneizar toda uma população é outro erro. Eu conheço gays que não apreciam nada as paradas de orgulho gay, e que alguns até dizem assim: "eu compreendo a intenção", outros até dizem "eu compreendo que em determinada altura isto foi a única forma de nós, verdadeiramente, metermos a realidade pelos olhos dentro das pessoas, mas hoje em dia acho que esse ponto está ultrapassado e portanto não seria necessário .É uma opinião legítima, portanto, logo aqui você vê como a vida é complicada, que é, passa uma parada gay, e você tem a assistir heterossexuais em alguns dos quais estão divertidíssimos, heterossexuais que estão escandalizados, e tem gays que stão a olhar para aquilo e, eventualmente, a pensar a célebre frase do Herman José "não havia necessidade". E é esta diversidade absoluta que existe, que as pessoas negam porque nós temos uma nostalgia espantosa, de ter certezas e de ter gavetas.