sábado, 31 de dezembro de 2016

A recusa em aceitar uma vida de infelicidade


Acho que compreendo o que sentes por este livro. Dantes também me custava a engoli-lo. Quando o li no liceu, achei a Madame Bovary uma parva. Casou com o homem errado, faz parvoice atrás de parvoíce...Mas quando o li desta vez, apaixonei-me por ela. Ela está encurralada, mas tem uma alternativa. Pode aceitar a vida de infelicidade, ou pode lutar contra ela. E ela escolheu lutar.



E que luta..! Meter-se na cama com qualquer um que lhe diga olá!
No fim acaba por falhar, mas há algo de belo e heróico na rebelião dela. Os meus professores matavam-me se me ouvissem dizer isto, mas... À sua maneira estranha, a Emma Bovary era uma feminista.
Que bonito!Então enganar o marido faz de ti uma feminista?
Não... Não é o enganar. É a fome. A fome duma alternativa, e a recusa em aceitar uma vida de infelicidade.


Litle Children / Todd Field / 2006

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Ingratidão

"Se recolheres um cão que ande meio morto,
 podes engordá-lo e não te morderá.
 Essa é a diferença mais notável que existe
 entre um cão e um homem"
MARK TWAIN

Às vezes pergunto-me: para quê fazer o bem e ajudar os outros, se invariavelmente acabamos por receber mal? Vale mesmo a pena ser bom, se na maioria dos casos as pessoas só nos querem usar? Então, se calhar, mais valeria nunca fazer bem nenhum. Às vezes penso mesmo que os maus são os mais queridos, esses é que têm mesmo sorte. 

Durante anos as pessoas não nos ligam. Não precisam de nós para nada. Não temos utilidade. Mas de repente, quando estão sozinhas, afundadas na merda, já vêm de fininho, chorar misérias e pedir-nos ajuda... 

Ainda por estes dias pensava no caso dos vizinhos dos meus pais. Não lhes falavam. E nunca ninguém lhes fez mal. Mas entretanto a vizinhança soube para onde fui trabalhar, e de repente todos começaram a falar e já pareciam os melhores amigos. Porquê? Lá está, porque eu lhes podia ser muito útil. Muitos anos depois a empresa fechou e eu fiquei desempregado. E não é que aos poucos acabaram por nos deixar de falar de novo?

Mas com este tipo de gente, que nem o Diabo os quer no Inferno, quanto mais distância melhor. No fundo eu estou-me literalmente a cagar para eles. Que eles precisem tanto de mim como eu deles. Mas é um bocadinho diferente quando se trata da própria família.

Por estes dias retive o que o meu colega de trabalho disse sobre as famílias:
- Famílias? Distância! Quer da minha, quer da minha mulher. Quanto mais distância melhor.


Eu não sou assim tão inflexível. Depende. Há famílias e famílias. É como em tudo. Há umas muito boas mesmo; outras há que se podia fazer uma rifa delas, pois é na família que temos os piores inimigos. E as pessoas parecem mesmo muito unidas, mas muitas vezes mal surge uma herança, e de repente já cada um por si a tentar tirar o máximo proveito e a fazer dos outros parvos. 

Infelizmente, acho que se pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita, de igual modo posso concluir que pau que nasce direito dificilmente fica torto. Uma coisa é aprender com os erros, outra é mudarmos caraterísticas inatas.

E por norma as pessoas julgam os outros por aquilo que elas próprias são. Daí que, por exemplo, é normal que os ingénuos raramente desconfiem dos outros, uma vez que, como nunca fariam determinada maldade, não acreditam que haja alguém que as faça. 
De igual forma, quem não sabe o que é fazer o fazer o bem, sem nunca esperar nada em troca, fica sempre de pé atrás, e está sempre à espera que lhe façam aquilo que eles próprios fariam nessa situação. 

Mas eu não me tenho por ingénuo, bem pelo contrário. Até acho que ás vezes sou bastante clarividente. Sim, às vezes confio demais. Mas eu não sou Cristo. Se me dão uma bofetada eu só não respondo se não puder.

domingo, 25 de dezembro de 2016

O Amigo Oculto e a Seita do Ping Pong

Mais um ano, mais um jantar de empresa, ou jantar de Natal da empresa, ou "daquilo que vocês quiserem", como escreveu por e-mail a colega que tratou do evento, sabendo que à partida há colegas mais resistentes à coisa. E não é o meu caso! 

Não pense quem por aqui passar, que eu estou sempre do contra. Não é verdade, e a prová-lo, a verdade é que alinho sempre na troquinha de presentes e até incentivo. E é a única prenda que compro! porque o Natal a mim não me diz absolutamente nada, mas acho que este tipo de eventos estimulam a socialização entre as pessoas e criam boa disposição. Acho positivo apesar de achar que era muito melhor fazer estes jantares em Julho, com o calor e os dias grandes, numa esplanada e não em Dezembro com a noite a cair às cinco da tarde e com frio e ainda a ter de levantar o cu cedo da cama e ter de trabalhar no dia seguinte. 

Terceiro jantar - e parece que ainda foi ontem que escrevi aqui no blogue sobre o que é ser desempregado em Portugal - e por incrível que pareça fiquei de novo ao lado da mesma colega de trabalho. Não, não sou eu que me colo a ela. E não poderia ser, porque este ano fui o primeiro a chegar ao restaurante! E só depois é que todas as outras pessoas foram chegando e cada um sentou-se ao lado de quem quis. Claro que eu acho piada a estes eventos de rara probabilidade... A mesma colega junto a mim nos três anos seguidos, bem com a outra, a que me perguntou no ano passado: "sabias que aqui a Ana cantou numa banda conhecida"?

Também pensei nisso. Neste ano que agora está a terminar saíram três colegas. A colega da banda que eu tinha visto várias vezes a atuar ao vivo e que só viria a conhecer quando vim para esta empresa, e o colega, de 52 anos, com quem eu mais gostava de conversar, porque éramos muito coincidentes nas opiniões. Fiquei com pena, mas a vida é mesmo assim, um constante cruzar com pessoas que partem e chegam. E chegaram também três novas pessoas, uma delas, que trabalha diretamente comigo, mas com quem de vez em quando estou sempre a discutir, porque eu e ela temos vários assuntos dos quais não podemos mesmo falar: religião (criacionismo x evolução), política e Cristiano Ronaldo... tirando isso acho que até nos damos muito bem, e não estou a ironizar. Ela até me trata por "melhor amiga"! e diz-se, que é comigo com pode falar de pontas espigadas! Acho que ela é boa menina. Acho que tenho sempre boa impressão das pessoas que coram. 

O jantar correu bem. E quem sou eu para criticar a comida. Acho que por vezes as pessoas prendem-se com coisas muito pequeninas. Comi bem e não passei fome e o jantar não era para matar a fome a ninguém, era para socializarmos um pouco. Mas para memória futura, dizer que comi lasanha (o restaurante era italiano) e ainda comi duas fatias de pizza, uma de cada um dos colegas que estava ao meu lado. 

O meu amigo oculto esmerou-se, e eu acho que até gastou mais dinheiro do que deveria. Sem certezas, mas eu tenho as minhas suspeitas de quem foi... Eu recebi um conjunto com umas raquetes, uma rede e bolas de ping pong!! E ainda acrescentou um livro sobre o Jorge Jesus! Mas as raquetes foi porque eu comecei a sondar o pessoal se haveria possibilidade de comprarmos uma mesa de ping pong para jogar na empresa. E o que me pareceu é que toda a gente sempre pensou que eu estivesse a perder o meu tempo. 



No dia a seguir ao jantar, e um dia antes da auditoria, já estava eu com um dos patrões a trocar bolas com as novas raquetes! Era uma espécie de jogar raquetes de praia mas com material de ping pong! E pouco depois aparece o nosso CEO... e diz "isso é que é dar utilidade à prenda"! E se ao jantar já tinha deixado uma sementinha, dizendo que a empresa do lado - estão a ver uma daquelas melhores empresas do país para se trabalhar? Daquelas que têm mesa de ping pong, matraquilhos e sei lá mais ou quê? - e que o interessante seria se nós mesmos tivéssemos uma mesa para jogar. 

"Comprem a mesa que eu também participo! e até falo ali com a empresa ao lado e falo com eles para fazermos um torneio inter-empresas!"

E no dia a seguir já não jogávamos raquetes de praia com as raquetes de ping pong, porque eu peguei numas paletes, e num grande tampo de madeira que veio com uns equipamentos e improvisei uma mesa. Mas o mais estranho foi rapidamente ter descoberto que na empresa muita gente já jogou, e bem, ping pong! Até temos dois ex-federados! Mas o pior é que na empresa ao lado parece que até há gente a representar a seleção portuguesa de ténis-de-mesa! Foda-se!

De repente isto faz-me lembrar os tempos em que andava na escola e saíamos a correr das aulas para chegar primeiro à mesa de ping pong! Se até aqui, na meia hora livre do almoço cada um ocupava esse tempo como bem entendesse: dormir no carro, ir ao hipermercado, dar uma pequena caminhada, ler, etc, agora o nosso grupo vai para a mesa e fica a entreter-se um pouco, ainda na mesa improvisada com as paletes!

Eu ando a tratar de ver se compro uma mesa pelo preço certo. Alguém conhece alguém que tenha uma para vender? O dinheiro depois será dividido por entre os interessados em jogar. E depois logo se verá se o vício passará rápido ou será sempre motivo de convívio. 

Uma coisa é certa: o não é sempre garantido. E isto que aconteceu é como as relações ou como o sexo. Se não perguntarmos nunca saberemos se as pessoas alinham ou não!

Sim, também é verdade. Eu trabalho numa empresa surreal!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ainda há Relações que Duram

Por estes dias via o filme "Woodsman" com Kevin Bacon e uma outra atriz, Kyra sedgwick, que até achei alguma piada. A senhora trabalhava numa serração, usava um lenço na cabeça a prender o cabelo, manobrava um empilhador com grande destreza e tinha um carro todo-o-terreno. Certamente que não era a senhora tipicamente feminina, com maquilhagem e saltos altos. Mas eu achei-lhe muita piada e fui investigar. 

O nome Kyra Sedgwick não me dizia absolutamente nada apesar da cara não me ser estranha... mas há tanta mulher loira na indústria cinematográfica, sei lá, podia estar a confundir com outra parecida ou então até já me ter cruzado com ela antes num outro filme qualquer.

Via Pinterest
Mas o que me chamou logo à atenção, foi saber que ela é casada com o próprio Kevin Bacon. E mais interessante ainda, foi saber que eles estão casados há mais de 28 anos!

Um casal de Hollywood, bonito, que se deve cruzar com inúmeras outras pessoas, um caminho fácil de perdição, e que se mantêm juntos, firmes há vinte e oito anos...

Mas a história vai de encontro a um teoria em que eu acredito cada vez mais: há pessoas que circulam sempre muito perto de nós, e que terão de obrigatoriamente se cruzar connosco. Comigo isso tem acontecido muitas vezes. 

E também aconteceu com eles. Nos anos setenta, ele tinha 19 anos, e estava a fazer uma peça de teatro, e na plateia estava uma menina de 12 anos que gostou logo muito dele. Claro que, por causa da diferença de idades - naquelas idades - nada se passou, mas viriam de novo a encontrar-se, uns anos mais tarde e casaram em 1988.

Estão juntos há mais de trinta anos, pois como é lógico não se apaixonaram num dia e casaram no dia seguinte. Há gente que, contra todas as expectativas, está junta há imenso tempo, e depois todos nós ouvimos falar nos quatro meses da paixão, na crise dos sete anos... E eles têm dois filhos estão juntos há mais de 30 anos!! 



Acho que são este tipo de casais que ainda alimentarão a esperança daqueles que ainda acreditam no amor ou que a sua relação possa fazer parte daqueles clube muito restrito que fica junto para sempre. Mas a realidade é muito dura... Em Portugal, a cada ano que passa, somos campeões europeus do divórcio e em cada 100 casamentos há 70 divórcios... 

Mas então qual é o segredo? Num vídeo que encontrei por mero acaso, a atriz e produtora fala em sorte de encontrar a pessoa certa, mas menciona também a questão das prioridades.

"Há tantas outras partes das nossas vidas, mas é importante quando temos as mesmas prioridades e sabemos que a nossa relação está sempre em primeiro lugar". (aplauso)

domingo, 18 de dezembro de 2016

Qual foi a pior coisa que já fizeste?

"A beleza não habitual é habitualmente ignorada".
WALTER

Há qualquer coisa estranha aqui. Um gaijo simpático, trabalhador, vindo sabe-se lá de onde e que apanha autocarros.
- Quem é que ainda apanha autocarros?
Pessoas que não têm carros. 
É esquisito. 
É menos que gaijas giras e sabidas a trabalhar em serrações. 
- Que mal tem isso?
Poucas trabalhariam. 
Sou diferente da maioria
Nunca me tinhas falado.
Pensei que eras fufa. 
(sorrisos)
És?
Que é que tu achas?

Costumava achar-te tímido mas há mais qualquer coisa. 
O quê?
Aconteceu-te alguma coisa. 
Não me choco facilmente. 
Vais-me contar o teu segredo tenebroso?



Qual foi a pior coisa que já fizeste?
Fodi com o marido da minha melhor amiga. Melhor amiga desde a 2a classe entenda-se. 
Fizemo-lo dias a fio e depois o merdas disse-lhe. 
Destruí o casamento deles, a amizade dela por mim...
Ainda me sinto uma merda quando penso nisso.

Então, que fizeste?
Molestava miudinhas. 
(risos)
Doze anos de cadeia não tem graça nenhuma. 


The Woodsman / Nicole Kassel / 2004
(candidato a uma das piores traduções de sempre para português)

Já ninguém escreve cartas...



...A tua linda caneta
Tira-lhe a tampa
Dá-me um sinal que eu vou a correr...



The Letter / Uh Huh Her / PJ Harvey /2004


sábado, 17 de dezembro de 2016

As melhores escolas

Hoje ouvi falar qualquer coisa sobre das hierarquias das escolas. Sim, é mesmo muito estúpido senhores jornalistas, que para dar uma notícia sobre Educação usem um anglicismo (ranking?) quando podiam perfeitamente ter usado o português, mas eu percebo, é usando cada vez mais a língua estrangeira que defendemos a língua portuguesa, e depois fazemos de conta que somos todos patriotas contra o acordo ortográfico marchar-marchar. Eu percebo. 

Mas vamos então ao que interessa, às tais melhores escolas. Ouvi qualquer sobre as escolas privadas serem mesmo boas escolas, estão todas nos primeiros lugares... blá blá blá..



Mas eu tenho para mim, que as melhores escolas ou melhores universidades ou outras instituições de ensino, aquelas que são mesmo boas, são aquelas onde os alunos nem sequer precisam de lá pôr os pés, e num passe de mágica são imediatamente Doutores como o Relvas! Essas sim, é que são as melhores escolas.

Partidos de Direita querem Zero Euros de Salário Mínimo em Portugal


Os partidos de direita não gostam mesmo nada que exista um salário mínimo. Devemos deixar o mercado funcionar passam eles a vida a dizer! E foi uma tremenda chatice o fim da ditadura de Salazar, porque os trabalhadores - essa classe desprezível de pobres, pois se Deus-nosso-senhor os criou pobres, então pobres devem continuar - e esses grandes malandros da classe operária, deixaram de ser obrigados a trabalhar de sol-a-sol, por uma códea de broa e gole de água, e pasme-se! os senhores ricos (toda a riqueza vem de um roubo) tiveram de passar a pagar pelo trabalho dos escravos! Pior, os trabalhadores passaram a ter alguns direitos! Foi o fim do mundo, uma pouca vergonha! 

E o Salário Mínimo foi criado, precisamente, para garantir que, aos olhos da lei nenhum patrão poderia pagar menos do que esse valor a alguém. Poderia pagar quanto quisesse, mas nunca menos que esse valor. E nos dias de hoje, paga-se essa fortuna que são 530 Euros por 160 horas de trabalho mensais! 

Mas não se pense que isto funciona assim em todo o mundo! Felizmente que há países que não têm um salário mínimo, porque qualquer patrão teria vergonha de pagar tão pouco! E que países são esses? São países comunistas pois está claro! Países muito conhecidos por terem regimes de extrema-esquerda, como a Finlândia, Dinamarca ou Noruega, ou a própria Suiça, esse barão comunista dos bancos! que até recentemente rejeitou por referendo ter um salário mínimo de 3 Mil Euros! 

Mas agora façam esse exercício mental e imaginem qual seria o valor mínimo que a maioria dos patrões portugueses estariam dispostos a pagar se não fossem obrigados a pagar esses 500 e poucos euros? Precisamente! O valor mais baixo possível a troco do maior número de horas de trabalho possível! 

Via Expresso

Desde 1974, todos os anos o salário mínimo aumentou. O salário mínimo começou por ser 3300 escudos (16,5€) e é hoje de 530€. Mas a ditadura regressou de novo a Portugal em 2011 com a bandeira do FMI, pois desde que os fascistas tomaram de assalto o poder, com um punhado de mentiras deslavadas, afirmando que já chegava de austeridade, não mais o salário mínimo haveria de aumentar, até terem caído da cadeira em 2015 - maldita democracia! - com a união dos partidos da oposição. 

Ironicamente, a verdade é que foi na legislatura de José Sócrates, a tal que a direita de Portas e Passos tanto acusaram que chegava de austeridade, que Portugal mais aumentos teve do salário mínimo. Curioso não é?


Mas o mais curioso ainda, é que, se os 3300$00 ou os três contos e trezentos tivessem sido aumentados em função da inflação, já em 2015 o salário mínimo nacional deveria ser de 670 Euros! Significa isto que, hoje ganhamos bem menos do que qualquer português ganhava em 1974!!! Bem-vindo ao admirável mundo novo onde mais é menos!

E ontem no parlamento discutiu-se de novo o salário mínimo e ouvimos coisas surpreendentes como:

"Deve ser a concertação social, as confederações patronais e sindicais, a determinar o montante do SMN e não o governo, porque "isso não é diálogo: é imposição". (PSD)

Mas o meu salário não é uma imposição do meu patrão? Sim, eu acho que valho bem mais do que ganho! Mas esse argumento da direita é extraordinário, pois curiosamente, durante os anos em que estiveram no poder, os parceiros da concertação social queriam discutir o aumento do salário mínimo, mas o governo varreu o salário mínimo para debaixo do tapete! Nem pensar em aumentar o salário mínimo! O que era preciso era pôr os pobres a pagar as falências dos bancos, e era preciso roubar salários, não aumentá-los! Onde é que isso já se viu?!

Outros dos argumentos da direita (CDS) é que o salário mínimo deveria aumentar em função da produtividade! Mas porque será que eles falam nisso? Vejamos então:

Em 1974 começamos com essa fartura de salário mínimo que eram 3 contos e trezentos ou 16,5€. Em 2015, esse valor equivalia a 670€ em 2015 apesar de recebermos bem menos. Mas então a quanto corresponderia se fosse atualizado em função da produtividade? Seriam 355€, menos 170€ que o atual salário mínimo!! Perceberam a ideia?!  Então abram os olhos! A produtividade ou a falta dela, nada tem a ver com os trabalhadores, tem na maioria das vezes a ver com a falta de saber gerir as empresas por parte dos patrões, senão, como explicar então, que os mesmos portugueses sejam apontados como modelos e exemplos de empregados em países como Luxemburgo (onde são metade da população!) França, Inglaterra, Alemanha, ou para onde quer que emigrem? Então por que é que os portugueses só não são produtivos em Portugal? Não será porque as empresas em Portugal são geridas por portugueses? Se calhar...!

No fundo, a conclusão é óbvia: para os partidos de direita, o salário mínimo deveria de ser Zero Euros. Tudo que chega acima disso é menos dinheiro nos bolsos deles e dos amigos deles. E no entender deles, Portugal tem de continuar a ser dos países do mundo, onde há mais desigualdade entre pobres e ricos, entre patrões e essa escumalha de pobres que acha que deve ter direitos na vida.

Ah mas ó Konigvs, fizeste um título completamente sensacionalista. Isso não é correto...
- Sim, é verdade. Estou a aprender com a imprensa portuguesa.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Nas Quenturas da Lareira


A gata está com o nariz todo preto? 
Sim, é de se meter na cinza.

Hoje percebi a ideia.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O que é Ser Milionário?



Ser milionário é ser giro e vestir bem

Ser milionário é urinar no bidé

Ser milionário é arruinar a mãe

E chamar pretos aos nascidos na Guiné

Ter um Mercedes com chofer particular

Ter uma equipa da primeira divisão

Ter duas senhoras, de joelhos, a mamar

Ser milionário é praticar musculação

Ser milionário é ouvir cantar o fado

Ser cavalheiro, oferecer o braço a senhoras

Ter ligações com o crime organizado

Ser milionário é vender metralhadoras

É rebentar a trabalhar... se se quiser

E comprar arte para pendurar no salão




Ser milionário é passar cheques à mulher,

E nunca ir malhar com os ossos à prisão

Ser milionário é gostar de ir à la chasse

É ter poder para se montar em qualquer tipa

Ser milionário é só ter a 4a classe

E até poder dizer que não se participa

Ser milionário é dever um dinheirão

Ir ao Tavares aviar bifes da vazia

Ser milionário é a minha fixação

Dizem que não mas é o que toda a malta queria

E se é verdade que tudo tem que acabar

Para quem tem muito é uma situação fodida

Na qualidade de quem foi grande no roubar

Roubam-se  os órgãos para prolongar a vida


Ser Milionário / Manuel João Vieira ao Vivo com 3 bandas / 2015

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Da Procura do Prazer e da Fuga da Dor

A minha mulher costuma dizer que há dois tipos de pessoas:

As que procuram o prazer...

... e as que fogem da dor.

Cá para mim ninguém consegue escapar à dor. Está lá quando escovamos os dentes à noite, e está lá antes do pequeno-almoço. Aparece cruel e contundente. Ataca-nos sem dó nem piedade. Resta-nos esperar por um dia bom. Porque num bom dia podemos dizer a nós próprios:

"Eu consigo resolver isto. Hoje pode ser diferente. Hoje alguma coisa pode mudar"

Algumas pessoas vivem para a sua dor. É tudo o que têm. Velam por ela com medo que fuja. Pessoas como eu. Eu adorava poder sonhar mas, de uma forma ou de outra, eu estou sempre acordado. 



A minha mulher gosta de dizer que existem dois tipos de pessoas:

As que procuram prazer...

... e as que fogem da dor.

Talvez ela tenha razão, não sei. 

Mas uma coisa eu sei:

O prazer ajuda a esquecer.... mas a dor...

A dor obriga a ter esperança. 

Dizemos a nós mesmos que isto não pode durar. Que hoje pode ser diferente. Talvez hoje alguma coisa mude.  

TENDERNESS / 2009

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Questionário: Qual é a tua Idade Psicológica?

Por mero acaso tropecei aqui neste questionário - coisa um bocado adolescente parece-me - mas resolvi fazê-lo. Não é um questionáriozinho que saberá alguma coisa de mim, mas vá, vamos lá brincar um pouco:



Eu tenho 29 anos
A minha flor espiritual é o Amor Perfeito (claro, eu sou um Amor ora!) 
Sei que existem dois tipos de pessoas neste mundo: os que fazem e os que assistem.
Sei que, enquanto eu quiser, a vida funcionará (sou mesmo bom!) Mesmo quando as coisas não derem certo? (a sério?) pois desde que encare as coisas como uma lição serei sempre um vencedor... (eu ando-me a perder!)
O meu lema é:
Viver a vida tão intensamente, que quando a morte me vier buscar, como um ladrão durante a noite (que romântico!), não haverá mais nada para me roubarem.

Gostei.. é poético e lamechas. E é uma boa frase de engate também:
"Sabes, eu vivo intensamente, mas tão intensamente que quando a morte me vier buscar, qual ladrão a coberto da noite, já nada terá para levar de mim, porque eu vivi tudo que tinha para viver. Olha, vamos foder intensamente?!!" 



Meytal: Como a Internet se tornou o palco da Baterista Sorridente



Eu nasci em Israel e comecei a tocar bateria aos 18 anos. Cresci com uma ideia muito rígida do que é ter uma boa profissão, comparado com aquilo que é um completo desperdício de tempo. O meu pai morreu num acidente de carro quando eu tinha 7 anos e a minha mãe criou-me, sozinha, conjuntamente com os meus 6 irmãos. E como a típica mãe judia, era importante que eu estudasse e tivesse uma boa profissão, e ser baterista não estava nessa lista. Mas apesar de ela achar uma péssima ideia, eu resolvi dar uma oportunidade aos meus sonhos. Então decidi mudar-me para Los Angeles e tentei fazer uma carreira de baterista. Deveria ser fácil não?

Não foi. 

Rapidamente apercebi-me que L.A. estava repleto de bateristas incríveis, que tocaram bateria toda a vida e ninguém iria esperar por mim e um dia dizer "estou aqui para ti"!
Esperei. Esperei que alguma coisa acontecesse, que aparecesse uma grande oportunidade ou que alguém me descobrisse. E é fácil ficarmos presos nesta vitimização. 




Até que um dia, uma amiga apareceu com a ideia de gravarmos um vídeo para enviar ao America Got Talent. E foi o que fizemos. Gravamos um vídeo de Toxicity dos System of a Down. Bom, digamos que o programa cagou em nós, mas o vídeo de imediato tornou-se um tremendo sucesso na internet com milhões de visualizações. Carregamos um segundo vídeo, e de repente estávamos nas vidas de milhões de pessoas. E no fundo eu estava a fazer o que gostava e as pessoas estavam interessadas nisso....

Eu comprometi-me com uma ideia sem saber o que se seguiria. Olhando para trás há uma grande razão para eu estar aqui hoje a falar com vós. Propus-me a um objetivo concretizável a que muitos acharam que era um completo desperdício de tempo. Como resultado, eu comecei a praticar e a melhorar cada vez mais a minha arte e por outro lado a partilhar a minha experiência com o mundo inteiro, naquele que é o maior palco do mundo: a Internet. 

O Einstein uma vez disse que "a genialidade é 1% talento e 99% trabalho árduo". Eu não acho que seja a melhor baterista do mundo. Ao ver os primeiros vídeos que eu gravei... francamente? Fico envergonhada. Mas isto não é acerca de ser perfeita e sem falhas. Tem a ver com autenticidade, persistência e estar bem com as imperfeições e seguir em frente. 

Com esta ideia em mente, comecei a colocar vídeos no Youtube, todas as terças e todas as sextas-feiras construindo a minha própria marca: Meytal. E as pessoas que gostavam dos meus vídeos partilhavam-nos com os amigos nas diversas redes sociais. Quantos mais vídeos tinha, mais as pessoas os partilhavam. Criou-se um efeito bola de neve, e nada me parava de continuar a fazer vídeos a coisa crescia exponencialmente. 

Quando cheguei aos 100 vídeos, tinha uma enorme quantidade de seguidores. E aquilo que eu queria fazer a seguir e a razão pela qual eu me mudei de Israel para os Estados Unidos era ter uma banda. 

Através das redes sociais consegui fundos para lançar o meu próprio álbum de originais. Foi a primeira vez que tentei escrever e compor música original depois de anos e anos a tocar a música dos outros. E, depois de dois anos a escrever, e aquilo que pareceu uma luta interminável, o álbum estava pronto. Mas eu não tinha a certeza que poderia lançá-lo com sucesso. Eu tinha a noção que eu precisava da credibilidade de uma grande editora que chegasse e dissesse: ela é boa. 

Vinda do Youtube, estamos expostos a uma enorme quantidade de críticas, de que eu não era uma verdadeira artista, e quase me fez assinar um péssimo contrato com uma editora discográfica, que ficaria com todos os meus direitos e que me daria quase nada em troca. Mas felizmente no último minuto eu decidi que não me ia vender à proposta que a editora me oferecia e lancei o álbum de forma independente. 

Na primeira semana que o álbum foi lançado vendeu 10 mil cópias e chegou a primeiro lugar da Billboard para melhor novo artista. A minha relação com o público tornou isso possível. A minha relação que começou com um único vídeo, gravado na minha cama, enquanto o vizinho do lado gritava do outro lado da janela para que me calasse. 

A internet democratizou a indústria da música para sempre. Não tens de passar numa audição, não precisas da aprovação de ninguém para seres descoberto. Podes fazê-lo tu mesmo. Começa hoje mesmo!

Conversas Improváveis 7

Ele não me massaja os pés.
Tem nojo.
Mas eu lavo muito bem os pés, sou muito limpinha! Vou mas é arranjar um preto que me massaje os pés para ver se ele depois não mos quer massajar. - Quem não tem em casa procura fora!

- Por que é que se fala logo no preto?
Porque diz-se que eles têm um pénis maior que os brancos, e isso é uma forma de lhes atingir a masculinidade.
Ah... mas eles têm-na maior mas é mais mole...
- E como é que tu sabes isso?

Sabem, o que eu acho é que não adianta nada ter uma limusine muito comprida se depois só consegues meter o capot dentro da garagem! Até acho que deve ser frustrante, ficar ali com mais de metade do carro fora da garagem, ao relento e a estragar a pintura! 

domingo, 4 de dezembro de 2016

Lavar os dentes às Jantes

Como em tudo, existem os arrumados, os mais ou menos limpos, os maníaco-compulsivos com a mania das limpezas, e por aí a fora. No que ao carro diz respeito é igual. Existem aqueles que mais parecem viver para o carro, que o têm mais limpo que a cozinha, e de longe, têm mais produtos de limpeza para o carro, que para lavar e limpar a casa. Existem os mais arrumadinhos, que usam um aspirador para o carros e que mais parece que querem limpar tudo tão bem limpo como se tivessem acabado de cometer um assassinato dentro do carro. Tal como existem aqueles que só o lavam quando chove! Nisto das limpezas, tal como nos assassinos, há perfis para todo o tipo de gostos. 


E hoje armei-me um pouco em maníaco das limpezas, e apercebi-me disso, quando fui buscar pasta dos dentes e uma escova velha que guardei (bem me parecia que um dia ainda me ia ser útil!), e andei a esfregar as jantes como se estivesse a lavar os dentes! Eu sei, há malucos para tudo! mas elas estavam mesmo muito sujas. E que o Cavalo Preto ficou com as jantes lavadinhas lá isso ficou!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Por que será que o amor não chega?


Ainda não me esqueci do que fizeste há dez anos...




Isto vai doer... Estive com a Anna. Estou apaixonado por ela.
Há um ano que nos encontramos. Começou na abertura da exposição dela.
Vou sair.
- Lamento.
Irrelevante.
Lamentas o quê?
Tudo.
-Porque não me contaste antes?
- Cobardia.
É por ela ser bem sucedida?
Não, é por ela não precisar de mim.

Trouxeste-a aqui?
Trouxe.
- Ela não casou?
- Deixou de se encontrar comigo.

Foi quando fomos para o campo? Comemorar o nosso 3º aniversário?
Ligaste-lhe? Imploraste-lhe que voltasse? Quando davas os teus "longos passeios"?
És um monte de merda.

A desilusão é cruel. Não vou fingir que não é.
Como funciona isso? Como é que se faz isto a alguém? Não chega.
- Apaixonei-me por ela.
- Como se não tivesses alternativa..?
Há um momento. Há sempre.
"Ou cedo a isto, ou resisto."
Não sei quando foi o teu momento  mas ele existiu.
Vou sair.

- Não é seguro lá fora
- E é seguro cá dentro?
E as tuas coisas?
- Não preciso de coisas.
- Aonde vais?
Desaparecer.


Posso continuar a ver-te? Dan, posso continuar a ver-te? Responde!
Não posso. Se te continuar a ver, nunca te deixarei.
Que fazes se eu encontrar alguém?
- Fico ciumento.
Ainda gostas de mim?
Claro.
Estás a mentir. Já estive no teu lugar. Podes abraçar-me?

Eu divirto-te, mas aborreço-te! Tu amaste-me mesmo, não?
Amar-te-ei sempre. Detesto magoar-te.
Então, por que o fazes?
Porque sou egoísta.
- Acho que serei mais feliz com ela.
- Não vais ser. Vais sentir a minha falta.
Ninguém te amará tanto como eu.

Por que será que o amor não chega?

Closer  (Perto Demais)/2004

Cristiano Ronaldo: Rico, Maricas e Ladrão


"Ah mas entre Cristiano e Messi ao menos o Cristiano paga os seus impostos" costuma dizer-me o meu colega de trabalho. Mas afinal paga mesmo ou só andava a esconder melhor o roubo? 

Não te chega já seres o atleta mais bem pago de todos os outros atletas do mundo? Não te chegam 22 Milhões de Euros por ano Cristiano? 

Sabes Cristiano, eu estou-me a cagar se achas que és muito rico e bonito, se és homossexual ou não, mas seres ladrão de facto incomoda-me. 

Tu, que vieste do nada, que sabes o que foi não ter luxos em criança, cresceste e ficaste rico como muito poucos, e depois fizeste o que todos os ricos fazem: roubar.

Sabes por que é que há tanta pobreza no mundo Cristiano? Porque há uns, cerca de 1% da população mundial que têm o dinheiro todo, e os outros não têm direito a nada. E esses ricos ficam cada vez mais ricos, à custa de sucessivos roubos, e os pobres ficam cada vez mais pobres, e é por isso que depois há cada vez mais crianças que nada têm, como um dia tu nada tiveste.

Tenho vergonha que sejas português. Como tenho vergonha do Jorge Mendes, o teu agente, aquele que consideras como um pai, mas que me parece que sempre te aconselhou para o mal. Tal como tenho vergonha do Mourinho. Mas tenho mais pena e mais vergonha por ti Cristiano. Tu que podias ter tudo, o mundo a teus pés. A história da criança pobre que chega ao topo do futebol.

Daqui por uns anos hás-de deixar de jogar à bola. Serás lembrado como o puto mimado, vaidoso e arrogante, que nem falar sabia, que disse que todos temos inveja de ti por seres bonito e rico, que disse que era um maricas mas um maricas rico e no dia seguinte estava a pagar a outra modelo para parecer o que não é. 

Ser gay não é crime Cristiano. Em Portugal há vários anos que os gays até podem casar. Mas não pagar milhões em impostos devidos, sim, é crime e deverias ir para a prisão por isso. Tu e o Mourinho, os melhores do mundo. Mas está descansado, pois a "democracia" e a justiça só mete os pobres na cadeia. Os ricos, mesmo os bonitos e maricas, esses safam-se sempre. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Frase do Dia

"Não é com camas frias que se atraem mulheres quentes"
KONIGVS

Via Pinterest

HO HO HO!!!



Alegremo-nos, o Natal aproxima-se
É a época mais maravilhosa do ano
Pega na carteira, e vai estourar dinheiro

Esconder os presentes no armário
E esperar que ninguém os encontre
Enviar postais e escrever mentiras de Natal

Yule!

Toda a gente estoura dinheiro com pessoas que não gosta
Comem demais até rebentar
Tentam adivinhar o que está dentro dentro os presentes
Decoram as casas com luzinhas e sininhos

Exércitos de mortos-vivos sentem-se obrigados a comprar enquanto nós cantamos
Onde quer que formos ouvem-se musiquinhas de Natal
Maratonas intermináveis de "It's a Wonderful life"
Toda a gente a cantarolar
É melhor fugir!

Compra merdas
É Natal e vivemos num país consumista
Black Friday
Atropelar os outros para conseguir comprar o que se quer
Estas promoções vão começar uma guerra

Por que é que não visitas mais a família?
Compra mais
Até todos ficarem pobres
Por que é que não gastas mais?




N.O.E.L. / Psychostick / 2016

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Boa Educação e o Respeitinho no Parlamento

Muito se tem falado sobre a suposta falta de educação da bancada bloquista a propósito da intervenção do Rei de Espanha - nem de propósito Filipe VI! - no parlamento português. Os comunistas do PCP preferirem levantar-se mas não aplaudir, ao passo que os comunistas do BE preferiram ficar sentadinhos nas suas cadeiras e não se manifestar. 

Ora bem, apesar das óbvias simpatias, eu sinto-me à vontade para comentar pois quem me conhece até sabe que não votei em nenhum partido com assento parlamentar. E de facto esta questão da boa educação, ou da falta dela, tem muito que se lhe diga. 

Para mim, má educação é apupar ou insultar alguém quando este expõe as suas ideias como ainda aconteceu esta semana no parlamento. Ficar sentado e não aplaudir não é ser mal educado, é simplesmente ser coerente com o que se acredita. É não ser hipócrita. É assumir não fazer a vénia, não prestar vassalagem a quem não se respeita. Só que a coerência é algo verdadeiramente raro nos dias que correm. Vivemos tempos em que todos fingem ser o que não são de maneira a ficarem sempre bem na fotografia. 

Mas se ficar sentado, quieto e em silêncio, para as gentes de direita é má educação, depreendo então, como podemos ver nos vídeos abaixo, que mandar "pó caralho" (PSD) e chamar "palhaço" (CDS) já é ótima-educação:





De facto a postura e o verniz dos engomadinhos estala muito rapidamente!

Para mim, a monarquia, em pleno século XXI, é uma verdadeira aberração pois estamos a falar de líderes políticos que não foram eleitos pelas pessoas, e perpetuam-se no tempo por ligações de sangue. Mas não deixa de ser interessante observar que Portugal ainda é um país onde os bons costumes se praticam, e onde o respeitinho é muito lindo e ai de quem não cumprir o protocolo! Acho que ainda vivemos num país onde a mulher pode levar pauladas mas deve sempre responder, tal como diz na Bíblia, com miminhos ao marido.

PAFiosos deviam ser obrigados a trabalhar nos feriados

Hoje, dia primeiro de Dezembro de 2016 é feriado. Faz hoje 376 anos desde o dia em que decidimos traçar o nosso próprio destino e separar-nos dos nossos vizinhos espanhóis. Mas nestes 376 anos, durante três anos apenas (2013 a 2015), um governo de fascistas envergonhados, numa decisão que pode até ser considerada anti-patriótica, decidiram cortar quatro feriados, incluindo o dia da Restauração da Independência e a Implantação da República!

Alegaram estes Pafiosos da pior espécie que os portugueses são uns piegas, uns preguiçosos que têm tinham feriados e dias de férias a mais, e vai daí cortaram quatro feriados, dois religiosos e dois civis.

Via Olhares.pt
Mas apesar de tanto terem feito mal aos portugueses, da crise se ter agravado e da dívida ter aumentado ainda mais com as medidas que tomaram, fomos a eleições no ano passado e a coligação deles, a PAF, o bando dos tais PAFiosos foram os mais votados, porque a maioria dos portugueses concordou com esse discurso de sermos uns malandros que trabalhamos muito pouco, apesar da verdada ser outra. Só que a democracia funcionou de forma inesperada porque os partidos de esquerda uniram-se, pela primeira vez, para os fazerem cair os pafiosos da cadeira. E em consequência disso, o novo governo começou a devolver os direitos e salários que a direita roubou. E um desses direitos foi devolver os quatro feriados roubados. 

Mas hoje o que me faz confusão é não ver enormes manifestações de PAFiosos a reclamar contra a devolução dos feriados! Onde estão as mais de dois milhões de pessoas que votaram na austeridade, no perpectuar das más condições de vida? Onde estão essas pessoas que acreditam ser uma enorme perda ficar em casa nos feriados?

Se essa pessoas de direita acreditam mesmo que é a explorar o pobres que o país ficará mais rico, se acham que apesar de já sermos das pessoas que mais horas trabalham na Europa, que ainda precisamos trabalhar mais, então não sejam hipócritas e vão trabalhar nos feriados.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

It's my Lai lai lai



Uma mistura de Bon Jovi com Dr Alban à maneira ucraniana...  Se não é a melhor versão de sempre, anda lá perto!



It's my life (cover) / Selo i Ludy


sábado, 26 de novembro de 2016

Definições: Capitalismo

"A liberdade que há no capitalismo é a do cão preso de dia e solto à noite."
AGOSTINHO DA SILVA

Tropeçava nesta imagem - que vale mais o que mil palavras -  e chegava à brilhante conclusão sobre o que é o capitalismo:

No fundo o capitalismo é mesmo isto: arranjar um problema que não existe, mas convencer o maior número de pessoas que este novo produto ou serviço, na maior parte das vezes completamente supérfluo, e até nefasto à sociedade, que é essencial para a sua vida das pessoas! As pessoas têm mesmo de comprar esta nova coisa, seja ela lá qual for, senão as pessoas serão infelizes. O capitalismo é isso, criar a ideia artificial que vende a felicidade, apesar de, ironicamente, nunca como agora o mundo viver deprimido a Xanax, Valium e Ritalina. 

E no capitalismo é preciso sempre mais. O tão propalado "crescimento económico" é isso. Por isso a propaganda do aumento da taxa de natalidade. São precisos novos exércitos de consumidores. Como é que a economia pode crescer se não se aumentam os salários? Só fabricando novos consumidores! Mais contribuintes! É preciso vender, vender sempre mais, até o mundo rebentar!


"Vendes um peixe a um homem, ele come por um dia. Ensinas o homem a pescar, arruínas uma fantástica oportunidade de negócio".

Toda a gente tem de querer ter o que toda a gente tem, toda a gente quer fazer o que toda a gente faz. Ainda hoje comentava que, desde que recomecei a trabalhar, comecei, de novo, a aperceber-me do que as pessoas fazem, dos seus hábitos e das suas rotinas. E só nos últimos meses, a moda passou de: andar à caça duns bonecos virtuais com o telemóvel, para ir fazer o máximo de compras no Lidl para ter umas miniaturas plásticas ridículas! E toda a gente só fala nisto naquele momento, até que passado um mês, já ninguém se lembra das Pokemonas e do lixo plástico do Lidl e andarão todos completamente excitados com outra idiotice qualquer. 

"A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do muno das coisas"
KARL MARX

E como tal, para cada nova ideia, completamente idiota, existem exércitos inteiros de gente que quer logo comprar, consumir ainda mais, mais que o vizinho do lado. Ninguém quer ser diferente. Todos querem ser iguais, apesar de todos pensarem que são especiais e melhores que todos os outros.
Pensar diferente exige uma coisa dificílima que é... pensar! Para quê pensar se os outros o podem fazer por nós?

Auditorias de Qualidade: As Visitas Pascais nas Empresas

Já não sei ao certo por quantas auditorias de qualidade passei nas empresas onde trabalhei: internas, externas, nacionais e em maior número estrangeiras. Mas é curioso que, apesar de diferentes, porque as áreas de negócio são diferentes, em todas elas existe existem traços muito comuns.

E neste último dia de trabalho da semana, e enquanto estava sozinho a conversar comigo mesmo, cheguei à brilhante conclusão:

Uma auditoria de qualidade numa empresa é como a visita pascal para um católico!

Vejamos. Na Páscoa os católicos recebem em casa as visitas pascais, o compasso, como vulgarmente é chamado, um grupo, mais ou menos pequeno de pessoas, com a missão de irem abençoar a casa receber o dinheirinho para o entregar ao padre.

E nos dias anteriores, o que é que os católicos fazem?

Limpam avidamente em volta das casas; pegam em lavadoras de pressão e lavam passeios e muros; abrem portas e janelas, arejam as casas e aspiram tudo muito bem aspirado. No fundo, não fossem as visitas pascais e os católicos nunca que estariam com estes trabalhos.


Antes de uma auditoria de qualidade, o que é que se faz nas empresas?

A mesma coisa! Lá vem a empresa de limpeza limpar e encerar o chão. Limpa-se tudo muito bem limpo. Arrumam-se coisas que já deveriam estar arrumadas há séculos. E prepara-se um teatro, tal e qual como na visita pascal, para que no dia da auditoria esteja tudo muito bem ensaiado e se represente muito bem. E os auditores lá façam de conta que acreditam que se procede sempre assim, todos os dias do ano, com vista a receber um certificado de qualidade pelos procedimentos aplicados, ou, mais difícil, em manter os carimbozinhos, assinaturas de e-mail e não esquecer também as bandeirinhas com o logotipo da certificação da qualidade que já se conseguiu nos anos anteriores.

"Benditas auditorias" penso eu muitas vezes.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Conversas Improváveis VI

Hoje, estava eu no trabalho e à hora do lanche e liga-me a senhora minha mãe:

"Olha, ouve isto e vê se sabes o que é..."

Do outro lado quase não ouvia nada, e a minha mãe coloca o telemóvel junto à coluna do televisor e esclarece e aí sim fiquei a perceber o insólito da situação:

"São os Moonspell que estão no programa do Goucha a tocar! O vocalista até tem um cabelo assim do tamanho do teu... e até é muito giro"!!



Enquanto falava com a minha mãe caía uma mensagem no telemóvel. Depois de desligar a chamada fui ler, e era uma amiga minha a contar-me a novidade que eu já sabia!

"É o fim do mundo" disse ela.. "Nota-se que é Black Friday"!

Bom, depois disto eu já esperava tudo, mas de facto, muitas vezes, as pessoas conseguem surpreender-nos!

Depois de uma ida ao Preço Certo do Mendes e de ter estado no programa das manhãs do Goucha, qual será o próximo passo dos Moonspell? Tocar no programinha-peditório deprimente de domingo à tarde da TVI?

- Ou será que o Fernando Ribeiro se prepara para posar nu para a revista da Cristina Ferreira?


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Nunca me deixes IV



"Never Leave Me" / Dusk... and her Embrace - Coffin Box - Cradle of Filth / 1996

# Nunca me deixes III

Conversas Improváveis V

Ao lanche, folheava eu o novo catálogo de pontos da BP que estava por lá pousado. Depois de ter tecido alguns comentários depreciativos sobre estas campanhas de fidelização das petrolíferas, fecho o catálogo, e reparo que a imagem da mulher, mais parecia ter sido colada sobre a imagem de fundo. 

Em conversa com a minha colega:

Nesta impressão, parece que colaram ali a imagem da mulher. Ora vê...

- "Fogo, essa gaija tem é umas mamas grandes para caraças"!




Como fica facilmente demonstrável por esta situação, mais do que os homens, são as próprias mulheres que mais reparam nos atributos físicos das outras mulheres!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Faz hoje 26 Anos

17 de Novembro de 1990

Durante a semana arranjei a trocar com um colega da escola uma moeda de 2 Centavos (a mais antiga que tinha) e que datava de 1920 por outra de 5 Centavos de 1927, o ano em que o meu avô tinha nascido. Claro que a moeda que eu tinha era sete anos mais antiga, deveria valer mais alguma coisa ou ser mais rara, no fundo eu estava a perder, mas para mim era mais importante ter uma moeda do ano do meu avô, por isso eu saía sempre a ganhar: uma moeda com os mesmos anos do meu avô?isso era espetacular!

Naquele sábado de manhã eu saí bem cedo de casa, bem agasalhado e fui para casa dos meus avós, especificamente só para mostrar, cheio de orgulho, aquela moeda ao meu avô. 
Metade do percurso o caminho era feito pelo meio do mato, e outra metade num estradão largo de terra batida. Eu vestia um casado preto, que na altura lhe poderíamos chamar de Kispo, mas não era Kispo. Era um casaco de marca, de qualidade, com uma letra ou símbolo vermelho do lado esquerdo do peito, mas de outra marca qualquer. Era um casaco que os meus pais nunca que me poderiam ter dado porque não tinham dinheiro para tal. Foi uma das muitas peças de roupa usada que usei em criança e adolescente. 

A casa dos meus avós era a única casa junto ao rio Douro, num fundão, bem longe das casas mais próximas. Num local daqueles é importante ter um cão, que faz o papel de guarda, avisando quando alguém se aproxima. Quando cheguei a casa do meu avô vi que o cão estava solto mas não liguei, continuei a andar e virei-lhe as costas. Aquele era um cão preto, mas acho que também tinha uns castanhos, e que costumava estar preso a cadeado junto a uma casota, fora de casa e até fora do terreno dos meus avós, abrigado por pinheiros e eucaliptos. 

E eis se não quando, do nada, silenciosamente, e vindo sei lá se onde, sou atacado pelas costas pelo raio do cão. Nunca lhe fiz mal nem bem. Não tinha qualquer relação com o bicho, mas ele conhecia-me bem, pois como é normal eu frequentava a casa dos meus avós com frequência.  

Só sei que do nada senti-lhe os dentes a entrar na minha carne. Ele era grande mas nunca me conseguiu deitar ao chão. Acho que foi a minha sorte. A outra sorte foi aquele casaco bem resistente que trazia vestido. Os meus berros deveriam ser bem altos. Dias depois, algumas pessoas, lá do outro lado do rio, quando por ali passaram por casa dos meus avós - naquela altura havia um barqueiro para atravessar as pessoas de uma margem para a outra - perguntaram o que se tinha passado pois tinham ouvido alguém berrar do lado de cá. 

A minha avó estava a lavar a roupa lá mais abaixo, mesmo perto do rio, num pequeno tanque, aproveitando uma fonte natural que por lá existia. Foram muitos minutos em que estive envolvido com aquele cão a lutar para sair dali o melhor possível. Lembro-me de lhe agarrar com força pelas orelhas e puxá-lo para o afastar de mim.

Foram muitos minutos. Intermináveis. Só quando a minha avó conseguiu chegar cá acima o cão deixou de me atacar. Ironicamente ali mesmo em frente, a poucos metros de mim, dentro de uma pequena casa contígua à casa-mãe que o meu avô construiu para o filho do meio, a mulher desse meu tio escutava tudo o que se passava e não fez nada. Bastava vir cá fora e chamar o cão e tudo acabava. Mas não veio. Deixou-me estar ali a ser mordido uma e outra e outra vez...sucessivamente. 

Lembro-me de estar já deitado na cama dos meus avós e só querer a minha mãe. E a minha mãe haveria de chegar... E haveria de chegar depois a ambulância.

Pediram-me para mentir e eu menti. Quando no hospital a polícia me perguntou, eu disse que tinha sido um cão vadio... como se fosse costume os cães vadios ferrarem as pessoas. Acabou por não acontecer nada ao cão que me mordeu... coitadinho do bichinho lindo! Acabou por morrer mas de morte natural. Também não tomei as injeções que me tinham prescrito por causa da raiva. 

Já não sei em que momento acabei por mostrar a moeda de 5 Centavos de 1927 ao meu avô. Nem sei se ele valorizou... mas claro que ainda a tenho comigo e faz hoje vinte e seis anos que tudo isto aconteceu.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

As mentiras que se contam na rede

Passava agora pelo Pinterest, site onde por norma vou roubar imagens para ilustrar aqui o blogue (quando não uso as minhas) e deparo-me com esta imagem seguida do seguinte comentário:


"A história: Estas cadeiras foram aqui deixadas para um casamento em 1939 na Polónia. O casamento foi abandonado devido à invasão alemã. Elas foram encontradas novamente depois da guerra com as árvores que cresceram através deles. Todos os anos são repintadas."

A história é enternecedora de facto. "Que bonito" dirá qualquer pessoa. Mas eu comecei a olhar para aquilo e .... quer dizer... Que grande sorte, em cada cadeira nasceu uma árvore. Nenhuma árvore nasceu ao lado, todas acertaram! E depois, para árvores que nasceram nos anos quarenta do século passado, e que têm agora mais de setenta anos, estão umas árvorezinhas muito magrinhas coitadas! 

"Isto não pode ser verdade", pensei.

E não é. Bastou uma breve pesquisa para desvendar o mistério. 

Isto nada mais é que uma obra ( de 2001) do escultor francês Patrick Demazeau "As Quatro Estações de Vivaldi" ao longo da estrada Haut-bois e Faulx em Namur na Bélgica. E muito do trabalho de Demazeau envolve justaposição de móveis e natureza, que simboliza as árvores (que passam a vida de pé) oferecendo assentos para compartilhar com os caminhantes e sonhadores que se deparam com eles:



O meu primeiro CD

Passaram agora vinte anos. Foi no Outono de 1996. 

Eu vivia na era da cassete, mais ou menos pirata, e do Walkman inventado pela Sony que permitia meter-se lá uma cassete, de 60 ou 90 minutos e ouvir as músicas que lá metêssemos. E quando um lado chegava ao fim, abria-se a tampa da cassete e virava-se de lado. Mas eu ainda tive um Walkman muito à frente, que surgiu com a opção de Auto-Reverse (marcha-atrás automática) e então quando o lado A chegava ao fim, o aparelho, de forma automática, invertia o sentido de rotação do motor e reproduzia o lado B.

Já quase toda a gente tinha aparelhagens com leitores de CD e Discman (leitores de CD portáteis) menos eu. Estes novos discos de som digital faziam furor e em breve muita gente deixaria a cassete pirata e começaria a vender o CD pirata, muitas vezes com umas capas ranhosas a um conto de reis.

Por essa altura no meu Walkman rodava um album que tinha saído uns dois meses antes e rodava e rodava sem parar. Foi certamente o álbum que mais devo ter ouvido de sempre. Tratava-se do segundo álbum da banda inglesa Cradle of Filth: Dusk... and her embrace




















Ninguém tinha internet, mas nessa altura eu andava bem mais informado que agora. Lia o Bliz (que era um jornal semanal) comprava fanzines, e ia a lojas de música ouvir o que saía de novo, sem falar nos colegas que arranjavam uma nova cena qualquer e passavam aos outros. Nessa altura ainda estávamos muito longe de ouvir falar em partilha ilegal de música, tão simplesmente porque ainda não existia internet nas casas das pessoas. 

E depois de ter tido conhecimento que tinha saído uma edição extremamente limitada do Dusk...and her embrace, tratei de tentar arranjá-la... sim, mesmo não tendo onde reproduzir o disco! Mas não esquecer que eu já o andava a ouvir, numa cassete com a cópia do disco normal. 


Por essa altura, em plena baixa do Porto, quase em frente ao Via Catarina, existia a Roma Megastore com vários andares só de música e jogos lá mais em cima. Quando surgiu foi uma loucura naquela loja, só que, a uma loucura aparece logo outra, a Virgin Megastore no Via Catarina, que também haveria de fechar portas poucos anos depois, porque surgiu a loucura da pirataria digital e as pessoas deixaram de comprar discos. 

Mas foi na Roma Megastore que comprei essa edição especial, muito rara com duas músicas de bónus. Lá na loja creio que já só tinham uns três exemplares, e um foi para mim. Este caixãozinho especial custou-me três contos e quinhentos, mais ou menos o mesmo preço que uma outra edição especial mas não tão limitada (que nunca tive), e pouco mais cara que a edição normal em caixa de plástico. 

Mas este não foi o primeiro caixãozinho que comprei. Até hoje haveria de comprar mais três. Dois consegui-os para depois vender a bom preço, um a trinta e outro a vinte contos (sim, valorizou muito!) mas mais tarde, ainda haveria de comprar um outro para oferecer, autografado e tudo. Por motivos românticos claro. Ofereci-lhe um caixãozinho autografado por um dos guitarristas e tudo. 

Podia ter ficado com ele para mim e dar-lhe o que tinha, sem autógrafo. Mas não. O meu, aquele que comprei na Roma Megastore por três contos e quinhentos haveria de ficar sempre comigo, afinal foi o meu primeiro CD.