segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Nunca menosprezar o poder da negação

- Este governo manda-nos emigrar, rouba nos salários, nas reformas; corta nos médicos e enfermeiros e cobra impostos na saúde; encerra maternidades, tribunais, juntas de freguesia, mas são eles não são maus, é só um sacrifício, e depois, como que por milagre, vamos ficar todos bem de vida.

- O meu marido dá-me porrada todas as semanas, mas depois pede desculpa e arrepende-se e diz que é para o meu bem. E no fundo, ele é uma excelente pessoa e ama-me como ninguém.


- Estou a estagiar, trabalho oito horas por dia, só faço aquilo que os outros não querem fazer, não aprendo nada de relevante e não ganho nem um cêntimo. Mas isto não é escravatura, não senhor, isto vai ser muito importante para mim no futuro, todos estes trabalhos insignificantes, vão-me ajudar a arranjar um emprego espetacular no futuro.

- A praxe é dura. Sou humilhado, insultado e estou a ficar com graves problemas psicológicos. Mas isto é só para fortalecer o espírito de grupo e me sentir melhor integrado na universidade. Para o próximo ano já vou ajudar a integrar os próximos caloiros. A praxe não é nada bullying, custa muito sim, é um sacrifício e até há quem morra, mas é a melhor coisa do mundo. Aliás, não há nada melhor que ser humilhado!


Ricky Fitts: "My dad thinks I paid for all thhis with cathering jobs. Never underestimate the power of denial." (American Beauty 1999)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Viver sem televisão

A caixa mágica entrou na minha vida a preto, branco e numa escala de cinzentos, pois a cor só chegaria aos televisores portugueses em 1980. Em criança tinha dois canais, mas no fundo era um canal e meio, pois o segundo canal da RTP só abria as emissões ao fim da tarde. A televisão esteve também presente durante dois anos da minha educação, no primeiro e segundo anos da Telescola, em que nos primeiros dez minutos de cada aula, ligava-se a televisão na RTP2 e alguém explicava a matéria que se ia abordar nesse dia.

À noite, o Telejornal tinha só meia-hora porque não se enchiam os noticiários com chouriços como hoje, mas ainda assim, naquele tempo, pareciam-me que demorava uma eternidade a passar, pois queria era ver a novela que dava a seguir, e que aquela hora, toda a gente a via religiosamente. E depois de uma história, ou de um curto desenho animado, chegava a música do Vitinho, que apareceu a meio da década de oitenta e mandava as crianças para cama, numa altura em que as crianças não ficavam, como acontece hoje, acordadas e com televisão no quarto, até de madrugada. E de madrugada não havia publicidade noite dentro, as emissões acabavam, muito respeitosamente, ao som do hino nacional.


Só na década seguinte chegaria a concorrência dos canais privados, primeiro a SIC e depois o canal da igreja, a TVI. E foi à custa do canal de Deus, que o padre aqui da paróquia ainda embolsou uns valentes cobres, pedindo aos fieis que comprassem ações da TVI! E que boa ação que ele fez! Acho que o meu avô ainda deu cinco contos, e ficou sem eles, e sem as boas ações de Deus!
Nos meados da década de noventa chegava também a oferta da TV Cabo, e eu já estava eu a acabar a adolescência e já não me sentia minimamente atraído por programas infanto-juvenis. Gostava deles sim, mas foi no momento próprio, quando era criança, e quando infelizmente a oferta era muito escassa quando comparando com o que se passa hoje. 

Com os canais privados chegaram também as audiências, os patrocínios e a publicidade, e a obrigatoriedade de determinado programa, e do próprio canal privado ter audiências para assegurar a sua viabilidade económica. Se até então só existia um canal onde fazer publicidade, a RTP, canal esse que não tinha concorrência, e os programas eram integrados mais num serviço público de cultura, educação e divertimento, desde o alargamento da televisão aos canais privados, que a única preocupação que as televisões passaram a ter foram as audiências. No final dos anos noventa a SIC, poucos anos depois de ter aparecido no ar, já liderava as audiências, a curta distâncias ficava a RTP e a TVI afundava-se cada vez mais.

A SIC chegou, e trouxe consigo o programinha-deprimente, que explora a vida íntima das pessoas, com programas como Perdoa-me, All you need is love, Ponto de Encontro, entre muitos outros dentro do género, a fazerem a delícias do voyeurista português. Eram também os tempos da "televisão em direto", em que os homens das câmaras apareciam às frente das câmaras que estavam a filmar, era tudo ao monte e supostamente muito modernaço, nos tempos do do Big Show SIC do Baião e do macaco Adriano, e do Muita Lôco do Figueiras.



Curiosamente seria a mesma SIC a recusar o maior filão, o programa que trouxe a verdadeira televisão em direto, o maior explorador da vida alheia de sempre!
Eu já estava a trabalhar quando eu 2000 apareceu o Big Brother - O Grande Irmão, e não se falava noutra coisa. Era o programa dos dramas da "vida real"! E eu fui acompanhando esta primeira edição, desde logo porque queria saber como era, depois porque do ponto de vista da análise do comportamento humano achei que poderia ser interessante. O programa foi tendo o seu sucesso, mas foi depois de um concorrente agredir uma outra concorrente, com direito a abertura no Telejornal da TVI e tudo, que finalmente a coisa disparou, e o canal se tornou, até aos dias de hoje, líder de audiências.

Correndo atrás do prejuízo, a própria SIC, que recusou o Big Brother, passa rapidamente ao contra-ataque, numa coisa ao género do "se não consegues vencê-los junta-te a eles"! E aparece então com vários genéricos, mas de qualidade ainda mais duvidosa, como Acorrentados, Masterplan - O Grande Mestre (com Herman José e Marisa Cruz) ou o Bar da TV, mas os efeitos destes medicamentos genéricos não seriam os mesmo da droga original da TVI e rapidamente saíram de cena, ao passo que o conceito Big Bother, quatorze anos do primeiro, e de não sei quantas edições depois, continua no ar, sendo sempre - e não sei como! - líder de audiências em Portugal.


Televisão por cabo só tive muito recentemente, durante os últimos cinco ou seis anos talvez. Não acompanhei o fenómeno de uma juventude, que parece que foi o Curto Circuito e o canal onde dava e continua a dar, a SIC Radical. Mas eu tive televisão por cabo, não desejo específico, mas simplesmente porque foi a forma mais barata de ter Internet, e então, em relação ao que pagava, passei a ter uma Internet melhor, com a oferta da televisão por cabo, e como dividia a fatura com outra pessoa de família, pareceu-me ótimo.

Quando comecei a ver televisão por cabo fiquei como o outro, "maravilhado"! principalmente pelos documentários. Mas rapidamente o encanto desvaneceu-se, pois apercebi-me que no cabo a coisa repete-se, e repete-se e repete-se! E é uma verdadeira seca! Ultimamente tinha não sei quantos canais, na maioria em duplicado com os HD, e era só para fazer ginástica aos dedos, porque programação de jeito e que não fosse repetida era complicado encontrar. Com a televisão por cabo quase que deixei de ver os quatro canais de sinal aberto, excetuando uma ou outra coisa da RTP2, como o Biosfera ou algum documentário.

A maior maravilha e revolução que a televisão por cabo trouxe, foram as gravações automáticas, porque com as gravações tinha-se acabado de vez com a publicidade, e além disso, se não estava a dar nada de jeito no momento, podia-se sempre ver o programa que não pude ver e que deu noutro horário, num outro qualquer dia e isso era uma enorme vantagem.

Mas recentemente a pessoa da minha família, que vive no piso debaixo, e dividia a fatura de televisão e internet comigo, passou a trabalhar fora e só regressa a casa ao fim de semana, logo não pode usufruir nem da televisão (que já não via) nem da internet, e logicamente, estava a pagar um serviço que não usava, ao passo que agora precisava era de um serviço móvel de internet. E decidimos acabar com a nossa sociedade de televisão e internet. Ora eu sozinho, não ia pagar o valente roubo que o único prestador deste serviço cobra aqui na zona, e como tal comprei unicamente uma internet portátil e caguei para a televisão por cabo, porque quem não tem dinheiro (não deve) ter vícios. Mas já agora deixo o concelho - Quer baixar o o custo da sua fatura de televisão e internet? Não negocie o valor! Diga que vai cancelar o serviço! Ligam-se logo a dizer que fazem por menos de metade do valor! Interessante não é?

E de um dia para o outro fiquei sem televisão.
É verdade que tenho um televisor no quarto, mas que não dá televisão nenhuma, pois a partir do início do ano de 2011, assistimos, por um lado, a um dos maiores roubos generalizados de sempre, e por outro a um tremendo retrocesso tecnológico.

Tinha chegado a televisão digital terrestre, a TDT. As promessas iniciais era que as pessoas iriam ter mais canais em sinal aberto. Foi mentira. Outra das promessas era a de que a televisão passaria a ter mais qualidade que anteriormente. Outra valente mentira! Desde a introdução da TDT que os programas mais parece que são todos feitos em playback, sem falar que de vez em quando a imagem congela, ou então começa a desfazer-se aos bocados! Depois não é preciso ser muito inteligente para perceber que todo o processo entre o regulador ANACOM e a empresa regulada, a PT, foi tudo muito escuro e pouco transparente, beneficiando a PT duplamente. Por um lado a PT beneficiou pois financiou-se à custa das pessoas que tiveram de comprar os descodificadores, quando inicialmente seria a própria PT (como seria normal que fosse) a pagar para repor a televisão às pessoas, depois, aliciando as pessoas a aderir a um serviço pago da PT-MEO, e não terá sido coincidência que tenha aumentado o número de clientes em 185% no período de implementação da TDT. Ah pois é! Paga trouxa!

Quando fiquei sem televisão por cabo, refleti e cheguei à conclusão, que a oferta dos quatro canais não justificam sequer que compre um descodificador. A oferta televisiva é, nos dias de hoje, pobre, muito pobrezinha mesmo. Se em tempos gostava, por exemplo, de ver o Telejornal, hoje nem isso. Os Telejornais, se antigamente tinham meia hora como já disse, hoje têm o dobro do tempo na RTP, e nos privados tem mais de hora e meia! Os Telejornais já não são noticiários, hoje são mais manipulação, entretenimento e enche-chouriços. Os Telejornais, agora até têm convidados "independentes", geralmente dos quadros do PSD, em formato tempo-de-antena, que depois explica as notícias às pessoas, como se estas fossem umas deficientes mentais, que não as soubessem interpretar convenientemente. Assim é muito melhor, dá-se a notícia já devidamente higienizada e filtrada pelo crivo da manipulação política.

Se um canal se lembra de trazer um programa idiota mas que tem audiência, logo rapidamente os outros dois o seguem, seja para fazer programas de culinária, sobre gordos, crianças a cantar, ou os programinhas deprimentes das festinhas da terra, muito em voga agora. Se determinada pessoa tem um programinha deprimente com algum sucesso em determinado canal, logo é assediada e transfere-se para outro, ganhando um salário milionário, em algo muito parecido com o que se passa com as transferências dos jogadores nos clubes de futebol.

Por estes dias, enquanto passava os olhos pelas capas dos jornais, vi uma pequena referência à Ana Bola, que dizia que "A televisão começa a ser uma coisa para velhos". E tem toda a razão. Estou em crer que cada vez mais, a televisão como a conhecemos, ficará cada vez mais confinada aos velhos, ou aos doentes dos hospitais, ou a quem não tem outras alternativas, como a internet por exemplo.

Eu deixei de ver televisão. Há quem diga acertadamente, que a televisão estupidifica, quem sabe mesmo se eu não passe a ficar menos estúpido. Espero que sim!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O poder das mamas na publicidade

Por estes dias, juntei uns quantos livros do meu tio, a todas as coisas que já tinha à venda net. Qual não foi agora o meu espanto, quando constato que um simples livro, num único dia, bateu todos os recordes que alguma vez tive de visualizações num artigo!  

Logo um livro, quando se diz que os portugueses, por vários motivos, nem lêem muito. Mas qual foi então essa obra, tão fantástica, que despontou tamanho interesse? 


No caso, não creio que o interesse tenha sido causado pela obra literária em si, mas antes por uma capa mais sugestiva! O livro é Emmanuelle a Antivirgem.



Ainda assim, de sublinhar que, das noventa e sete pessoas que tiveram interesse em ver o anúncio, nenhuma se mostrou interessada na compra do livro! 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Quando a moda torna aberrante a natureza humana

O que é algo natural? É algo relativo à natureza, é algo verdadeiro, genuíno, inato, e por oposição ao que é falso, artificial, estranho e anormal. 

Não é de agora que o Homem atenta contra si próprio e age contra a sua própria natureza, modificando até características do seu próprio corpo, simplesmente porque alguém se lembrou de o fazer, e depois de uma estranheza inicial, toda a manada segue depois este comportamento disfuncional e adota-o como sendo algo normal, e começa-se depois, lentamente, a pressionar ainda que indiretamente todos os outros elementos da mandada, as ovelhas negras, que ousam resistir ao pensamento geral, como se fossem elas as anormais.

O que é hoje inato, natural e normal, pode muito bem amanhã ser uma aberração, fruto de um processo de estupidificação geral, de uma moda que cria e instala uma mudança, com o fim óbvio de ganhar muito dinheiro à custa da ignorância alheia. 

Nos dias de hoje, é muito fácil, escandalosamente fácil até, manipular as pessoas sem que elas se apercebam. Muito provavelmente, até eu mesmo, que me tenho por pessoa bastante racional. sou manipulado, por exemplo, pela publicidade e se calhar sem me aperceber. Mas existem coisas que são demasiado óbvias, para que as pessoas não reparem que estão a ser totalmente enganadas e manipuladas.

Acho que o mais recente exemplo, da massiva manipulação da ingenuidade alheia (ou estupidez mesmo) foi a invenção das pulseiras milagrosas. Nos anos oitenta com a Tucson, recentemente, e na presença de uma juventude bem diferente dos seus pais, com estudos (pena é ser diplomada em estupidez) apareceu a pulseira milagrosa do equilíbrio.

No que se refere ao corpo propriamente dito, a moda desde sempre atacou unicamente a mulher, porque as mulheres querem-se bonitas, para serem alvo da cobiça do homem e conseguirem um bom partido, o melhor casamento possível, enquanto que por outro lado, os homens, esses, queriam-se "feios, porcos e maus". 

O mais recente ataque à natureza humana, do que é verdadeiramente natural como falava no início, teve a ver com os pêlos, e em particular com os pêlos púbicos femininos. 
- O que são os pêlos púbicos? São aquilo que marcam a diferença entre uma criança e um adulto. As crianças não têm pêlos nem nos sovacos nem nos genitais, é só quando entram na fase da puberdade é que estes começam a nascer. Mas recentemente a moda veio dizer às pessoas que a natureza está totalmente errada! Ter pêlos é mau. Ter pêlos é feio. Ter pêlos é até nojento!  
A natureza colocou pêlos por todo o corpo dos mamíferos, e nas pessoas colocou-os na cabeça, nos braços, pernas, sovacos e genitais, e diferenciou o homem da mulher através das hormonas masculinas e femininas, dando por exemplo, barba aos homens, mas a natureza errou! E as modas vieram até corrigir todos esses erros, corrigir até - imagine-se o seu poder! - vieram corrigir a palavra de Deus, que disse que o cabelo da mulher nunca deveria ser cortado! E como isto tudo é muito irónico, como as mulheres cristãs desonram o seu Deus cortando o cabelos, e no caso, a palavra é mesmo desonrar, pois o que está escrito é "Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu." 

A origem do Mundo - Gustave Courbet - Museu de Orsay - Paris

Mas o que seria dos cabeleireiros se as mulheres não cortassem os cabelos? Os cabeleireiros não existiriam e tinham de ir fazer outra coisa qualquer. Provavelmente tosquiar ovelhas! Se calhar os primeiros cabeleireiros foram tosquiadores, e a ideia nem é assim tão estapafúrdia, tendo em conta que, por exemplo, como é sabido, os primeiros cirurgiões ou até os primeiros dentistas eram barbeiros. 

Entretanto no século vinte chegaram os biquínis, de cada vez mais, reduzidas dimensões. Criou-se a ideia que era feio verem-se os pêlos das virilhas, e lá começaram as mulheres a subir com a depilação. De tão reduzidos que se começaram a fazer, que até se lembraram de passar um fio pela greta e pelo rego, e cada vez mais pêlos tiveram de começar a cortar, até que a moda começou a meter nas cabecinhas ocas das mulheres, que o melhor mesmo era cortar todos os pêlos públicos! Bonito mesmo é ter uma cona rapada tal qual uma criancinha. Ao princípio gerou repulsa, como aliás é normal em todas as modas, mas aos poucos e poucos, a moda começou a vencer o combate contra a natureza. Mesmo que fosse doloroso, desconfortável, mesmo que fosse um gasto de dinheiro constante, seja em esteticistas, máquinas elétricas, cremes ou lâminas, o que é certo é que, aos poucos, quem era normal passou a ser anormal e vice-versa.

A lindíssima Júlia Roberts, pouco preocupada com as suas axilas

Se a coisa começou primeiro pelos sovacos, rapidamente, no início do novo milénio as conas rapadas começaram a vencer a guerra contra as conas naturais. Depois o marketing, principalmente o da pornografia (não fosse o sexo a coisa mais procurada) deu uma importante ajuda. Se formos ver revistas de mulheres nuas dos meados do século passado e comparar com os dias de hoje, as diferenças serão abissais. Começando que naqueles tempos, as páginas tinham fotografias e hoje design gráfico, e antigamente as mulheres eram naturais e hoje é uma qualquer coisa cheia de silicone, botox, e pele de golfinho. 

E se a moda conseguiu o incrível feito de apagar todos os pêlos da mulher, esgotou ali o seu mercado. O que começou a fazer então? Virou-se para o homem! Começou a meter na cabeça dos homens, que para se ser verdadeiramente macho,  tinham basicamente de se parecer com elas, as mulheres! A coisa começou pelas barbas, e basta observar que no fim do século passado, já quase que não era de bom tom ao homem usar barba, muitas empresas nem sequer o permitiam, e mesmo o viril bigode, ainda que muitas vezes usado para disfarçar a homossexualidade, foi também abandonado. Os homens queriam-se agora com a carinha tal qual a mulher! Até porque é uma coisa extremamente prática, todos os dias de manhã, ter de passar uma lâmina pela cara, e muitas vezes chegar em emprego com uns quantos cortes!

Com o novo milénio, a moda conseguiu finalmente o que pretendia: apaneleirar os homens! E isso também não é totalmente estranho, tendo em conta que na moda, ela mesma, está cheia de reputados estilistas abichanados! Primeiro chamavam-lhe ao novo estilo metro-gay-qualquer-coisa-apaneleirada, mas agora deixou de ser estilo e instituiu-se. Hoje o estereótipo do másculo moderno, é um tipo que rapa os pêlos da cabeça aos pés. O macho moderno que se preze, tem agora mais cremes que qualquer mulher, conhece todos os seus ingredientes dos cremes, usa os mesmos brincos e bolsas que as mulheres usavam, e tem mais desenvoltura uma pinça na mão que qualquer outra mulher! 
Há uns tempos uma amiga dizia-me "qualquer gaijo que use mais cremes que eu é paneleiro". Mas cada vez mais, qualquer homem que pense pela sua cabeça, não compre as milagrosas pulseiras do equilíbrio ou outras quaisquer  bigigangas modernaças, e não tenha a pele como um golfinho, ou não use mais cremes que uma uma mulher, será olhado sim, mas como um verdadeiro homem das cavernas. 

O meu primeiro choque, a primeira vez que bati de frente com esta nova realidade foi no trabalho há alguns anos. A empresa estava a recrutar malta jovem, para trabalhos temporários, e então muitos rapazes foram para lá trabalhar. Certo dia, olho para um deles, e ele tinha um contorno a branco à volta das suas fininhas sobrancelhas. Não percebi muito bem, mas depois foi impossível não reparar, que o jovem fazia as sobrancelhas! E se eles não estivessem bem presos ao saco escrotal, bem podem acreditar que me tinham caído ao chão! E depois, aos poucos, comecei a observar outras pequenas coisas, como por exemplo, colegas com as mãos estrategicamente depiladas.  

Depois eram as conversas. Numa das últimas mudanças de sítio onde trabalhava, fiquei no meio de malta um pouco mais jovem que eu, ali na casa dos vinte e poucos. Certo dia conversavam eles "Ah, eu se um dia vou comer uma gaija, e ela tem ali aqueles pêlos todos, mando-a logo dar uma volta". E isso deixou-me a pensar. Antes de mais, como estes putos já nasceram com a lavagem cerebral feita, e depois, que esquizitinhos que eles eram. Estavam ali, com a verga pronta para o ataque, mas subitamente olham para o alvo e desistem de ir a jogo! Cá para mim acho é que muitos homens falam de mais e fazem de menos! Mas e eles? Teriam também eles os genitais com pele de golfinho? Provavelmente, pois senão, pela mesma lógica, já teriam eles mesmos sido mandados dar uma volta pelas mesmas mulheres, as tais com as conas rapadas, que eles diziam comer! 
No fundo é curioso, como os pêlos públicos para esta nova geração, passou então a ser um pré-requisito para o sexo. E eu que pensava que bastava ter tesão. Que ingénuo que era!

Veronique Devaldene - Penthouse 1978
As modas lavaram e higienizaram o cérebro humano. As pessoas querem-se agora todas iguais, sem rugas, com narizes iguais, lábios inchados, com as mamas e bochechas postiças, mais parecendo que foram picadas por um enxame de abelhas em fúria!
Mas querem-se também, principalmente com pensamento igual, todas muito obedientes como convém. Os anormais, esses, são agora aqueles que ousam pensar pela sua própria cabeça e resistem à estupidificação humana.  

P.S. Um estudo recente provou que a ausência de pêlos públicos aumenta em 400% a probabilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Os Reis da república

É curioso como há coisas que nunca mudam apesar de na verdade não fazerem qualquer sentido. Há cento e três anos que Portugal baniu a monarquia, porém, os maiores de qualquer coisa continuam a ser sempre os réis! Na maior parte das vezes são até auto-proclamados!

Há uns dias, dizia-me o meu vizinho "Oh pá, tu és o reio do azevinho"! Lá está, não disse que eu era o presidente da república do azevinho! 

Veja-se por exemplo no caso da morte de Eusébio. O homem morreu, e rapidamente alguém foi lá colocar uma coroa, o símbolo da realeza na cabeça da estátua. Lá está, ninguém foi lá colocar... pois é, e o que é que se ia lá colocar simbolizando a república? Os símbolos da república são a bandeira e o hino, mas a monarquia também os tem. Existe ainda a figura totalmente decorativa do busto da república, mais uma copiazinha francesa, mas que no fundo não é símbolo de nada.


Cento e três anos anos depois, já ninguém viveu no tempo dos dos réis, mas eles continuam a existir. Só na gastronomia temos o Rei das Bifanas, o Rei dos Cachorros, o Rei das Farturas, o Rei dos Leitões, o Rei da Pescada, o Rei do Bacalhau, o Rei do Choco Frito, o Rei dos Frangos....  quase de certeza que todas as iguarias terão o seu rei!

No fundo todos querem ser réis e rainhas, e na verdade, ninguém passa nenhum cartão à república, muito menos se assume como republicano. Ser republicano por oposição a quê? A nada, pois não existe mais nada. Podemos ser de esquerda por oposição à direita, aqui não, existe a república, fim. E na verdade, não se vê ninguém que defenda a monarquia a criticar a república e a chegar-se à frente, no fundo, nem os próprios monarcas colocam em cheque quem que os colocou fora-de-jogo.

Ninguém tem orgulho em ser republicano, mas todos têm o fascínio de serem réis, rainhas e príncipes. Basta ver o crescente sucesso que as feiras medievais têm tido, ao passo que a república já nem feriado merece.
Se calhar seria algo para os senhores políticos refletirem, em vez de se discutir se as mamas da república devem mudar de modelo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Considerações sobre a Virgindade

Por estes dias fiquei a saber que a Ordem dos Psicólogos repreendeu Quintino Aires, o conhecido sexólogo, por este, no programa "A hora do sexo" da Antena 3, ter criticado a virgindade aos vinte e seis anos de um concorrente do galinheiro da TVI, que alegadamente só queria, como bom católico apostólico romano, cometer esse grave pecado depois de casar. Mais do que comentar aqui o ridículo da queixa das virgens ofendidas deste país, ou o ainda mais ridículo condenamento da Ordem, vou aproveitar antes para refletir sobre o tema.

Para início de conversa fui ler o que diz o dicionário sobre a palavra virgindade, porque as palavras e as suas definições são importantes, para depois a partir daí podemos refletir.

Virgindade: Estado de quem nunca teve relações sexuais; pureza; candura.    

Posto isto, vamos então seguir o que nos diz a definição, e assumir que alguém só perde a virgindade, quando se envolve sexualmente com alguém. 
Mas então quando é que dispara o alarme e a pessoa pode dizer "já não sou virgem"? O que é que se considera afinal a primeira "relação sexual"? É um beijo? Estar no roço? É enfiar o pénis na vagina? E se forem dois homossexuais é o quê? Fazer um broche? E se forem duas lésbicas? Roçarem-se uma na outra? E se uma mulher se fartar de fazer sexo anal com diferentes parceiros e mantiver o hímen imaculadamente intacto, tendo a vagina tecnicamente virgem? Vamos considerar esta mulher como sendo virgem, apesar de ter alta rodagem traseira? Segundo a definição não, não é virgem, mas cheira-me que isto não é uma opinião consensual!
Outro exemplo, vamos supor um casal heterossexual, ambos virgens, que têm uma experiência sexual, mas em que não é conseguida a penetração vaginal, esteve quase, mas só mais à frente, com outro parceiro, é que é consumada a penetração. Estas pessoas perderam a virgindade quando? No primeiro contacto sexual, ou só vamos considerar a perda da virgindade quando a serpente bate no fundo da gruta?

No fundo, provavelmente nada disto interessa, a nossa vida é um conjunto de experiências e não temos de classificar tudo, mas é verdade que as coisas podem, nem sempre ser preto ou branco. 

Mais importante que assinalar a mudança de estado, de virgem para... - boa pergunta - qual é o antónimo de virgem?.. como dizia, mais importante será mesmo refletir sobre a importância ou não da preservação da virgindade. 

A Virgem / Gustav Klimt / 1913


Aprendemos, e eu sempre fui dessa opinião, que nos devemos guardar para que aconteça com alguém especial, que não o devemos fazer demasiado cedo... Mas quando olho para trás e olho para o meu caso, sei que sim, que esperei pela altura certa, (hoje se calhar diria que esperei demais) que foi com a pessoa que gostava e foi como deveria ter sido. Mas afinal hoje, de que valeu ter esperado pela pessoa certa para enfiar a serpente na toca, se anos mais tarde as pessoas acabam por se separar?
Não foi o meu caso, mas e se a pessoa guarda-se para uma pessoa especial, e depois o príncipe se revela uma valente merda?

Eu tinha um amigo que me dizia esta coisa interessante "para se casar tem de ser com uma mulher virgem". E isto é duplamente interessante de se analisar pois, ele queria uma mulher virgem para casar, contudo, todas as mulheres com quem não casou, de certeza que não as deixou virgens para os outros! E por outro lado, ele queria uma mulher virgem, mas elas já não tinham direito a uma serpente virgem! Acho que é o típico machismo, como nos casos de "se a minha namorada quiser trazer uma amiga para casa está à vontade" mas se a namorada sugere trazer um amigo está o caldo entornado. É a democracia que só funciona para um dos lados!

E nos dias de hoje, faz algum sentido que,  homem e mulher, esperem para depois de casar para ter sexo? Assim de repente até recordo um episódio solto da série "O sexo e a cidade", em que a Charlotte, a mais conservadora das quatro senhoras, que decide que, nesta última relação só teria sexo depois do casamento. Não era virgem, já tinha fornicado muito antes, mas decidiu guardar esse momento especial com esta pessoa, só para depois de casar. E decidiu fazê-lo apesar da imensa vontade que tinha que a coisa acontecesse de imediato! Isto é ficção, não é realidade, mas nesse episódio, creio que ainda mesmo de casar, no dia anterior, não resiste, e tem mesmo sexo, ou melhor tenta, pois acaba por descobrir por o mastro do rapaz não não endireita convenientemente! 

Uma casa, tal como um casamento, são para a vida (sorriso!), então vejamos a coisa por este prisma: Alguém no seu juízo perfeito compra uma casa sem a analisar muitíssimo bem? Não pois não? Então por que raio alguém não quer experimentar sexo antes de casar, com a única pessoa (sorriso!) com quem o vai fazer para o resto da vida? E se depois a casa não for do seu agrado? A casa ainda dá para fazer obras, mas há certas coisas que nem com obras lá vai!

O sexo é só sexo, não é mais nem menos que isso, mas ninguém pode achar que, sem experimentar, tudo depois vai ser fantástico, só porque se ama tanto aquela pessoa. Primeiro, não é por amarmos alguém, que o sexo com essa pessoa em particular será melhor ou pior que com outras pessoas. Pode ser fantástico e se calhar em sorte que seja, ótimo, mas também pode ser uma valente merda! E pior, se a pessoa nunca experimentou antes com outras pessoas, nunca sequer saberá que afinal aquilo poderia ser muito melhor do que é. 

Não quero com isto banalizar a virgindade, de maneira nenhuma, até porque só se tem uma oportunidade de a perder, logo, é bom que as pessoas estejam cientes disso, mas também não é preciso fazer um bicho de sete cabeças com isso. Acho que se deve valorizar, mas isso tem a ver com cada pessoa, e só cada pessoa sabe o quanto isso é ou não importante para si. Por outro lado, valorizar a virgindade a ponto de só escolher uma pessoa virgem para casar, acaba por ser tão ridículo, como nunca ter tido sexo com a pessoa com quem se vai casar! Além de que, hoje em dia, encontrar uma pessoa virgem para casar, só se for mesmo virgem nos ouvidos, e ainda assim, com tanto fetiche que para aí anda, não sei não! 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O fim dos verdadeiros ídolos

Aqui há uns tempos, quando ainda tinha televisão por cabo, apanhei na RTP Memória, uma entrevista com a Filomena Cautela (atriz e apresentadora de televisão) em que ela lembra uma conversa (muito interessante no meu entender) que teve com a sua mãe. Disse-lhe a mãe, esta frase fantástica:

"Na minha altura, as pessoas ignorantes tinham vergonha de o ser."

"As pessoas verdadeiramente admiradas, as figuras públicas, eram pessoas muito interessantes, e tinham de ser muito boas naquilo que faziam. Eram admiradas, ou porque cantavam muito bem, ou porque falavam muito bem, ou porque representavam muito bem. E os políticos (estamos a falar do tempo do 25 de abril) eram pessoas muito coerentes, muito sólidas no seu discurso. Hoje em dia não é assim, as pessoas mais admiradas, são pessoas sem nenhum conteúdo", ou completamente vazias (acrescento eu).

Relembrei-me destas palavras, ontem, quando ouvia na rádio algumas pessoas relembrarem Eusébio no dia da sua morte. E como tanta coisa mudou na sociedade portuguesa nos últimos anos, refletia eu, e como mudou radicalmente para pior infelizmente. A humildade, que sempre me ensinaram desde pequeno, que era uma grande qualidade, deixou de o ser, para passar a ser hoje um grave defeito. Qualidades hoje em dia são a má educação, a arrogância e a vaidade, e basta compararmos Eusébio (como outros do seu tempo), com os ídolos dos dias hoje.

Eusébio, para muitos o melhor jogador de futebol de todos os tempos, sempre disse que, na sua opinião, o melhor jogador de sempre não era nada ele, mas sim o argentino Alfredo Di Stefano que se notabilizou no Real Madrid. Curiosamente para Di Stefano, o melhor jogador de sempre foi o português Eusébio do Benfica. E é tão interessante fazer este paralelo com a realidade atual, pois nos dias de hoje, temos precisamente, um português, ídolo (da treta) de uma juventude, que passa a vida a dizer aos quatro ventos, que ele sim é que é o melhor do mundo, sempre, todos os anos ele é o melhor do mundo, bem melhor que o astro argentino, e que quem diz o contrário, o faz por inveja, pois ele é um rapaz muito bonito (e nada vaidoso) e muito rico!

Morreu Cunhal, pintor, escultor, escritor, e o político verdadeiramente romântico, que viveu na clandestinidade, que foi preso e espancado, mas escapou da prisão, e lutou sempre pela liberdade no país; morreu Amália, a rapariguinha pobre, que chegou a estrela tendo cantado nas melhores salas, e é conhecida em todo o mundo; morreu Saramago, o jornalista e escritor, maldito para os políticos de direita em Portugal (que ainda andam por aí!), e que foi admirado e respeitado lá fora que o levou a vencer o Nobel.

Se a Amália e o Eusébio foram os ídolos de uma geração (mesmo de quem nunca a viu cantar ou o viu  a ele jogar ao vivo) - quem são então os ídolos que a juventude portuguesa de hoje elegeu?

Fazendo mais uma vez um paralelo, e neste caso entre a música e o futebol, o que se passa hoje? Hoje na música, o maior cantor português, ou pelo menos, o sujeito que, unanimemente, mais gente junta nos concertos, é um cantor, ex-emigrante, conhecido por plagiar outros cantores estrangeiros!
No futebol, temos uma rapazinho, que tal como Eusébio cresceu em condições desfavorecidas, e que também chegou ao topo da carreira mundial, só que este, no processo, esqueceu-se das origens e mandou a humildade à fava, e ironicamente conseguiu, por um lado, ser venerado por muitos, e no entanto, ser detestado por outros tantos.

Os outros ídolos de hoje são estrelas instantâneas, empacotadas em massa, valendo-se de carinhas larocas, com pele de golfinho, com mais ou menos silicone, com cada vez mais botox, e que aparecem em programas de galinheiros, vistos vinte e quatro horas por dias nas televisões.

 A morte de Eusébio imortaliza o homem e o jogador, e acaba com os verdadeiros ídolos em Portugal.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Perder a noção do ridículo

Estávamos nos meados dos anos noventa e eu venerava uma banda portuguesa de heavy metal. Sentia-me até orgulhoso da forma como se conseguiram impor no cenário internacional. Na altura, a grande generalidade dos portugueses, nem sequer imaginava que tal banda, rivalizava já com Madredeus, pelo trono de banda portuguesa mais conhecida além fronteiras.

Entretanto chega o terceiro álbum e trás com ele a desilusão. Quebrou-se o encanto que não mais será recuperado. Há muitos fãs que, façam o que as bandas fizerem, manter-se-ão sempre fieis ad eternum, mas não é de todo o meu caso. Eu sou fiel sim, mas unicamente aos meus ouvidos, só. Assumidamente a banda quis experimentar outras sonoridades, mais acessíveis, é totalmente legítimo, provavelmente para chegar ainda a mais pessoas, mas este é sempre um processo arriscado que provoca sempre vítimas.

A partir daí continuei a gostar de Moonspell, mas musicalmente foi como se naquele momento tivessem morrido, e na minha mente só existissem aqueles dois primeiros álbuns, Wolfheart e Irreligious, que continuaram a passar no leitor de cassetes portátil que usava na altura, e mesmo hoje, continuam a passar no leitor de CD do carro por exemplo.


Apesar deste corte radical com a banda, não deixei de acompanhar o que iam fazendo, pois como é lógico ia conversando com amigos, lia a imprensa da especialidade, e depois com o acesso à internet andei pelos fóruns, ou seja,  fui sempre acompanhando o que a banda ia fazendo, ainda que agora de forma mais desprendida. Não foi por me terem desiludido, que deixei de manifestar, por exemplo, o meu apoio quando em meados da década passada decidiram aceitar um convite para fazerem uma versão de uma das suas músicas para o programa Contra-informação como, da mesma forma, achei positiva a presença no programa do Gato Fedorento.

Creio que na altura muitas vozes se opuseram, não foi o meu caso. Acho que quanto mais se desmistificar, que as pessoas que ouvem sons mais pesados são pessoas exatamente iguais a todas as outras melhor. Não acho que a cena metaleira tenha de viver escondida, como se estivesse na clandestinidade. Pelo contrário, deve-se mostrar à sociedade, e nesse particular acho que estiveram bem.

Mas entretanto, não sei o que se tem passado com a banda, mas, apesar da distância com que vou acompanhando os acontecimentos, parece-me grave terem perdido claramente toda a noção do ridículo. Não sei se é um problema do excesso de protagonismo que o vocalista claramente tem, e neste caso, vocalista e banda parece quase ser tudo a mesma a coisa. Não sei, mas quem vê de fora, parece que sim.

Eu nada tenho a obstar que um vocalista de uma banda de heavy metal entre num projeto musical com uma sonoridade completamente diferente, conjuntamente com diferentes músicos, como o Fernando Ribeiro fez ao entrar no projeto Amália Hoje, certamente até com o aval dos restantes membros de Moonspell. Mas começa-me a fazer um pouco de confusão - não sei se aos atuais fãs de Moonspell faz ou não - mas confesso a mim me começou a causar algum espanto, quando de repente, já não sabia muito se esta banda que eu idolatrava nos anos noventa, se tinha transformado nos Moongift ou nos Giftspell. E eu sinto-me muito à vontade nesta crítica, pois apesar de não ser propriamente fã de The Gift, nem desgosto da sonoridade, mas principalmente sempre admirei a forma empenhada, como lutaram pelo seu sonho quando as portas das editoras se fecharam, decidindo avançar pelos seus próprios meios.

Mas uma coisa são os The Gift outra completamente são os Moonspell. Acho que não é por duas pessoas iniciarem uma relação, que de imediato começaram a misturar os assuntos profissionais com os pessoais. O que não faltam para aí aliás, são exemplos de bandas que acabaram por causa das relações dos músicos. Aponto só um exemplo: Beatles! E não consigo compreender como é que estes dois vocalistas de duas bandas tão diferentes, não conseguiram separar as coisas, pois parece-me que foi muito pouco inteligente não o terem feito. Vamos agora supor que os restantes elementos de Moonspell também casavam com senhoras que até cantavam (e nem faço ideia se até não é o caso!) Iriam os Moonspell transformar-se numa banda de casaizinhos ao melhor estilo de ABBA? (outro exemplo de outra banda que acabou pelo mesmo motivo!)

Depois, há pouco mais de uma semana, creio até que foi na véspera de Natal, qual não é o meu espanto, quando passo os olhos pela televisão, que estava ligada para as moscas, e vejo de relance o Fernando Ribeiro no Preço Certo, programa de grande audiência de reformados, que se deslocam ao programa para oferecer enchidos e outras iguarias ao Mendes.

Não sei, sinceramente, começo a temer o pior, e não é com alegria que o constato. Um dia destes ainda ouço dizer que os Moonspell fazem parte do cartaz de um desses programas das festinhas das tarde de domingo da TVI, em que vão lá fazer playback para os parolos verem. Ou então pior, venho a saber que o Fernando Ribeiro e a Sónia Tavares entraram num qualquer Big Brother. Famosos pois claro.

P.S. Este texto foi escrito ao som de Wolfheart, primeiro álbum de Moonspell.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Filhos & Deus

Perguntavam-me ontem, o porquê de eu não querer ter filhos, alegando seguidamente elogiosas razões, segundo as quais, supostamente, eu daria um bom pai.

Por que é que não quero então eu ter filhos?

Só para chatear Deus!

Já agora, ouve lá, não achas que sete biliões já é um bocadinho de multiplicação a mais?

Pois, bem me parecia.



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Deixa chover


Samael - Rain

As nossas sementes - maiores  
 As nossas raízes - mais profundas 
As nossas árvores - mais altas 
E nós - mais fortes.